Na mesma semana em que ela descobriu que estava grávida, você comprou um apartamento em Lisboa, e eu me desfiz de um casamento inventado. Tomei coragem pra desocupar aquela vida que não era a minha, aquele papel que nunca foi meu, aquela mulher que nunca fui eu. E corri pra cá sem demora e cá estou, essa mesma que sei quem sou. Mais velha, agora preciso dos óculos para escrever e uma vida para refazer.
Desta vez não vou me re-inventar. Vou buscar aquilo que gosto, aqueles quem não mais via, os filmes perdidos, os encontros nunca acontecidos, a solidão da taça de vinho. Eu nunca tinha tempo porque estes últimos anos eu apenas passei, quando deveria ter passarinho.
Me sentia estrangeira em minha própria cidade, uma alienígena da alma e um corpo pobre de espírito.
O sangue ainda escorre mas esse também tem hora para estancar. Os fios de meu cabelo já desbotaram, as mãos já não são mais as minhas e os dias agora são subtraídos de uma conta ainda desconhecida.
sexta-feira, agosto 29, 2014
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário