sábado, agosto 23, 2008

De 23/8/2008 a 14/7/2007



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2008-08-23T12:46:06.392-03:00
Atras da Margem
Da seção de achados e perdidos do meu coracão.
Diz mais ou menos assim...
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Atrás da margem
Setembro 2002

Já sei que se eu soubesse o que hoje sei, jamais teria sofrido. Se não tivesse sofrido o que hoje recordo, jamais seria quem hoje procuro. Hoje estou em paz com o mundo. Hoje tenho tempo, muito tempo. E meu coração está gelado. Adormecido. E já não mais posso escrever. Aonde se esconde a beleza que existe na antítese da lágrima? Se o sorriso também carrega sua poesia, preciso aprender a sorrir. Ou reaprender a escrever. Ou talvez nunca tenha escrito. Verdade é que, como minha mãe, sempre tive medo de cair da caixa alta. Já desde cedo tinha vertigem.

Mas eu, rascunho que sou, tentava me encontrar no emaranhado das minhas malucas entrelinhas. Batia a cabeça na quina do papel, sentia-me claustrofóbica entre parêntesis e já com falta de ar, quando por fim me permitia uma vírgula.
Precisava mesmo dar um tempo. Quando tinha fome, comia sopa de letrinhas, quando tinha pressa pulava como maluca de parágrafo em parágrafo. Sempre prematura e ofegante, chegava todos os dias a lugar nenhum, religiosamente a mesma hora. Nunca rimava e sentido não fazia. Tudo me vinha como um tapa na testa acompanhado por uma sensação de abondono. Dizia que foi a falta, desde cedo, da figura do travessão na minha vida. Ou a falta de limite, ou quem sabe, a necessidade do ponto. Teimava em abusar das reticências mas não cedia, deixava o não dito pelo dito. Ao meu modo, fazia minhas orações. E achava que tava claro, que tava bonito. Quando terminava, vinha o alívio.

Naquele tempo eu corria em linha reta e quanto mais corria mas tinta sobrava, quanto mais palavras gastava, menos se perdia. Tudo se juntava. Eu era denúncia, vergonha e mais que tudo era sonho de figura. Queria o que hoje tenho, pedia e pedia. A todos que por perto passasem eu pedia, aos minúsculos e aos maiúsculos, eu implorava. Falava palavras grandes, vedadeiros palavrões. Aos berros, eu exclamava! Mas voz passiva, isso eu me negava.

Verdade mesmo? Nem sei se seria capaz de reconhecer minhas próprias aspas, entregues a tantos sujeitos que mais tarde se revelariam todos ocultos. Na esperança de proteger verbo e advérbio já tão doloridos, por vezes me escondi atrás da margem. Ficava de lá espiando, sabia que no fundo só havia uma dimensão. Não tinha para onde fugir. Às vezes me enchia de coragem e inutilmente lutava contra minha própria sentença.

Assim, assistia minha vida sendo ditada por uma mão nervosa que obedecia cegamente ao sonho de mais uma paixão transitiva que o tempo, certamente, tornaria amarela. Aquela não era eu.

Hoje vivo adormecida no verso da folha. Abro os olhos vez por outra na eterna procura por um objeto direto. Não gosto do que vejo. Tenho receio que os acentos revelem o medo agudo que se apossa sobre um corpo que já não reconheço, e que adormece circumflexo dentro de um colchete vazio.

Mas os dedos, estes estão sempre inquietos a procura de uma tecla que traga conforto, uma tecla amiga que aceite a preposição sugerida, uma tecla memorável que me torne inesquecível, ou uma tecla inesperada que traga resposta para a interrogação desta minha absurda sintaxe.





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2008-08-19T14:29:43.812-03:00
Um CNPJ pra chamar de meu
Depois do homem, me faltava ainda ter o próprio CNPJ. Mas já não mais. Estou terminando o processo de abertura de minha própria empresa, e acabei de alugar uma sala onde farei meu escritório. Passamos ontem e hoje pintados da cabeça aos pés por uma cor que se dizia natural urbano e tinha ares de um cinza neutro que na parede se revelou um violeta clarinho, que amei ainda mais. Amanhã pintamos os rodapés, penduramos a cortina, levamos a minha mesa de escritório, a cadeira de presidente e o computador. Na segunda-feira já estarei trabalhando no meu próprio escritório. Ha sim, vou comprar uma caminha de cachorro porque levarei o Moby pro trabalho comigo "A day at work with mamãe". Mas somente o Moby, porque aquela mimada da Bebel fica olhando pra minha cara o tempo todo e me tira a concentração. Moby não, Moby é cachorro, gosta de deitar no pé da gente, gosta de fazer companhia, e o barulho do ronquinho dele quando adormece é delicioso.
Por falar em ronquinho, você me perguntou aflita se estava tudo bem entre eu e ele. Porque no penúltimo post falei tanto das maravilhas da maternidade adquirida e tão pouco do casamento acelerado que você com seu nariz farejador foi logo mandando uma mansagem cheia de interrogações de amor. Agora tenho certeza na resposta. Sim, está tudo bem entre eu e ele, está tudo muito mais que bem. Apesar de, como eu te falei, ele ser a coisa mais diferente que já cruzou o meu caminho.
Mas hoje tenho certeza da minha resposta porque hoje escrevo este post do meu escritório, onde estou sozinha (se bem que ele acabou de fazer uma visitinha rápida). Mas já não sinto mais vontade de enfiar a cabeça dele na privada da e nem de sufocá-lo com o travesseiro. E agora sei. Estávamos os dois sufocados. Imagine; eu fui de uma vida pacata onde a única coisa que interrompia o silêncio das minhas tardes era o mimo de Bebel me pedindo atenção, para uma vida com um homem com quem no ultimo mês passei 98% de todas as horas junto! Veja bem, do nada, do zero, do no man at all, do nobody whatsoever para ele de manhã, ele no café, ele por perto enquanto eu tentava trabalhar, ele junto no supermercado, ele no almoço, ele na soneca, ele de tardinha, ele na corrida, ele na padaria, ele de noitinha fazendo lanche, ele vendo TV, ele com soninho já tarde, ele levando os cachorros mais uma vez lá embaixo, ele indo pra cama, ele, ele, ele…E no dia seguinte, ele tudo de novo.
Agora que tenho meu cantinho eu ligo no meio da tarde com saudades só pra perguntar o que ele tá fazendo e pra pedir pra ele me trazer jujuba. Eu adoro jujuba e eu amo ele. Pode descansar as suas interrogações. Estamos todos bem, meu bem.







-profile/016988792876050828741
2008-08-16T20:25:31.778-03:00
Um CNPJ pra chamar de meu
Depois do homem, me faltava ainda ter meu próprio CNPj. Mas já não mais. Estou terminando o processo de abertura de minha própria empresa, e acabei de alugar uma sala onde farei meu escritório. Passamos ontem e hoje pintados da cabeça aos pés por uma cor que se dizia natural urbano e tinha ares d eum cinza neutro que na parede se revelou um violeta clarinho, que amei ainda mais. Amanhã pintamos os rodapés, penduramos a cortina, levamos a minha mesa de escritório, a cadeira de presidente e o computador. Na segunda-feira já esatrei trabalhando no meu próprio escritório. Ha sim, vou comprar uma caminah de cachorro porque levarei o Moby pro trabalho comigo "A day at work with mamy". Mas somente o


-profile/016988792876050828740
2008-08-15T11:47:30.202-03:00
Seu diario
Ontem arrumando a bagunça de um quarto onde achei que acharia uma barata e uma mala com minhas inicias, mas diferente de em A Paixão Segundo GH, o que achei foi um diário seu escrito nos Estados Unidos, porque dizia: Silver Spring, 2004. Não li, é claro que não, e prometo te levar quando setembro chegar. Acho que o diária estava com aquelas outras coisas importantes que fiacaram e que eu trouxe depois, como as revistinhas do Chico Bento. Lembra?





-profile/016988792876050828741
2008-08-12T19:34:43.744-03:00
Ridicula
Oi, zinha da serra, agora multiplicada por quatro. Quatro emoções, quatro remelas nos olhos, quatro tempos, quatro delícias, quatro agonias, quatro quatro quatro quatro.

Outro dia li n'Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, que quando os amigos não escrevem já devíamos saber que estão sem tempo, vivendo. Quando nos escrevem, em geral, querem dirimir alguma dúvida, dividir uma agonia, deitar um cansaço, ganhar um afago. Quando não, é porque estão bem.

Folgo em saber que tudo corre de vento em popa e que a vida real, aquela vivida no dia-a-dia de uma casa com várias expectativas, vontades, sonhos, soninhos, idiossincrasias e maluquices, essa que te solapou por escolha, está bombando total. Fico feliz de verdade. Sinto saudades, é verdade, horríveis aliás. E não é ciúme, é saudade mesmo, genuína, verdadeira.

Mas ler você e saber como os emos guys, a Britney Spears e as equações de segundo grau entraram na sua vida me dá uma alegria e um orgulho tão grandes, que parece até que sou sua mãe. É, coisa de doido mesmo.. Mas agora que eu e a outra zinha descobrimos que somente se é feliz quando se perde o medo de ser ridícula, falamos as coisas mais escabrosas uma pra outra, sem medo de ser feliz...

Estamos todos bem. Bebel ainda tem dúvidas entre Bio e Psi, mas seu coração é de psicóloga e boto a maió fé nela... Uma beijoca grande nas meninas, nele, na Bebel e no Moby. Gente! E o Chiquinho, vc nunca mais falou dele. Como ficou essa história? Update me, please.

Beijão da sua,

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Meu coração,

Sei lá mil coisas. Começo assim para terminar sabe-se lá como. A vida vai assim, digamos, em três línguas e tudo que se diz tem que ser dito duas vezes. Porque sempre tem um ou que não ouviu ou que não entendeu. Aos poucos vamos sincronizando os vocabulários e escolhendo a língua que usaremos para as palavras que não nos podem faltar. Claro, tudo também depende do humor.

A vida vai bem. As meninas já começaram a escola e estão indo super bem. O mais importante é que estão interessadas e enturmadas, viraram a atração do local, afinal não é todo dia que se esbarra com um israelense aqui na serra. Hoje mesmo, já tem uma amiguinha da escola de S aqui em casa assistindo Indiana Jones, as I speak, I mean..as I write.
Além da escola estão fazendo aula de Português e S se animou com as nossas corridas e aos poucos começa a correr também. Em breve correremos os três e um dia daremos aquela prometida volta na Lagoa.

Mas claro, estaria mentindo se dissesse que tudo são flores, porque a vida não é feita de flores, mas de noites mal e bem dormidas, de mal humores, de alegrias, de agonias e de contas pra pagar que não param de chegar. Ele ainda não sabe o que fará e nem como fará, mas faz tudo dentro de casa e ontem, quando eu via Super Nanny, ele pendurou todas as minhas 87 calcinhas que eu botei de molho na máquina de lavar porque cismei que estavam com resquício de sabão em pó. Me esqueci das calcinhas e quando me dei conta estavam todas penduradas, uma a uma, e cada uma com grampinho. Essas são as coisas que ele faz.

Eu tenho trabalhado o necessário, somente o necessário, porque o extraordinário já seria demais de se esperar. Mas uma coisa me impressiona, estou conseguindo ler novamente. Acho que o momento da leitura virou alimento pra alma, porque é a única coisa, além das necessidades fisiológicas, que ainda faço sozinha. O resto deixou de ter bordas e margens há muito tempo. A minha cestinha de canetinhas que fica no escritório já está quase vazia, já perdi nem sei quantas calças jeans pra S, M se apoderou da minha caixa de 200 crayolas e os meus lápis de cor carrendache (sei lá como escreve isso e não vou olhar não) já estão espalhados pela casa. E eu...tô nem aí. Que venham suas mãozinhas cheias de 20 dedos.

E o curioso é que estou lendo algo quase que contraditório com o que vivo. Estou lendo "We need to talk about Kevin". Enquanto a autora escreve sobre as infelicidades de uma maternidade biológica mais que imperfeita, eu vivo a cada dia uma maternidade adquirida mais que perfeita. Desde o início eu anunciei que essa seria a parte mais fácil, quando muitos diziam que eu estava louca ou possuída. Verdade. Fácil. Fácil ajudar no dever de casa, fácil ler Ziraldo pra elas pela primeira vez, fácil agarrar M e encher ela de beijo, fácil bater papo quase cabeça com S, fácil falar de menino, de beijo na boca, de espinha e de carfree, fácil ficar na caminha ao lado esperando até M dormir porque ela escutou um barulho estranho, fácil botar uma Ana Maria na mochila de M, de surpresa, fácil descobrir como transferir as músicas do Ipod de S para um novo computador sem que ela perca as músicas, fácil conversar com a Tia de M sobre as aulas de reforço. Tudo muito fácil.

Em setembro eu vou te visitar minha amiga, e vamos tomar aquela cerveja que não podemos em Paraty, quando eu estava grávida de uma pílula que me deixou verde e com vontade de vomitar e esperava pela chegada de uma nova vida. Eu estava ansiosa demais. Mas em setembro vou até o planalto te dar um beijo e um abraço bem apertado, daqueles que só você sabe dar.

Um beijo, também da sua

PS- Chiquinho está passando "férias" na casa de uma amiga.





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2008-08-12T09:56:05.424-03:00
Jonas Brothers e outros conhecimentos
Eu achei que a minha vida era corrida e que eu não tinha tempo pra nada. Engano meu. Eu tinha tempo demais para mim mesma e por isso não sobrava tempo pra mais ninguém. Todos incomodavam uma solidão permanente que eu achava necessária para que o trabalho saísse. Eu realmente acreditava que o mundo tinha que parar porque euzinha tinha que trabalhar. Agora tenho tempo pra tudo. Tempo pra ajudar M e S no dever de casa com equação do segudo grau e tempos verbais que são muito mais que imperfeitos, jogar Ramikubi, assisstir High School Musical 2 e até assinar petição para que os Jonas Brothers venham ao Brasil. Imagina, vir a América Latina e não vir ao Brasil, como ousam? Tantas coisas novas que ando aprendendo. De Britney Spears à emo guys. Tudo muito interessante.
Ok, a verdade é que vou alugar uma sala fora de casa, mas que fica bem pertinho, onde vou trabalhar as horas que me são necessárias. Porque em casa só consigo trabalhar das 6 da manhã, quando levanto pra acordar S pra ir a escola, até as 10, quando M aparece na sala de pijama e olhos ainda com remela. Das 10 da manhã até o fim do dia eu fico entre re-instalar a biblioteca do Itunes de S, ver o último vídeo no YouTube do Simple Plan, correr no parque, comer chocolate, atender telefone, e fazer cafuné na Bebel. Até a sala sair, que deve ser em alguns dias, vai ser esta agonia. Oh agonia boa.





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2008-08-03T23:17:02.797-03:00
Cura para TPM
Hoje eu acordei péssima. Não queria sair da cama por coisa alguma. Tava de TPM. As meninas vieram no meu quarto pela manhã, enquanto o pai tinha saído para buscar Moby e Bebel na casa de uma amiga onde haviam passado a noite, e me perguntaram se eu não queria jogar Ramikubi. Eu disse que não estava me sentindo bem e que precisava ficar um pouco quietinha no meu canto. Eu tava mesmo naquele clima de cortina fechada, cara amassada e corpo encolhido.
Foi então que M me perguntou se eu queria que ela me trouxesse uma vitamina C, que ainda haviam sobrado algumas depois que eu obriguei todos em casa a tomarem vitamina C antes de irmos ao Rio, na noite anterior. Foi tudo idéia da minha prima: "Dê Targifor C pra elas que aqui todo mundo está doente", ela disse. Não deu outra, fiz todos em casa virarem a efervescência goela abaixo na noite anterior e também na manhã que fomos ao Rio para ver a Noviça Rebelde no Teatro Casa Grande. Apesar de ser todo em Português as meninas puderam entender a história porque na noite anterior botei o filme para elas verem, depois de nosso primeiro Shabat juntos. The Sound of Music é um dos clássicos da coleção de DVDs do David, que agora já é também um clássico pras meninas.
Hoje pela manhã M me oferecia o meu próprio remédio, como solução dos males dessa manhã nublada. Explique pra ela que o que eu tinha o Targifor C não podia curar mas que de qualquer modo já já eu iria me sentir melhor. Ela saiu e fechou a porta atrás de si. Aquele gesto dela me fez com que eu me sentisse tão querida que eu me levantei e fui pra sala ao encontro delas e pra jogar Ramikubi.
Mas a verdade é que não era apenas a TPM que me incomodava hoje pela manhã. Na verdade acho que tivemos nossa primeira crise familiar hoje. Talvez seja culpa de minha sensibilidade à flor da pele nestes dias de expectativa sanguinária, talvez a crise fosse de fato necessária. O fato é que hoje no restaurante falamos sobre o assunto, falamos sobre a solidão que me dá quando me sinto excluída porque a conversa em hebraico não me pertence, pedi que fizéssemos todos um esforço para que quando estivéssemos todos juntos que nos entendêssemos. S disse que não gostava quando ela perguntava algo em hebraico e o pai respondia em inglês e somente porque ela me disse eu entendi o porque da resistência. Ela disse: "Quando ele fala em inglês comigo é como se ele não fosse ele e sim um estranho." E seus olhos encheram d'água ali no restaurante. Eu me levantei da cadeira, dei um abraço nela e disse: "Eu sei que é difícil, também é muito difícil pra mim, but we are going to be OK."
Depois da conversa, que foi emocional e cheia de carinho, saímos do restaurante mais fortes e mais unidos. Viemos pra casa, fizemos pipoca e assistimos Indiana Jones, mais um clássico da coleção de DVDs do David, que curtimos juntos amontoados nos sofás de casa.





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2008-07-30T08:07:57.290-03:00
Brincadeira de boneca

Ontem fomos comprar o material escolar e o uniforme de M. Depois fomos comer nhoque, que afinal era dia 29. Quando chegamos em casa, M primeiro me perguntou se eu estava cansada e depois que eu disse que não estava ela então me perguntou se eu queria brincar de barbie com ela. Eu disse que sim e ela então finalmente abriu as caixas de barbies que eu havia comprado pra ela.
Quando eu fui à Israel eu percebi que todos os brinquedos e bonecas que ela havia ganho no aniversário dela, que havia sido pelo menos 3 meses antes d aminha visita, ainda estavam impecáveis nas caixas. Na ocasião eu perguntei porque ela não havia aberto as caixas e ele apenas respondeu: Not now.
Ontem, depois que eu disse que iria brincar de boneca com ela, ela rapidamente abriu as caixas, pegou as roupinhas que eu havia comprado na 25, em São Paulo, e fomos pra sala brincar no que um dia foi a minha coffe table da Tailândia, perto da lareira que ele já havia acendido.
A boneca dela era uma fada e a minha era aprendiz de fada. Ela me mostrou todos os testes pelos quais a minha boneca tinha que se submeter pra ser aceita como fada. Os testes me lembraram o filme Fame, já que sempre tinha um passo ou uma dança que ela tinha que fazer. No meio da brincadeira, sem mais nem menos, M disse que me amava. Ele, que estava sentado no sofá olhando a gente brincar, cerrou os olhos em mim, e eu, mais uma vez, tive que engolir seco e responder quase de forma banal: Eu também te amo. Minha vontade era a de pular nela e encher ela de beijo e abraço, mas isso provavelmente ia estragar a brincadeira.
Bebel se deitou perto de nós e acompanhava com movimentos as falas de cada boneca. Quando era eu que falava, Bebel olhava pra minha boneca, quando era ela, Bebel olhava pra boneca de M. Assim ficamos por quase 1 hora até a minha boneca manifestar que aquele treinamento pra virar fada era muito pesado e que ela precisava dormir. Mas não sem antes prometer que continuaria o treinamento no dia seguinte.
Também ontem, no meio das Lojas Americanas, entre xampus e cotonetes, M perguntou: Se vocês se casarem, vocês irão pra Lua de Mel? Ele respondeu: Acho que sim. Ela então perguntou: Posso ir com vocês? Respondemos os dois: I don't think soooo. Porque? Porque?, ela teimou com cara sapeca. Porque senão não é Lua de Mel, ele disse.
Depois, baixinho no meu ouvido, e ainda por entre chocolates e DVDs ele disse: "Se a gente se casar..."
Já a nossa teenager adora a própria condição e já criamos uma camiseta para ela que diz: "I'm a teenager. Be afraid".
Quando não quer conversa com ninguém ela solta essa pérola: "Leave me alone with my hormones. I'm a teenager."
Teenager indeed, e ainda assim adorável.





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2008-07-28T13:03:42.032-03:00
Restrições e Concessões
Outro dia, na hora do almoço eu disse que isso de cada um comer uma coisa diferente tinha que acabar. Todo mundo iria comer o que estivesse na mesa e não haveriam mais "special orders" pra ninguém. Ao terminar de dizer isso ele trouxe o bife que havia feito e me disse baixinho que havia frango pra mim no forno, já que há quase 7 anos eu não comia mamíferos (vaca ou porco).
As meninas então olharam pra mim, ele olhou pra mim, eu olhei pro bife sangrento na minha frente, pensei no frango que estava no forno, pensei de novo e disse: "Ok, no special orders". E foi assim que eu peguei o bife que me olhava de modo debochado e botei no meu prato. Fiquei olhando aquele sangue escorrendo pelas bordas, elas me olhando, ele me deu o garfo, Bebel ainda tentou esticar a língua e alcançar meu prato, respirei fundo e nhac! A partir de hoje todos comeremos de tudo. "Menos porco" ele disse. "Menos porco", repetimos.
Ontem foi um dia difícil pra mim. Fomos visitar a avó materna das meninas, e também um tio dele que mora aqui. O tio dela, e sua esposa, não sabiam da história e nem porque ele estava aqui e levaram tempo pra entender quem era eu no cenário."Você morava em Isarel?" "Não, eu morava nos Estados Unidos." E tive que explicar a história toda para uma tia curiosa e com infinitas conexões na comunidade. No final ele disse "Ótimo, ela fará o serviço pra gente e se há alguém na comunidade que ainda não sabia do nosso acaso, esse alguém será devidamente informado pelo primo do tio do vizinho da irmão do rabi da sinagoga mais próxima."
Depois fomos almoçar com a avó das meninas, que era pra mim o momento de maior apreensão do dia porque sabia que pra ela, mais do que todos, estava sendo muito difícil lidar com esta nova situação. E não a culpo. Se pra mim ainda é difícil, imagino como seja pra ela ver as netas andando de mãos dadas com uma mulher que de costas pode até parecer com sua filha, mas que quando se vira mostra outra face. Em certo momento do almoço ela veio se sentar perto de mim e olhando nos meus olhos me pediu que cuidasse de suas netas. Pronto, derramei minhas lágrimas ali mesmo, que elas já nem me pedem mais permissão pra pularem pra fora de mim. Ao me ver chorando as meninas vieram me abraçar. M. me perguntou porque estávamos as duas chorando. "Estamos com saudades da sua mãe, eu disse."
No caminho de volta pra casa eu vim muda. Vim pensando nela, e pela primeira vez comecei a considerar como verdadeira a brincadeira de metade que ela mesma havia criado para nós duas quando éramos meninas. Talvez seja mesmo agora a minha vez de cuidar delas e dele, talvez existisse alguma razão naquele jogo. Ou pelo menos esse talvez possa ser um canal menos doloroso pra mim e que me traga menos tristeza.
Outro dia ele disse meu nome, que é o mesmo que o dela, de um jeito muito especial. Naquele minuto que ouvi as sílabas escorregando de sua boca eu indaguei. "Será que sou eu realmente quem ele está chamando, ou será que é ela?" Depois mais tarde pensei: "E se formos nós duas quem ele chama, que diferença isso faz?" "E se o objeto de amor dele for de fato essa mulher que se mistura em uma e outra, que se confunde e se revela?"
Fiquei pensando como eu me sentiria se ele se chamasse David e percebi que eu certamente sentiria ainda mais esse amor que se mistura, que transborda, que carrega memórias de outros tempos, pratos, cachorros, cobertores, cartas e fotografias de todos nós.





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2008-07-26T20:59:11.972-03:00
Genes meus
Prima querida,
Li agora o email carinhoso, e também choroso, que você me escreveu. Posso apenas imaginar como você está se sentindo. Você, como eu, é a dona do pedaço é não tolera que outros, seja este outro uma coluna, uma gripe ou uma vértebra, limite seus passos. Não poder andar quando se quer correr e não poder correr quando se quer voar nos é intolerável. E a paralisação leva a depressão, coisa que li na suas entrelinhas. Me deu mais vontade ainda de ir aí te dar um abraço e um beijo.
E sabe, precisamos com urgência aprender a lidar com estas situações inusitadas, porque o tempo está passando e nossas vértebras, coluna e articulações não estão ficando mais jovens. Talvez tenhamos que aprender a ter prazer na limitação, ou então aprender a transformar o tempo de limitação em tempo de reflexão. Talvez a limitação que ocorre vez por outra, e que com o passar dos anos será ainda mais freqüente, seja o inverno necessário daqueles que só vivem o verão. Talvez seja o inverno daqueles que trabalham para ter dinheiro, daqueles que trabalham para se sentirem amados, daqueles que trabalham para existir. E isso cansa, né prima?
Descansa minha prima, tente fazer desse tempo o seu inverno, que é o momento quando sentamos na frente da lareira, e pensamos no ano que passou e no ano que virá e nos planos que temos pra nós. E também tentamos entender o que precisamos mudar para chegarmos um pouco mais perto da felicidade.
Um beijo enorme meu





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2008-07-25T20:57:17.732-03:00
Lembranças que ja nao temos
Entre uma bola desajeitada e outra ainda mais pesada, ela me pegou de surpresa ao me perguntar, enquanto jogávamos boliche, como eu iria me sentir se eu me casasse com seu pai e ela então me chamasse de mãe.
Quase tive um treco. Mas não deixei ela perceber e respondi de forma natural: eu adoraria.
Depois pegou a bola laranja e a fez rolar na pista e não falou mais no assunto. Eu corri pro baheiro pra que ela não visse que eu estava chorando.
Ontem eu fui pra cama cedo e ela veio fazer "bounding". Deitou do meu lado e me contou que não conseguia lembrar da mãe antes da doença e em todas as suas memórias ela já estava doente e que por isso não queria lembrar. Fiquei escutando com atenção olhando aquela menina linda de 10 anos me contando em inglês, e portanto na sua segunda língua, sobre as memórias que já não mais tem da mãe. Ela depois me perguntou se eu me lembrava do David antes da doença. Sim, eu disse pra ela, e contei que aquele cobertor super macio no qual estávamos deitadas foi o David que havia comprado depois de uma noite muito fria que passamos em nossa casa nos EUA porque o aquecimento não havia funcionado. Adormeci, na noite fria que fez ontem, com ela junto de mim.





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2008-07-24T18:29:28.851-03:00
Promessas
Ele me disse que ela havia prometido que iria encher o freezer de comida antes de morrer. David me prometeu que limparia a casa. Promessas não cumpridas.
Quando depois da morte de David contei das piadas horríveis que ele mesmo fazia com a possibilidade da prórpia morte, todos ficavam chocados. Agora entendi que o sarcasmo nos tempos de sofrimento contínuo é também essência da natureza humana. É a dose do equílibrio que nos faz acordar no dia seguinte, olhar pela janela o sol brilhando e fazer o que deve ser feito. Dar comida pro cachorro, levar o cachorro pra passera, jogar bola pro cachorro, se arrumar pra ir trabalhar, andar até o metro e pegar o primeiro trem vermelho para Shady Groove. Ou então pegar a bicicleta e todos os aparatos necessários para pedalar as 7 milhas até o Metro Center, em Downtown. As pessoas diziam que eu era corajosa, eu não entendia. Entendo cada vez menos. Não há qualquer esforço em se fazer o que nos é natural, não há qualquer necessidade de coragem para se envolver com o que já se está envolvido. Difícil pra mim seria não ter sido quem fui ou sou, em todos os momentos da minha vida. Difícil teria sido deixar David, teria sido não cuidar dele. Isso sim teria sido mais difícil que tudo.
Sempre penso nisso quando alguém me diz: pegue este caminho que é mais fácil, ou faça assim que é mais simples. Minha pergunta imediata é: mais fácil ou mais simples pra quem? O caminho mais fácil pra mim é aquele que eu estou acostumada, e este não necessariamente é o mais curto ou mais rápido. É apenas o meu caminho. E meu caminho, curto ou longo, rápido ou lento, está com certeza me levando muito mais longe do que eu jamais poderia imaginar que chegaria um dia.





