Sábado, Julho 05, 2008

Flipping out

Estou na Flip, vivendo em grande estilo os últimos dias que precedem o momento quando ganharei a minha família miojo, que é aquela que já vem pronta. Pensei que este momento das nossas vidas bem que poderia dar um bom reality show sobre life changing experiences. Podia mostrar você enchendo as caixas com as bonecas das meninas e levando pro correio para enviá-las pra mim, enquanto eu pinto de azul uma das paredes do quarto de M. As meninas experimentam as roupas que ainda lhe cabem pra decidir o que vale a pena trazer, os cachorros vão ao veterinário para terem unhas cortadas e para tomarem banho. Os amigos aqui ligam ansiosos querendo saber detalhes, os familiares de lá já exibem as primeiras lágrimas, eu visito escolas, compro um armário novo pro quarto de M e uma linda cortina de banheiro pra suite de S. Você vai a embaixada, negocia a venda do carro, conversa com o corretor de imóveis, leva a televisão LCD pro seu pai.
Ontem fiquei agoniada quando tentávamos conversar pelo celular em em meio a uma mulher, ou seria homem? que desafiava todas as leis da física ao caminhar pelas rua pedreguentas de Paraty com uma perna de pau enorme, enquanto as zinhas com que estou me diziam que meu café ia esfriar e você me perguntava, lá de longe, se eu te amava.
Me deu vontade de voltar antes só pra poder ter a disponibilidade que te achei necessária, só pra poder falar ao telefone com você e tentar te passar um pouco de calma, porque tenho te sentido nervoso nos últimos dias. Mas você com voz prudente me disse: Curta muito as tuas amigas, curta Paraty e a Flip porque sabe-se lá quando você poderá fazer isso novamente. É verdade. Sabe-se lá.
Hoje te perguntei se você tinha 100% de certeza do que estava fazendo. Você disse que não, e fez uma pausa mortal, na qual poderia ter se transformado no momento da minha morte tivesse um facão próximo do meu pescoço e tivesse você se demorado mais 10 segundos para me dizer: Tenho 1 milhão por cento de certeza, baby.

Sexta-feira, Junho 27, 2008

De para-brisa novo

Desde que comprei o carro, há mais de uma ano atrás, percebi que o pára-brisa não tava legal. Fazia um barulho estranho, arrastava pelo vidro, mais sujava que limpava. Me prometia ir trocá-lo na primeira oportunidade. E o tempo foi passando, e a cada dia de chuva eu lamentava por nunca ter trocado o dito cujo.
Na quarta-feira eu parei o carro na frente do banco, que também fica ao lado de uma oficina. E foi quando o celular tocou e alguém lá de Goiânia me falava da oficina que iremos fazer por lá em setembro. E ele me olhava falando no telefone, via que era coisa de trabalho, olhava em volta, até que pegou a minha bolsa. Depois a chave do carro, e quando me dei conta ele já estava entrando com o carro na oficina, só pra sair 10 minutos depois exibindo o novo pára-brisa, que ele mesmo tinha se virado pra se fazer entender. Dos tapetes de casa que há muito precisavam ser levados pra lavanderia e nem vou comentar...E o varal da cortina?! que tínhamos eu e Lú que nos virarmos pra alcançar o tal enquanto ele, com seus 1,90 apenas perguntou, é assim que você quer? Ai, as maravilhas de se ter um homem dentro de casa...
Mas ontem meu lindo foi embora, depois de passar 5 dias grudado em mim. Cinco dias de beijo no elevador, de abraço na escada rolante, de beijo no sinal, de andar de mãos dada, de andar pendurada nele. Não me lembro de já ter passado tanto tempo assim, ininterruptamente, com alguém. Foram 120 horas sem trégua.
Ontem, depois que ele cruzou a entrada da polícia federal sem olhar pra trás, minhas pernas tremeram, meu coração ficou na mão e minha mão começou a suar. E senti o peso da bola de ar que se fez no meu colo quando ele retirou de mim o último abraço. Fui andando pro estacionamento com a impressão de que alguém me seguia, ou me acompanhava. Eu já havia me desacostumado a falar sozinha, a andar sozinha, e olhar pro chão. Fiquei ouvindo o eco da voz dele falando palavras misturadas.
De noite, na cama mais fria e mais imensa, senti demais a falta de nossas línguas, que misturadas, dizem todas as poucas palavras de que necessita o amor.

