terça-feira, fevereiro 06, 2018

Lisboa é meu lar

Fiquei com muita vontade de retomar desejos, sensações e emoções vividos há anos atrás, quando me sentava no quintal de minha casa em Washington para escrever neste mesmo blog. No início o que me moveu foi a paixão por aquele homem. Depois foi a emoção criada por cada dia vivido, depois as dúvidas, as descobertas e as expectativas. Escrever sempre foi muito bom.
E eu adorava os meus seguidores, amigos e desconhecidos que acompanhavam cada letra escrita, cada novo trocadilho que eu criava.
Mas agora estou sozinha. Preciso de óculos para escrever. Sentadinha aqui, pela primeira vez, no quintal ainda por arrumar até ficar do jeitinho que fique assim um ninho, no aparamento que comprei em Lisboa. Lisboa, essa cidade que me abraça todos os dias, que me acolhe como se eu fosse uma prima distante, com seus velhinhos adoráveis que esbanjam carinho e saúde pelas ladeiras da cidade de tantas colinas. Eu e Bidu, minha vira-latinha que trouxe do Rio comigo, que me olha nos olhos como quem diz "você não está só não, eu estou aqui".
Em Takoma Park ouvia o barulho do metro que passava atrás da minha casa, aqui escuto os carros e vejo as costas de um dos tantos miradores.
Há algo que se perdeu pelas muitas horas destes 10 últimos anos vividos. Não sei ao certo o que foi. Havia uma efervescência em mim que já não encontro mais. Havia uma luz, uma esperança em algo de extraordinário que eu acreditava que aconteceria a qualquer momento. Aos 50 anos me tornei invisível. A emoção acabou. Como retomá-la?

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