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2008-07-23T09:05:36.811-03:00
A vida como ela e
Eu sou a primeira a acordar. Faço um esforço sobre-humano pra me desenlaçar do abraço quente dele e levantar da cama. Abro a porta do quarto e Chiquinho, que dorme uma noite na cama de M e outra na de S, se levanta e vem correndo me dar bom dia. Os outros, Moby e Bebel não se mexem.
Chego na cozinha e meu café já está pornto, que ele na noite anterior já programou a cafeiteira pra mim. Não entendo essa paixão dos homens por coisas programadas. Ele me disse que os homens adoram apertar botões.
Faço meu café e vou pro meu escritório, que é do outro lado do apartamento. Chicks vem atrás de mim e se deita na caminha dele, no escritório, na frente do aquecedor que ligo pela manhã.
Ligo o computador e começo a ver os emails. Em seguida começo a trabalhar. Pego sempre cedo aquilo que irá me requisitar mais atenção e concentração, geralmente um artigo pra ler, um comentário pra escrever ou um artigo casca grossa de alguem com um inglês ruim. Tento aproveitar o silêncio e a paz da manhã ao máxmo, porque isso virou moeda raríssima na casa.
Fico assim por umas 2 ou 3 horas. Daqui a pouco meu lindo acorda, faz um café e eu vou pra minha segunda rodada de café, agora com ele e na varanda olhando pras montanhas ao redor e sonhando com a casa que queremos encontrar na minha montanha preferida, aquela que fica bem de frente pro nosso apartamento.
Ele então leva os cães pra passear e eu volto pro computador.
Daqui a pouco vem a primeira dorminhoca de pijama da cinderela, e vem a segunda, e vão pra cozinha comer cereal com leite, com caras sonoletas e poucas palvras.
Ele então chega da rua com os cães, as meninas se animam com a volta dos cães, os cães se animam em ve-las e também com a comida que já está por vir. E eu no computador.
Ele bota a mesa pro café, as vezes faz omolete, outras vai na padria comprar pãozinho. E eu no computador.
Quando a mesa está pronta me chama e tomamos café todos juntos. Ele e as meninas tiram a mesa, lavam e guardam tudo. E eu no computador.
E aí que vem ela...a televisão. Josh e Dereck, ou um dos 350 filmes da coleção de DVDs do David, ou Rug Rats, ou qualquer outra coisa que faça barulho, muito barulho. E eu no computador.
Eu coloco o headphone, abro meu I-tunes, coloco uma música ainda mais alta do que a TV e continuo a trabalhar no artigo casca grossa.
Daqui a pouco ele prepara o almoço, e nos sentamos de novo. Quando terminamos eu volto pro computador, ele depois tira a mesa, limpa tudo e fazemos os dois uma siesta necessária de uns 50 minutos. Coisa maravilhosa e indispensável.
Eu acordo, faço aquele mesmo esforço sobre-humano da manhã e me desenlaço. Volto pro computador.
Ele acorda e vai fazer alguma coisa com as meninas. Vão jogar tenis, vão passear, vão no supermercado, vão pra aula de português. E eu no computador.
Quando ele volta eu já estou de Nike no pé e I-pod no braço esperando por ele para irmos correr.
Na volta tomamos banho juntos, damos risada, contamos estória e saímos pra comer coisa leve, que em tempos de férias da Lu, cozinhar e botar a mesa só mesmo uma vez ao dia.
De noite, acendemos a lareira, vemos filme juntos, eu estudo português com as meninas e elas estudam hebraico comigo. Elas vão pra cama e eu me enfio na cama de uma delas, ficamos conversando e ontem M me prometeu que me deixaria brincar com a Barbie nova que comprei pra ela.
Daqui a pouco ele me chama, diz que é hora de ir dormir. Vou correndo me enlaçar nos braços dele, encher ele de beijo e dormir um sono que acho nunca ter dormido antes.
Não desejo nenhuma outra vida pra mim.





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2008-07-22T11:16:43.913-03:00
Please dont go...don't go away...baby
Tinha muito medo que isso acontecesse. Tinha muito medo que você não fosse conseguir viver a mudança e que começasse, em algum momento, a fazer esta cara sua. Estou de coração partido. Enquanto todos os outros cinco mamíferos da casa parecem felizes, você vai aos poucos se isolando e me deixando com saudades suas. Meu lindo, o que vou fazer se você tiver que ir mesmo embora? O que posso fazer pra te acalmar, pra provar meu amor por você, pra te mostrar que te quero aqui e que não quero que você se vá? O que fazer para mudar esta situação que você mesmo criou?

Enquanto as meninas aprendem Português, fazem novos amigos e meu lindo já se vira pra tudo, o nosso único desajustado é o menor ser da casa, o cãozinho ciumento que confuso e sem entender, expressa o seu desajuste fazendo coco na sala. Todos os dias.
Alguém quer um cachorro?





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2008-07-19T23:43:35.610-03:00
Criando as memorias delas
Quando era criança, eu morava em Ipanema. Ipanema era tudo, era começo, meio e fim. Ipanema era praia depois da escola e praia durante as férias. Ontem descemos pro Rio e eu escolhi um hotel em Ipanema, porque lembrava que numa das poucas vezes em que meu pai deu as caras no Rio, ele ficou neste hotel. Eram as minhas memórias, que algum dia serão também as delas. Algum dia elas irão à Ipanema e quando verem o toldo daquele hotel irão lembrar do fim de semana que passamos em Ipanema, de quando fomos a praia e elas, com biquinis grandes e um pouco desajeitados, ouviram de mim a explicação de que no Rio, carioca jamais leva toalha pra praia, de que só suburbano e gringo anda no calçadão só de biquini, que a canga a gente sacode com ela bem pertinho do corpo, que é pra não jogar areia em cima dos outros, que biscoito Globo a gente só come na praia e em nenhum outro lugar, que mate a gente bebe misturado com limão, do carinha que anda pela areia carregando a geladeira no ombro, e que pra curtir o mar é preciso saber ultrapassar a arrebentação.
De tarde fomos no Anima Mundi, o festival internacional de animação e me lembrei quando minha mãe me levou no MAM pra ver um desenho que se chamava a Avó Cibernética, que contava a história de uma avó robô que fazia tudo pros netos com perfeição robótica, mas no fim do dia, quando as crianças estavam exaustas e precisando de carinho, a avó cibernética não tinha um colo macio e carinhoso pra oferecer. Nunca esqueci esse desenho. Talvez elas nunca esqueçam os desenhos sombrios que assistimos no Odeon.





-profile/016988792876050828741
2008-07-18T00:25:34.387-03:00
You are the why, the what, the when and the where, meu amor
Hoje chorei. Não precisa muita para que as lágrimas rolem de mim. Sou torneira corrente. Fiquei de cara fechada, fiz caras e poucas bocas. Ele perguntou: O que foi? Eu disse: nada, vou levar os cachorros pra passear. Ele disse: Vou com você.
No caminho, entre cheiradas, mijadas, e xixi, ele insistiu: O que aconteceu?. Não sei, eu disse, e já com cara de choro. E veio o que eu precisava. O abraço, o abraço dele. Vamos conversar.
Sentamos pra beber um vinho e pedimos cerveja. Desabei muitas coisas em cima dele. Contei que quando eu e David começamos a namorar eu não conseguia acreditar que ele me amasse, e passei algum tempo tentando descobrir porque ele queria tanto ficar comigo. David era um homem lindo, inteligente, engraçado, simpático e carismático. O que aquele homem que tinha passado os últimos dois anos com uma namoarad diferente por semana poderia querer de mim? Eu não tinha dinheiro, falava um inglês meio rídiculo, me sentia uma boba num mundo estranho. E ele, depois de um mês de namoro me obrigou a ficar com a chave do apartamento dele e depois de mais 15 dias me convenceu a ir morar com ele. Mas o que será que ele poderia querer de mim? Já morando juntos, ainda me perguntava o que poderia ser. Custou para que eu me sentisse amada.
E eu contava isso embolada num casacão preto, entre uma cerveja e outra, e ele olhava, e quase ria. Não é engraçado, eu disse. Ele se desculpou mas confessou a surpresa em me ver, mas uma vez (porque sim, essa conversa já tá ficando chata) dizendo pra ele, de uma forma ou de outra, que eu ainda procurava os motivos que o teria trazido até aqui. "Ok, se a gente tivesse decidido ir pros EUA você até poderia pensar que eu estaria atrás de seu greencard, mas meu amor, porque eu teria saído de Israel, com as minhas duas filhas, largado tudo, emprego, uma casa nova, meus amigos e minha família pra vir pro Brasil?"
Pois é, eu disse. Essa é a resposta que eu continuo buscando.
E foi aí que ele disse: baby, you are the why, the what, the when and the where. What part you don't understand?
Me desculpei, for being myself mais uma vez. Jurei que tentarei ser outra da próxima vez. Outra eu não quero, ele disse. Eu quero você. Pode vir com as suas bobagens de amor, pode vir com os seus medos, pode vir com as suas bobagens de menina. Vou te amar ainda mais. E pede logo essa conta que eu quero ir pra casa pra te mostrar mais uma vez ( e essa "conversa" que se repete a cada noite tá ficando cada vez melhor) o quanto eu te quero.
Garçon, a conta!





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2008-07-16T19:20:05.891-03:00
O dia em que eu virei quatro
Pois eu te conto que depois de ficar mais de duas horas olhando para um túnel branco, que era a saída internacional do portão 4, e que era da onde eles iriam sair, eu já estava cansada e já nem suava mais, e meu coração já estava confuso. E tudo parecia até ter perdido momentum, até que S, que foi quem primeiro saiu do túnel branco, veio correndo na minha direção e me deu um abraço, e depois M, e depois ele. E foi aí, bem aí, que eu virei 4. E desde então tudo é quatro. São 4 cadeiras no restaurante, são 4 pratos na mesa, são 4 toalhas de banho, são 4 escovas de dentes, são 4 vozes, são 4 desejos, 4 sonhos, 4 vidas.
Na primeira manhã que acordamos juntos ele me abraçou forte e me disse: Isso é vida de verdade. O abraço, o cheiro, o beijo, a voz. Isso é vida, meu amor.
Toda manhã eu me viro pro lado e mal acredito que não é um cachorro o que eu vejo. E vem aquele abraço quente, enorme, e vem os beijos, e daqui a pouco vem as meninas, que se enfiam embaixo das cobertas com a gente, e atrás vem os cachorros.
Não tenho medo dessa quase maternidade que me acometeu. Nenhum.
Tenho medo da cama cair. Tenho medo do meu coração explodir.





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2008-07-15T19:46:12.991-03:00
Quatro celulares, por favor
Na loja da Tim perguntei: Precisamos de 4 celulares. Um pra mim, outro pra ele, e outro pra ela e pra ela. Você tem?
Agora é tudo plano família, desde a chegada. E meu medo também vai tomando proporções tamanho família. Engano de quem pensar que meu medo tem alguma coisa que ver com as meninas, com o compromisso em cuidar delas e criá-las. Essa é a parte mais fácil de tudo.
O pavor que vai tomando proporções gigantescas é o pavor da perda, hoje eu descobri. Já tinha dito pra ele, desde a visita, que havia qualquer coisa diferente no meu gostar. Nunca fiz o tipo mulher insegura ou ciumenta, e nunca fui de sentir medo. Mas o meu gostar agora vem com um toque de medo que é muito forte, e pouco familiar, e que muitas vezes me dá vontade de chorar. Ás vezes é mesmo porque algumas cenas e situações me remetem ao David, outras porque penso na minha amiga querida e a vejo no sorriso maroto de M e na voz delicada de S, e outras porque me assusta a possibilidade da perda. E me apavora a possibilidade de um dia ter amor e no outro dia já não ter mais.
Hoje falei sobre isso com ele de novo, quando depois do almoço deitamos pra descansar, e percebi que talvez não fosse medo de que ele não me amasse, ou que decidisse não ficar, mas sim de perdê-lo, de uma forma ou de outra.
E hoje também me dei conta da transformação pela qual passei durante estes três anos e tudo que fiz pra poder seguir com a minha vida e minha carreira, apesar de ter perdido o homem que amava. Eu me virei ao avesso, literalmente. Já tinha até me esquecido a gueixa que sou, coisa que ainda me surpreende quando penso no tipo de mulher independente e auto-suficiente que sou. Sou mesmo uma menina.





-profile/016988792876050828745
2008-07-10T13:29:30.809-03:00
12 rolos de papel higienico e 6 litros de leite
Hoje fui ao supermercado pra aprender a comprar aos tubos, e aproveitar a promoção do leve seis e pague cinco! Nunca teve leite aqui em casa, agora tem seis litros. Leve seis e pague cinco! O carrinho ficou cheio até a boca. Pensei que se algum conhecido que seja ainda ignorante da minha nova condição me visse com este carrinho iria pensar que estou escondendo reféns na minha casa. Uma vez ouvi de gente muito próxima, mas também muito distante, que um dos problemas com o sequestro do embaixador, aquele mesmo, era na hora de ir na padaria porque de um dia pro outro o solitário morador do Leblon deixou de pedir o mesmo e único pãozinho diário para então pedir 16.

Às vezes ainda me sinto sequestrando algo que não é meu. Ainda vem de vez em quando esse sentimento estranho sabe-se lá da onde. Sabe-se muito bem da onde, vem da minha cabeça completamente maluca e da minha culpa em existir.
Outro dia disse a uma amiga que ás vezes eu me sentia um mico leão dourado, e que a história da minha vida estava aos poucos se tornando uma fábula da qual querem todos se inteirar. Me sinto invadida quando chego num grupo e me anunciam "olha já contamos a "sua história". "E as cartas, ninguém trouxe?, ou o War, quem sabe o Deteteive? Sim, porque depois da seção "minha história", nós vamos brincar do que?"

Sim, não falei nada, eu sei, mas me incomodou. Me incomoda até por me tirar o prazer de deixar que eu mesma conte a "minha história". Se eu não estou presente, se não estarei, façam o que quiserem com a minha história, minha vida, meus sonhos. Eles continuarão meus, mas quando estou presente, acabo me sentindo espectadora de mim mesma. Sei, sou mesmo maluquinha, não precisa pensar, e nem dizer, e muito menos comentar.

Estou sentindo a síndrome da vida anunciada e denunciada. Já me disseram que isso acontece com blogueiros como eu, que resolvem se virar ao avesso para o mundo estranho que há lá fora. E enquanto isso fica cutucando aqui dentro...e com vara curta demais.

Acho que estou começando a ficar nervosa. Alguma hora ia acontecer, que até eu também sou humana. Embora não pareça.

"Você vai me ligar quando chegar em Paris?" "Vou". Ontem ele deixou um reacado que dizia: "I'm just calling to say that I love you and I can't wait to be with you, to kiss you, and to hug you. Love you."





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2008-07-09T21:47:27.267-03:00
Um dia chamado amanha
Acabei de pintar o quarto de M hoje. Quase que não ia dar tempo da tinta secar e o cheiro sair, mas deu. Já coloquei a cortina, transformei a estante que antes carregava um milhão de livros sobre todos as ciências que podem existir e agora carrega a Barbie e suas roupas lindas, uma de sereia, outra de bailarina, e oura de princesa. Na cama, a coberta da sereia e montes de embrulhos de presente, cada um com um presente diferente. O quarto de S foi mais fácil, porque já estava pronto, já era quarto. Difícil mesmo foi transformar o que antes era o meu escritório de trabalho num quarto de uma menina de 10 anos.
Hoje ele me disse que estava exausto e que tinha passado o dia jogando coisa fora da geladeira e que só pensava na hora em que chegaria e poderia descansar comigo. Ele diz que as meninas estão bem, estão animadas, estão de malas prontas.
Eu também estou pronta, na medida que posso estar. A casa está uma bagunça ainda e me arrependi de ter liberado Lu Righthand estes dias.
Fiquei só aqui por 3 dias e descobri que havia, repentinamente, mudado de profissão. Virei passeadora da cachorro, com PhD e Pós-doc nos EUA. Cachorro de manhã bocejndo na minha cama, tremendo de frio e me dando lambida. Cachorro na hora do almoço pronto pra ir brincar de bolinha de novo, cachorro no cair da tarde pronto pra dar mais uma voltinha.
Vivi por estes anos como se eu fosse uma ilha rodeada por cachorros por todos os lados.
Mas hoje finalmente já é quase aquele dia chamado amanhã, aquele dia que foi tema de tantos posts, de tantas páginas de diários, de tantas perguntas que sempre começavam com a mesma frase "Mas será que eu vou ser feliz um dia?"





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2008-07-05T20:40:01.575-03:00
Flipping out
Estou na Flip, vivendo em grande estilo os últimos dias que precedem o momento quando ganharei a minha família miojo, que é aquela que já vem pronta. Pensei que este momento das nossas vidas bem que poderia dar um bom reality show sobre life changing experiences. Podia mostrar você enchendo as caixas com as bonecas das meninas e levando pro correio para enviá-las pra mim, enquanto eu pinto de azul uma das paredes do quarto de M. As meninas experimentam as roupas que ainda lhe cabem pra decidir o que vale a pena trazer, os cachorros vão ao veterinário para terem unhas cortadas e para tomarem banho. Os amigos aqui ligam ansiosos querendo saber detalhes, os familiares de lá já exibem as primeiras lágrimas, eu visito escolas, compro um armário novo pro quarto de M e uma linda cortina de banheiro pra suite de S. Você vai a embaixada, negocia a venda do carro, conversa com o corretor de imóveis, leva a televisão LCD pro seu pai.
Ontem fiquei agoniada quando tentávamos conversar pelo celular em em meio a uma mulher, ou seria homem? que desafiava todas as leis da física ao caminhar pelas rua pedreguentas de Paraty com uma perna de pau enorme, enquanto as zinhas com que estou me diziam que meu café ia esfriar e você me perguntava, lá de longe, se eu te amava.
Me deu vontade de voltar antes só pra poder ter a disponibilidade que te achei necessária, só pra poder falar ao telefone com você e tentar te passar um pouco de calma, porque tenho te sentido nervoso nos últimos dias. Mas você com voz prudente me disse: Curta muito as tuas amigas, curta Paraty e a Flip porque sabe-se lá quando você poderá fazer isso novamente. É verdade. Sabe-se lá.
Hoje te perguntei se você tinha 100% de certeza do que estava fazendo. Você disse que não, e fez uma pausa mortal, na qual poderia ter se transformado no momento da minha morte tivesse um facão próximo do meu pescoço e tivesse você se demorado mais 10 segundos para me dizer: Tenho 1 milhão por cento de certeza, baby.





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2008-06-27T13:59:40.521-03:00
De para-brisa novo
Desde que comprei o carro, há mais de uma ano atrás, percebi que o pára-brisa não tava legal. Fazia um barulho estranho, arrastava pelo vidro, mais sujava que limpava. Me prometia ir trocá-lo na primeira oportunidade. E o tempo foi passando, e a cada dia de chuva eu lamentava por nunca ter trocado o dito cujo.
Na quarta-feira eu parei o carro na frente do banco, que também fica ao lado de uma oficina. E foi quando o celular tocou e alguém lá de Goiânia me falava da oficina que iremos fazer por lá em setembro. E ele me olhava falando no telefone, via que era coisa de trabalho, olhava em volta, até que pegou a minha bolsa. Depois a chave do carro, e quando me dei conta ele já estava entrando com o carro na oficina, só pra sair 10 minutos depois exibindo o novo pára-brisa, que ele mesmo tinha se virado pra se fazer entender. Dos tapetes de casa que há muito precisavam ser levados pra lavanderia e nem vou comentar...E o varal da cortina?! que tínhamos eu e Lú que nos virarmos pra alcançar o tal enquanto ele, com seus 1,90 apenas perguntou, é assim que você quer? Ai, as maravilhas de se ter um homem dentro de casa...
Mas ontem meu lindo foi embora, depois de passar 5 dias grudado em mim. Cinco dias de beijo no elevador, de abraço na escada rolante, de beijo no sinal, de andar de mãos dada, de andar pendurada nele. Não me lembro de já ter passado tanto tempo assim, ininterruptamente, com alguém. Foram 120 horas sem trégua.
Ontem, depois que ele cruzou a entrada da polícia federal sem olhar pra trás, minhas pernas tremeram, meu coração ficou na mão e minha mão começou a suar. E senti o peso da bola de ar que se fez no meu colo quando ele retirou de mim o último abraço. Fui andando pro estacionamento com a impressão de que alguém me seguia, ou me acompanhava. Eu já havia me desacostumado a falar sozinha, a andar sozinha, e olhar pro chão. Fiquei ouvindo o eco da voz dele falando palavras misturadas.
De noite, na cama mais fria e mais imensa, senti demais a falta de nossas línguas, que misturadas, dizem todas as poucas palavras de que necessita o amor.





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2008-06-25T16:01:20.011-03:00
Dela...pra nos
"Para ela
Junho 23, 2008
Ontem vi com meus próprios olhos e constatei que aquela viagem toda, aquela literal viagem, era verdade. Até então dava para sentir toda a paixão no ar, mas confesso que era aquela coisa adolescente, da menina apaixonada pelo cara que nem se tem certeza que existe. Mas ontem eu vi que ele existe. E ele é de carne e osso, é de um português atravessado e esforçado, e estava ali, todo para ela. O colo dele é exatamente do tamanho dela, e quando ela diz que se encaixou nele para uma noite de sono profundo, deve ter sido a mais pura verdade.

Confesso que fiquei emocionada vendo os dois. Por toda a superação de dor e dificuldades e distâncias e empecilhos destas vidas que se cruzaram. E principalmente porque eu acreditei que aquele amor era possível, ainda que todos à nossa volta dissessem que era perda de tempo.

Depois do que vi ontem, tenho certeza de que ela me fez acreditar mais no amor.

Mazel tov!"





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2008-06-25T16:00:09.197-03:00
Taquizinh de pelanquinha
Passou o sábado, passou o domingo e a segunda-feira chegou. Abri meu e-mail e havia um milhão de mensagens esperando por mim. Podemos fazer as compras de material? Você já mandou a nota fiscal? O domínio do website vai expirar. Sua Mac account precisa ser paga. Por favor, faça a revisão daquele artigo sobre as drogas de malaria. Quando você vai terminar os manuais de bioinformática? Podemos marcar aquela oficina em PoA? Você está atrasada com o envio dos artigos para a OMS. Vou então comprar a passagem pra Curitiba, tá? Feliz aniversário! Por onde você anda que não te acho? Atende o skype pô, quero te dar parabéns!
PÁRA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!PÁRA TUDO!!!!!!!!!!!!!!
E aí a cabeça começou, ai Meu Deus estou atrasada com a OMS, preciso escrever, preciso me concentrar, preciso trabalhar, não quero trabalhar, quero dar beijo e tomar o terceiro banho do dia com ele, não quero atender telefone, como vou fazer? Será que sou capaz? Dá pra deslanchar uma carreira, dar conta dos milhões de trabalhos que tenho, e no meio disso ganhar uma nova família que já vem até com cachorro (como se fosse algo em falta por aqui).
Fiquei meio desesperada. Descemos pro Rio conversando sobre o assunto. Como farei tudo isso? Por onde começar? Como maximizar o tempo? Como dizer não para um novo trabalho? Como encontrar ajuda? Sociedade?
Fomos jantar no Rio pra celebrar meu aniversário com duas novas velhas amigas. Amigas do passado que temos em comum, amigas minhas, amigas dela, amigas dele. Novas velhas amigas que por conta do destino, e das tantas voltas inesperadas que ele dá, voltam a fazer parte da minha vida.

Feliz aniversário. Você agora tem 41 anos!





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2008-06-25T16:04:19.597-03:00
aiiiiiiiiiiiiii
Ontem falei pra ele, que achava incrível o que a gente tem conseguido. Porque passamos duas semanas juntos em Abril, depois fui pro Egito, quando saí de Israel já sabia que estávamos começando a construir algo muito especial. Mas a paixão por ele veio depois, e pelo telefone. Ainda me restava um tequinho de dúvida se a paixão e o amor que eu sentia iriam estar no mesmo local quando eu o encontrasse ou se teríamos que voltar um pouquinho em todo avanço emocial que já tínhamos percorrido ao longo destes três meses, para que o corpo, o contato e a intimidade pudessem chegar no mesmo ponto. E o mais incrível foi ver que tudo evoluiu junto, não precisei de um minuto que fosse pra reconhecer o beijo, o cheiro, o toque e pra me encaixar nele durante uma noite de sono profundo numa cama pequena.
Ontem sentamos pra beber champagne, levei ele pra conhecer uma cidade que não conheço, porque ao longo deste tempo que estou vivendo aqui nunca sai de casa durante o dia. Só trabalhava durante o dia e de vez em quando saía a noite. Ontem, quando andávamos no shopping eu olhava em volta e achava que tudo era novo, até que me dei conta que era novo pra mim porque eu nunca havia saído de casa, e assim como ele tenho um novo lugar pra conhecer, e uma vida nova pra iniciar.
Hoje estou mais calma e com menos bobagens na cabeça, Estamos abrindo as caixas com as coisas que comprei na 25 pras meninas e ouvindo rádio Globo, num domingo de céu nublado e coração ensolarado.





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2008-06-22T10:33:26.915-03:00
Apavorada
Hoje acordei às 4:40 de um sono que nunca dormi. Peguei o taxi e fui para o aeroporto esperar por ele, que na quarta-feira passada, quando me viu aos prantos por cansaço, por ansiedade, por esgotamento, por saudade, me disse: "Eu vou cuidar de você. Sim, estou indo." Chorei tudo de novo e passei os últimos 3 dias com o coração na mão.
Hoje quando ele chegou no aeroporto, e ficou comigo abraçado, e me escondeu do mundo por entre aquela abraço sem fim, minha vontade era a de nunca mais sair dali.Viemos pra casa, tomamos café, tomamos banho, nos beijamos muito e agora ele está dormindo. E eu? Eu estou apavorada. E se ele perceber que não me ama? E se ele não quiser ficar aqui? E se ele não quiser ficar comigo? E se ele mudar de idéia?
A menina que nunca se preocupou com estes planos está agora apavorada por não ter qualquer plano B.





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2008-06-18T08:16:50.881-03:00
No controle again
Hoje acordei às 6 da manhã só pra poder chamar ele no skype antes que eu saísse pra dar curso e só voltasse a noite. Queria ver a carinha dele, nem que fosse por 15 minutos. E eu tava tão cansada, e tão sem energia que quase começei a chorar no telefone. Até que ele não aguentou e me disse: "Não se preocupe, eu vou te pegar no aeroporto no sábado, vou dirigir de volta pra casa e vou mimar muito você por 6 dias. Pronto, eu disse.".
Mas foi aí que eu desabei e começei a chorar de verdade. Eu soluçava de felicidade, de emoção, de alívio, e de pensar que logo eu estarei em casa, com ele, mais nada, só ele, nem trabalho que não vou pegar coisa nenhuma, o mundo pode desabar que não pego,


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2008-06-15T22:11:43.392-03:00
Sobre chocolates e leitoras
Leitoras queridas e maravilhosas do meu Brasil e do mundo todo, o que eu disse foi que "Quem acertar a surpresa (se não for ele vir antes), ganha um chocolate de Israel." Ou seja, se ele vier, ninguém ganha chocolate, só eu!!! Mas se alguém sugerir uma coisa bem maluca, do tipo, ele vai soltar um balão na cidade que vai ficar voando por 6 dias e por isso você não pode ir a canto algum nesse período, e ele, o Pinky, de fato soltar o tal do balão, aí sim, o chocolate é seu. Juro!
Mas olha, cada dia que passa estou mais convencida de que ele vem. É curioso que quando eu estou viajando a trabalho, como agora (estou no interior de SP), ele fica mais saudoso e mais meloso no telefone, e eu também. Acho que é porque nem aquele tempinho de telefone diário, que dedicamos um ao outro, conseguimos ter porque eu estou sempre na correria e o celular nem sempre comparece. Aí, na saudade do telefonema de ontem eu disse que não aguentava mais esperar mas que sabia que agora o tempo ia andar mais rápido. E ele disse" Você nem imagina como". Depois eu falei que ia correr no domingo que vem, quando voltasse pra casa, e hoje ele disse que vai correr junto comigo no domingo. Depois tentou fazer entender que íamos correr ao mesmo tempo, como já fizemos antes, mas em parques bem diferentes. Mas nada mais vai me tirar da cabeça que ele vai estar ali encostado no meu carro, no estacionamento do aeroporto a minha espera. Pensei: "Vou fazer uma surpresa na surpresa dele". Mas tud que consegui pensar foi em ligar pra Lu RightHand e pedir pra ela preparar a sobremesa preferida dele.
Ai Meu Deus, já pensou só eu e e ele, por 6 dias, lá em casa, no friozinho da serra...Ai que frio na espinha..





-profile/016988792876050828744
2008-06-14T12:51:57.072-03:00
Eu na 25
Fui hoje na famosa 25 de Março e quase pirei!!! Nunca tinha visto tanta porcaria baratinha e tanto chinês, japônes e paulistano junto. Comprei tubos de coisas. Cortina de menina, colante da sininho, roupinha de princesa pra barbie, abajur de bonequinha pro quarto, pijama, meia de dedinho, colante da branca de neve, quadro-imã, colante pra parede do quarto, e nem lembro mais o que. Quando já tinha bolsa demais que já não conseguia carregar fui à agência do correio e despachei a primeira caixa lá pra serra fluminense. Duas horas depois voltei mais carregada ainda e despachei a segunda caixa. Semana qe vem estará tudo lá, esperand por mim.
E por falar em semana que vem...Eu estou convencida que esse homem vai aparecer de surpresa na minha frente no dia 21, e eu vou ter um ataque do coração. Ele diz que não, e me dá todos os argumentos razoáveis de porque não poderia vir, que aliàs são os mesmos argumentos que lhe dei pra explicar porque ele não deveria vir antes, pra depois voltar e depois vir novamente. Mas pelo amor de Deus, se alguém tiver alguma idéia de uma surpresa que tenha duração de 5 dias, e eu não posso marcar nenhuma viagem- de trabalho ou não neste perído- porque vou me arrepender, ele disse, e ele queria saber demais onde deixei o carro estacionado no aeroporto, e passou as últimas semanas estudando o Goggle Earth até saber melhor do que eu qual o caminho que vai do aeroporto até a minha casa, e disse que comprou uma bolsa pequena , e a mãe dele está indo de visita pra ficar 1 semana com as meninas!! Vamo combinar...tem como essa surpresa não ser ele, elezinho, quentinho e lindinho, aparecendo na minha frente? Alguém consegue pensar em alguma outra coisas? Estou aceitando sugestões. Quem acertar a surpresa (se não for ele vir antes) ganha um chocolate de Israel. Eu pego o seu endereço e lhe envio pelo correio. Juro!! Só me ajudem com esta agônia que tá me matando. Ele diz:"Quer dizer que mulher que sempre tem controle de tudo está comendo como louca, gastando como louca e mordendo as orelhas? Me conta, como é não ter o controle, de vez em quando?"
Te digo. É HORRÍVEL!!!! Não fui feita para meia surpresa. Ou é surpresa inteira e eu não posso saber de nada, ou é surpresa nenhuma. Mas essa coisa de saber que o meu mundo está conspirando nas minhas costas, mesmo que seja a meu favor, é horrível!
E eu, que já gosto de uma psicanálise disse pra ele que se a surpresa for algo totalmnete impensável, e se ele realmente conseguir dissimular até o fim, eu termino com ele. Ele disse: "What?"
"Isso mesmo", eu expliquei. "Me apavora pensar que eu tenho um homem que consegue dissimular tão bem. Já pensou se você resolve usar este poder de armação contra mim? Se você tiver uma amante um dia eu jamais vou descobrir."
No que nada surpreso ele disse:"Oh baby, você é muito mais maluca que eu pensava."