Quarta-feira, Junho 25, 2008

Dela...pra nos

"Para ela
Junho 23, 2008
Ontem vi com meus próprios olhos e constatei que aquela viagem toda, aquela literal viagem, era verdade. Até então dava para sentir toda a paixão no ar, mas confesso que era aquela coisa adolescente, da menina apaixonada pelo cara que nem se tem certeza que existe. Mas ontem eu vi que ele existe. E ele é de carne e osso, é de um português atravessado e esforçado, e estava ali, todo para ela. O colo dele é exatamente do tamanho dela, e quando ela diz que se encaixou nele para uma noite de sono profundo, deve ter sido a mais pura verdade.

Confesso que fiquei emocionada vendo os dois. Por toda a superação de dor e dificuldades e distâncias e empecilhos destas vidas que se cruzaram. E principalmente porque eu acreditei que aquele amor era possível, ainda que todos à nossa volta dissessem que era perda de tempo.

Depois do que vi ontem, tenho certeza de que ela me fez acreditar mais no amor.

Mazel tov!"

Terça-feira, Junho 24, 2008

Taquizinh de pelanquinha

Passou o sábado, passou o domingo e a segunda-feira chegou. Abri meu e-mail e havia um milhão de mensagens esperando por mim. Podemos fazer as compras de material? Você já mandou a nota fiscal? O domínio do website vai expirar. Sua Mac account precisa ser paga. Por favor, faça a revisão daquele artigo sobre as drogas de malaria. Quando você vai terminar os manuais de bioinformática? Podemos marcar aquela oficina em PoA? Você está atrasada com o envio dos artigos para a OMS. Vou então comprar a passagem pra Curitiba, tá? Feliz aniversário! Por onde você anda que não te acho? Atende o skype pô, quero te dar parabéns!
PÁRA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!PÁRA TUDO!!!!!!!!!!!!!!
E aí a cabeça começou, ai Meu Deus estou atrasada com a OMS, preciso escrever, preciso me concentrar, preciso trabalhar, não quero trabalhar, quero dar beijo e tomar o terceiro banho do dia com ele, não quero atender telefone, como vou fazer? Será que sou capaz? Dá pra deslanchar uma carreira, dar conta dos milhões de trabalhos que tenho, e no meio disso ganhar uma nova família que já vem até com cachorro (como se fosse algo em falta por aqui).
Fiquei meio desesperada. Descemos pro Rio conversando sobre o assunto. Como farei tudo isso? Por onde começar? Como maximizar o tempo? Como dizer não para um novo trabalho? Como encontrar ajuda? Sociedade?
Fomos jantar no Rio pra celebrar meu aniversário com duas novas velhas amigas. Amigas do passado que temos em comum, amigas minhas, amigas dela, amigas dele. Novas velhas amigas que por conta do destino, e das tantas voltas inesperadas que ele dá, voltam a fazer parte da minha vida.

Feliz aniversário. Você agora tem 41 anos!

