Vejo as luzes amarelas do Mirador do Morro Agudo. O Miradouro é meu quintal.
Resolvi retomar velhos hábitos na esperança de me sentir eu novamente, A verdade é que eu me dei tanto a tarefa de criar a Marabel, que virou minha filha, que me abandonei. Não abandonei no sentido estético ou físico, tenho 50 anos e estou muito bem para a minha idade. Estou saudável, bem fisicamente e o trabalho vai bem, Mas meu espaço interno ficou sufocado pela responsabilidade e cuidado que tenho tido com a Maribel estes anos todos. Me dediquei a ela de uma forma tão grande como só uma mãe o faria. Agora Maribel não mora mais comigo. Está na universidade e vive no Algarve, onde ela estuda. Ainda sou responsável por ela mas muito do espaço que ela ocupava se abriu e me esta enorme vontade de me re-encontrar dentro de mim.
Lisboa tem tudo o que eu poderia querer para mim. É mesmo um privilégio poder ter escolhido vir morar aqui. E é aqui, eu sei, que vou encontrar-me de novo com esse eu que ficou adormecido nestes últimos anos.
quinta-feira, fevereiro 08, 2018
terça-feira, fevereiro 06, 2018
Lisboa é meu lar
Fiquei com muita vontade de retomar desejos, sensações e emoções vividos há anos atrás, quando me sentava no quintal de minha casa em Washington para escrever neste mesmo blog. No início o que me moveu foi a paixão por aquele homem. Depois foi a emoção criada por cada dia vivido, depois as dúvidas, as descobertas e as expectativas. Escrever sempre foi muito bom.
E eu adorava os meus seguidores, amigos e desconhecidos que acompanhavam cada letra escrita, cada novo trocadilho que eu criava.
Mas agora estou sozinha. Preciso de óculos para escrever. Sentadinha aqui, pela primeira vez, no quintal ainda por arrumar até ficar do jeitinho que fique assim um ninho, no aparamento que comprei em Lisboa. Lisboa, essa cidade que me abraça todos os dias, que me acolhe como se eu fosse uma prima distante, com seus velhinhos adoráveis que esbanjam carinho e saúde pelas ladeiras da cidade de tantas colinas. Eu e Bidu, minha vira-latinha que trouxe do Rio comigo, que me olha nos olhos como quem diz "você não está só não, eu estou aqui".
Em Takoma Park ouvia o barulho do metro que passava atrás da minha casa, aqui escuto os carros e vejo as costas de um dos tantos miradores.
Há algo que se perdeu pelas muitas horas destes 10 últimos anos vividos. Não sei ao certo o que foi. Havia uma efervescência em mim que já não encontro mais. Havia uma luz, uma esperança em algo de extraordinário que eu acreditava que aconteceria a qualquer momento. Aos 50 anos me tornei invisível. A emoção acabou. Como retomá-la?
E eu adorava os meus seguidores, amigos e desconhecidos que acompanhavam cada letra escrita, cada novo trocadilho que eu criava.
Mas agora estou sozinha. Preciso de óculos para escrever. Sentadinha aqui, pela primeira vez, no quintal ainda por arrumar até ficar do jeitinho que fique assim um ninho, no aparamento que comprei em Lisboa. Lisboa, essa cidade que me abraça todos os dias, que me acolhe como se eu fosse uma prima distante, com seus velhinhos adoráveis que esbanjam carinho e saúde pelas ladeiras da cidade de tantas colinas. Eu e Bidu, minha vira-latinha que trouxe do Rio comigo, que me olha nos olhos como quem diz "você não está só não, eu estou aqui".
Em Takoma Park ouvia o barulho do metro que passava atrás da minha casa, aqui escuto os carros e vejo as costas de um dos tantos miradores.
Há algo que se perdeu pelas muitas horas destes 10 últimos anos vividos. Não sei ao certo o que foi. Havia uma efervescência em mim que já não encontro mais. Havia uma luz, uma esperança em algo de extraordinário que eu acreditava que aconteceria a qualquer momento. Aos 50 anos me tornei invisível. A emoção acabou. Como retomá-la?
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