-profile/016988792876050828743
2008-06-09T22:03:26.746-03:00
Alguma ele ta aprontando
Em duas semanas é meu aniversário e Pinky (agora esse é seu apelido e eu nem preciso dizer quem sou...) tem me torturado constantemente com uma tal de ultimate surprise pra mim. Eu já pensei que ele fosse aparecer na minha frente, em plena Serra, sem mais nem menos. E disse pra ele não fazer isso. Depois comecei a criar tanta expectativa que qualquer coisa que não seja ele aparecer aqui de surpresa será frustrante. Ele já me disse que "isso" que ele vai fazer pra mim começa no dia 21 e termina no dia 26. Que surpresa pode durar tanto tempo se não for ele vindo aqui me ver por alguns dias? Já perguntei pra todo mundo: "Você consegue imaginar uma surpresa que dure 6 dias?" Ninguém consegue, ou então todos a minha volta estão macumbrados com ele. Já achei que o telefone aqui em casa tava tocando mais do que o normal e que alguém desligava na minha cara, como se quisesse que a Lú Righthand atendesse e não eu. Depois me perguntou onde era esse tal de "buraco mais escuro da cidade" de que eu tanto falo. E depois me disse que comprou uma mala pequena e quando eu perguntei o que essa mala tinha de tão especial ele me disse que era uma mala "cheia de ar". No dia 21 eu volto de SP depois de 10 dias de trabalho e ele me disse que eu tenho que ir pra casa e que nem posso ir ao Leblon dar um beijo na minha prima Mundo Verde, que é aniversário dela. Depois me disse também que eu não inventasse de viajar entre os dias 21 e 26. E fica no Goggle Earth tentando descobrir qual estrada o levará a minha casa.
A verdade, e eu já disse isso pra ele, é que não estou me divertindo com isso. Estou é engordando! Não bastava saber que em breve eu me casarei com um homem que já vem com filhas e um cachorro, e ainda mais tem essa do aniversário "prisão". Tô achando chato e acho que vou dizer isso pra ele. Vou chegar de SP um caco no dia 21 e não vou querer fazer coisa nenhuma que ele tá inventando pra mim naquela noite, que nem é meu aniversário. Não quero. Não vou querer. Vou querer dormir.
Afinal de contas, de quem é o aniversário?
Juro que ano que vem não farei anos. Eu juro.





-profile/016988792876050828743
2008-06-09T18:26:21.376-03:00
Alguma ele ta aprontando
Em dias semanas é meu aniversário e Pinky (agora esse é seu apelido, eu nem preciso dizer quem sou...)


-profile/016988792876050828740
2008-06-04T05:02:01.405-03:00
O tempo, aquele
A mulher que não tinha tempo pra nada agora passa a manhã de terça-feira andando pelas ruas da cidade em busca da curtina certa para o quarto de M, de 10 anos. "Tem que ter fadas, princesas, ou borboletas", ela me alertou.
A mulher que desligava o telefone, o interfone, o skype, o Yourkurte e o celular, agora passa duas horas do dia, todos os dias, no telefone com ele.
Incrível como o tempo, aquele, se fez por pura geração espontânea. Para outro teria dito: "Não é isso não, é só mesmo falta de tempo." E ele teria acreditado, e teria repetido aos amigos.."é só falta de tempo."
Deveríamos todos ter a devida coragem pra dizer: "Não é isso não, é só falta de prioridade."
Pois se eu pudesse, como pude um dia mas já não mais, parava de trabalhar e fazia do meu amor por ele o meu novo trabalho, com turno noturno e tudo mais. Passava as horas pensando em tudo que iremos fazer juntos, passava os dias escolhendo a cortina, a roupa de cama e os lençóis mais lindos, passava os minutos escutando a respiração dele ao telefone.
As meninas já sabem que o plano é de ficar aqui. A mais velha já chorou e ainda vai chorar mais. Vai ter cara feia de adolescente, vai ter choro, seremos odiados por frações diárias de segundos, até ela ir na primeira festinha da escola, se apaixonar pelo primeiro menino, dar o primeiro beijo na boca. Seremos então perdoados por tudo.
M, de 10, disse que nunca mais falaria com ele. Ele então perguntou se ela não queria conhecer Moby, Bebel e Chikinho, cujas fotos em poses e caras engraçadas eu envio todos os dias por email. Ela então sorriu e achou graça.
Ontem fui no que será a escola dela. Tirei fotos das crianças sorrindo, que me pediram pra perguntar se ela, M. já havia ido ao Mar Morto. Mostrei a foto de M pra eles que a acharam linda e de cabelos compridos.
Hoje, no skype, depois de ver as fotos das crianças na escola, e de vê-las todas sorrindo, M. me disse que já não estava mais com medo de vir. Eu lhe disse que não tivesse medo, que estaríamos juntos e que eu iria ajudá-la em tudo.
Assim vou contando os dias. No telefone, nos falamos tarde da noite. E como ele está 6 horas a mais que eu, quando passa da meia-noite ele me diz que está mais próximo de mim, que é um dia a menos sem mim, embora eu ainda tenha que aguardar por ele.
E eu, que já era uma mulher sem temp, agora então...nem pensar.











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2008-06-01T10:46:06.225-03:00
You've got me at champagne; you've got me at chiclete
Na segunda vez que eu sai com o David ele veio me apanhar em casa para jantarmos. Era uma sexta-feira, e ele saía do centro de Washington pra vir me encontrar em Frederick, uma cidade que em horários menos nobres ficava há 1 hora e meia de DC. Numa sexta-feira, hora do rush, deveria estar há umas 2 horas pelo menos. Mesmo assim ele chegou na hora marcada, segurando o terno com a mão levantada por detrás das costas e com um sorriso no rosto que jamais esquecerei.
Eu vestia um macacão preto super sexy, que tinha um zipper prateado que descia até o meu umbigo, e que eu tinha ganho de presente da minha amiga que morava em Israel, quando fui visitá-la em Maio de 2000. O macacão já não dava mais nela, então ela me disse que daria em mim e que eu deveria ficar com ele. Até hoje ele mora no meu armário.
David me levou pra jantar numa cantina super lindinha, no centro de Frederick. Ao sentarmos na mesa ele comentou que gostaria de tomar um Martini e me perguntou o que eu queria. Sem olhar o cardápio eu disse que adoraria uma taça de champagne. E ao terminar de dizer isso a garçonete trouxe o cardápio, enquanto eu já me levantava para ir ao banheiro. Olhei o cardápio rapidamente e vi que não havia champagne vendida na taça, somente na garrafa. Eu então disse ao David que pedisse outra coisa pra mim, um vinho branco quem sabe, mas que eu não queria mais a champagne porque não beberia a garrafa sozinha, e ele já tinha dito que queria o Martini. E dito isso fui ao banheiro. Lá, no banheiro, chequei meus dentes, passei um pouquinho de pó, me olhei no espalho e me validei. Sim, era eu mesma que estava ali naquele restaurante, linda e bem acompanhada. E sentia uma certa ansiedade, uma coisa nova, uma coisa diferente.Depois de 5 minutos eu saí do banheiro e avistei aquele homem lindo, com aquela cara de Big, bem italiano, me olhando e me esperando. Ao chegar na mesa me sentei, peguei meu copo, ainda sem tirar os olhos dele, ele me olhando, brindamos à noite, ao nosso encontro, à vida. Levei a taça aos meus lábios, ainda sem tirar os olhos dos olhos dele. E foi aí que percebi. Eu tomava champagne. Fiquei um pouco confusa, esperava um vinho, e ao ver a minha surpresa ele me perguntou se estava tudo bem. Eu então disse que esperava por um vinho e não pela champagne, e repeti a história da taça, da garrafa, do Martini. E me olhando ele disse: Mas não era champagne o que você queria?
Foi aí, nessa fração de segundos, que ele deixou de ser apenas um homem e passou a ser David. E pra sempre seria David.

Hoje no banho maravilhoso que tomei depois de correr 6 km, todos pensando nele, eu fui atingida por um raio. Eu descobri o momento quando o meu sabra deixou de ser apenas um homem e passou a ser o meu sabra. Dirigíamos de volta de Eilat, eu estava na direção e mastigava um bazooka, meu chiclete preferido. Sim, tenho chiclete preferido, forma geométrica preferida, e outras maluquices. Lá pras tantas o chiclete já tava com gosto de cuspe e eu já não queria mais. Perguntei pra ele se havia algum lixo, que eu queria jogar o chiclete fora. Ele me disse que lhe desse o chiclete. Eu o tirei da boca, e quando o tinha em minha mão senti a mão dele pegar o chiclete. Eu olhei pro lado surpresa e fiz um comentário adolescente do tipo, você não precisava pegar o meu chiclete com a mão. Ele me olhou de forma indignada e me perguntou: “Quer ver o que eu faço com os eu chiclete? olhe pra mim”. Eu olhei pro lado e fui surpreendida com ele botando o meu chiclete em sua boca. Eu não disse nada, fiquei com os olhos bem abertos assistindo a cena e depois ouvindo ele me dizer “Acho que você ainda não entendeu o que eu quero com você”. E não disse mais nada.
Fiquei muda e foi nessa fração de segundos que ele se tornou Ele na minha vida.





-profile/016988792876050828741
2008-05-28T07:57:13.418-03:00
Zum to the moon
Ele disse: Com você eu vou até a lua.
Eu disse: Ótimo! Mas depois a gente volta, né?
Ele disse: Segunda-feira é meu último dia de trabalho.
Eu disse nada.
Ele disse: Pedi demissão.
Eu disse: Meu Deus, você é maluco que nem eu. Um dia acorda, decide que vai pedir demissão depois de 11 anos de trabalho, e pronto. No dia seguinte você já tá colhendo o fundo de garantia.
Ele disse: Que parte você não entendeu quando eu disse que não tinha um plano B?
Eu disse: Então quer dizer que ...
Ele disse: Quer dizer que nós vamos pra ficar.

Ok. Suspende a cama emprestada. Thanks, mas vou comprar uma nova que pelo visto esta cama vai ser usada por bem mais que 1 mês.
Enquanto isso você então liga pra embaixada e pergunta:
1) Quanto tempo você pode ficar como turista aqui?
2) Quanto pode trazer?
3) Vai na escola das meninas e pega o histórico delas
4) Leva na embaixada e faz a tradução

Resultado: Virei bruxa. De novo. Na última vez que me apareceu estragou meus dentes da frente, além de me quase perfurar um outro dente. Tive que fazer um canal às pressas. Era dezembro e eu saía dos EUA de volta ao Brasil.

Grandes mudanças...Tem gente que fica sem dormir, outros ficam sem comer, outros comem demais, eu, eu me mordo toda. Literalmente! Hoje acordei com dor de ouvido. Mas que diabos que nunca tive dor de ouvido na vida e se não fosse por hoje nem saberia que cara, ou que dor, tem a coisa. Fui no otorrinolasgasrertwtanbzchsefyewista e ele disse:
Você machucou seu menisco dormindo.
Eu disse: Mas Doutor, não jogo futebol, e muito menos dormindo.
Ele disse: Foi o menisco que fica aqui ó.
Menisco do ouvido, da orelha, de sei lá das qantas. Só sei que na calada da noite, e na falta de morder outra coisa, ou de dar umas beijocas, eu acabei foi me mordendo. Eu consegui morder a própria orelha! Isso que é mulher auto-suficiente!

Depois ele disse, o meu amor, e não o médico: Acho que não poderemos esperar para casar em maio do ano que vem. Sabe como é..visto, banco, identidade, papéis..pura logística.
Eu disse: Sei baby...é a logística do teu coração. Nunca vi um homem tão afoito pra casar.
Ele disse: Tô afoito pra casar com você.





-profile/016988792876050828744
2008-05-25T10:23:17.489-03:00
Leitores e leitoras de meu Brasil e de outros mundos
Deixa eu explicar. É assim. Eu reconheço , ou penso existir, dois tipos de leitores de meu blog:
1-Os anônimos, que estão espalhado pelo mundo, não sabem quem sou ou mesmo se existo de verdade, ou se tudo não passa de uma grande novela. Estes são a grande maioria de meus leitores e amo vocês!
2-Os amigos, que são aqueles para quem eu passei o link do Blog, que são a minoria dos meus leitores. Amo vocês com todas as minhas vírgulas!

Mas, queria evitar o seguinte tipo de leitor, e para isso conto com os amigos. Queria evitar os leitores que me conhecem, sabem quem eu sou, já me deram dois beijinhos, mas para quem eu não passei o link do blog. Queria pedir aos amigos que não passassem o link do blog, para estas pessoas. Para aqueles amigos de amigos que nunca conheci, passem quanto quiser o link do blog. Mas não me apresentem alguém e digam, imediatamente, "esta é a fulana. Ela tem um blog super legal, vai lá, é www.blá, blá, blá". Morro de vergonha e fico com vontade de me esconder e dizer que é tudo mentira. Isso aconteceu ontem com uma amiga querida que na maior das boas intençoes, fazia propaganda de meu blog num churrasco, até eu dar um jeito de lhe dar uma cutucada discreta e ela perceber que talvez eu não quisesse revelar a minha morada virtual

Porque este lugar aqui é de muita intimidade, e na intimidade mais profunda de nós mesmos só deixamos entrar os amigos de verdade, ou os anônimos, que são os fantasmas que jamais conhecemos.

Sei também que existem outros. Àqueles que nos acham por links de blogs de amigos em comum. Amiga querida de tantas noitadas emburacadas, te peço que nunca me apresente alguém que tenha chegado ao meu blog por via sua. Há também os que chegam pelos links de amigos em comum e imediatamente sacam que eu sou eu, porque me conhecem. Esses tudo bem.

Há gente, sabe o que? Tudo muito confuso. Muitos caminhos que se bifurcam. Sabe o que? Faz o que você quiser. Porque eu..eu sei lá mil coisas.


-profile/016988792876050828740
2008-05-20T19:16:00.212-03:00
Blog it baby
Todo dia ele me pergunta se pode me ligar antes de ir dormir. Todo dia eu digo que sim. Ele me liga, todo santo dia, e falamos por 2 horas ao telefone. Cada meio de comunicação tem uma função diferente. O skpe é exibicionista. É onde mostro os peitos quando me dá na telha, só pra ver ele suar frio do outro lado, mesmo com a imagem de dois peitos pixelados e tremidos, que é assim que eu imagino que a minha internet ruim deve levar a imagem de meus belos. O telefone é intimista. É assim que falamos do nosso amor, de nossos planos mirabolantes, e imaginamos o nosso futuro.
As vezes fico agoniada, e pergunto "como você não está aqui comigo?" Falo da noite linda que faz lá fora, da lua que avisto da varanda do quarto, da brisa que move a cortina, da luz meio fraca, da Bebel na cama entardecendo comigo por meio de tantos bocejos, do Chikinho que se mete na paz alheia, como diria Yellow, e de Moby, o único cachorro da casa que sabe a delícia de ser o que é: cachorro.
E fico contando os dias. Falta ainda um monte deles, todos embaralhadas e desprovidos de emoção, todos simples números na minha agenda de trabalho, todos desimportantes, até que avisto aquele com estrelas, escrito em letras grandes, em vermelho. É o dia! Mas é pura sabotagem, porque tenho que navegar com a setinha e clicar duas vezes, até vê-lo, oh dia, por trás de tantos outros.
Perguntei: "O que faço com esta agonia?"
"Blog it, baby"
"Já sei que você achou meu blog"
"Como?"
"Porque não acredito que possa haver um outro leitor de meu blog, vivendo na mesma cidade que você. E você vive numa cidade pequena."
"Posso?"
"Você pode tudo, meu amor."
"Posso?"
"Pode?
"Tudo?"
"Tudo."





-profile/016988792876050828744
2008-05-19T21:20:18.421-03:00
Amar e...botar credito no skype dela
Hoje cheguei de viagem. Fui à São Paulo por uma semana e de lá para Caxias do Sul. Ontem quando cheguei no aeroporto, de noite e exausta, encontrei o meu carro com a bateria zerada. Taxi, celular, Jô "posso dormir aí?", dor de cabeça, arrasta mala, arrasta corpo, mau humor de dar inveja. Um trapo humano.
Mesmo com um horário que me imposibilitava de qualquer coisa, das 8 da manhã até as 6 da tarde, e que me reduzia a quase nada ao final do dia, e mesmo com um fuso-horário de seis horas, sempre dávamos um jeito de nos falar, todos os dias.
Falo com ele como se estivesse na esquina, ligo quando escuto uma música, quando lembro de algo que tinha esquecido de dizer, quando quero fazer uma pergunta. E quando os meus créditos acabam, e eu estou no meio de uma semana louca como essa que passei, ele bota crédito no meu skype. Só pra garantir que eu não deixarei de ligar.
As vezes me sinto culpada, que como todos já sabem, é o meu elemento. Tem gente que é de água, outros são de terra, e tem gente até de lua. Eu sou de culpa. E aí peço desculpas por trabalhar tanto, por ter pouco tempo no momento, e fico com medo de falhar.
Hoje ele me disse, "Nós não podemos falhar. Você é o único plano da minha vida. Não tenho plano B." Senti frio na barriga.
Disse pra ele que hoje seria aniversário do David. Ele ficou mudo. Anda obcecado com o David, às vezes acho que ele está mais apaixonado pelo David do que por mim. Gosto da forma como ele criou um canal só deles. Um dia estávamos rindo na cama, e eu falava sei lá o que, só lembro que falava pelos cotovelos. E ele olhou pra cima e perguntou "David, onde é o botão de desligar?" Adorei aquilo. Como se eu fosse uma boneca que agora tem um novo dono.
Ele diz que quer ficar aqui em Julho, que não quer ter que ir embora. Que pra ele, palestinos, Hezbola, territórios, mísseis e bombas já deu. Quando perguntam pra ele se eu não poderia ir morar em Israel ele diz: "Claro que poderia. Mas sou eu que não quero ficar. Pra mim já deu!"
Sou a desculpe perfeita para sua saída e cúmplice da possibilidade de felicidade no único plano A da vida dele.





-profile/016988792876050828740
2008-05-16T08:38:35.078-03:00
Mal entendido
Cara Angela,

Este blog não termina, é minha vida, que cada vez mais me parece uma aventura contínua. Me referia a outro blog, e porque precisava desbafar, acabei escrevendo aqui. Mas isso aqui é que nem filme do Bunuel. Ninguém sai. Em breve mais.





-profile/016988792876050828741
2008-05-15T13:56:35.413-03:00
Baby deixa o jornal...
Caro editor,

Quando você me chamou para escrever o blog, disse que seria eu quem determinaria a freqüência. "Então é prazer", eu pensei. "Faço sim."

Você também me disse que não havia nenhuma garantia de pagamento, mas que o assunto estava sendo discutido. "Melhor ainda", pensei.

Quando você me exige uma freqüência de dois posts por semana, deixa de ser puro prazer e passa a ser puro trabalho.

E aí fica difícil encontrar justificativas que me façam trabalhar de graça para o jornal mais rico do país."Porque escrever de graça pro site do seu jornal se a OMS me paga para fazer o mesmo e o site do NIH mais ainda?"

Não sou blogueira, sou escritora científica. Ganho a vida escrevendo sobre ciência. É isso que faço. Por isso, me imaginar trabalhando de graça a esta altura de minha carreira, (quando eu dispenso trabalho porque tenho coisa demais e já não dou conta), me parece irresponsável, além de me parecer humilhante, desculpe a franqueza.

Por isso, acho melhor tirar mesmo o blog do ar.

Gostaria de lhe pedir que me informasse qual foi a visitação do blog durante o período, se possível.

Um abraço e obrigada pela oportunidade,





-profile/016988792876050828742
2008-05-10T19:42:15.580-03:00
Cobertor de orelha, literalmente

Cade o Chiquin' de Soleil?





-profile/016988792876050828742
2008-05-10T08:48:50.904-03:00
Cade Julho?
Queria saber por onde anda Julho. A julgar pela minha ansiedade, já era para Julho estar aqui, e com uma boa explicação que me convencesse das razões de sua longa demora. Porque dependo de Julho para que grandes encontros aconteçam na minha vida. Pois é quando vou sentar com duas zinhas muito das letradas e das sacadas, lá na cidadela de Paraty, por entre livros, autores e montes de gentes inteligentes, pra discutir tudo aquilo que já vimos discutindo ao longo do ano, mas apenas virtualmente.

E também é quando eles irão chegar.

Ontem me dei conta: Pera aí, não posso mais sair marcando oficinas lá em caixa prego, sei lá quando, sem antes consultar as bases. Porque agora há bases! Preciso ter cuidado com as datas importantes, com as datas familiares, que eu tive por tão pouco tempo que nunca realmente se integraram na minha vida.

Uma amiga querida hoje me disse: "Sim, talvez eu vá subir a serra, mas tenho que voltar por causa do dia das mães no domingo."

Pois no domingo vou a SP dar uma oficina, marquei a viagem sem nem antenar pra coisa alguma, porque não havia coisa alguma na qual me antenar, na ocasião. Meu único senão era a minha empregada-secretária, que teria que ficar com a família de au-au que mora nesta casa.

Liguei pra ele ontem. "Veja ai por favor que dia cai o dia do perdão, e o ano novo, e os aniversários de todo mundo". Respirei aliviada por não ter atropelado o dia de ninguém e nem de coisa alguma. Ufa.

Isso vai ser um longo aprendizado.

Quer dizer que então não poderei mais mudar de país quando me der na telha? Não, não poderei.
Então não poderei sair no dia não sei das quantas pra dar uma oficina lá em caixa-prego? Não, não poderei.
E não poderei almoçar só na hora que eu quiser? Não.
E não poderei dormir quanto eu quiser? Não.
E não poderei ficar na noite quando e quanto eu quiser? Oh não, claro que não.
E não poderei escolher o canal de televisão, sempre? Não.
E não poderei ter na geladeira só as coisas que gosto? Não.
Eu não ficarei sozinha de noite? Não.
Eu não engolirei as lágrimas sozinha, quando elas vierem? Não.
Eu não vou me sentir mais uma viúva que tem apenas montes de cachorros andando atrás de mim? Não.
Eu não vou mais planejar as férias que nunca tirei, sozinha? Não.
Eu não pdoerei mais trabalhar como uma alucinada por 14 horas? Não.
Eu não mais poderei passar dois anos sem tirar uma semana de férias, de verdade? Não.

E nunca mais vou ter medo de morrer sozinha, no meu apartamento, engasgada com o caroço ou amendoim?
Não.





-profile/016988792876050828743
2008-05-06T19:10:34.280-03:00
The Skype is the limit
Amanhã começo as aulas de hebraico, com a mesma professora que pestanejou pra me ensinar alguma coisa quando eu era mocinha. No telefone, ela me perguntou. "Mas porque agora você quer aprender hebraico?" "Pois é, eu sempre quis sabe morá. Mas é que agora... agora tem esse homem na minha vida.""Esse homem?" "Sim, esse prêmio de loteria, essa coisa mais linda, doce e toda minha. E eu quero me deleitar com todas as palavras que ele guarda pra mim. E todas elas vêm repletas de um rrrrrr sem fim, que faz arder a garganta, e de um chhhhh sem começo que me dá vontade de cantar."

"E morá, você sabia que eu falei hebraico antes de falar portugês? Pois é, nos anos 70, quando minha mãe resolveu "dar um tempo" das redações de jornal, fomos morar em Israel. E sabia que agora, em Israel, eu descobri que eu e meu sabra provavelmente tomamos banho peladinhos, quando frequentávamos o mesmo kibutz? Foi a avó dele que fez as contas do passado e chegou a esta conclusão."

"Um sabra..." ela repetiu, como se estivesse se referindo a uma nova marca de carro de luxo. "Sim, um sabra. Meu sabra."

Não tenho pretensões de daqui há um ano ou dois estar escrevendo um blog em hebraico, ou de estar lendo o Tel-Aviv Post. Tudo que quero é escutar as palavras saindo de sua boca, da forma como nasceram. Tudo que quero é ver esse pedacinho dele que é ainda intransponível e inalcançavel. Quero saber de suas escolhas, de suas piadas, de seus trocadilhos, de seu ritmo. Quero saber dele.

E enquanto não posso ter tudo, vou tirando o melhor proveito daquilo que tenho. Amo sua vozinha ao telefone tarde da noite, seu beijos de monitor, nossos passeios virtuais, e nossos planos mirabolantes para os próximos meses.

Somos como dois imortais para quem o skype é o único limite.





-profile/016988792876050828741
2008-05-05T16:43:58.472-03:00
O blog
Todo dia ele me pergunta: "O que você escreveu no blog ontem?". E eu conto o narrado, às vezes escrevo versões rápidas, pra ele e envio por e-mail, ou leio em voz alta. Outras simplesmente falo do que escrevi. Ele me pergunta dos comentários, me pedi pra ler o que fo dito. E agora ele deu pra mandar recados pra vocês. Ás vezes diz coisas e me pede: "Bota isso no blog?"
Perguntei se ele queria o link pro Blog mas ele disse que não. Não queria me imaginar lhe imaginando como seu único leitor.
"Por que você escreve?" ele me perguntou.
"Porque estou viva", lhe respondi. "Só escrevo quando me sinto viva. E se sentir viva pode vir por qualquer canal. Pode vir pela dor de um amante paraguaio (fala sério, o que foi aquilo?), ou pela alegria de um namorado israelense.


-profile/016988792876050828740
2008-05-02T22:08:16.158-03:00
Lado Bom e Lado Mau
Quando éramos adolescentes, ela inventou de me apelidar de Lado Bom. Me chamava assim: Boooom...Tínhamos o mesmo nome, e porque tudo na vida tem um lado bom e outro mau, ela decidiu que eu seria o lado bom de nós duas e ela seria o lado mau. Assim, eu virei Booooooom, e ela virou Mau.
Íamos para Lumiar, ver as estrelas e sonhar, com muchila nas costas, de ônibus que balançava e que só me faz lembrar, num pavor em retrospecto, de Frida Kalo. E além de nós duas, havia também ela, que de nome diferente, era muito amiga minha e também dela. Mas juntas, as três, não dávamos certo. Hoje sabemos: era ciúme de moça jovem.
Já anos mais tarde, e já morando em Israel enquanto eu morava nos Estados Unidos, eu e Lado Mau reatamos contato, enquanto eu e ela não nos falamos mais. Há coisa de 10 anos nos esbarramos numa escola no Rio, onde eu dava oficina para professores e sua filha, na época com 6 anos, aprendia a escrever. Depois só sabia dela através de relatos curtos que o Lado Mau, lá de Israel, me transmitia. As duas jamais haviam perdido contato. Continuavam a amizade que agora se alimentava de textos curtos no MSN.
Falei então pra ele que eu precisava contar pra ela sobre nós dois. E confessei meu nervosismo ao me imaginar sentada, contando tudo pra ela, ela que não via há pelo menos 10 anos. Ontem tomei coragem e lhe enviei um scrap via Orkut que dizia:
"Voltei de Israel semana passada e queria..na realidade, preciso falar com você."
A resposta dela foi imediata e combinamos de almoçar juntas hoje.
"Salada Oriental pequena e quiche de queijo minas."
'Então me conta, como estão as meninas?" ela me perguntou. Eu tremia debaixo da mesa, sentia o coração palpitar, sentia a adrenalina subir e descer e lembrava dele me pergunando na noite anterior: 'Mas porque você está tão preocupada com a aprovação dos outros? Eu não estou nem um pouco preocupado."
Eu sei porque estou tão procupada. Porque não me sinto merecedora, porque de alguma forma ela vai exergar a minha culpa. Ha sim, ela vai ver-eu pensava enquanto segurava o anel do dedo para que não escorregasse e denunciasse o suor da minha mão.
Então comecei a contar desde o momento em que ela havia me dado a triste notícia de que o meu Lado Mau havia morrido. Foi ela que me avisou, por email, porque não tinha meu telefone, da morte da amiga em comum. Trocamos telefone e eu liguei pra ela na mesma noite.
E eu ia contando a história e ficanod mais nervosa, e ela me olhava com olhar tranqüilo, até que eu disse:
" e então ele começou a me ligar sempre, e a gente conversava todo dia..."
"sei..", ela disse, " e então..." e escondia um sorriso quase maroto por trás do azul de um rosto sério.
" e então.." eu fiz uma pausa.
"e então.." ela repetiu.
" e então a gente se apaixonou um pelo outro." disse eu de supetão.
"eu já sabia" ela disse, puxando a lata de coca zero para si.
"Como você já sabia, quem te contou?" eu perguntei aflita.
"Você me contou." ela disse
"Eu? Como assim? Quando?"
" Quando? Na noite em que te dei a notícia da morte dela e você disse: Preciso ligar para ele. Eu sei o que ele está vivendo."
"Mas foi só isso que eu disse?" eu perguntei.
"Sim, foi só isso."
"E o que tem nisso?"
"Não sei o que tem nisso, e nem sei te explicar, mas a forma como você falou, talvez tenha sido a ternura, talvez o pesar, talvez a identificação imediata que talvez você tenha sentido por ele, naquele momento. Não sei o que foi, mas havia algo na sua voz." ela me disse, com ares da grande sábia da aldeia que tudo sabe.
E pegou na minha mão com um carinho maternal, abriu um sorriso doce e disse: "Que história linda!"
E eu então finalmente desabei.