Domingo, Junho 22, 2008

aiiiiiiiiiiiiii

Ontem falei pra ele, que achava incrível o que a gente tem conseguido. Porque passamos duas semanas juntos em Abril, depois fui pro Egito, quando saí de Israel já sabia que estávamos começando a construir algo muito especial. Mas a paixão por ele veio depois, e pelo telefone. Ainda me restava um tequinho de dúvida se a paixão e o amor que eu sentia iriam estar no mesmo local quando eu o encontrasse ou se teríamos que voltar um pouquinho em todo avanço emocial que já tínhamos percorrido ao longo destes três meses, para que o corpo, o contato e a intimidade pudessem chegar no mesmo ponto. E o mais incrível foi ver que tudo evoluiu junto, não precisei de um minuto que fosse pra reconhecer o beijo, o cheiro, o toque e pra me encaixar nele durante uma noite de sono profundo numa cama pequena.
Ontem sentamos pra beber champagne, levei ele pra conhecer uma cidade que não conheço, porque ao longo deste tempo que estou vivendo aqui nunca sai de casa durante o dia. Só trabalhava durante o dia e de vez em quando saía a noite. Ontem, quando andávamos no shopping eu olhava em volta e achava que tudo era novo, até que me dei conta que era novo pra mim porque eu nunca havia saído de casa, e assim como ele tenho um novo lugar pra conhecer, e uma vida nova pra iniciar.
Hoje estou mais calma e com menos bobagens na cabeça, Estamos abrindo as caixas com as coisas que comprei na 25 pras meninas e ouvindo rádio Globo, num domingo de céu nublado e coração ensolarado.

Sábado, Junho 21, 2008

Apavorada

Hoje acordei às 4:40 de um sono que nunca dormi. Peguei o taxi e fui para o aeroporto esperar por ele, que na quarta-feira passada, quando me viu aos prantos por cansaço, por ansiedade, por esgotamento, por saudade, me disse: "Eu vou cuidar de você. Sim, estou indo." Chorei tudo de novo e passei os últimos 3 dias com o coração na mão.
Hoje quando ele chegou no aeroporto, e ficou comigo abraçado, e me escondeu do mundo por entre aquela abraço sem fim, minha vontade era a de nunca mais sair dali.Viemos pra casa, tomamos café, tomamos banho, nos beijamos muito e agora ele está dormindo. E eu? Eu estou apavorada. E se ele perceber que não me ama? E se ele não quiser ficar aqui? E se ele não quiser ficar comigo? E se ele mudar de idéia?
A menina que nunca se preocupou com estes planos está agora apavorada por não ter qualquer plano B.

Domingo, Junho 15, 2008

Sobre chocolates e leitoras

Leitoras queridas e maravilhosas do meu Brasil e do mundo todo, o que eu disse foi que "Quem acertar a surpresa (se não for ele vir antes), ganha um chocolate de Israel." Ou seja, se ele vier, ninguém ganha chocolate, só eu!!! Mas se alguém sugerir uma coisa bem maluca, do tipo, ele vai soltar um balão na cidade que vai ficar voando por 6 dias e por isso você não pode ir a canto algum nesse período, e ele, o Pinky, de fato soltar o tal do balão, aí sim, o chocolate é seu. Juro!
Mas olha, cada dia que passa estou mais convencida de que ele vem. É curioso que quando eu estou viajando a trabalho, como agora (estou no interior de SP), ele fica mais saudoso e mais meloso no telefone, e eu também. Acho que é porque nem aquele tempinho de telefone diário, que dedicamos um ao outro, conseguimos ter porque eu estou sempre na correria e o celular nem sempre comparece. Aí, na saudade do telefonema de ontem eu disse que não aguentava mais esperar mas que sabia que agora o tempo ia andar mais rápido. E ele disse" Você nem imagina como". Depois eu falei que ia correr no domingo que vem, quando voltasse pra casa, e hoje ele disse que vai correr junto comigo no domingo. Depois tentou fazer entender que íamos correr ao mesmo tempo, como já fizemos antes, mas em parques bem diferentes. Mas nada mais vai me tirar da cabeça que ele vai estar ali encostado no meu carro, no estacionamento do aeroporto a minha espera. Pensei: "Vou fazer uma surpresa na surpresa dele". Mas tud que consegui pensar foi em ligar pra Lu RightHand e pedir pra ela preparar a sobremesa preferida dele.
Ai Meu Deus, já pensou só eu e e ele, por 6 dias, lá em casa, no friozinho da serra...Ai que frio na espinha..