Na mesma semana em que ela descobriu que nenhum plano de saúde cobriria sua gravidez e você assinou os papéis do seu apartamento em Lisboa, eu fiz uma tatuagem no pulso, já que não poderia cortá-lo. Alguns dias depois eu pegaria um voo para Washington e me viria, uma vez mais, rodeada por paredes amarelas que eu mesma pintei num dia tal qual como hoje. Aquele dia era um dos últimos dias de verão aqui em Washington e eu estava em boa companhia, Moby e Bebel. No final do dia eu tinha uma sala feita de luz e dois cachorros amarelos.
Hoje eu peguei a bicicleta e desci a rua 14 até chegar no Trader Joe's, onde comprei duas garrafas de vinho e dois potes de Maple Syrup. Um pra mim e outro pra você.
Em novembro deste ano, dez anos terão se passado desde a morte do David. E nestes dez anos eu vivi a ausência dele de formas diferentes. Eu me apaixonei, me descabelei, me libertei, me re-encontrei e me abandonei. Passei a maior parte deste tempo vivendo a vida de outra pessoa. Eu tinha sonhos e desejos de outra e fiz uma força descomunal para me encaixar em planos que não reconhecia. Acho até que fui feliz, às vezes. Outras, fui miserável.
Moby também se foi, dormindo pacificamente, como somente os anjos podem ir.
Maribel ficou e sempre ficará. Maribel é o prêmio que me restou por tamanho sacrifício. O prêmio maior e única justificativa por ter vivido tamanho desencontro. Os meus dias seguirão cuidando dos meus amores, Maribel e Bebel. E cuidarei mais de mim. Pensarei mais em mim e pensarei sobre todas as coisas que ainda estão por vir.
domingo, setembro 07, 2014
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