-profile/016988792876050828744
2008-05-02T21:13:02.339-03:00
Lado Bom e Lado Mau
Quando tínhamos 17 anos ela inventou de me apelidar de Lado Bom. Me chamava assim: Boooom


-profile/016988792876050828740
2008-05-01T14:43:35.040-03:00
Fala com ela
Desde ontem não paro de chorar. Tudo começou quando percebi a tristeza na voz dele, ao me falar da resistência de S. em aceitar o nosso relacionamento. Percebi que sua tristeza maior era a de que S não consegue ficar feliz por ele, por não entender a trégüa de dor que nosso encontro representa.
"Talvez você tenha que contar pra ela", eu disse. "Contar, como assim contar? Contar o que?" "Contar o que?" eu repeti, "contar das várias noites que voce não durmiu apavorado de acordar e vê-la morta ao seu lado; do pavor de ficar só com duas filhas; da dor de saber que quem se ama irá morrer, e logo; da tristeza de não se poder fazer nada para mudar isso; da solidão das noites; das lágrimas que você escondeu dela e de todos; da dor; do medo; do pavor; do escuro; do cansaço. Talvez você tenha que contar isso pra ela. E talvez então ela entenda o quanto você precsia de amor, de cuidados, de colo, de carinho, de mim."
E hoje de manhã, quando fazia xixi, com os cotovelos ainda sonolentos apoiados ao joelhos, o cabelo que de manhã acorda meio burrinho pra só mais tarde ficar inteligente, senti um aperto no peito horrível.
É ela, é ela de novo. A culpa. Como se a minha felicidade dependesse de desgraças. E me ocorreu: Só tenho o que tenho porque outros morreram. O dinheiro, as casas, os carros, o homem melhorado, as meninas lindas, as promessas.
Hoje de manhã derramei um rio em cima dele. Minhas lágrimas devem ter entupido a tubulação do skype. "Sinto culpa", eu disse.
"Então me permita ser o juiz e declarar a sua sentença", ele me disse.
"Qual é a minha sentença?"
"Dividir comigo tudo que agora é nosso, e viver comigo pro resto da vida."





-profile/016988792876050828746
2008-04-30T19:50:37.680-03:00
Toalha solitaria
Os dias vão passando e vou ficando apaixonada, vai começando a doer, vai comecando a pesar. Não quero que ele fique sozinho, tudo que ele não precisa é ficar sozinho. Ele odeia ficar sozinho. Não é assim que nem eu não, que se deixasse embarcava na carreira solo feliz (ou pensando que tava feliz). Ele me diz alto e em bom tom: "Não quero ficar sozinho. Odeio ter uma toalha apenas pendurada no banheiro."
Tenho vontade de pegar ele no colo, como se fosse apenas possível dar colo para aquele homem grande.
Tenho vontade de fazê-lo desabar, de fazê-lo chorar. Coisa que até hoje não conseguiu fazer. Talvez também isso ele tenha aprendido no exército.





-profile/016988792876050828741
2008-04-30T14:52:24.754-03:00
Idan Raichel's Project - Mima'amakim (Video)


Who's that calling out to you tonight, listen up
Who sings out loud to you, to your window
Who gave his soul so you'd be happy
Who will give a hand and build your home
Who will give his life, and put it beneath yours
Who will live as dust beneath your feet
Who will love you more than all other loves
Who will save you from every living spirit





-profile/016988792876050828740
2008-04-30T10:03:39.327-03:00
Nao e Dengue nao
Tô horrível. Na cama, há dias. Dói até pra levantar o braço. Mas dizem que na serra não tem Dengue. Sei não.
Tô no quarto escuro, aquele que é o quarto de hóspedes. Descobri que tanto o quarto, como a cama do quarto de hóspedes é mais confortável e mais espaçoso do que o meu quarto. Na minha casa os hóspedes tem tratamento vip. Assim que eu melhorar vou mudar muita coisa nessa casa. A cama do quarto de hóspedes vai pro meu quarto e esse quarto vai virar o quarto das meninas. Vou decorar, vou botar duas camas, vou botar o laptop ligado na internet e vou até procurar um poster do bonitinho por quem S é apaixonada, um tal de Zack não sei das quantas...
Quero que se sintam em casa durante o mês que estarão aqui. E não como hóspedes.
Disse pra ele que tem muitas coisas que não fizemos juntos ainda. Nunca saímos pra jantar só nós dois, por exemplo. Ele me perguntou se havia algum lugar pra dançar por aqui. Pensei na Festa do Chico Bento, mas logo desisti. Depois lembrei que nos sábados costuma rolar umas bandas bacaninhas. "Porque, eu perguntei, você gosta de dançar?" 'Porque eu quero ver você se movendo."





-profile/016988792876050828744
2008-04-28T20:35:04.891-03:00
Um homem e uma mulher alguns anos depois
Hoje ele me disse ao telefone que o câncer havia lhe feito um homem melhor. Eu também virei uma mulher melhor, por causa do câncer. Câncer deles.
Mais tarde, e já comendo um chocolate meio-amargo que trouxe de Israel, pensei o quão desparatado era esse pensamento. O pensamento de que ficaria pra mim, a versão melhorada do marido de minha amiga. Depois refiz o meu pensar e percebi que como eu já desconfiava, e como ele vinha já tentando me dizer, ele já há muito não era mais o homem que um dia havia sido casado com a minha amiga. Hoje ele é outro homem. Hoje ele é meu namorado.
David também se casou um dia com uma mulher muito diferente daquela que eu chamo de eu. E nem faz tanto tempo assim. Mas tudo que passei desde o dia em que escutei a palavra câncer sair da boca do médico até a noite estrelada que hoje vivo aqui na serra fluminense, também fizeram de mim uma mulher bem diferente.
E foram essas versões melhoradas de nós mesmos que um dia decidiram se encontrar, para mais tarde decidir que ficaríamos juntos.
Todos os homens que se aproximaram de mim depois que David se foi, me olhavam com tristeza e pesar. No fundo tinham pena de mim. E em alguns momentos faziam com que eu também sentisse pena de mim.
Ele me faz me sentir abençoada, pôxa diria eu...sou mesmo uma mulher de sorte!

PS: Também trouxe um chocolate pra você, que guardarei até julho.





-profile/016988792876050828744
2008-04-25T12:17:41.140-03:00
Ele lá, eu aqui, e nós dois no meio
"O que você tá fazendo?"
"Voando com o simulador. E você ?"
"Editando um artigo chato sobre criopreservação de óvulos."
"Vamos dar uma volta pelo mundo?"
"Vamos. Onde você quer ir, meu amor?"
"Vamos ver a muralha da China?"
"Quem chegar primeiro ganha um attachment cheio de beijos."

Assim temos passado as horas separados. Fico trabalhando no computador grande, mas deixo o laptop no skype com o vídeo aberto, só pra sentir ele ali pertinho de mim. E quando dá na telha entramos no Google Earth e passeamos pelo mundo.

Fiquei pensando no que ele me perguntou outro dia. "Você casaria mesmo comigo depois de duas semanas?" E tentei entender o que me fazia sentir segura em relação a isso. Uma amiga me perguntou: Mas você está apaixonada por ele? "Não, eu disse. Porque se estivesse jamais me casaria com ele. Não quero um homem que me faça perder a cabeça, quero um homem que me faça feliz. Quero ter a sorte, pela segunda vez na vida, de um amor tranquilo. Amor que constrói, que engorda, que tranquiliza, que compartilha, que divide, que soma, que nos deixa dormir, que nos deixa sonhar."

Por isso me casaria mesmo após duas semanas. Porque há homens com quem podemos passar 10 anos juntos e jamais sabemos quem eles são. E há homens que se abrem como uma flor, que entregam tudo que tem, que esvaziam os bolsos da memória, que fazem de nós a sua razão de viver. Quando um homem assim aparece na vida da gente, sabemos na hora. É um daqueles, pensamos. É daqueles que vai cuidar da gente, vai ser amigo, amante, cozinheiro, marido e motorista. Para conhecermos homens assim, duas semanas bastam. E poucas são as mulheres que tem o privilégio de encontrar um destes pelos caminhos da vida. O privilégio é meu. E meu também são os sonhos que quero viver com ele, meu é o desejo de me transformar em tudo para ele, e minha é a escolha de escolhê-lo pra mim.

Porque tudo que nos emociona é digno de amor. Seja uma casa de paredes amarelas, dois pointers marrons, um viaralata de olhos esbugalhados ou mesmo um soldado israelense.





-profile/016988792876050828742
2008-04-22T14:22:16.122-03:00
Amiga querida minha
Se algum dia me sentir chateada com você, fique certa que você saberá. Nossa relação permite arroubos e franquezas, mesmo que elas não sejam aquelas que gostaríamos de ouvir. E é por isso, e só por isso, que adoramos estar aqui, nesse espaço de nós duas, que nós duas criamos e do qual nós duas nos beneficiamos. Não me senti de jeito nenhum chateada. Não respondi por falta de tempo e um pouco de preguiça de final de semana regado a muita gente e necessidade estúpida de muito estudo, já que estou em provas e a vida continua correndo como sempre. Mas como tenho a nítida sensação de que lendo seu blog já estou dialogando com você e vice-versa, acabei não respondendo.

Pelo contrário, fiquei mais tranquila com sua resposta que me disse assim: "fique tranquila, sei o que estou fazendo, não costumo cometer maluquices (tudo bem, vou esquecer aquele homem, por ora), as coisas estão tomando um rumo muito bom, muito melhor do que minhas melhores expectativas e tenho certeza de que o que estou vivendo é real, não é fruto de idealizações nem de fantasias de cavaleiro resgatando a mocinha do fundo do poço". Até porque, no fundo do poço vc não estava, nem precisando de maluquices pra preencher seu tempo ocioso, que aliás, nem existe.

Confio muito no seu taco, na sua coragem, na sua franqueza e em suas intuições. Se esse é o caminho que estás escolhendo, vou com você até onde... sei lá, não importa até onde. Importa é que vou com você.

Sobre aquele negócio de eu ter medo de vc partir e ficar longe de mim, tenho mesmo. E daí? Nada posso fazer para diluir isso. Nada posso fazer para evitar que estejamos fisicamente longe, mesmo estando vc ali na serra e eu aqui no planalto. Então que diferença poderia fazer um oceano ou uma linha de equador entre nós. Nenhuminha. Graças a deus, que é bom e misericordioso, temos a internet. Sem falar na Flip que será toda nossa e da nova zinha.

Espero que sua viagem seja boa. Dê notícias quando chegar à serra. Quero saber como estás após o tempo e a distância que já são enormes entre vc e seu sabra, mas pelo que entendi, significam nada não.

Um beijo enorme,

Da sua...





-profile/016988792876050828740
2008-04-22T02:07:22.176-03:00
Eu to voltando pra casa outra vez
Hoje volto pro Brasil. O workshop foi bem legal e um super desafio pra mim. Eram 12 alunos, dos quais 4 eram mulheres totalmente cobertas onde só o rosto estava exposto. Tive que me cobrir de uma foram que nunca fiz em dias quentes. Usei as mesmas batinhas que uso nas minhas andanças cariocas, mas aqui estavam todas devidamente acompanhadas por uma blusa de manga comprida fina, com gola do tipo rolê, que vinha por baixo da batinha da Eclectic, que era pra ninguém ver o meu cotovelo ou pulso que são mesmo de fazer um perder a cabeça!!! Ontem no elevador tinha uma mulher de preto, totalmente coberta, mal víamos os seus olhos. Todos aqui dizem que elas se cobrem porque querem e por prazer, e eu acredito. Mas quem veio com a moral e com os valores de que mulher coberta é mulher linda? Com certeza não foram as mulheres. Ha, deixa pra lá que o povo aqui é mutcho doidjo e está mutcho além das minhas capacidades de entendimento.
Meu lindinho tá cada dia mais lindinho. Todo dia me conta como foi a corrida do dia anterior e diz que vai me dar uma lavada em julho quando dermos a volta na Lagoa. Eu também vou ter que criar juizo e começar a treinar pra essa tal volta na Lagoa.
Falamos o tempo todo, e estamos super conectados um ao outro. Quando acordo de manhã ele é a primeira coisa que me vem à cabeça. Durante muito tempo a primeira coisa que vinha a minha cabeça, quando eu acordava de manhã, era a consciência de que David não estava mais comigo. Depois, passado um tempo, eu acordava de manhã, e absolutamente nada vinha a minha cabeça. Desde que cheguei no Cairo, e portanto desde que me separei dele, ele é a primeira coisa que me vem a cebeça.
Ontem ele me disse que tava de saco cheio que as vezes desejava que seu chefe o mandasse embora. Que assim ele teria a desculpa perfeita pra ir me encontrar mais cedo e também a desculpa perfeita pra por lá ficar. E quando falava isso ele fez uma pausa e pensou, as meninas podem ficar sem problemas, porque tem dupla nacionalidade, mas eu não teria como ficar. E sem pestanejar eu disse: "Por isso não que eu casava com você." E foi tudo tão rápido que eu nem vi saindo da minha boca, quando percebi as palavras já estavam todas ali flutuando no espaço virtual que separa a tela de vídeo d skype dele, da minha. Ele perguntou: "Você casaria mesmo comigo, assim depois de duas semanas?" Foi aí que tive tempo pra elaborar..."Bem, acho que o ideal seria convivermos mais tempo, nos conhecer melhor, etc...mas, se você quiser ficar e eu quiser que você fique, não vou deixar que regras, leis e vistos sejam os impedimentos. Que eu e você somos grandinhos demais, e independentes demais pra deixar que outros, que não nós, estabeleçam os nossos passos. Portanto, casaria sim"
E depois falamos de aminidades, agradecemos ao Deus do Skype mais um vez por nos proporcionar tamanha maravilha, e fomos dormir.
Hoje vai ser um long dia, e uma longa noite.
Vejo você no Tom Jobim.
Boa viagem.





-profile/016988792876050828740
2008-05-08T16:30:33.541-03:00
Rosa Purpura
Da janela do hotel Semiramis Intercontinental eu vejo o Rio Nilo. Ora lembro da mesopotâmia das aulas de história, ora me lembro de Casablanca. Tudo muito parecido.
Cairo é simplesmente uma zona, a maior barulheira, carros caindo aos pedaços, ninguém respeita as linhas que limitam cada pista, os carros todos buzinam ao mesmo tempo, equanto um esquadrão de robes e roupões se atiram à rua e driblam os carros. Em Cairo não há sinais. Atravesse a rua at your own risk. Tem mercedes ao lado de jegue. Tem mulher coberta até o pescoço ao lado de gatinha de camisetinha. Tem homem com cara de bandido (aos montes!) e outros com olhar doce. Tudo cor de burro quando foge, e o pior é que o burro foge pro deserto.
E a noite toda ouve-se um zumbido, um eterno huuuuuuuuuuuuuuuuuu, que não pára nunca. Posso ouvir as rezas, aquela ladinha, aquele múrmurio, aquela lamentação. Ou seria o meu coração?
Estou simplesmente sentindo demais a falta dele. Falta de ouvir a voz dele com aquele sotaque carregado, falta de sentir as mãos grandes me fazendo cafuné, falta de sentar nos degraus da entrada da casa, já de noite, para olhar as estrelas e fumar um cigarro juntos. Coisa que só me permito fazer em momentos muitos especiais.
Falei agora com ele pelo skype. Fizemos promessas e juras de amor. Lamentamos a distância e nos espantamos com a saudade. Contamos os dias, e fizemos planos.
Hoje é Pessach, a Páscoa judaica. Queria estar com ele, e não no Semiramis Intercontnental, mesmo sendo o hotel mais pomposo onde já estive. No elevador tem uma foto do Onasis. E mais nada.





-profile/016988792876050828741
2008-04-18T06:52:28.131-03:00
Homem de Primeiro Mundo
Tem homem que faz a gente chorar. Tem homem que faz a gente sorrir. Tem homem que faz a gente querer se matar, tem homem que faz a gente querer matar um homem. Tem homem que emociona a gente, tem homem que nos faz feliz. Tem homem que nos atura, tem outros que nos conserta. Tem homem que nos encanta, tem homem que nos abandona. Tem homem que nos liberta, tem homem que nos enlouquece.

E tem homem que nos faz sentir mulher. Novamente. E depois de tanto tempo. E se sentir mulher não tem nada a ver com sexo que nem é disso que eu estou falando. Ser mulher é querer montar casa, é querer fazer ninho, é querer cuidar, é querer ser cuidada, é querer compartilhar, é querer educar, é querer ter família, é querer cozinhar.

A empregada. Vivi 12 anos sem empregada. No início foi um sufoco. Não sabia nem fazer um feijão. Passei os primeiros anos da vida nos EUA comendo porcaria porque fui criada numa sociedade onde quem cozinha, cuida da casa, das roupas e das compras é a empregada. Nos países ricos dizem que é um luxo ter empregada. Pois eu te digo que luxo é poder cuidar de si mesmo, das suas roupas, da sua comida e da sua casa. Depois de alguns anos eu decidi que aprenderia a cozinhar. Se eu tinha um PhD não era possível que não poderia aprender a fazer feijão, eu pensei. E fiz como fiz com tudo na minha vida. Comprei um livro, sentei no sofá sob a luz do abajur e estudei o assunto. Foi assim que aprendi a cozinhar.

Passados alguns anos de vida Americana, eu já havia me acostumado a junto com o David lavar as roupas na máquina, depois passar pra secadora, e também a cozinhar para nós dois, e também a arrumar a casa. Juntos cuidávamos do mundo que era nosso, da vida que vivíamos e da comida que comíamos.

Desde que voltei pro Brasil tenho me sentido distante de mim mesma. Poderia dizer que é o trabalho, mas não é não. É a empregada. Que cozinha o que eu como, arruma a casa onde eu vivo, e lava, seca e passa a roupa que visto. Parece conforto, mas na realidade é uma lástima. Porque não há nada mais maravilhoso do que cuidar da vida que se vive, e da roupa que se veste. Essa invenção totalmente disparatada é triste. É triste pela evidencia da desqigualidade social e é triste porque esse “conforto” faz com que nos acostumemos a ter “aquela” que vai cuidar da casa, da comida e do bebê.

Outro dia conversávamos se deveríamos levar a minha empregada pros EUA, e ao mesmo tempo que falávamos do conforto que seria, ele se perguntava o que faríamos então na NOSSA casa, se ela fizesse tudo? Como cuidaríamos da nossa vida? Como sentiríamos que aquele era o nosso espaço no mundo, que aquele era o mundo que estava sob o nosso comando e sob a nossa responsabilidade?

Estas duas semanas em Israel, que nesse sentido da vida do dia a dia é exatamente igual a vida Americana, eu botei roupa na máquina de lavar, depois na secadora, cozinhei, lavei louça, e até passei umas blusas dele com prazer. Ele também lavou, secou, passou, e cozinhou tanto quanto eu. No Rio já não sei mais o que é lavar um copo. E te digo, uma sociedade que funciona nestas bases perde muito. Muito mesmo. Perde o casal que não constrói um lar junto, e também não o mantêm, e perde o indivíduo por se ver tão separado de suas coisas. Quantas vezes não pergunto a Lu onde está aquela blusa, ou aquela calça e daqui a 5 minutos vem ela trazendo o fugitivo? Lástima! E você me diz: Simples, dispense a empregada!

Aí é que tá. Não posso. E sabe porque? Porque a minha lavadora não é nem metade potente ou rápida como as do primeiro mundo. A minha secadora leva quase 2 horas pra secar qualquer coisa e me custa uma fortuna na conta de luz, no meu apartamento não tem máquina de lavar louça, não moro numa casa porque não me sinto segura e por isso os cachorros precisam descer várias vezes ao dia e preciso de ajuda pra isso, a comida não é semi-pronta e nada é facilitado, os tecidos de todas as minhas roupas amassam e têm que ser passados, o que é diferente dos tecidos das roupas do primeiro mundo..Enfim, vivo numa sociedade que já conta com a presença da empregada e sem ela é impossível viver.

Mas que diabos estou falando de empregada quando tive que prender o choro ao passar pela segurança do aeroporto Ben Gurion, depois de me despedir das meninas e do meu sabra? Que diabos falo destas besteiras todas?

Acho que falo disso porque ele fez com que me sentisse em contato comigo novamente de uma forma que há muito não sentia. E isso tem que ver como tudo, desde sentir os seus braços fortes me abraçando toda, fazendo uma volta na minha cintura como se fosse um bambolê, até o simples ato de botar a roupa na máquina de lavar só para vê-lo transferir, como num balé doméstico de tempos e passos perfeitos, para a máquina de secar. Eu nunca conseguiria viver com um homem que não sabe o que é lavar um copo. Porque esse balé sincronizado doméstico-romântico é pra mim uma das mais intensas expressões da vida a dois, por mais estranho que possa parecer. É a sensação mais forte da vida real de um casal acontecendo ali, bem diante de nossos narizes.

Nunca conseguiria me apaixonar por um homem que não se interessa pelas banalidades domésticas. Nunca poderia me sentir viva num casamento onde ela cozinha, cuida das roupas dele, e faz a cama onde ele se deita comigo.

Sim, quero ele pra mim.





-profile/016988792876050828744
2008-04-16T05:48:04.033-03:00
Histórias de terror
Meu sabra passou 3 anos no exército israelense, como todos os israelenses fazem. Mas ontem, quando assistíamos Lost, me surpreendi ao vê-lo fechar os olhos diante de uma cena de sangue. "Não quero desmaiar aqui na sua frente", ele disse. M. de 10 anos e S. de 12 também tinham os olhos fechados. Eu era a única de olhos bem abertos e incumbida da tarefa de avisá-los quando já podiam olhar para a televisão.
Voltamos de Eilat ontem. Foram dias maravilhosos. De Eilat, víamos a Jordânia, como se vê Niterói, do Rio de Janeiro. Fomos à piscina, fui com as meninas ao IMax ver um filme de 3D, daqueles de ter que botar o óculos especial. Ele não foi. "Passo mal", ele disse. "E quando você teve que pegar em metralhadoras automáticas, e dirigir um tangue pelo meio do deserto, e ver um amigo morrer na guerra do Líbano, você também "passou mal?" "Não tive esta escolha, na ocasião", ele disse. "Me liguem quando o filme dos Simpsons terminar que eu venho buscar vocês."
Numa noite em Eilat, eu e as meninas entramos tarde da noite no jacuzzi e ficamos contando estórias de terror. Contei pra elas que o David adorava filme de terror e que me fez assistir ao filme Ring (O Chamado)e que quando o filme acabou e eu subi pro quarto sozinha, ele me ligou no telefone e eu quase tive um ataque do coração. Depois, me convenceu a ver o Exorcista, disse que era um clássico, que eu não podia deixar de ver. "Tá, vou ver, mas nada de surpresas, hein?", eu disse. Vimos o filme num domingo de manhã, após o café, que era como gostávamos de fazer. Gostávamos de alongar aquela moleza matinal de domingo e deixá-la se transformar numa sessão de cinema, em nosso cinema particular que tínhamos no basement da casa, com projetor, som ambiente, telão e uma coleção de DVDs que hoje chega a mais de 350. Quando o filme terminou e eu já tinha berrado tudo que podia, e a adrenalina em mim me queimava por dentro, ele disse: "Vou te levar agora num lugar especial". "Onde?", eu perguntei. Mas ele não disse, não revelou, pegou as chaves do carro e disse: "vem baby". "Fomos na direção de Georgetown", eu continuava contando a estória pausadamente pras meninas, que me olhavam com olhos bem abertos. "Quando chegamos em Georgetown", eu disse a elas, David parou o carro em frente a um muro, numa casa de esquina, ao lado de uma escada que levava ao canal da rua K. Ao sairmos do carro, ele apontou para cima e me perguntou se eu reconhecia aquela casa? "Era a casa d exorcista!!!!!" eu falei pras meninas, em tom revelador! Elas começaram a ficar com medo, pediam para eu parar de contar a estória, e depois pediam pra saber o que acontecia depois. "Depois", eu disse, "depois ele me levou num canto escuro da rua e me mostrou onde estava a marca do corpo do padre que havia sido morto pelo demônio!!!". Neste ponto já eram só gritos e risos nervosos no jacuzzi, água sendo jogada de um lado ao outro. Eu disse pra elas que David tinha tirado fotos deste dia e que eu podia mostrar as fotos se elas quisessem. "Ló!!!" gritaram as duas juntas (ló é não em hebraico). Bem, depois disso não quiseram mais saber de histórias de terror, não sei porque.
Então M me perguntou se podia me perguntar uma coisa. "Sim", tudo que você quiser. "Você vai se casar com meu pai?" "Não sei", eu disse. "Se for bom pra mim, bom pra você, bom pra ele, e bom pra S, então sim" Depois S, me perguntou se eu não queria ter filhos. Eu disse que eu me sentia velha pra ter filhos, mas perguntei se elas gostariam que eu tivesse um filho. Elas disseram que sim. Depois S, que gosta muito de mim mas que é uma adolescente, que como todos da raça, vivem em conflito, começou a ficar desconfortável com o rumo que a conversa foi tomando. Mas eu não podia perder a chance de dizer a ela que pra mim também era difícil:"S, preciso que você saiba que pra mim também é difícil. Eu também amava a sua mãe".
Amanhã vou para o Egito, onde darei um curso, e depois retorno ao Brasil no final do mês. Ele já me olha de um jeito triste, emocionado, feliz, e só fala de quando julho chegar.
Hoje de manhã, quando rolávamos na cama de um lado ao outro, tive uma crise de choro e lhe pedi pra prometer que não morreria prematuramente. Lhe contei que David uma vez havia me dito que a morte, na ocasião já próxima, não lhe causava dor mas que o pensamento de me deixar lhe parecia insuportável. Também lhe contei que na noite passada, quando ele foi levar as meninas pra jantar e eu fiquei trabalhando no meu laptop na cama, sozinha em casa, pensei em quantas vezes minha amiga não se deitou nesta mesma cama, escutou os mesmos barulhos que eu agora ouvia; o relógio que canta musiquinha a cada 30 minutos, os carros na auto-estrada, os aviões do exército que passam não muito acima de nossas cabeças...Imaginei o quão doloroso não foi pra ela saber que teria que deixar tudo, a casa que construiu com zelo e bom gosto, as meninas que fez com amor e criou com dedicação e o marido que amou com paixão.
Ontem eu dizia a ele que me sentia privilegiada por antes ter tido o David na minha vida e por agora ter ele ao meu lado.
Já hoje de manhã eu me sentia culpada. O clássico caso de culpa do sobrevivente. Que no final de tudo é quem abraça a casa, as filhas, e o marido.





-profile/016988792876050828747
2008-04-12T17:41:12.194-03:00
Pai heroi
Ontem pegamos o carro e dirigimos 6 horas até chegarmos a Eilat, a cidadede que faz fronteira com a Jordania e que fica no Mar Vermelho. É incrível como Isarel parece um Estados Unidos em miniatura. Ele diz que Israel é o 52 estado dos Estados Unidos. Com certeza é mais semelhante que Porto Rico ou mesmo o Alasca.
Foi uma viagem linda, passamos pelo meio do deserto do Neguev, vimos cabras e camelôs e beduínos. A paisagem seca, muito diferente do que conheço. Paramos na casa da Tia dele, que fica no caminho, só para tomar um café e dizer um oi. Toda a família dele, pai, mãe, tia, avô são brasileiros.
Retornamos a nossa viagem, e fomos cantando até chegar em Eilat, já escuro. Ele conhece todas as músicas americanas de adolescente, porque as meninas sempre cantam no carro e ele acabou aprendendo. É engraçado ver um homem tão grande cantando..what is it that she wants???kiss,kiss,kiss,kiss...
Quando chegamos em Eilat eu mal pude acreditar. Eilat é o casamento entre Miami e Las vegas, só que sem o cassino, mas com as luzes e a cafonice de um e a praia e os hotéis pomposos do outro. O hotel onde estamos é um luxo só! Estamos num apartamento com dois quartos, uma sala, jacuzzi na varanda, duas suites, uma vista maravilhosa. Eu e as meninas pulávamos de alegria quando entramos no quarto, parecia um trio de 10, 12 e 13 anos de idade. Acho que ele ficou feliz e orgulhoso de proporcionar tamanha alegria para as suas meninas.
Não lembro se tive contato antes na minha vida com um homem que tivesse uma presença tão forte como pai. E este comportamento de pai super gelol (não basta ser pai...) não é em virtude das meninas terem perdido a mãe porque todo mundo em volta dele, e tem gente pacas, quer cuidar das meninas. E mesmo assim não tem baby-sitter, e não tem avó indo nos fins de semana (embora ela tente de tudo), não tem empregada, não tem comida congelada. É ele que cuida de tudo. É ele que faz a trança nos cabelos de S todas as noites, é ele que acorda duas horas antes pra ter tempo de fazer o lanche que elas levam pra escola, é ele que deixa elas na escola, é ele que compra o primeiro sutiã da mais nova, é ele que de noite faz o jantar, é ele que pôe a roupa na máquina de lavar e de secar, é ele que leva Dili no veterinário, é ele que planta as próprias tulipas que tem no jardim. E mesmo assim ele entende com a devida clareza que também precisa ter uma vida que seja sua, e então cheguei eu.
Já sei que ele poderá ser meu amigo, companheiro, amante, marido, e também companheiro de corridas. Hoje ele disse que ao invês d'eu fumar Marlboro com ele na calada da noite, que era ele que deria começar a correr comigo. E hoje, quando eu estava na piscina com a menor, ele me surpreendeu ao comprar um tênis de corrida. Hoje mesmo fomos correr nos arredores do aeroporto de Eilat, e vimos os aviões passando pertinho de nossas cabeças. Foi muito correr com ele, muito bom mesmo. Depois de 30 minutos, onde ele correu uma parte e andou outra, estávamos os dois exaustos mas não suavamos uma gota, de tão seco que é Eilat.
Viemos andando pro hotel de mãozinha dada, falando da corrida, ele dizendo que em julho, quando vier ao Brazil, vai se preparar pra dar uma volta na lagoa comigo. Tomamos banho e saímos todos pra jantar. Na volta, S, a mas velha, sob o pretexto de estar com frio, veio andando os bons 2 Kms do restaurante até aqui, abraçada comigo e me contando histórias juvenis, e me dizendo quem era hot e quem não era.
Quano cheguei aqui, peguei uma água na geladeira mas não consegui abrir. E também não insisti. Dei a garrafa pra ele que me devolveu aberta em 1 segundo. Já não me lembrava mais como era tão delicioso se sentir segura e protegedia, e como é maravilhoso estar com um homem que realmente se importa com você.





-profile/016988792876050828744
2008-04-10T18:04:39.396-03:00
So you know
So you know that I have a blog. It's here where I write about my feelings, my toughts, and about you and me, which has been my most intense subject lately. Do you mind, baby?
be my guest
your guest, is that what you want me to be?
nao meu amor I want you to be yourself. Just dont forget to share yourself with me
To be myself to myself, and myself to yourself. Ok.





-profile/016988792876050828740
2008-04-10T15:48:51.783-03:00
Papo cabeça
Ontem tivemos uma conversa difícil. Disse pra ele que me sentia estranha, que sentia a atmosfera dela muito presente e que às vezes pra mim me parecia que eu estava dormindo com o marido da minha amiga. Nunca fui chegada a um homem casado, e muito menos casado com uma amiga. O mais perto que cheguei de me envolver numa situações destas foi com o Gaton do Chimarrão (vulgo Paraguaio), mas mesmo assim ele não era casado, era apenas enrolado por todos os lados e mesmo assim eu cortei o relacionamento após alguns meses. Não tenho interesse nestas estórias porque o que me faz ficar com um homem é a possibilidade de intimidade, de fazer planos, de pensar num futuro juntos. Como este 1 ano de celibato revelou, não tenho interesse em sexo por sexo, e nem preciso de compania. Por mim passo dias e dias na minha casa, com telefone, celular, skype e interfone desligados. Feliz da vida. Com dois cachorros e meio (porque Chickinho só conta como metade) à minha volta.

Para eu abrir o espaço necessário e deixar que um homem entre na minha vida, este homem tem que vir com tudo. E tem que me convencer, de uma forma ou de outra, que abrir mão do meu espaço, do meu tempo, dos meus movimentos, para que ele possa ocupar este espaço, é algo que realmente valhe a pena. Este homem tem que trabalhar duro, porque o meu movimento natural é de deixar as coisas como estão.

Uma madrugada destas, quando eu estava no buraco mais escuro da cidade, e conversava uma conversa muito dura com um amigo que é casadao ( e por casado entende- se um homem que vive com uma mulher com quem tem um relacionamento romântico, mesmo que não envolva sexo) ele me perguntou se eu tinha "problema" com homem casado. Eu não queria ter lhe dito as coisas que disse, e me senti deveras leviana quando acordei no dia seguinte e lembrei das minhas palavras, que acabaram saindo, depois que ele muito insistiu que eu revelasse o que eu pensava sobre o assunto, e depois de ter tomado algumas cervejas. Então expliquei que eu não tinha "problema" nenhum com homem casado, que minhas questões passavam longe de qualquer abordagem de cárater moral ou ético. Expliquei que o que me interessa num relacionamento com um homem, que o que me faz desviar de meu caminho para estar com um homem, um homem casado não pode ofecerer. E além disso, tem outro ponto. Eu sou uma mulher destemida, se eu decido em outubro que vou embora dos EUA e voltar pro Brasil, pode acreditar que em janeiro estou desembarcando no Tom Jobim, com dois cachorros na bagagem. Um homem que se contenta em viver a vida pela metade, em descobrir uma mulher somente nos horários não nobres, em atender seu telefonema apenas quando outros não estão por perto, é um homem que não me desperta o menor desejo. É um homem que julgo fraco, covarde e que não me atrai. Pra mim, este homem não é homem.

Mas na convesa de ontem, que cresceu ainda mais hoje, ele não se deixou levar, mais uma vez. Parece que eu estou testando seu desejo e interesse por mim, dificultando tudo ao máximo, e mesmo assim, ele bate o pé e não deixa que eu me feche de modo algum. Me explica tudo de novo, me diz que comigo ele quer tudo, eu pergunto se ele casaria comigo numa sinagoga no Brasil, ele diz que sim. Pergunto se ele iria comigo à Tokio (que tenho loucura em conhecer), ele diz que sim. Pergunto se ele deixaria Israel, e sua família de duas mães (mãe e madastra) e pai, e irmãos, e avôs, pra ir viver comigo nos Estados Unidos, e ele diz, fácil...qual é a sua próxima pergunta? Ele me diz que se eu quiser ter um filho dele, ele está disposto a me dar este flho. Ele me diz que com ele é tudo ou nada. E comigo é tudo.

Depois desta conversa dura, que foi regada por uma garrafa de um vinho tinto israelense maravilhoso, rolamos juntos de um lado ao outro.

Hoje pela manhã acordei me sentindo diferente. Alguma coisa dentro de mim estava prestes a mudar, eu senti. Quando ele chegou do trabalho já tive vontade de voar em seus braços. No carro quis beijá-lo em cada sinal vermelho que paramos.

Aos poucos começo a acreditar que é pra mim que ele está olhando, que sou eu quem ele está vendo, e aos poucos a nuvem de memórias, de fotografias, de canções do passado, e de cheiros vai se abrindo e um céu azul começa a aparecer lá longe no horizonte.





-profile/016988792876050828745
2008-04-08T13:33:12.562-03:00
Boee - by Israeli singer Idan Raichel


Já escutava Aidan Raichel quando estava na serra. Aqui me parece ainda mais cool.





-profile/016988792876050828742
2008-04-08T12:44:57.722-03:00
Sabra
Quando eu estava na escola me lembro da Mora (professora em hebraico) explicar que quem nasce em Israel é chamado de Sabra e que Sabra é um fruta da região que tem uma casca grossa mas que é extremamente doce por dentro. Meu sabra é assim. Não chega a ser grosso, na verdade é um amor, mas é cru. Essa é a melhor palavra que tenho para descrevê-lo. É um homem cru, sem nuances, sem sutilezas, sem papas na língua. Fala as coisas de forma muito direta e por isso tudo parece quase irreal.
Ontem minha mala chegou e eu fui correr, e ele e S me acompanharam na bicicleta. O sol estava se pondo, eu escutava os aviões do exército, e tudo me pareceu muito terno.
Hoje ele me disse que havia conversado com S e que lhe perguntou se ela tinha algum problema comigo. Ela disse que não mas que achava que era muito cedo. Ele disse que para ele não era cedo e que ele não iria esperar que ela tivesse idade o suficiente para entender que ele precisava de alguém.
Hoje ele me disse que eu era a pessoa ideal para se unir à família.
Eu lhe disse que ser a pessoa ideal não era suficiente, que deveria haver mais. Ele me olhou espantado, e disse mais? O que mais? Me dê exemplos...Perecbi então o quanto estamos falando diferente línguas, literalmente.
Ele diz que me ama. Eu digo que ele tem pressa.





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2008-04-07T04:33:46.602-03:00
Nos vamos pro Brasil
Ontem ele me ligou de tarde, do trabalho, pra me dizer que não conseguia fazer nada, que não conseguia se concentrar e que não parava de pensar em mim. Dizia que se sentia perdendo tempo no trabalho, sabendo que eu estava em casa e que o nosso tempo juntos era limitado. Perguntou se eu me sentia do mesmo jeito, e eu surpresa pela revelação dele, e sabendo exatamente o que ela significa, disse sim. Mas não me sentia da mesma forma.
Mais tarde, quando chegou, disse que tinha comprado as passagens pro Brasil. Em julho, ele e as meninas estarão desembarcando no Rio, onde ficarão por 1 mês.
Fiquei estupefada olhando pra ele e perguntei:
-Você não vai nem me dar a chance de dizer não?
-Pode dizer não e eu cancelo as passagens.
-Claro que quero que você vá, é claro.
E lhe dei um abraço gostoso.

O que me espanta nisso tudo é a certeza dele, desde o início, é a praticidade quase feminina com que faz as coisas. É a força que há nesse movimento dele de me querer ao seu lado, mesmo sabendo que não vai ser nada fácil, que envolve estradas, montanhas, cachorros em aviões, vistos, casamento, escola nova e até birra de adolescente. Que demorou mas começa a dar os primeiros sinais.
Enquanto M. de 10 anos fala todos os dias que temos que nos casar, pois só assim Dili poderá ter a companhia de outros como ela (Chickinho, Moby e Bebel) a de quase 13 começa a dar sinais de rebeldia. Caras e bocas começam a surgir, e aquela impaciência juvenil vem à tona.

Ontem ele disse que já está cansado de fazer para os outros, e isso foi a deixa da minha conversa na noite anterior, quando tarde da noite andávamos com a Dili. Eu dizia pra ele que depois de passar 4 anos cuidando do David, e vivendo na sombra do câncer, quando tudo acabou e eu fiquei só, eu não queria dar nada e coisa alguma pra ninguém. Estava cansada de estar voltada pra fora e fiquei na concha até ele aparecer e me tirar do meu aconchego como se fosse um aspirador de pó da mais alta potência. E esse"não dar" me levou até a me desentender com meu irmão, que tinha como expectativa de meu retorno ao Brasil que eu fosse cuidar dele. E eu, nesse período cuidei somente de cachorros, e preferi deixar o telefone desligado na maior parte do tempo.
Mas ele dizia que respeitaria as meninas, que será gentil, paciente e cuidadoso mas que era hora dele fazer algo por si mesmo, que era hora dele pensar em sua vida e em si mesmo, e que no final a decisão seria dele. E me olhando disse: eu não ligo a mínima para onde iremos morar, mas sei que eu quero ficar com você.

Fomos ao shopping porque eu precisava comprar alguma coisa pra ter com que me vestir. E percebi que vim ao encontro de um homem com potenciais de romantismo e que esse homem nem sabe que perfume uso e com que roupas ando. Há 4 dias ando com a mesma calça jeans, já surrada, e camisetas apertadas da minha amiga, e não uso perfume algum porque não quero andar pela casa emanando o seu cheiro. E não tenho meus sapatos poderosos, não posso correr porque não tenho meus tênis, não tenho meus vestidos de verão e nem as minhas camisolas sexy, escolhidas a dedo. E mesmo assim, ele disse, ou então por causa disso, eu disse...este homem está se apaixonando por mim.

No shopping ele carrega a minha bolsa, entra em todas as lojas, diz para que eu experimente isso ou aquilo, da opiniões, aponta para um sapato mais ousado e faz charme com todas as vendedoras e garçonetes. Eu adoro isso, e a coisa mais David que já vi outro homem carregar. David era o próprio flerte em pessoa, as garçonetes nos davam sobremesas de graça, e as vendedoras sempre lhe davam descontos (que eram devidamente aproveitados quando eu retornava a cena e elas percebiam que ele não estava sozinho mas já não podiam desfazer a promessa dod esconto). Ele precisava exercer seu flerte, que era parte de sua personalidade, e eu tirava o melhor proveito disso, e me sentia especial ao tê-lo só pra mim. David jamais dava um passo além e sabia exatamente até onde podia ir. Aqui as coisas são muito parecidas. E muito familiares.

Alguém me disse que estávamos projetando em amores passados. Minha prima me disse que estávamos buscando aquilo que nos faz feliz, e que como tudo na vida, segue um tipo e um padrão que pode se repetir.

Com certeza já não somos mais apenas um carro um pro outro.

Vou ao supermercado e volto correndo porque minha mala chega hoje.





-profile/016988792876050828743
2008-04-06T06:07:57.807-03:00
Test-drive
Sim, o carro é ótimo. Tem um acabamento realmente de muito bom gosto, é macio e super confortável e a temperatura é muito agradável. Além disso, anda muito bem, alcança a velocidade desejada no tempo certo, liga e desligado perfeitamente, e tudo se encaixa e funciona muito bem. E também lembramos que é um carro de fibra, carro israelense, que realmente passa toda a segurança do mundo. Me senti nas nuvens. Já dei uns 3 ou quatro passeios no carro e a cada novo passeio o carro me parece ainda melhor. Realmente valeu a pena esperar por este carro.
Mas por enquanto ele é apenas isso, um carro.
Aguardamos a transformação que se deseja e se faz necessária.
Mas há outras coisas importantes a serem ditas além do carro.
Falo mais tarde, preciso pegar as meninas na escola.





-profile/016988792876050828744
2008-04-05T17:14:44.733-03:00

Me faltam os acentos.
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-profile/016988792876050828740
2008-04-05T06:47:43.942-03:00
On her shoes
Estou on her shoes, litearally. Acho que falei tanto da mala, e dei tanta importância a mesma, que eu cheguei, mas ela não. Sim, minhas duas malas não vieram e só chegarão no domingo, porque a El-al não voa no sábado, que é dia santo, todos os sábados. E com isso estou desde de ontem a noite me espremendo nas roupas da minha amiga querida, que tinha a cintura mais fina que a minha e o pé menor que o meu. Suas roupas estão aqui ainda, suas fotos, seus perfumes, suas camisolas. Acho que é um provação, um teste. Muita coisa se mistura nesta atmosfera.
Quando cheguei o abraço. Quente, acolhedor, abraço de homem grande, que te envolve, que te esquenta, mas não te sufoca.
No caminho de 1 hora entre o aeroporto e sua casa, o tocar no braço, sentir a textura da pele, o calor do corpo, a aspereza da mão. Tudo gostoso, tudo com cadência, tudo com tudo. Ele perguntou:
-Como te parece? Como você se sente?
-Eu me sinto eu. Como há muito tempo não sentia. Me sinto leve.
Em casa as menins esperavam por mim dormindo no sofá da sala, não quiseram ir pra cama enquanto eu não chegasse. Dei abraços gostosos e apertados, daqueles que a gente cai pra trás no sofá.
Elas foram dormir, nós fizemos um lanche, e saímos pra caminhar com a Dili, a Chickinha da vida dele. Vimos estrelas, ouvimos o barulho de carros na auto-estrada, nos abraçamos e eu com sei lá que intimidade e com sei lá que desprendimento, pedi pra ele me dar um beijo. E ele deu, e me abraçou, e pegou no meu cabelo, e disse que estava "melting".
Fomos dormir, cada um na sua cama. Ele tinha que levantar muito cedo pra levar as meninas na escola, eu tinha que dormir até muito tarde pra conseguir ter de volta alguma enregia.
Hoje no carro, M. de 10 anos olhava pros anéis na minha mão, quando me perguntou:
-Voce já foi casada?
-Sim, eu disse.
-Com quem?
-Com o David.
-Porque você não está mais casada?
-Porque ele morreu.
-E porque você não casou de novo?
-Porque eu não encontrei ninguem com quem eu quisesse me casar?
-E meu pai? O que você acha?
-Seu pai, eu disse rindo...o que VOCE acha?
-Eu acho que seria legal.
E a outra de 13 anos imediatamente disse: Eu também acho.

Foi assim que elas deixaram claro pra mim de que eu sou bem vinda na vida delas, e na vida de seu pai. Que comprou uma garrafa de chmpagne pra gente beber hoje, depois que voltarmos de Tel-aviv, onde iremos visitar seu pai. As meninas não estarão aqui hoje a noite, as duas tem planos e festinhas.
Nos tambem temos planos de festinha.





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2008-04-04T09:21:34.920-03:00
Longe de casa?
Estou no ultimo vôo dos 3 que embarquei para chegar onde estou. Estou há exatamente 45 minutos do meu destino final, e há quase 24 horas do ponto de partida. A esta altura o cansaço já é tanto que eu não o consigo mais sentir. É como se o cansaço sempre existisse, como se fosse o default. E de tão cansada que estou, e de tão ansiosa que me sinto, tive que me conectar em dois headphones e colocar meu Ipod bem apertadinho em meus ouvidos, e bem pertinho de meu coração, e bem altinho, que é para que todas as minhas vísceras não saiam pra fora por algum buraco já há muito esquecido. Nas seis horas de fuso-horário que existem entre o Brasil e Israel, eu deixei de ser ser humano e me transformei em adrenalina. Foi aí que elas foram parar, aquelazinhas. Cada segundo virou uma ligação orgânica, cada minuto um bloco de aminoácido, cada hora um peptídio. Horas que viraram adrenalina. Coisa de cientista que está mesmo a beira de um ataque de nervos.
E a última gota de álcool que bebi foi no aeroporto de Londres, e acho que isso já tem umas 6 horas. E de qualquer forma, não passou de um taça bem comportada de prosecco, que acompanhou um sushi gordo onde a fina fatia de salmão se perdia nas carnes de um arroz exagerado, como um amante muito magro se perde em carnes cheias e fartas.
Não sei se saberei na hora que olhar para seus olhos, não seis e saberei nas duas semanas que passarei aqui, não sei se eu não saberei. Só sei que o coração bate, a mão começa a suar um pouco, já sinto o avião começar a baixar, as aeromoças já andam de um lado ao outro, logo me pedirão para desligar o computador, uma das tantas músicas da minha coletânea de músicas de corrida toca, ¬Lobão me diz aos berros, Vida louca, vida , vida breve…





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2008-04-01T21:30:26.970-03:00
A mala sou eu
Nunca foi tão difícil fazer uma mala. A mala tinha que ter roupas de verão, roupa de ir pra praia, de andar no calçadão (o de Tel-Aviv), de ir ao shopping com as meninas, de ir ao cinema, de ir ao McDonalds, de possíveis suspiros, de possíveis camisolas finas que se exibem ao vento de uma janela mais atrevida que deixa entrar a brisa da primavera, de vestidos sexys, modelitos mais atrevidos, que revelam e denunciam....Tudo isso na mesma mala onde deveria ter pelo menos quatro modelitos, um para cada dia que darei aula no Egito, que nada podem revelar, que nada podem exibir, que nada podem colorir, e que nada podem suspirar.
E a mala está pronta.
Esta mala sou eu.





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2008-03-30T16:20:16.649-03:00
Um aviao para Tel-Aviv...again
Na quarta-feira às 5 da tarde eu irei entrar num limbo que irá me desovar 24 horas depois no aeroporto de Tel-Aviv, às 10 horas da noite, com o coração na boca e com certeza algum álcool no sangue. Não me lembro quando foi a última vez que alguém foi me esperar num aeroporto. Acho que foi no carnaval passado, quando fui à Brasiia, lembra?
Mas não lembro a última vez que um homem foi me buscar num aeroporto. Mas sei bem que homem era esse homem.
Na semana passada eu falei tudo pra ele. Disse que tinha medo, que tinha preguiça, que tinha dúvida, que tinha uma mala pesada de tinhas. Ele não se afetou em nada, não desanimou, não mudou o discuro, não teve medo, não teve dúvidas, não teve qualquer teve. E disse pra mim: Se você não me quiser porque não pode sentir algo mais por mim, seremos bons amigos. Mas dizer que não quer por que é longe, porque tá com receio, porque melhor deixar as coisas como estão, porque assim tá bom pra que mudar?, porque prefere se matar de trabalhar e agarrar o cachorro, isso eu não vou admitir.
E com a voz segura e num ato de quase crueldadem tamanha era a verade daquela frase ele disse: Os seus cachorros também irão morrer um dia.
E foi assim que caiu armadura, caiu corrente, a voz afinou, a garganta soluçou, a mão ficou suave, e as leagrimas jorraram de uma só vez. Chorei por 5 minutos, alto, com força, até não poder mais. Quando terminei ele me perguntou se eu me sentia melhor. Lamentou não estar ao meu lado pra me abraçar. E disse: Melhor nos cercarmos de muitos, para que no final tenhamos uns poucos. Você vem ou não vem?

Sim, eu vou. Por favor tenha uma champagne gelada esperando por mim. Me espere no aeroporto de Tel-Aviv.





-profile/016988792876050828742
2008-03-27T18:04:32.326-03:00
De tarde

Da janela lateral, do quarto de dormir...





-profile/016988792876050828743
2008-03-21T22:13:46.795-03:00
E vamos ao raviolli
Já tem alguns dias que começei a me sentir diferente em relação a coisa toda. Não sei identificar exatamente o que foi, mas sei dizer as muitas coisas que podem ter sido. Primeiro, a necessidade de não poder fazer plano nenhum enquanto as coisas não se definirem. Não gosto disso, vivo para fazer planos. Vivo para fazer contas, imaginar logisticas e concretizar sonhos. Não gosto da sensação de ter a vida on hold. Na segunda fui à São Paulo e tive a certeza que deveria me mudar pra lá. É que a serra não é longe o suficiente. Na verdade, na maioria do tempo tenho vontade que as pessoas me esqueçam. Desligo o telefone, sumo do Skype e deixo o celular descarregar. Definitivamente não estou apaixonada por ninguém.
Estou 200% envolvida com meus planos, estou prestes à abrir uma empresa, estou trabalhando como louca (são 9:30 da noite da sexta da semana santa e estou no restaurante que tem embaixo da minha casa, sozinha, com o laptop que alcança a minha própria rede wireless). Trabalhei ontem o dia todo e hoje o dia todo e amanhã vou trabalhar e no domingo, que é o dia de folga, vou trabalhar. Pera aí, não posso reclamar, sou freelancer e se trabalho demais é porque tenho dito sims demais. Problema meu! Mas o fato é, não tem espaço, porque o espaço não se fez.
Mas não é só isso. Lá pras tantas percebi claramente o que Shi já havia me dito antes, e que eu já sabia mas ponderava. Diante das perguntas dele começei a sentir como se estivesse preenchendo uma aplicação de trabalho cuja a posição era a de ser mãe das filhas dele. Veja bem, veja bem...deixe me expplicar antes qe haja qualquer interpretação errônea..Tenho zero problema em vir a ser a mãe das meninas (ou madastra), mas isso não pode ser a razão pela escolha de um homem. É isso. As meninas são bola extra, maravilhosas, mas não são a razão do jogo. Porque isso não seria bom pra ninguém.
Não quero preencher o lugar de ninguem, que meu lugar no mundo já tá mais que garantido.
E na correria de trabalho, já me vi criando desculpas pelo fato de que trabalho demais, já me vi cheia de explicações, e jurando que não será sempre assim. Verdade que não foi sempre assim, mas verdade que ainda estou correndo atrás do furo que causei em meu orçamento quando fiquei 1 ano inteiro sem trabalhar. Ia pra academia, ficava lá por umas duas horas, depois ia pra casa, passeava com Moby e Bebel, tomava banho, via filme em plena tarde de terça-feira, e nada de trabalhar. Mas eu precisei muito desse 1 ano free e não me arrependo. Mas agora, tô pagando em dobro. Mas também me lembrei de uma coisa que sempre me deixou cabrera. Antes de ir pros EUA, quando eu ainda era pesquisadora e trabalhava num lab aqui no Brasil, eu tinha um tesão em trabalhar, em acordar de manhã e pensar nas coisas que faria ao longo do dia, de ir pra cama exausta quando os olhos já não podiam mais. Nunca, nunca nos 12 anos de US eu senti tanto prazer em trabalhar. Nunca! E agora que estou de volta, esse prazer e essa versão workaholic de mim mesma reaparece. Parce bobagem e romantismo mas eu realmente acredito que tenha a ver com a sensação de "fazer a diferença".
A verdade é que do jeito que tá tá bom demais; sozinha, dona do meu tempo, das minhas vontades e de minhas refeições. Pra abrir mão disso vai ser duro, muito duro e só farei se não tiver que sequer pensar no assunto.
Vamos ao raviolli.





-profile/016988792876050828744
2008-03-09T10:26:46.292-03:00
Os Jetsons
Ontem nos falamos pelo Vídeo-Skype, pela primeira vez. Coisa dos Jetsons.
Gostei ainda mais dele. Falamos bobagens, passeamos juntos pela loja da Swatch, depois analisamos qual seria o melhor Sony Vaio para comprar, depois as meninas vieram me mostrar os biquinis com os quais vamos à praia. Disse pra elas que as pegaria na escola todos os dias e que de lá íriamos direto pra praia em Haifa! E que depois a gente ia no MacDonalds. Oba!!!!E sabe, EU preciso disso. Preciso de um break, de amor, de praia, e acho até que preciso de Mac Donalds (que me permito 2 vezes a ano, e mesmo assim só o de frango).
Esse foi o primeiro fim de semana, acho que em 1 ano, que eu não sentei pra trabalhar nem um minuto. Tá um sol lindo lá fora e quando eu terminar este post, e tirar esse chiclete de cachorro do meu colo, vou pra piscina ler o jornal..que ele continua a brilhar, apesar de tanta barbaridade.
Pensei: Se as coisas entre eu e faixa de gaza derem certo, e se a gente casar, que para ficarmos juntos só casando (papel, vistos, distâncias, tudo já foi dito claramente), eu vou ser a prova viva, e linda!!!!, que não precisa sair de casa pra encontrar ninguém.
David me achou exatamente aqui, atrás da tela. Faixa de Gaza me achou atrás de um telefone.
Então, pode esquecer o desespero de sábado a noite, como eu já desconfiava há muito tempo, e agora tenho estatísticas para comprovar (100%%%% dos meus maridos) foram encontrados dentro de casa. Assim, do mesmo modo que se pode morrer dentro de casa das formas mais bizarras, também pode se encontrar não somente um, mas dois grandes amores, igualmente dentro de casa.
Tua casa tem janelas?





-profile/016988792876050828747
2008-03-08T00:14:44.023-03:00
Quer que eu desenhe?
Outro dia pensei em pedir que ele me enviasse uma camisa surrada pelo correio. É que li não lembro onde que quando a mulher gosta da nheca dele, é porque rola uma química. Mas aí achei que não cabia. Ia ter que explicar coisa demais, e imagine, eu pensando em nhaca e ele me perguntando sobre os meus sonhos. Não ia nem ficar bem!
Ele me liga dia sim dia não. Fala por 1 hora e 30 minutos, como quem liga da esquina (apesar de eu nunca ter ouvido uma bomba por estas bandas..). Disse que não pode usar o Skype à noite porque não sabe como conectar os fones, e o computador fica no escritório, e as meninas, estão dormindo..Confessa, o que você quer é ficar falando comigo assim baixinho, sabendo que minha orelha tá grudada no telefone, que como você eu também estou deitadinha na cama, ou olho pela janela, ou ando pela varanda. Qualquer coisa, menos aquela imagem de anúncio da embratel, com aquele combo fone/microfone pendurado, que aquilo é o maior anti-clímax.
Ele disse que era um dinassoauro. Um homem simples. Um israelense.
Eu prometi levar o telefone do Skype pra ele, que tá encostado aqui em casa. Porque aqui não tenho ninguém a quem acordar, se tiver que falar mais alto no Skype.
Mas esse silêncio já está cansando. E nem Bebelete, e nem Mobilete e nem Chiclete podem mudar isso. Chiclete, Chicle de bola, Chiquinh de Solei, e outros nomes mais é o vira-lata mais gracinha do mundo que eu ajudei a salvar, depois que levou um safanão de uma motocicleta. Fiou imóvel no meio da rua. Eu ia pra Festa do Chico Bento (o forró que eu odeio e só vou mesmo porque devo estar muito deprmida) e vi ele ali no meio da rua. Um projeto de cão imóvel, os olhos paralisados, as pessoas em volta, não se movia. Disse: Leva ele no Dr. Antõnio, depois a gente vê. Aqui tá o meu número.
E esqueci o assunto. Mas o assunto não se esqueceu de mim. Três dias depois o telefone toca, quando estou dentro de um taxi na praia de Copacabana: Chickinho...Que Chickinho? Conheço Chickinho nenhum não.O que? Vira-lata?
Ha, sim...o vira-latinha do dia da Festa do Chico Bento..sei..haha,sei...
E pronto! Tá o diacho aqui olhando pra mim. Já fez xixi na casa inteira e já aprendeu a fazer xixi na rua. Já ficou confuso e tímido e agora é o cão alfa numa casa onde moram dois pointers que são pelo menos 4 vezes o tamanhao dele.
Vou dar o Chickinho. De Solei. Já digo isso tem 1 mês.
Tá, pode pensar que sou louca e que começei falando de uma coisa e terminei em outra.
Primeiro saiba que o que eu começo a falar nunca tem fim. Tenho uma meia dúzia de amigas com as quais iniciamos uma meia duzia de assuntos paralelos que se bifurcaram por milhões de jardins que se cruzaram e que nunca se encontraram..e que ainda são conversados.
Segundo, que com ou sem seis graus de separação, tudo se conecta.
E aqui vai rápidinho, que pra meio entendedor meia palavra basta.
O Chickin de Soleil é a vida que eu tive o poder de salvar.
Deu pra entender ou quer que eu desenhe?
Passe um fax?
Um Power Point, quem sabe?





-profile/016988792876050828743
2008-03-04T22:41:23.622-03:00

Pois chorei muito ao telefone quando ele me ligou ontem à noite. Tudo tão misturado, tudo tão intenso. Chorei porque sentia o coração leve, chorei porque sentia o coração pesado. Chorei nem sei porque. Ele me traz lembranças


-profile/016988792876050828740
2008-03-03T12:18:12.826-03:00
Pensando...






-profile/016988792876050828743
2008-03-03T12:16:38.773-03:00
Me gusta quando NO te calas
Amiga,

Tenho tentado me manter calada, mas confesso que minha preocupação com sua história está crescendo a cada dia. Não teria tempo agora pra desenvolver muito; hoje é segunda de manhã e meu trabalho ferve... Mas vou elencar uns pontos pra levantar a bola:

1) o fato de vcs terem passado situações semelhantes não necessariamente faz com que um possa compreender o outro mais do que outra pessoa poderia;
2) Ele está numa fase de muita fragilidade, em minha opinião; tudo é muito recente e ele ainda tem que dar conta de duas meninas em idades bastante tumultuadas, ainda mais após terem perdido a maior referência de todas. Ele precisa de mais tempo;
3) vc conseguiu há muito pouco tempo e a duríssimas penas um momento de estabilidade emocional, financeira, profissional e, porque não dizer, cultural, lingual (sic) e costumal... O que quero dizer é que temo muito que vc entre em um momento de turbulência profunda e que toda essa estabilidade vá pelas cucuias muito rapidamente;
4) toda essa história é muito louca. Morro de medo de te dizer isso, mas me sinto obrigada no papel de amiga: acho que tudo o que vc passou com o D., o trinômio relação maravilhosa - câncer - perda, está ainda muito mal resolvido dentro de vc. Se envolver com ele nesse momento e sem resolver minimamente essas questões é muito arriscado. E pra todo mundo. Não penso só em vc e nele, penso nas meninas também. Penso em Israel. Penso na serra. Enfim, penso em tudo o que está em jogo.

Desculpe, mas tenho pensado muito nessas coisas e me omitir seria injusto com a gente. Devia ter te ligado ontem, mas o tempo - aquele, sabe? - foi-se, como de costume, e deixou-me desamparada. Quando vi, já era tarde demais...

Um beijo grande da tua





-profile/016988792876050828742
2008-02-21T16:49:56.372-03:00
Me explica, por favor
Quando a coisa começou, e sem nunca ter começado (e que isso fique bastante claro), me veio preguiça.
Ai, pegar um avião e ir lá pro outro lado do mundo (quer dizer pro meio do mundo, porque pro outro lado mesmo só se eu fosse ao encontro de Juju Down Under, e não é o caso), só porque ele decidiu que se nós dois nos apaixonarmos um pelo outro será a melhor coisa que poderia acontecer para todos nós? Maluquice.Total. Geral e irrestrita.
Depois, veio a curiosidade. Ai, pegar um avião e ir lá pro meio do mundo, pra ver se a coisa pode dar certo entre eu e ele? Humm, será?
Depois começou a dar um frio no estômago. Ai, pegar um aviãozinho e ir ali do outro lado do oceano pra dar umas beijocas nele e ver se eu gosto? Hummm..
Agora sou toda ansiedade! Putz, pegar um jatinho e ir logo ali e pegar aquele homem de jeito e não largar mais? Sim!

Hoje compro a passagem. Já não sei mais nada de coisa alguma. Tico e Teco, como de costume, desparecem nessa hora, quando eu mais preciso deles, e eu fico entregue a essa coisa na qual me transformo e que já quase desconheço: Emoção.

Agora me explica, como pode um homem, pelo telefone, conquistar o coração de uma mulher?





-profile/016988792876050828744
2008-02-20T00:05:21.747-03:00
Alguma coisa acontece no meu coraçao
Será que eu teria a devida coragem, ou a necessária insanidade, para começar tudo outra vez, e sem ser do começo? Será que eu teria tamanha esperança, e poderia acreditar que poderia ser feliz e fazer o outro feliz, depois de tudo que já houve na minha vida? Será que eu teria o desprendimento que a situação pede, e estaria disposta a abrir mão da única vida que se fez possível pra mim?
Não sei. Mas uma coisa sei. Alguma coisa acontece no meu coração, e eu nem sei explicar o que é, ou como é, ou como chegou, e tem chegado todos os dias.





-profile/016988792876050828748
2008-02-15T19:39:26.524-02:00
Don't you...forget about me
Quantas vezes amamos sem ser correspondidas? Quantas vezes molhamos o travesseiro até os olhos incharem? E não morremos, e estamos mais vivas que nunca, talvez até mesmo porque soubemos chorar. Acho que sua tristeza hoje não é porque você o fez sofrer ao dizer que não o queria mais. Acho que a tristeza é porque você não pôde dizer, nem pra ele e nem pra ninguém, que o quer "mais ainda". É muito triste quando queremos encontrar alguém pra amar, e outro alguém diz pra gente que nos ama, e nada acontece. O estômago não embola, a boca não saliva e a gente nem perde o sono. Chega a dar raiva, parece que estávamos perto do amor que buscávamos e não nos permitimos. As amigas chegam a dizer: Você está se sabotando.

Eu nunca acreditei nessas coisas. Nunca acreditei que poderíamos ter a força e o poder de evitar uma paixão, ou de se conter por um amor, ou de fugir de uma tara. Porque o que define a paixão é exatamente a falta de controle, é a loucura de matar trabalho em plena quarta-feira pra ficar tomando Cosmopolitan no Japonês de Bethesda, e depois voltar pra casa meio molenga, meio mais ou menos e entardecer abraçadinho falando bobagens um no ouvido do outro. Só pra acordar no dia seguinte morrendo de culpa e jurar pela vigésima vez que nunca mais fará isso. Se realmente você for capaz de não mais fazer, não se engane. Não é um sinal de maturidade e nem de equílibrio. É a certeza de que a paixão está com os dias contados.

Eu realmente acredito que na hora que a pessoa certa aparece na vida da gente, e não são em todas as vidas onde ela aparece, infelizmente, não tem dentista, não tem trabalho, não tem amiga, não tem distância, não tem nem a necessidade de espaço. Porque o seu espaço vira o outro. Por isso é paixão, e por isso beira o insuportável.

Nunca acreditei em "fulano não está preparado", "sicrano tem medo", "beltrano precisa de espaço". Até eles conhecerem a primeira vagabunda e você perceber que "fulano não estava preparado pra você", que "sicrano tinha medo era de você", e que "beltrano precisava te ver de longe". Já a vadia da esquina...

Se o ser humano tivesse de fato o poder de tamanho controle sobre a paixão, o mundo seria um lugar muito mais chato, e iríamos mais ao dentista, ao curso de inglês, a acadêmia de ginástica, a aula particular e até mesmo ao trabalho.

Eu mesma, já falei tanto que me basto, que sou isso e aquilo. Até aparecer o primeiro paraguaio bobo na minha vida e eu me ver fazendo coisas que jamais imaginei.

Não fique tão triste com mais esta tentaiva frustrada de amar. Amar é assim mesmo, é tentaiva e erro. Você pode até pensar que há algo errado com você, ou que você não merece, ou que não sabe, ou que tem medo, ou não está preparad ou que precisa de espaço. Até o dia que "o cara" cruzar o seu caminho e você esquecer do dentista, do médico, da dor nas costas, e da bicicleta.

Só te peço que não se esqueça de mim.
Um beijo





-profile/016988792876050828744
2008-02-14T12:11:55.516-02:00
Flores e Chocolates
Na sexta-feira passada foi aniversário dele. O primeiro aniversário que passaria sem a esposa, com quem viveu por tanto tempo que é possível que ele nem mais se lembrasse como eram os aniversários antes dela. Alguns dias antes entrei no google e digitei: flowers AND birthday AND Israel.
E foi assim que no dia de seu aniversário fiz chegar as suas mãos um buque de flores e uma caixa de chocolates, que acompanahvam um cartão curtinho e singelo, onde lhe desejava que tivesse um dia lindo. E também muita saude, muita paz e muito amor.
No mesmo dia me ligou surpreso, agardecido e emocionado. E também intrigado em saber como eu havia conseguido "enviar" as flores e os chocolates do Brasil? Technology baby, technology...eu falei pra ele.





-profile/016988792876050828741
2008-02-07T23:36:38.792-02:00
Minha Tia da America
Depois de passados quase 3 meses, tive coragem de pegar o telefone e ligar para Isarel para falar com o marido da minha amiga. Desde a sua morte eu pensava nisso todos os dias, e eu de fato liguei quando aconteceu, mas ao não encontrar ninguém em casa, deixei um recado na secretearia eletrônica, que entre soluços e pausas, prometia uma nova ligação em breve. Passaram-se 3 meses e um dia eu disquei aquele número novamente.
Quando ele identificou quem falava do outro lado do telefone, e também do mundo, ele disse:
"Por onde você andava? Queria te encontrar. Queria conversar com você. Só tenho pensado em te encontrar porque só você pode entender o que sinto."
E deste telefonema nasceu uma amizade, um carinho e uma cumplicidade sem par.
"Sim, eu sei o que você está sentindo. Sim, eu sei como é. Tempo, só o tempo. O tempo das horas, dos dias e dos minutos."
E ao mesmo tempo, sou convidada para dar um curso no Cairo, no Egito. O Cairo é 1 hora de distância dele, e das duas meninas lindas que são as suas filhas, e a quem sempre amei e bajulei com Barbies made in USA, e colantes, e sales da GAP, e todas as bobagens que as meninas adoram, e que nós adoramos também. Fazia pacotes enormes e botava no correio pra elas. Desenvolvi com as meninas, hoje com 10 e 12 anos, uma relação delciosa onde eu era a tia querida a pra lá de cool que morava na América. Minha Tia da América.
Resolvi que vou aproveitar esse curso no Cairo, e vou tirar o mês de Abril pra ir vistá-los. Vamos pegar o carro e ir para Eilat, e passar cinco dias na praia, que nem largartixa ao sol. As meninas me mandam recadinhos pelo Skype, dizem que mal podem esperar, que vai ser muito cool. Eu também, mal posso esperar esse encontro com uma realidade tão parecida com a minha. E essa certeza de que apesar de tudo, continumos vivendo, e agora com uma responsabilidade ainda maior, que é a responsabilidade de ser feliz por todos aqueles que se foram.





-profile/016988792876050828740
2007-12-22T23:23:12.164-02:00
A vida começa aos 40
Se eu disser que nunca trabalhei tanto na minha vida, como nestes últimos 6 meses, vocês entendem a ausência? Nem sei se alguém ainda vem por essas bandas, dado o meu total sumiço.
Mas a verdade é que depois da volta dos EUA em Setembro, minha vida virou uma loucura e nunca, nunca trabalhei tanto. Ontem, finalmente, fechei a quitanda pra dar uma descançada. E me jurei que não ia ligar o computador, que ia ver filme, ler livro e comer nha benta. Tô fazendo um pouco de tudo sim, mas não resisti ao computador.
2007 foi o ano de maior realização profissional até hoje e as coisas estão tomando um rumo que me faz acreditar que ano que vem vai ser ainda melhor.
Voltar pro Brasil, foi com certeza a decisão certa e a melhor coisa pra minha carreira. O que eu sou aqui eu jamais poderia ser em nenhum outro lugar
E mesmo com tanto trabalho, li muito esse ano que passou. De melhor, li:
A filha do Canibal
A sombra do Vento
Everyman
Marley
Lost and found
Musicophilia
Poust was a neuroscientist

E outros mais que agora não lembro.

Bem, desejo um super natal para todos e um 2008 maravilhoso!!!





-profile/016988792876050828745
2007-12-03T22:29:33.626-02:00
nouvelle vague


Let's dance little stranger





-profile/016988792876050828740
2007-11-08T23:09:38.266-02:00

perdi hoje a minha amiga de Israel, depois de quase 4 anos de batalha contra câncer. novembro.





-profile/016988792876050828743
2007-11-08T13:50:07.637-02:00






-profile/016988792876050828742
2007-11-05T00:18:44.548-02:00
LEIO...LOGO PENSO.
Um casal sai de férias para um hotel-fazenda.
O homem gosta de pescar e a mulher gosta de ler.
Uma manhã, o marido volta de horas pescando e resolve tirar uma
soneca. Apesar de não conhecer bem o lago, a mulher decide pegar o barco do
marido e ler no lago.
Ela navega um pouco, ancora, e continua lendo seu livro.
Chega um guardião do parque em seu barco, pára ao lado da mulher e fala:
- Bom dia, madame. O que está fazendo?
- Lendo um livro - responde, pensando: será que não é óbvio
- A senhora está em uma área restrita em que a pesca é proibida informa.
- Sinto muito, tenente, mas não estou pescando, estou lendo.
- Sim, mas com todo o equipamento de pesca. Pelo que sei, a senhora
pode começar a qualquer momento. Se não sair daí, imediatamente, terei de multá-la e processá-la.
- Se o senhor fizer isso, terei que acusá-lo de assédio sexual.
-Mas eu nem sequer a toquei! - diz o guardião.
- É verdade, mas o senhor tem todo o equipamento. Pelo que sei, pode
começar a qualquer momento.
- Tenha um bom dia, madame- diz ele, e vai embora.

No momento estou lendo..





-profile/016988792876050828741
2007-11-01T03:10:52.780-02:00
21 gramas
Mas a verdade é que sei que em algum momento vou ter que sair pra caçar. Como as leõas, as lobas e também como as gatas. Essa vida de "eu me basto" tá com os dias contados e sinto que a contagem regressiva está começando. Mas sei que pra deixar alguém entrar na minha vida, esse alguém terá que balançar as bases da minha quase perfeita estabilidade emocional. Terá que ser alguém que me faça querer, de modo natural, abiri mão do meu tempo e espaço.
E aonde ir? Por onde começar? O que dizer? Como sorrir?
Acho tudo isso um saco e só de pensar fico com preguiça.
Tô com sono. São 3 da matina. Cerveja e papo furado. Bebel reclama porque quer que eu vá pra cama com ela.
Tenho um lista imensa de coisas pra fazer amanhã.
E amanhã é novembro.
É o mês doloroso.
O mês de sofrimento.
São três anos sem David.
É uma vida quase que pela metade sem David.
Dia 18.
Dia 18 de novembro.
O último suspiro.
As últimas 21 gramas, que ficaram em meus braços quando ele deu o último supiro.
E as luzes se apagaram.





-profile/016988792876050828742
2007-10-30T14:39:40.123-02:00
Bibi
Não consigo entender como uma cidade séria como São Paulo pode ter um bairoo com o nome de Itaim bibi. Preciso que alguém me explique. Da onde vem o bi bi? Dos carros na rua que ao engarrafarem fazem bi bi? Ou seria da Bi Bi Ferreira? São Paulo é pra mim um mistério total. Nunca entendi e jamais entenderei.
Tô no shopping Iguatemi, sentada numa mesinha na praça de alimentação com o mac a vista. Será que saio viva daqui com Mac e tudo? E com Ipod? E com Iphone?
Volto pra casa hoje. Saudades caninas, como sempre.
Tô tão cansada que nem sei explicar.
Mas foi bom, foi bom demais. Todos parecem ter gostado do curso. Fiz contatos importantes. Falaram até em me arrumar um emprego na USP. Disse: "Deus me livre! Quero saber de emprego não."
E assim sigo, sem emprego e sem marido, e mais feliz impossível!!

----------------------------

O nome Itaim Bibi provém de uma chácara, um general e um apelido. A história do bairro começou em 1896 quando o General José Vieira de Couto Magalhães adquiriu uma extensão de 120 alqueires, que era propriedade de Bento Ribeiro dos Santos Camargo. Essas terras não tinham muito valor, pois eram inundáveis. Sua função era meramente recreativa para caça e pesca e possuía árvores frutíferas (principalmente a jabuticabeira). Embora não tivesse se casado, o general teve um filho, José Couto de Magalhães com uma índia do Pará. Em 1898, com a morte do general, seu filho herdou o local, conhecido como Chácara do Itahim.
Em 1907, Leopoldo Couto de Magalhães, irmão do general, comprou por 30 contos de réis as terras, fixando residência no lugar.
Bibi (bebê->bibi) era como as escravas chamavam o filho do médico Leopoldo Couto Magalhães, dono da Chácara Itaí (pedra pequena, na grafia arcaica Itahy). A palavra Bibi viria a acompanhar o nome do bairro, antes chamado Rio das Pedras.

Thanks to Shishi





-profile/016988792876050828742
2007-10-25T23:33:44.684-02:00
Catraca Seletiva
Na última revista de Domingo do O Globo, aquele jornal que em breve terá um blog manero chamado 23 Pares (sobre genes, genomas e a natureza humana..) tinha uma crônica do psicanalista Alberto Godin onde em resposta à carta de uma mariposa apaixonada de Guadalupe ele dizia: bancos só emprestam dinheiro pra quem é rico.
A frase servia como analogia ao fato de que homens só se interessam por mulheres que não precisam deles. Dizia que a mariposa apaixonada dificilmente conseguiria realizar o sonho do homem próprio enquanto mantivesse a postura de "mulher solteira à procura..."
Pois bem, vivo exatamente o contrário. Pela primeiríssima vez na minha vida estou me lixando pra homem! Claro que estar apaixonada é maravilhoso e não é que não deseje isso, ou mesmo que tenha medo. Repito, não menosprezem a minha inteligência emocional...
O que ocorre é que pela primeiríssima vez na minha vida eu estou genuinamente feliz comigo mesma (e com Moby e Bebel), estou envolvida com trilhões de projetos, cheia de realizações profissionais, fazendo novos amigos quase toda semana e vivendo num lugar simplesmente paradisíaco. O estar solteira virou o default na minha vida. Pra mudar isso só mesmo aparecendo alguém que eu queira de verdade.
E quando uma mulher tem essa postura em relação ao mundo, parece que todos os homens da cidade percebem. E todos os bancos brigam pra me emprestar dinheiro que não preciso.
Pois o engraçadinho que eu expulsei do meu carro na semana passada andou me chamando no celular. Nem me dei conta, esqueci o assunto, e até perdi o paplezinho onde ele havia anotado o número dele. Hoje me pegou de surpresa no celular e já veio tirando satisfação.
"Porque você não responde meus telefonemas?"
"Quem tá falando?"
"Te liguei, deixei recado, bla, bla..."
"Ha sim...mas você não deixou seu nome, só pediu: me liga. E deixou o número. Como eu não sabia quem era não liguei"
E a conversa começou nesse tom de satisfação que com a Respostinha da Estrela aqui não funciona não..
Lá pras tantas falei:
"Olha, você é um graça, um homem lindo (parentesis-ele é lindo mesmo!), interessante e eu adorei te conhecer, mas pra gente não ficar nessa coisa, deixa eu te dizer logo que nao tô interessada..Quer ser amiguinho?"
"Que amiguinho oque?"
Depois queria vir na minha casa me dar beijo. Beijo hoje? Só se for na Power Point que tenho que terminar pro curso da USP na quinta. Não sei se ele sabe o que é uma Power Point.
O fato é que quando faço as pazes com o mundo, quando resolvo ir cuidar de mim, perder 7 quilos, me enfiar em quinhentos projetos, deixar o cabelo crecer, ler 1 livro por semana (falei de A Filha do Canibal, da Rosa Monteiro? Falei Shi?) aprender a jogar tenis e dar por desligada e de forma definitiva a maquinaria de fazer flho com que toda mulher vem equipada, pronto! Aí parece que estou de provocação com o mundo masculino.
Ele continuou querendo saber, perguntando até que eu disse:
"Vem cá, você é um home bonito, inteligente e atraente. Tenho certeza que milhões de mulheres já ficaram esperando por um telefonema seu no dia seguinte que nunca aconteceu, e tenho certeza que poucas te ligaram pra tomar satisfação.."
Silêncio do outo lado. Achei que para bom entendor meia palavra bastaria.
"E...."
"E....será que tenho que explicar? É isso não quero, sorry!"
E acha que ele se deu por satisfeito? Disse que quer converasr no domingo quando eu voltar de SP.
Gente, não aguento mais essa coisa de discutir a NÃO relação.
Como diz minha aminga C., minha fila pode até andar mas que catraca hein!!!.Tem que tirar cinto, sapato, celular, carteira, chave, e até moeda de 10 centavos. E ainda tem que passar no raio-X.
Oi vei...





-profile/016988792876050828743
2007-10-19T13:32:37.798-02:00
Um trema para se la onde...
Tenho a vaga impressão de já ter escutado em algum lugar que a vida na montanha é mais tranquila. Aproveito o tranquilo pra dizer que a partir de Janeiro tranquilo será de fato muito mais tranquilo porque o trema será finalmente banido da língua. Proponho que os blogueiros façam uma festa fúnebre em homenagem a morte do trema.
Mas então…dizia da tranquilidade da serra..não dizia nada disso. Ha, sei lá que p^%$#$ que dizia que fui dormir às 5 da madruga, tive que enxotar um engraçadinho (outro) que entrou no meu carro na saída do bar e tô com um curso pra dar pra 100 alunos na semana que vem, durante dois dias e não tenho nada preparado ainda e hoje tô um caco. É isso que dizia. E se não era, deveria ser.





-profile/016988792876050828742
2007-10-15T21:23:14.056-02:00
Quase uma tragedia
Já falei aqui que levo Moby e Bebel todos os dias pra jogar bolinha no heliporto do condomínio onde moro. É um lugar lindo, cercado por montanhas, uma paz imensa como nunca havia experimentado. Mas hoje foi o dia em que quase perdi o que tenho de mais precioso na minha vida: Bebel.
O jogo de bolinha acontece assim: Eu trouxe dos EUA um daqueles lançadores de bolinha que arremessa a bolinha lá longe. E os dois saem em disparada e competem pra ver quem me traz a bolinha. O Moby é um excelente jogador e nunca rouba, sempre traz a bolinha e me entrega na mão pra que eu a jogue novamente. Já Bebel, quando pega a bolinha fica fazendo charme, não devolve, fica se esfregando na grama com a bolinha na boca, pra desespero do Moby. Assim tem sido a nossa rotina por vários anos, seja no heliporto, no gramadinho que ainda existe em frente à casa amarela, ou no Rock Creek.
O heliporto, como é de se imaginar, fica num local alto, mais precisamente no topo de uma montanha. De lá do topo até embaixo há, de um lado, uma ribanceira que acaba na boca da Rodovia BR 040.
E estávamos nós, as 4 da tarde, quando o sol já estava mais baixo, jogando bolinha. Joga bolinha, traz bolinha, joga bolinha, traz bolinha, até que a demente aqui jogo a bolinha na direção da ribanceira, sem querer, e os dois saem em disparada atrás da bolinha. Eu saí berrando como uma louca atrás deles, mas da onde estava nem conseguia vê-los mais. Quando fui chegando mais próximo foi que avistei a total cena de terror. Enquanto o Moby de repente parou quando viu a cerca de arame farpado, a Bebel cruzou a cerca e ficou dando voltas ao redor do último obstáculo que havia entre ela e a BR, que já estava à 1 palmo de distância dela. Eu ainda estava lá em cima do morro, e desci de carrinho, arranhei a bunda toda, berrando Bebel, Bebel, Bebel, e a Bebel só tentava descobrir como ia passar aquela vala que separava ela da bolinha cor de rosa. Eu cheguei mais perto e segurei o Moby, com medo que ele também atravessasse o arame farpado e fiquei berrando o nome dela, que nem virava o rosto pra mim e que não tirava o olho da bolinha. Mas eu berrei de um modo como nunca berrei na minha vida; eu estava totalmente aterrorizada com a possibilidade de que ela fosse dar o último pulinho que faltava e que fosse atropelada ali, na BR, diante dos meus olhos e sem que eu pudesse fazer nada. Esta cena onde eu berrava de forma totalmente histérica e ela nem me olhava deve ter durado uns 5 minutos, mas pareceu uma eternidade. No meio dos meus berros histéricos eu me dei conta que da forma que eu berrava ela provavelmente nem estava reconhecendo que eu chamava seu nome, porque minha voz começou a falhar de tanto nervoso e logo se transformou em um berro desesperado incompreensível. Me dei conta disso e tentei me aclamar e chamá-la de novo. E nada. Então pensei em uma fração de segundos.. "Pelo amor de Deus David, faça ela voltar". Então me virei como se fosse embora e disse "Let's go home Bebel, let's go home." E foi aí que a vi se virar pra mim, finalmente me enxergar e começar a subir a ribanceira de volta. Quando ela chegou perto de mim, eu a peguei pela coleira e comecei a chorar. Ela ficou me lambendo o rosto sem entender nada. Subimos a ribanceira e minhas pernas tremiam, os cães espumando, eu suando, o vestido que usava estava todo rasgado, meu cabelo grudado no meu rosto. Cheguei em casa, tomei um banho, coloquei remédio nos ferimentos e cai na cama exausta. Dormi não sei por quanto tempo.
Acordei com Bebel dormindo ao meu lado. Babava e roncava e já nem mais se lembrava da bolinha cor de rosa que um dia quase lhe levou a vida na BR 040.


----------------------------------------------------------------------------

E daqui a pouco tem sessão "preciso conversar com você" - a revanche. Já disse a ele que não quero. Se fez de forte, engenheiro e calculista. Melhor assim, pensei. Lá pras tantas me encontrou num bar e veio cheio de amorzinho pra cima de mim. Acabei dando uns beijos nele. Mas repeti: não quero mesmo. Depois queria porque queria vir pra minha casa, eu disse não, não quero mais. No dia seguinte me mandou 2 emails, me ligou 3 vezes, ligou pra minha amiga, e ficou me cercando. Hoje ligou de novo. Disse que quer conversar. Tá, venha conversar.
Vai dizer que veio aqui só pra me dizer que nunca mais vai vir aqui.
Vai dizer que me ligou só pra me dizer que nunca mais vai me ligar.
Vai tentar me convencer de que tenho medo.
Vai tentar me convencer de que estou me escondendo.
Vai tentar me convencer de que eu o quero.
Não quero. Mesmo.





-profile/016988792876050828744
2007-10-13T19:54:18.805-03:00
Quase uma tragedia
Já falei aqui que levo Moby e Bebel todos os dias pra jogar bolinha no heliporto do condomínio onde moro. É um lugar lindo, cercado por montanhas, uma paz imensa como nunca havia experimentado. Mas hoje foi o dia em que quase perdi o que tenho de mais precioso na minha vida: Bebel.
O jogo de bolinha acontece assim: Eu trouxe dos EUA um daqueles lançadores de bolinha que arremessa a bolinha lá longe. E os dois saem em disparada e competem pra ver quem me traz a bolinha. O Moby é um excelente jogador e nunca rouba, sempre traz a bolinha e me entrega na mão pra que eu a jogue novamente. Já Bebel, quando pega a bolinha, fica fazendo charme, não devolve, fica se esfregando na grama com a bolinha na boca, pra desespero do Moby. Assim tem sido a nossa rotina por vários anos, seja no heliporto, no gramadinho que havia em frente à casa amerala, ou no Rock Creek.
O heliporto, como é de se imaginar, fica num local alto, mais precisamente no topo de uma montanha. De lá do topo até embaixo há, de um lado, uma ribanceira que acaba na boca da Rodovia 040.
E estávamos nós, as 4 da tarde, quando o sol já estava mais baixo, jogando bolinha. Joga bolinha, traz bolinha, joga bolinha, traz bolinha, até que a demente aqui jogo a bolinha na direção da ribanceira, sem querer, e os dois saem em disparada atrás da bolinha. Eu saí berrando como uma louca atrás deles, mas da onde estava nem conseguia vê-los. Quando fui chegando mais próximo foi que avistei a total cena de terror. Enquanto o Moby de repente parou quando viu a cerca de arame farpado, a Bebel cruzou a cerca e ficou dando voltas ao redor do último obstáculo que havia entre ela e a BR, que já estava a 1 palmo dela. Eu ainda estava lá em cima do morro, e desci de carrinho, arranhei a bunda toda, berrando Bebel, Bebel, Bebel, e a Bebel só tentava descobrir como ia passar aquela vala que separava ela da bolinha cor de rosa. Eu cheguei mais perto e segurei o Moby, com medo que ele também atravessasse o arame farpado e fiquei berrando nome dela, que não tirava o olho da bolinha. Mas eu berrei de um modo como nunca berrei na minha vida, eu estava totalmnete aterrorizada com a possibilidade de que ela fosse dar o último pulinho que faltava e que fosse atropelada ali, na BR, diante dos meus olhos e sem que eu pudesse fazer nada. Esta cena onde eu berrava de forma totalmente histérica e ela nem me olhava deve ter durado uns 5 minutos, mas pareceu uma eternidade. No meio dos meus berros histéricos eu me dei conta que da forma que eu berrava ela provavelmente nem estava reconhecendo que eu chamava seu nome, porque minha voz começou a falhar e logo se transformou em algo que parecia mais um berro deseperado do que qualquer outra coisa. Me dei conta disso e tentei me aclamar e chamá-la de novo. E nada. Então pensei em uma fração de segundos.. "Pelo amor de Deus David, faça ela voltar". Então me virei pra ela e com um sangue de barata que não sei onde consegui, disse "Let's go home Bebel, let's go home." E foi aí que a vi se virar pra mim, finalmente me enchergar e começar a subir a ribanceira de volta. Quando ela chegou perto de mim, eu a peguei e começei a chorar. Ela ficou me lambendo o rosto sem entender nada. Subimos a ribanceira e minhas pernas tremiam, os cães espumando, eu suando, o vestido que usava estava todo rasgado, meu cabelo grudado no meu rosto. Cheguei em casa, tomei um banho, coloquei remédio nos ferimentos e cai na cama exausta. Dormi não sei por quanto tempo.
Acordei a pouco com Bebel dormindo ao meu lado. Babava e roncava e já nem mais se lembrava da bolinha cor de rosa que um dia quase lhe levou a vida ao rolar pela ribanceira da BR 040.
E daqui a pouco tem sessão "preciso conversar com você" - a revanche. Já disse a ele que não quero. Se fez de forte, engenheiro e calculista. Melhor assim, pensei. Lá pras tantas me encontrou num bar e veio cheio de amorzinho pra cima de mim. Acabei dando uns beijos nele. Mas repeti: não quero mais. Depois queria porque queria vir pra minha casa, disse não. Não quero mais. No dia seguinte me mandou 2 emails, me ligou 3 vezes, ligou pra minha amiga, e ficou me cercando. Hoje ligou de novo. Disse que quer conversar. Tá, venha conversar.
Vai dizer que veio aqui só pra me dizer que nunca mais vai vir aqui.
Vai dizer que me ligou só pra me dizer que nunca mais vai me ligar.
Vai tentar me convencer de que tenho medo.
Vai tentar me convencer de que estou me escondendo.
Vai tentar me convencer a querer.
Dai-me paciência.


-profile/016988792876050828740
2007-10-13T19:25:22.589-03:00
Quase uma tragedia
Já falei aqui que levo Moby e Bebel, todos os dias, pra jogar bolinha no heliporto do condomínio onde moro. É um lugar lindo, cercado por montanhas


-profile/016988792876050828740
2007-10-10T21:37:44.364-03:00
Desculpe..foi um engano
Hoje me lembrei do "Amor nos Tempos do Cólera", do Garcia Marquez. O menino olha a menina na feira, pela primeira vez. Ela também nota a presença dele. Os dois passam meses trocando olhares de longe, acho que trocam cartinhas e fazem confissões de amor. Ela chega a cortar a trança do cabelo e enviar pra ele. Até que um belo dia ele se enche de coragem e vai falar com ela. Quando chega perto dela ele tem tempo de dizer apenas poucas palavras (que já não lembro quais são) e ela então olha pra ele e num susto percebe o grande engano daquilo tudo. E sai correndo e deixa ele ali, estupefado.
É extamente isso que tenho vontade de fazer. Quando ele voltar à cidade na sexta-feira, meu desejo é de olhar pra ele e dizer "me desculpe mas foi um engano". Não sei mais o que dizer. Não queria ter que usar a famosa estratégia George Castanza "o problema sou eu e não você". Queria ter a coragem de dizer a verdade. O problema é que nem eu sei exatamente qual é a verdade. Só sei que não quero mais.
Sei que vou entrar no hall dele como mais uma mulher maluca e talvez ele esteja mesmo certo em me classificar como tal. O fato é que com ele eu mudei da água para o vinho em menos de 24 horas. Foi no domingo, que de repente me dei conta, olhando em volta, que aquilo ali não tinha nada a ver comigo. A ficha caiu de tal modo que já não pude mais resgatá-la. Se um homem fizesse isso comigo eu o chamaria de louco. Diria que só queria saber de me comer (embora nem tenhamos chegado lá), que tava com medo, que isso e aquilo. Mas a verdade é que o desejo de amar é tão grande que em épocas de total desamor tentamos fazer com que o primeiro bacaninha apaixonado se encaixe em nossos sonhos. Na realidade talvez todo início de relação seja assim quando não conhecemos, de verdade, quem o outro é. Plantamos ele lá naquele pedestal e passamos os dias rezando para que se sustente. Algumas vezes eles despencam por si só com uma facilidade impressionante, outras vezes nós esbarramos no pedestal como quem não quer nada só pra ver o cara rebolando pra não cair, e outras ainda eles nunca caem, por mais que mil raios e trovões se choquem com o pedestal. Quando isso ocorre, das duas uma, ou é amor mesmo ou estamos cegas.
O fato é que o caso aqui não envolve nem pedestais e nem raios e trovões e nem coisa alguma. Somente o eterno desejo de amar. De dividir. De compartilhar. De ter uma testemunha que te valide a existência. De ter alguém pra fechar o ziper do vestido. Alguém que te dê tapinhas nas costas quando você engasgar com o amendoim. Que tenha uma chave de casa sobressalente. Que te avise que a etiqueta da blusa está pra fora. Que sopre no seu olho pra tirar um cisco. Que fale, de vez em quando, uma mesma palavra ao mesmo tempo que você. Que olhe você se vestir e diga o que fica melhor. Que segure os cães para que você possa cortá-los as unhas. E que te ajude a acabar com o bolo de chocolate.





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2007-10-09T07:28:43.883-03:00
Saudade de sentir saudades
Sabia, eu sabia..Queria, eu queria, mas a verdade é que eu sabia. Não vai rolar. Simplesmente não vai. E já avisei... nada de comentários do tipo “não tenha medo, ou “abra seu coração” ou “você tem que se dar uma chance” ..por favor, gente! Não menosprezem minha inteligência emocional!
Depois de passar o fim de semana com ele, ontem a noite já queria vê-lo com cara de pizza e recheio de catupiry. Ao longo do dia eu quis fazer várias coisas que não aconteceram simplesmente porque ele estava ali, e nem um pouco interessado no que eu tinha (e tenho) interesse. Eu queria ler o jornal, ele não trazia os óculos, eu queria ler as últimas páginas do livro da Rosa Montero –A Filha do Canibal (que totalmente recomendo!!!!) pra que hoje já pudesse começar a ler o Water for Elephants que me chegou pela Amazon na quinta-feira, mas ele não me deixava terminar nem um só parágrafo, eu quis deitar ao sol, ele disse que tava muito branco.
Ao invés, a casa ficou cheia com uns amigos que vieram tentar terminar com os 50 litros do barril de chopp, daquela marca que você sabe qual é, e que havia sido colocado na varanda da minha casa em virtude do aniversário dele no sábado-quando então se iniciou a beberagem do barril. E eu só queria ter tido a chance de ler o Xéxeo, ou o Veríssimo, ou de ter terminado o meu livro, ou de ter dado um pulo na oficina literária que rolou no domingo de tarde. Ao invés, fiquei escutando casos de grandes beberragens, de quando fulano ficou bêbado, de quando sicrana aprendeu a beber que nem homem, de quando beltrano caiu na rua.
E eu ali, com o jornal há dois palmos, tentando adivinhar o conteúdo pelas figuras, e já planejando como fazer para me livrar daquela figura cuja total falta de conteúdo acabara de se revelar ali na minha varanda por entre tulipas, patas caninas e folhas de um jornal de domingo que nunca chegou a ficar amassado.





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2007-10-05T05:05:27.700-03:00
O Bar
Na cidade onde moro, que não é qualquer cidade, tem um bar. E o bar não é qualquer bar. É um bar onde as pessoas que moram na cidade, e que portanto não são meros passageiros de fim de semana, se encontram. No bar ficamos até às 5 da manhã, mesmo que seja numa quinta feira. E é neste bar onde tenho contruído minha nova vida. Foi lá que conheci a minha amiga Cris, que conheci Felicio com quem tenho jogado tenis às terças e quintas (e hoje até ganhei dele!!!), foi lá que conheci a So, que é a mais recente aquisiçao da minha vida e que ficou bem claro pra mim que ela será importante pra mim quando hoje emocionada falou do livro Equador com a mesma emoção que sinto ao pensar na mais recente obra de arte Portuguesa, e foi também lá onde dei o primeiro beijo naquele que chamo, já quase que com honesta desenvoltura, de meu namorado.
Aos poucos, estamos formando um grupo de pessoas que juntas procuram por um novo renascer, por uma nova chance, por uma nova vida.
A sensação de reconstrução não é destituída de dor. Ha isso não. Porque para o espaço poder abrir dentro de mim, outros precisam se expremer, precisam ser re-arrumados na bagunça que ainda é o meu coração.
Mas se há dor, há também esperança, e há mais do que tudo, uma sensação maravilhosa de surpresa que se presencia ao se estar aberta e ao se perceber que o mundo é grande, que existem pessoas de todos os tipo e formas e que mais ainda, existem pessoas, que como eu ou como você, estão apenas em busca de ser feliz.
Cada dia que passa fico mais feliz com a opção que fiz ao decidir morara aqui, e com o risco que corri ao vir parar numa cidade pequena, enfiada nas montanhas verdes da floresta tropical.
Hoje eu disse a ele que não esperasse acentos nos meus emails, que me custava muito sair a cata dos mesmos num teclado cheio de letrinhas. Em sua resposta ele me disse: de você eu só espero amor.
Tremi dos pés a cabeça. Tremi pela dúvida de me sentir capaz de lhe dar o que ele de mim espera. Tremi pela ansiedade de querer saber se posso ou se não posso.
E ainda hoje, porque as horas aqui parecem se multiplicar, me dei conta do quanto quero ser protegida e cuidada por um homem.
Me basto sim. Até me apaixonar.
Dou conta de mim, até o outro me dar a mão onde sem cerimônias entrego as chaves do carro.
Cuida de mim, estou cansada desta tarefa. Não havendo você eu cuido sim, mas havendo você lhe dou as chaves, o segredo da garagem, a senha da secretária eletrônica e os meus sonhos mais doces.
Vou pra cama. São quase 5 da manhã, os pássaros já cantam, a cerveja ensaia mais um episódio de montanha russa ainda de olhos abertos e Bebel está emboladinha na cama, quentinha, com a cabecinha no travesseiro me chamando para compartilhar seu sohos de cachorro. Vou sonhar que corro sobre quatro patas atrás de um passarinho desavisado que ao nascer do sol voa raso pela cidade que eu escolhi pra viver e que agora já chamo de minha.





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2007-10-03T23:55:04.866-03:00
Jacques Brel - Ne Me Quitte Pas


No caminho de volta do trabalho pra casa eu vim escutando Ne Me Quitte Pas, e em cinco minutos eu estava não apenas entre as névoas da serra, mas também afogada em lágrimas que me deixaram quase cega. Eu mal via a BR que se estendia à minha frente. Me vi, pelo lado de fora de mim mesma, olhando esta manhã para as fotos que tenho abraçada ao David, e que estão espalhadas por todos os cantos deste apartamento. Hoje pela manhã, quando com um regador pequeno eu molhava as plantas recém adquiridas, eu pensei que deveria tirar aquelas fotos dali. Que deveria escolher uma foto do David que ficasse ali, abraçada por fotos de outros amores. Mas que fotos de um casamento feliz, fotos de David me carregando nos braços na noite de lua-de-mel, era algo que pedia por um lugar na gaveta.
E isso me trouxe uma lembrança tão forte dele, e também uma dor tão grande…como seu eu o estivesse empurrando para um cantinho, como seu eu estivesse tentando abrir um espaço, como se eu estivesse deixando-o.
Falar ao telefone 3 vezes ao dia com o mesmo homem, e trocar 50 e-mails com este mesmo homem, e pensar no presente de aniversário certo, e comprar figo com chocolate pra ele na Kopenhagen, é algo que me conforta e me incomoda. Me conforta o telefonema no fim da noite, o como foi o seu dia?, a vozinha cansada dizendo que gostaria que eu estivesse ali com ele. Me conforta a presença masculina em minha vida, me conforta me ver assim mais dócil, mais gentil (até com os perdidos que pedem informações na rua) e até com saudades.
Mas também incomoda. Me incomoda o deslocamento dos sentimentos, me incomoda a arrumação do armário para que um novo espaço seja aberto para as roupas de meia-estação, me incomoda lembrar que aniversários existem, me incomoda a lembrança de laços de fitas. Me incomoda a arrumação das fotografias sob os móveis E sobretudo, me incomoda ter saudades do que talvez não seja nada além da saudade de sentir saudades.





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2007-10-01T15:51:11.683-03:00
Ta namorando, ta namorando, ta namorando....
A verdade é que o cervejeiro não é cervejeiro, é engenheiro. Mas trabalha na cervejaria, e gosta de beber cerveja. Talvez no fundo seja mesmo um cervejeiro.
A verdade também é que ontem a noite (e portanto domingo), e depois de passar o fim de semana inteiro comigo, ele foi em casa buscar o lap-top pra acabar um trabalho na minha casa, enquanto eu também trabalhava no computador.
Ele, domingo à noite, sentado na minha mesa, acessando a minha rede sem fio, de óculos e lap-top, enquanto eu teclava no meu Mac... ha isso só tem um nome: e chama-se namoro.
Calma gente !!!! E antes que vocês lançem fogos e acelerem o ritmo do que já se iniciou com emails que me pedem satisfação de amor (do meu e do nosso!) e telefonemas internacionais que indagam "quem é esse cara que tá sempre aí quando eu ligo???" deixa eu dizer que tenho medo. E não é nada daquela coleção de bobagens do tipo 'medo de amar", "medo de ser feliz", "medo de se entregar"....me poupem que alguma coisa eu já devo ter aprendido nos meus quase 15 anos de análise.
É medo de que eu não venha a amá-lo, simplesmente porque não se pode amar todos os caras bacanas e disponíveis que apaixanadamente cruzam o noso caminho. Caras que desde o primeiro momento deixam claro que são homens, e não moleques, que querem sim, que estão disponíveis sim, e que "vamo logo com isso que eu não estou nesta vida à passeio". Assim também como não se é amada por todos os cachorros cafagentes por quem um dia já choramos. Só por alguns.
Por enquanto vou deixar quieto e por conta do real cervejeiro, do verde da montanha, das flores da primavera, das noites mal durmidas e dos torpedos carinhosos. E a vida que me siga...





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2007-09-27T13:13:00.938-03:00
Marketing de elite
Fazia tempo que eu não ouvia algo ser tão comentado na cidade, como o Tropa de Elite. Acho que a última novidade, antes do relógio dourado e grandão da Swatch, foi a nudez mais que castigada, e cheia de areia, da Cicarelli.
No caso do Tropa de Elite parece que o que mais atrai as pessoas nem é o filme em si, mas o marketing genial que foi entregue à população carioca, de bandeja, travestido como mais um caso de pirataria.
Me lembro de ter escutado uma matéria uma vez sobre aquele site Napster, onde as pessoas podiam trocar arquivos de música que eram buscados dentro dos computadores de usuários mundo a fora. E o software foi proibido, porque o compartilhamento de música, deste forma, era pura pirataria, e pirataria, pensava-se, era muito ruim para os negócios. Pois nesta matéria que escutei no rádio, não lembro quando e nem quem, o entrevistado mostrava um outro lado da pirataria que podia ser muito lucrativo. Afinal, você consegue imaginar uma melhor estratégia de marketing do que a distribuição grátis, por entre milhões de pessoas, da música que você compôs, do filme que dirigiu ou do texto que escreveu? Veja bem, sempre existirão aqueles que irão querer ter o disco original, o DVD de verdade, o texto em forma de livro. Esses são os consumidores, são eles que possibilitam que artistas, diretores, e escritores ganhem dinheiro. O que ainda muitos não entenderam é que aquele que compra a cópia pirata provavelmente não seria um consumidor do produto final, de qualquer forma. Ou seja, ele já estaria excluído da amostra que contém os verdadeiros compradores. Mas com o advento da pirataria, esse indivíduo que estaria excluído da transação passa a ter um papel fundamental, ele vira marqueteiro do seu produto! É ele que vai sair contando pra todo mundo...Cara, você viu o Tropa de Elite? É ele que vai fazer com que pessoas como eu perguntem...e quando vai estreiar no cinema?
Veja bem, não estou aqui pra defender a pirataria. Logo eu que tenho mais de 300 DVDs, todos originais, e que só baixo música da loja do Itunes, onde pago 99c por música. Não se trata disso. Trata-se apenas de uma observação sobre marketing e a natureza humana. O bom marketing é aquele que aprende a usar o que já existe, e o que não pode ser evitado, ao seu favor. É aí que mora a genialidade. A repressão pouco adianta, pelo menos neste país. Então, una-se ao inimigo. É por isso que Tropa de Elite já é um sucesso!
Foi por isso também que falei à Brena, do Até onde Vai, que ao invés de tentar impedir o acesso das pessoas aos seus textos, que começaram a aparecer em emails sem a devida referência ou autoria, que ela devia mais era ficar feliz e deixar que os pirateiros a ajudassem a espalhar a sua palavra pelo mundo. Porque no dia que os seus textos virarem um livro, que lindo estará na prateleira de um moderna livraria, e´lá que eu e você e muitos outros estaremos ansiosos à espera por nossa cópia original. E teremos aquela sensção gostosa de pegar no livro, ainda com cheirinho de papel fresco e dizer...esse é meu!





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2007-09-24T23:25:13.725-03:00
As relacoes humanas
Ontem levei Moby e Bebel à praia e levei também a autora deste blog junto. Todos se divertiram muito. Bebel, como sempre, fez demonstrações explícitas no estilo National Geographic, onde a cada pombo preguiçoso ela fazia a pose e ia, bem devagarinho, seguindo o pássaro até chegar perto, dar o bote e ver o gordo preguiçoso avoar... Ela aprendeu com o pai. E Moby ficou, como sempre, correndo atrás da bola e com o focinho cheio de areia.
Mas hoje de manhã, quando acordei, tomei um susto. Um certo nome me veio a cabeça, assim sem aviso prévio. Lembrei da cerveja de quinta-feira, fiquei com gosto de quero mais. Mandei um torpedo do celular mas não tive resposta.
Mais tarde quando cheguei em casa encontrei 4 emails esperando por mim. Todos eram bem curtos e diziam a mesma coisa: estou com saudades. Tomei outro susto ao constatar que eu também estou com saudades.
E com esta troca singela de emails descobri, rapidamente, que seja lá onde for que estou me metendo, não estou mergulhando num devaneio solitário. Trata-se de um mergulho à dois.
E com isso, vem a coragem de dizer o que se sente, de sentir o que se deseja, e de se desejar o que se sonha.
E incrível constatar que por mais que a gente diga que as relações humanas são complicadas, na realidade é tudo muito simples. Ou se quer o outro, ou não se quer. Ou se pode querer o outro, ou não se pode. Perguntas e promessas se fazem desnecessárias, conversas longas e anseios por definiçoes morrem inúteis. Ou a gente é querida pelo o outro, o não é.
E mais incrível é perceber que por mais que isso tudo seja de uma simplicidade biológica e quase banal, insistimos muitas vezes na abordagem psico-analítica do outro e no sonho do que poderia ser se o outro fosse algo claramente impossível...ser quem não se é.
Eu conheci o David, fiquei noiva e me casei com ele sem que houvesse, nem por um só momento, a necessidade da conversa. Quando há desejo, sinceridade e disponibilidade, a vida segue como um rio de águas calmas que simplesmente flui.
Sei exatamente que o que eu vivo nesta noite de domingo é o prelúdio da possibilidade do amor. Se ele virá ou não, ninguém pode dizer. Mas para mim, o simples fato de constatar que meu desejo hoje não é o de que ele nunca tenha existido, ou de fugir dos recados ou dos emails incentivados por um ato que poderia ser tomado como uma extravagância regada a uma quantidade de cerveja maior que aquela capaz de ser processada por meu fígado, já é pra mim uma grande alegria. Não, saber que ele existe, e que lá de longe me envia emails dizendo que está com saudades, me enche de vida e me faz suspirar.
Não sei o que irei sentir quando olhar novamente nos olhos, quando sentir novamente o abraço, quando tocar novamente meus lábios. Não sei. Mas de uma coisa sei..desejo muito que o que eu venha sentir no momento do encontro seja a simples e banal ausência de qualquer necessidade de palavras. E que eu fique apenas muda e imóvel, como se tivesse, no meio da noite, tomado um grande susto que serve apenas para lembrar que a vida é mesmo cheio de surpresas e só quem está vivo pode se dar ao luxo de sonhar.





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2007-09-21T11:04:10.974-03:00
O cervejeiro
Só eu mesma pra não me atentar ao fato de que numa cidade onde há uma cervejaria, devem haver também os cervejeiros. Mas ontem à noite, que melhor seria dizer madrugada, me atentei quanto a presença não dos cervejeiros da cidade, mas de um, e somente um cervejeiro. Pois o cervejeiro já havia me notado fazia tempo, já havia ligado, feito visita e enviado torpedos e eu nada, ou quase nada. E na minha total inabilidade de algo fazer, o tal cervejeiro se encheu e pegou a primeira cachorrona que passou no pedaço. E a cachorrona não era eu. Quando eu soube, dei de ombros. Ha, deixa pra lá. Azeite, eu disse! E tomei um vôo pra Washington.
Quando retornei, com 5 quilos a menos, calos nas mãos e uns fios de uma tinta branca da Home Depot que de teimosa veio de carona conhecer os trópicos numa nova categoria de viagem muito confortável chamada cabelos, encontrei o cervejeiro. E encontrei a cachorrona. Azeite, eu disse!
Nos dias que se seguiram, recebi torpedos com mensagens curtas que no fundo diziam todas a mesma coisa; preciso te encontrar. Mas eu estava ocupada demais tentando remover a tinta branca do cabelo e disse: vou não!
Na quinta-feira veio outro email, que atrevido propunha um upgrade em nossa comunicação: Qual seu email?
Pensei: agora você tá fú! Todas as coisas importantes da minha vida eu consegui através da palavra escrita. Até a casa de paredes amarelas, foram as minhas linhas singelas num cartãozinho que convenceram a dona do imóvel a vender a casa para David e eu, apesar do outro interessado ter oferecido $10,000.00 a mais pela casa. David me perguntou o que eu havia escrito naquele bilhete, que se espremia em linhas tortas num cartãozinho improvisado, e que havia tocado tanto o coração da ex-proprietária. Eu respondi: eu disse a ela a mesma verdade que disse a você quando nos conhecemos. Você se apaixonou por mim e me pediu em casamento 5 meses depois, ela nos vendeu a casa por $10,000.00 a menos.
Em minutos começou a troca de emails entre o cervejeiro e eu. O mundo se resumiu à send, compose e reply. E em 20 minutos ele já estava prestes a me pedir que eu o perdoasse, e insistia que devíamos coversar. Conversar? eu pensei..isso que eu faço aqui é conversar. Essa é a minha conversa, conversa de outro tipo não vai haver. Deixa quieto, eu pedi.
Mas nesta cidade com alma de Buenos Aires, a noite começa às 11, seja dia de semana, domingos ou feriados. Aqui não tem dia santo não. E no meio da minha noitada, quando contava a amiga sobre o dia especial que ontem havia sido -afinal não é todo dia que num mesmo dia recebe-se a notícia de se ter ganho dois editais do estado pra desenvolver atividades de ciência, um telefonema do contador nos EUA dizendo que o Tio Sam me deve uma grana e uma tão adiada visita ao médico onde tranquilo ele diz que tá tudo bem. Tudo num só dia.
Pois foi na noite deste dia, ou melhor na madrugada deste dia, que eu acabei olho no olho com o cervejeiro, depois de algum charme, pouquíssima resistência e muita...muita cerveja.





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2007-09-19T19:54:20.768-03:00
Joao e Maria

Se Moby e Bebel já gostavam de ficar andando atrás de mim pela casa, desde que voltei que os dois não saem, literalmente, da minha cola. Hoje de manhã, depois de levá-los ao heliporto pra uma partidinha de doggy-ball básica, antes de sair pro trabalho, ficaram os dois andando atrás de mim pela casa e tive que fechar a porta do banheiro pra poder ter um pouco de privacidade. E Moby repentinamente lembrou-se de um costume que tinha quando era pequeno, e portanto não tinha ainda patas de urso, e pedia pra subir no colo da gente quando estávamos no computador. Ele tinha 4 meses! Mas quase seis anos depois, este mesmo cachorro desenterra este costume das trevas e quer colocar no meu colo os 60 e tantos pounds que agora tem (ha!!! aprendi como dizer isso em inglês ontem a noite lendo o Philip Roth...seria sixty-odd pounds...). E se deixar, ele adormece assim no meu colo e ainda baba e ronca como um velho desdentado. Francamente... Mas é isso, quem diz que eles não tem noção de tempo precisa encontrar uma boa explicação para o fato de que a festa que eles fazem quando chego em casa depois do trabalho é MUITO menor do que a que eles fizeram quando voltei de viagem. Se aquele rebolado que durou aproximadamente 15 minutos não for uma medida do tempo, que por sua vez se traduziu em saudade, então não sei o que é. Sabe que sei sim...acabou de me ocorrer que na verdade eles respondem às minhas ações e se ficaram 15 minutos rebolando a minha volta com um ritual que mais parecia a dança da chuva é porque, na realidade, aquela era a medida da minha saudade, que como tantas outras coisas, se expressava mais uma vez através do amor, dedicação e lealdade de dois pointers marrons.





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2007-09-11T18:44:57.204-03:00
Sobre animais e seres humanos
Na primeira semana de aula do curso de biologia da UFRJ eu assisti, em estado de choque, uma aula onde nos ensinavam a torcer o pescoço do rato de forma que a morte do coitado fosse rápida e limpa. Acho que esta foi uma das poucas aulas verdadeiramente práticas que tive durante os 2 anos do curso básico.
Além da cena grotesca que aconteceu ali na frente de jovens de 17 anos, recém entrados na faculdade, sem que houvesse qualquer preparação para o evento fatídico, ainda fomos agraciados com piadinhas e risadas dos professores, ao notarem o desconforto de alguns que ali estavam. Até hoje considero que foi ali mesmo, na faculdade onde se estuda a vida, que presenciei uma das cenas de maior desrespeito a vida de um animal.
Infelizmente esta não foi a única. Houveram outras mais horripilantes, como a do gato sedado que ao despertar no meio da madrugada, saiu perambulando pelos corredores da UERJ com uma cânula ainda presa à jugular.
Há 20 anos atrás isso acontecia com os animais em muitas universidades do país. Eu que estou afastada deste meio há algum tempo realmente espero que isso tenha mudado.
A discussão agora é outra. O aluno Róber Freitas Bachinski, da UFRGS, se recusa a participar de aulas de dissecação de animais sacrificados para este exclusivo fim. Eu, se fosse madura como o Róber, e também corajosa, deveria ter feito algo semelhante há 20 anos atrás. Mas não fiz.
Já o professor de Biofísica Molecular e Celular, Jorge Quillfeldt, acha absurdo um estudante de Biologia não fazer dissecação. E teme que os biólogos formados serão “apenas”(?) teóricos.
Veja bem que o que está em discussão não é nem a dissecação, mas a falta de respeito em relação aos animais e a matança generalizada. Porque os alunos não podem dissecar animais já mortos, por outras causas? Talvez porque dê mais trabalho? Talvez porque seja mais caro?
É exatamente aí que entra a questão do respeito. Se houvesse algum respeito pelos animais, com certeza haveriam outras opções para a aula de dissecação. Me pergunto quantos minutos o meu professor de 20 anos atrás levou para concluir que sim, que valeria à pena e seria instrutivo matar uma penca de ratos diante de uma turma de jovens os quais pelo menos 1/3 nem terminaria a faculdade. E outros que nunca iriam querer ter coisa alguma com o uso de animais em pesquisa (e nem por isso são menos biólogos, ou menos PhDs).
A mesma questão se repete na aula de dissecação de Róber, 20 anos depois. Será que a morte de uma penca de sapos, ou ratos, ou seja o que for, se justifica? Quantos dos colegas de Róber irão se beneficiar de tal ato? Quantos animais terão que morrer?
Eu desconfio que ninguém até hoje realmente se dispôs a discutir o assunto de forma madura e a estudar outras alternativas, que com certeza existem. Mas claro, se é mais barato, fácil e simples trazer os sapos para a carnificina, porque se dar ao trabalho de reunir o departamento para discutir o assunto, em busca de outras alternativas? Afinal, o departamento já se reúne pra discutir cotas, salários, greves e todas estas outras coisas que são muito mais dignas...Sentar pra falar do direito a vida que um rato ou um sapo possuem parece mesmo impensável! Ridículo, diriam muitos.
Bem, há 300 anos atrás muitas outras coisas também pareciam impensáveis e ridículas. Hoje nossa sociedade ainda olha horrorizada para estórias do passado e se pergunta como pudemos ser capazes de tais atos...
Pode acreditar que em alguns anos, e não serão 300, frases como a do professor Jorge Quillfeldt irão nos chocar exatamente da mesma forma. Mas como, perguntarão nossos netos, éramos capazes de abusar, torturar, desrespeitar e matar outros animais de forma tão prepotente?
E nem vou entrar aqui na questão do uso de animais na pesquisa. Mas só vou lembrar da existência de vários estudos e trabalhos que demonstram claramente o quanto o uso de modelos animais na pesquisa é, além da barbaridade, um dos maiores motivos da lentidão e do entrave que existe em muitos campos da ciência. Os pesquisadores de câncer que o digam...Quantos milhões de cânceres de ratos já não foram curados com uma variedade de drogas? Se pelo menos uma pequena porcentagem destes fosse reproduzível para os humanos nunca mais perderíamos mães, irmão e maridos precocemente por causa desta doença.

Será que não chegou a hora de fazer aquela reunião de departamento?





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2007-09-10T00:48:07.825-03:00
Mais um retorno
Quando coloquei a chave na fechadura do apartamento 102, pude escutar o som do sapateado característico da dupla canina que me aguardava ansiosa do outro lado da porta. A porta se abriu e tive de largar malas e maletas e me abaixar ao chão para que Moby e Bebel me inundassem de beijos e narigadas, e fizessem show de rebolado e me trouxessem os brinquedos e me olhassem com aqueles olhos agora já não tristes, mas ainda assim inquietos. Abri a mala como se fosse o saco de papai Noel em noite de Natal e perguntei: advinha o que eu trouxe pra vocês? E os dois tentavam colocar o focinho pelo ziper da mala, e abanavam os rabinhos, quer dizer cotoco de rabinho, até que eu encontrasse por entre calcinhas, meias, e camisteas os dois Dingo Bones que havia trazido. Dingo bones sempre foram os ossos preferidos dos dois e eu não pude resistir a tentação de na última hora, enquanto a pintura da porta secava, dar uma fujida ao Pet Shop mas próximo para comprar a diversão predileta dos dois. Já com os dingos na boca, se acalmaram um pouco e deixaram que eu finalmente chegasse em casa. Eu tava um caco de gente. Era a sobra do que havia resistido às três semanas de trabalho intelectual intenso que se somaram ao de carpintaria, e que ainda de sobra, terminou com uma viagem apertada na classe mais que económica da United e que nem plus era.
Pensei: Se trabalhei como louca no feriado de Labor Day, poderei agora descançar no 7 de setembro.
No dia seguninte, quinta-feira, fui trabalhar e uma pilha se fez na minha mesa com resumos que teria que editar e que tinham que ser terminados naquele mesmo dia. Saí do trabalho às 7 e meia e pensei: Agora sim, vou descançar. Aí o telefone tocou e minha mais nova amiga em 5 minutos me convenceu de ir com ela, como convidada, ao show do Frejat. Não acredito que eu vou chegar em casa, tomar um banho e sair pra noite. E pra noite eu fui e foi a noite mais longa da minha vida. Fui dormir às 10 horas da manhã do dia seguinte e acho que aquela altura nem sono mais eu tinha. Do show, que terminou quase às 3 da manhã, fui pro Bar do João. No Bar do João fiquei até as 7 da manhã e acabamos, os últimos heróis da resistência, tomando café na padaria, ao calor de um sol que denunciava uma maquiagem cansada e olheiras pesadas.
Finalmente fui pra casa e depois de um bom banho e de dar comida aos cães, eu finalmente dormi.
Depois desta catarse inexplicável, passei o resto do feriado lendo "Marley and me" e no sábado e já com saudades do batente, resolvi arrumar a casa como nunca tinha feito desde que aqui cheguei. Os livros foram finalmente organizado na estante, com um prateleira para cada língua, o escritório foi reorganizado, o quarto ajeitado, as malas desfeitas. Com a arrumação, agora já do lado de cá do hemisfério, pude conhecer um pouco mais de mim mesma através de todas as bujingangas que venho acumulando e transportando de baixo pra cima, literalmente. Mais importante foi ter descoberto que a arrumação foi uma tentativa de fazer com que eu possa também aqui, me sentir em casa. As paredes não são amarelas, bem é verdade, mas a música que aqui soa é a mesma de outros ares.
Troquei o chip do celular e uma nova agenda de amigos re-apareceu. Sintonizei o mesmo rádio que havia me feito companhia durante os meus dias de carpintaria, em uma rádio local. Troquei a driver license pela caretira de motorista, o green card pela identidade, o cartão do social security pelo CPF, o cartão do Bank of America pelo do Banco do Brasil e os dóalres que sobraram pelos poucos reais que guardava comigo.
Estou pronta pra re-assumir a minha identidade brasileira.





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2007-09-10T00:17:20.387-03:00
Mais um retorno
Quando coloquei a chave na fechadura do apartamento 102, pude escutar o sapateado


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2007-09-04T00:54:31.051-03:00
Mais uma despedida
Hoje acordei totalmente moída, parecia que meu corpo, que nestas três semanas se desfez de 7 pounds que não farão falta alguma, havia mergulhado na máquina de moer carne. E na mão do açogueiro estavam apenas os restos de mim, e foi com estes restos que me levantei da cama e voltei pra batalha com a fechadura da porta. Pensei: essa porta não quer mesmo se fechar. Quer permancer assim aberta pra sempre, pra que eu não me esqueça dela jamais. Mas eu que sou teimosa e obsessiva, abri a fechadura, desmontei, montei errado, emperrei a porta, desmontei de novo e me cortei, e comecei de novo e consegui, em fim, consertar a fechadura. Amanhã volto pro Brasil e fecharei a porta mais uma vez. Mas não se engane, levarei as chaves comigo.
Foram três semanas absolutamente frenéticas que foram vividas por mãos que hora batiam rápidamente no teclado do computador e que produziram vários textos e cumpriram com todas as tarefas intelectuais do período e hora se transformavam em mãos de uma carpinteira ansiosa que pintou paredes e rodapés. Não deu tempo pra encontrar amigos, tomar cafezinho ou ir ao cinema.
Foram tambêm três semanas de puro sentimento, de sudades caninas e de re-avaliação das decisões tomadas nos últimos anos.
Tudo que nos traz emoção, é digno de amor. Saja uma música, dois pointers marrons, ou uma casa de paredes amarelas em Takoma Park.





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2007-09-03T00:35:27.732-03:00
Mergulho
Primeiro eu disse que só ia pintar o quarto. Mas aí vi uns buracos deixados por pregos do passado e resolvi que iria primeiro tampar os buracos com massa, pra depois pintar o quarto, mas somente o quarto. Já suja de tinta e vestindo a bermuda e camiseta de carpinteira, fui andando pela casa dando uns toques de pincel aqui e ali. Neste caminho percebi que a porta estava mesmo um horror e decidi que iria pintar também a porta. Olhei mais de perto e vi que a porta estava coberta de tinta à base de óleo, que já não existe mais. Tive então que descascar a porta, pra poder depois pintar. Quando ia pintar, me dei conta que antes precisava lixar a porta. Já lixada começei a pintar a porta de branco. Fui passeando com o rolo pelas áreas maiores e quando chegou a hora de fazer os detalhes vi que teria que tirar a fechadura, porque senão ao invés de dourada a mesma acabaria branca que nem a porta. Tirei então a fechadura e vi que na verdade era um peça só que se devidia em três. Terminei de pintar a porta e chegou a hora de re-colocar a fechadura. Entendi como a fechadura funciona, o problema não é esse. O problema é que a fechadura já estava meio torta e agora terei que concertar a fechadura, que é o detalhe de uma porta que eu nem ia mexer nem nada, porque só ia trabalhar na pintura do quarto.
No meio do debate que se instalou, fui ao banheiro. Foi quando percebi que os penduradores que os inquilinos anteriores haviam deixados não podiam ficar ali no bahneiro, como eu antes havia pensado. Quando vi os penduradores pela primeira vez pensei: "São feios e não combinam com o banheiro. Mas deixa pra lá porque não é prioridade, tenho outras coisas mais importantes pra fazer."
Mas já com o quarto pintado, e com as manchinhas da casa cobertas com uma nova pincelada de tinta fresca, e com uma porta da frente que ao invés das manchas de patas caninas, exibe agora um branco omo total, decidi que o banheiro não poderia ficar com aqueles penduradores porque tiraria todo o equilíbrio da casa. Se deixasse, o banheiro passaria a ser o patinho feio da casa, e não poderia fazer isso com o banheiro que David havia reformado tão lindo enquanto eu estava em uma de minhas viagens ao Brasil. David havia escolhido os puxadores com todo carinho e eles combinam com a luminária do banheiro. Definitivamente os puxadores descombinados precisam sair daí. Tirei os puxadores e vi que tinham deixado buracos na parede. Peguei a massinha e tapei os buracos. Depois fui atrás da tinta e lá estava a lata de tinta com as letrinhas do David que dizem: Bathroom wall, 1st floor. Abri a tinta e botei num copinho e subi as escadas e pintei os buraquinhos. Aí vi que havia no banheiro também algumas manchas e que o melhor seria cobrir a parede toda, que já que ia fazer mesmo que fizesse direito, que essa coisa de trabalho de porco não era comigo. Já pintando o banheiro percebi que uma das lâmpadas estava queimada e fui atrás de uma lámpada nova, que estava na caixa de lâmpadas no basement.
Passando pela cozinha, a caminho do basement, lembrei que teria que esvaziar os armários. Começei a tirar tudo da cozinha e colocar em caixas no basement, e lembrei que havia um armário na cozinha que não dava pra usar porque o fogão prendia a porta do mesmo. Mas esse armário poderia servir pra guardar louças, pensei. Mas pra abrir o armário preciso puxar o fogão. Quando puxei o fogão vi que atrás do mesmo tava a maior sujeira e fui atrás da vassoura pra limpar a área. Com a área já limpa, fui esvaziando os potes de codimento e quando já ia colocar no armário, que agora pode ser aberto porque o fogão estã no meio da cozinha, eu me dei conta que antes de colocar no armário teria que lavar tudo, que era pra não chamar barata. Então esvaziei todos os potes e coloquei tudo na máquina de lavar louça. Enquanto a louça lavava me esforcei pra lembrar como fui parar na cozinha, já que lá comida não há nenhuma. Lembrei então do banheiro, que me fez lembrar da fechadura, e da porta de tinta fresca com fita crepe colada nos vidros, e 13 horas depois de ter deixado a cama pela manhã, olhei em volta e me vi numa casa de cabeça pra baixo, com pincel, lata de tinta, pote de massa, papel e produtos de limpeza para todos os lados, e me deu um desânimo tão grande que voltei ao banheiro, agora para tomar um bom banho e depois fui pro quarto, aquele mesmo que seria o único pintado da casa, e me deitei na cama e sonhei com dois cachorros marrons que um dia acordaram com focinhos amarelos como as paredes da sala de casa.





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2007-09-03T00:00:33.513-03:00
A casa amarela
Quanto mais dias eu passo nesta casa, que é minha e minha sempre será, menos vontade tenho de ir embora. Fico vagando pelo mundo, a procura de uma razão que me faça ficar em algum lugar.
Tenho passeado por muitas emoções, sentido muitas coisas e tenho com isso me sentindo centrada de uma forma que há muito tempo não sentia. Amo esta casa de uma forma tão forte, como nunca amei nenhum outro lugar onde já tenha vivido. Fui eu mesma quem pintou a sala de amarelo, o quarto de amarelo e a parede de vermelho onde mandei colocar uma porta que se abre pro quintal que fica atrás da casa e onde Moby e Bebel se divertiam durante o dia quando eu saía pra trabalhar e voltava pra encontrar dois cães que já não mais me pareciam marrons. Eram dois cães cinzas, cobertos de poeira. Abria a porta de casa no fim do dia e era recebida por estes dois que me olhavam com ar sapeca de quem havia aprontado todas enquanto eu estava fora. E o ritual era diário. Pegava o papel de cozinha, molhava um pouco para que ficasse úmido e limpava os dois empoeirados. Depois saíamos pra jogar bolinha no cercado de grama que fica em frente a casa, e que sempre foi e sempre será o parque de Moby e Bebel.
Depois do jantar sentávamos pra ver televisão, ou algum filme. Bebel, como muitos outros neste país, cresceu vendo televisão. Quando ela era pequena e eu e David saíamos pra trabalhar, ela se aconchegava no sofá, levava seu bichinho de pelúcia preferido com ela e ficava observando os leões caçando nas savanas do canal da National Geographic. Até hoje Bebel presta atenção na televisão, enquanto Moby ronca como um velho gagá.
Amanhã vou pintar a porta da frente. Tenho preparado esta cas com carinho e dedicação e no fundo do meu coração, me imagino reconstruíndo a minha vida aqui algum dia.
De modo algum eu me arrependo da mudança que fiz ao voltar pro Brasil em janeiro. Se eu já me permito pensar em voltar pra minha casa, é porque o objetivo maior da minha ida ao Brasil já está surtindo efeito. Já me sinto mais forte, já me sinto mais preparada e já me vejo, de verdade, quase inteira pra reconstruir uma vida que foi entrecortada por uma tragédia. A tragédia de aos 37 anos de idade perder quem eu mais já amei na vida.
Mas estou em paz, não há dor, apesar das palavras. E é exatamente por isso que tenho aos pouco destrinchado as vias e vielas deste caminho que tenho percorrido.





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2007-08-30T01:11:22.839-03:00
Bebel-parte 2
Batemos no portão e ficamos à espera de alguém que viesse nos receber. Os primeiros a chegarem ao portão foram os cães, que latiam, colocavam o nariz por entre a fresta do portão, e já tentavam nos conhecer pelo cheiro. Vi um ou outro fucinho se espremendo, num esforço incánsavel de obter alguma pista sobre os visitantes. Ouvímos uma voz feminina que falava com os cães e pedia que eles abrissem o caminho para que ela pudesse passar. Seus passos pareciam lentos e pesados. O portão finalmente se abriu e uma senhora nos recebu com um sorriso simpático. Perguntou se havíamos feito boa viagem, se tínhamos tido problemas em encontrar o local e por fim nos convidou a entrar. Fomos seguidos por uma matilha de cães marrons que alegremente se empurravam na tentativa de ganhar a nossa atenção. Eram todos da mesma cor e a primeira coisa que aprendi sobre pointers marrons é que a cor de seus pelos é da mesma cor do meu cabelo.
A casa era simples e tinha fotos de cães ao lado de humanos orgulhos, mutos exibiam prêmios e até um trofeu estava em exibição na parede, para quem quisesse ver. No canto, alguns ossos, bichos de pelúcia, uma vasilha grande com água e outra com ração.
Nos sentamos na cozinha, fomos servidos com café e cookies e começamos ali uma conversa onde ela nos contou a história do canil, lembrou de alguns animais que já não estava mais entre nós, nos revelou detalhes sobre a raça e por fim nos apresentou uma fêmea amorosa e dengosa que exibia uma barriga já grande e pesada. Aquela fêmea seria a mãe da minha filha, que em poucas semanas daria a luz a uma grande ninhada de pointers, todos marrons e com olhos verdes que eram quase tristes. Acertamos os detalhes, ouvimos algumas recomendações e ficamos de voltar quando os filhotes nascessem.
Na volta pra casa paramos num restaurante tradicional de um cidade minúscula chamada Polysville, que David pesquisando a internet havia se informado que o local era o mais tradicional da região. Sentamos perto da lareira, que naquela época do ano já não parecia mais necessária. Eu pedi um prato que pra mim pareceu bastante exótico. Era um porco que vinha servido com um molho que estava mais pra gelatina. Estávamos os dois como se fossemos um casal prestes a dar a luz e fazíamos planos de como iríamos criar a nossa cria. David falou que deveríamos comprar uma casinha pra nossa filha e que ela deveria ser educada para ficar na casinha quando não estívessemos em casa. Disse também que não deveríamos jamais colocá-la em nossa cama, que a nossa filha, que naquela altura nem nome tinha, deveria dormir numa cama que seria sua, cama de cachorro. Eu protestei, disse que não queria filho meu preso dentro de gaiola, que isso seria uma tortura. Ele me deu então uma aula de como educar um cachorro para a vida em família e me citou todas as fontes e sites onde havia pesquisado. Eu só tinha como respaldo o sentimento, e poucos argumentos.
Já em casa começamos a pensar nas adaptações que deveríamos fazer e como deveríamos preparar o nosso minúsculo apartamento para receber esse novo ser que se entegraria a nossa vida. Em apenas um dia, o tema de nossas conversas diárias deixou de ser os remédios, médicos e exames e passamos a falar de coleira, ração, veterinário, passeios, parques, xixi e coco.
Foram três semanas de pura ansiedade até recebermos o telefonema de que nossa filha, junto com mais 8 filhotes, havia nascido. Todos passavam bem e a dengosa mãe era carinhosa e atenciosa com os filhotes. No domingo, pegamos o carro e fomos novamente à Hegerstown. Ao chegarmos, fomos imediatamente ver os filhotesm que se amontoavam ao redor da mãe e disputavam as suas tetas. Cada um era mais lindo que outro. Uns mamavam, outro dava cambalhotas, outro mordia a pata de um preguiçoso sonolento e assim, passavam os seus primeiros dias de vida. Ainda era cedo para escolhermos a nossa filha, e mal sabia eu que a escolha não estava em minhas mãos e que seria eu a escolhida.
Tivemos que mais uma vez voltar pra casa e esperar que aquela que um dia se chamaria Bebel estivesse pronta pra trocar as tetas de sua mãe e o calor de seu corpo peludo pelo amor de dois seres humanos dispostos a tudo.
Mais de um mês se passou até que fossemos novamente a Hagerstown, desta vez para enfim conhecermos a nossa filha e levá-la para casa com a gente.
Já sabíamos o caminho de côr e todos os cachorros já nos reconheciam. Ao chegarmos, a craidora nos perguntou se havíamos interesse em ter um cão que competisse em exposições e eu imediatamente, sem consultar David disse que não. Nós só queríamos um ser para amar. Ela então disse que iria nos trazer as cinco opções que acreditava serem adequadas para o que queríamos e que após conhecer cada um dos cinco filhotes que nós então fizéssemos a nossa escolha. Ela entrou pra dentro da casa e pediu que aguardássemos na cozinha enquanto trazia o frimeiro filhote. Foram cinco minutos de pura ansiedade, eu sentia a boca seca, o coração disparando e olhava pro David que sorria pra mim e achava graça na minha emoção. David então disse que gostaria que eu escolhesse o filhote.
Os barulho dos passos se aproximaram e ela então abriu uma portinha de onde saiu uma coisinha marron minúscula que de tanto rebolar e agitar um cotoco de rabo, mal conseguia andar. E veio direto na minha direção e eu que estava abaixada fui recebida com lambidas e latidinhos e vi aquela coisinha rodopiando a minha volta e puxando o cadarço do meu tênis e pulando em cima de mim. Fiquei como uma boba e a peguei no colo. Foi então que vi de perto seus olhinhos verdes e quase tristes pela primeira vez e foi então que vi que em seu olhinho direito havia uma pintinha marron, que faria com que ela fosse única. Coloquei ela de volta ao chão e ela foi levada de volta pra perto dos outros. Nos cinco minutos seguintes, que foi o tempo que levou para que o próximo filhote viesse nos conhecer, eu já havia sido tomada por um sentimento tão intenso que sem pestanejar anunciei: Não precisa trazer mais ninguém.
E foi assim que Bebel deixou a casa onde nasceu, a sua mãe e seus irmãos para ir viver comigo e David em nosso apartamento em Woodley Park, que então já me parecia do tamanho ideal para acolher todos os nosso sonhos.





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2007-08-27T00:36:34.663-03:00
Encontro com a mae da minha filha
Ao chegarmos mais perto do portão procuramos por uma campainha que não existia. Batemos na porta e aguardamos. Eu estava ansiosa, queria logo passar por aquela porta que me levaria para a conhecer um mundo de


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2007-08-27T00:12:21.805-03:00
De olhos bem abertos
Quando eu hoje subia a escadaria do metrô da estação de Dupont Circle, percebi pela primeira vez que há lá uma frase do Withman sobre o sofrimento. Nunca antes eu havia percebido isso e quantas não foram as vezes em que subi aquela escada sentindo o frio quase paralisante de um inverno muitas vezes necessário, ou outras o ar quente de um verão desajeitado que parece não cair bem com a região. Ainda na escada cheguei a sentir um frio na barriga e uma vertigem leve, quando aos poucos fui rodando para poder ler o que ali estava escrito.Nada pode ilustrar melhor a idéia de luz no fim do túnel do que a saída norte do metrô de Dupont, bairro GLS, e local de moderninhos e de pessoas de bom gosto.
Me lembrei quando David me levou para assistir ao filme surpresa. Estávamos um domingo de manhã lendo jornal quando ele dobrou a parte do jornal que lia e me disse que me levaria mais tarde para ver um filme surpresa.
" E como é isso?" eu perguntei. Ele então me explicou que acabara de ler a crítica de um filme que estava passando em Dupont e que ele acreditava que eu iria gostar. Mas o trato era que eu me compromtesse a, quando chegássemos lá, não tentasse descobrir de que filme se tratava. David era o rei das surpresas bem pensadas, o mestre dos embrulhos de presentes, o poeta dos cartões de aniversário, o chefe da sobremesa perfeita.
Eu entrei na fantasia da surpresa e quando nos aproximamos do cinema fui guiada até a cadeira da sala escura e me sentei curiosa e ansiosa pela surpresa cinematográfica que ele havia me preparado naquele domingo.
E quando terminaram todas as propagandas, e todas as chamadas dos outros filmes que em breve estariam em cartaz, as luzes finalmente se apagaram.
O filme era o francês Amelie, que David com sua sensbilidade sempre á flor da pele e sua incansável busca de ter comigo uma sintônia impar, não podia mesmo ter errado. Eu simplesmente amei o filme e amei também o fato de ele ter me dado surpresa tão delicada e original. Eu nunca antes havia recebido um filme de presente e a partir daquela tade o filme Amelie seria pra sempre nosso.
No natal do mesmo ano ele comprou o CD, o DVD, e o poster do filme, que colocou estratégicamente atrás do telão do home theatre que ele mesmo montou em nossa casa.
Quando fomos visitar Paris alguns anos mais tarde, ele encontrou na internet um roteiro que indicava todos os locais onde o filme havia sido rodado e numa tarde fria nos sentamos para tomar vinho no mesmo bar onde Amelie trabalhava.
Sua paixão pelo cinema, e também por televisão, era tanta que ele não abria mão de qualquer oportunidade de misturar a fantasia da sétima arte com uma vida onde a realidade muitas vezes se mostrava através de mais uma consulta médica ou um exame invasivo.
É verdade que no dia em que nos conhecemos fomos ao cinema ver Bossa Nova, do Bruno Barreto. Já naquele primeiro encontro eu tive vontade que ele soubesse um pouco mais sobre a cultura e o local que até então eu não tinha dúvidas de chamar de casa. Quando eu vi o Rio mais brilhante do que nunca, e as areias da praia de Ipanema eu disse pra ele. "Esse é o lugar onde nasci, onde aprendi a andar, a nadar e onde muitas vezes também me perdi".
Cinema para ele era tudo e quando anos mais tarde o mesmo médico distante lhe informou que o seu crédito estava prestes à expirar, David lhe perguntou se daria tempo pelo menos para ver a estréia do novo filme do Tom Hanks, Cast Away.
Hoje tenho uma coleção de mais de 300 DVDs, e ainda encontro caixas lacradas de filmes que um dia ele planejou assistir.





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2007-08-28T09:42:00.357-03:00
Bebel
Depois que desligou o telefone, ele me deu um longo abraço e ficamos assim ambrulhados um no outro por uns bons 15 minutos. Eu sentia o coração dele bater por trás do pijama listrado que como tinha que ser, combinava perfeitamente com as meias. Era verão e fazia um calor úmido, típico da região. Ouvíamos as cigarras quando sentávamos para entardecer juntos na varandinha do pequeno apartamento em Woodley Park, bairro nobre de Washington. E sentados com um cadeira colada na outra, ele segurava a minha mão.
Foi naquela tarde que eu e David ganhamos, pelas vozes do oncologista distante, um crédito de vida cuja data de validade ninguém podia ao certo dizer qual seria.
"Precisamos comemorar este momento, precisamos fazer alguma coisa, sair na rua e gritar, correr no parque, ir às compras, precisamos..."
"Precisamos celebrar a vida!" Ele disse.
"Precisamos celebrar a vida." Eu concordei. "Me diz meu amor, o que você quer? Me diz, qualquer coisa..."
"Eu quero um cachorro."
"Um cachorro? Agora? Aqui? Nesse apartamento minúsculo, onde mal cabem nossos sonhos?"
"Você me perguntou o que eu quero..Pois bem, eu quero um cachorro."
"Mas que cachorro?"
"Eu quero um pointer."
"Um pointer? Você tá me dizendo que quer trazer um caçador para dentro de casa... ele vai caçar as almofadas, suas meias, minhas calcinhas.."
"Ela...baby..ela e não ele"
"Uma caçadora?"
"Honey, eu já pesquisei na internet, dei alguns telefonemas, falei com alguns amigos e cheguei a conclusão de que o pointer é o cachorro ideal pra gente."
"Acho que vou ligar pro seu médico, talvez eles precisem fazer alguns exames adicionais..Você deve ter pirado de vez com toda a quimo que tomou.."
Ao longo de toda a doença de David, desde o diagnóstico até o fim, encontramos no humor negro e no sarcasmo um conforto inexplicável que nos mantinha unidos e centrados e que não permitia que entrássemos em desespero. Nos servia de lembrança da vida que existia do lado de fora da dor, e pelas lentes do sarcasmo acreditávamos que era da vida de outros, e não da nosa própria, de que falávamos.
E num belo domingo de sol pegamos a carro e dirigimos 1 hora até Hagerstown, uma cidade pequena no fim de Maryland, quase na fronteira com a Pensilvania. Passamos por fazendas, plantações de milho, vimos vacas, vimos galinhas, vimos longos pastos e finalmente encostams o carro na frente de uma casa tipicamente vitoriana, com um portão escuro na frente. Seria desta casa escura, com uma cerca que delimitava um grande quintal da onde ouvíamos latidos de cães que soltos corriam de um lado ao outro, que me veio as mãos o que hoje tenho de mais precioso na minha vida. Bebel.





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2007-08-26T09:52:49.304-03:00
Coisas
O que fazer com as coisas que um dia foram parte de uma vida? O que fazer com o conteúdo de uma gaveta cheia de coisas como pilhas velhas, plásticos, tesoura, manuais de equipamentos que ninguém mais sabe quais são, cola super bonder, pregadores, coisas, coisas... Ainda há muito de uma vida aqui nesta casa e eu simplesmente não sei se coloco tudo no lixo, se faço uma Yard Sale em pleno verão ou se pago $1,700.00 e coloco tudo na menor parte negociável de um container. Simplesmente não consigo decidir. Tenho poucos dias para decidir.
Às vezes eu fecho os olhos e escuto o barulho do trem penso que desejaria abri-los e ver Moby, Bebel e David a minha volta, na minha cama, me olhando, me empurrando da cama, brigando pelo travesseiro.
Hoje fui ao Dr. Shapiro pela segunda vez desde que cheguei. Já descobri muitas coisas desde que voltei, já descobri porque me fui e já entendi porque penso em voltar.
Saudade canina canibal de Moby e Bebel.
Vontade de escrever e de contar para o mundo tudo o que eles são.
Saudade de abrir a porta e ser recebida por dois seres que me trazem brinquedo na boca toda vez que eu entro em casa, como se fosse um ritual de boas-vindas de uma cultura exótica e milenar.
Saudade de ver Bebel bocejando pela manhã e com preguiça de sair da cama. David dizia que Bebel era com uma adolescente mimada que em se deixando dormiria até ao meio dia.
E falava para a Bebel que eu a torturava com beijos e amassos porque era assim que demonstrava meu amor, e dizia "she does the same thing to me".
Saudade de ir ao Rock Creek com os cães nos fins de semana, ou ao local onde David mais gostava de levá-los: o cemitério. Dizia que era silencioso e que de lá não havia para onde fugir. Não sei se se referia aos cãos ou aos mortais que um dia foram e que agora sentiam o tripidar de muitas patinhas alegres correndo na superfície.
Saudades de uma vida que um dia exisitiu aqui.





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2007-08-21T08:51:54.678-03:00
Dias de escritas e de saudades caninas
Eu disse que iria escrever muito enquanto estivesse aqui nos EUA e desde a segunda-feira quando cheguei eu não tenho feito outra coisa. E hoje, ás 2:15 da manhã eu terminei o primeiro draft de um trabalho que me foi encomendado por uma revista americana sobre o estado da ciência na América Latina. Posso dizer com segurança que este foi o meu maior desafio profissional até hoje e que realmente acredito que este artigo será um marco na minha carreira. Para escrever este artigo eu li mais de 50 papers, visitei uns 100 websites e falei com mais de 10 cientistas no Brasil e em outros países. E devo dizer que embora ainda não tenha tido nenhum feedback da editora, estou feliz com o resultado.
Além de escrever como louca, tenho também sentido uma saudade enorme dos meus filhos Moby e Bebel. E fiquei com muita vontade de escerevr um livro sobre a minha tragetória até hoje vivida com estes dois seres. Só quem tem amor por cachorros pode entender o que é de fato a relação de amor entre cachorros e humanos. Minha vida nestes últimos anos não tem sido nada fácil, mas só tem sido possível porque os dois têm me acompanhado, literalmente, por onde quer que eu vá.
O que mais sinto falta nesta casa vazia, que um dia foi berço de muitas alegrias, é de escutar as patinhas dos dois sapateando pelo chão de madeira e subindo e descendo as escadas na incansável busca de estar a não mais do que 1 metro de distância de onde eu estivesse. Se me deitava no sofá, era no sofá que eles queriam estar, se me sentava no quintal pra sentir a brisa da tarde e escutar o barulho do trem que passa atrás da casa, era no quintal que eles se deitavam, se entrava pra tomar banho, os dois deitavam na porta do banheiro e esperavam anciosos pela minha aparição. Eles nunca deixaram que eu me sentisse só e na noite mais triste da minha vida, a primeira em que me deitei numa cama que logo ficou grande demais, os dois se aninharam em mim e me deram o conforto que me manteve viva por aquela noite e também por muitos outros dias e noites que ainda viriam.





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2007-08-05T00:11:25.172-03:00
Torpedos inesperados
Tá acordada?

Só pra te dizer que seus deslocamentos me fascinam. Num piscar de olhos foi pra serra.
E o que mais te fascina?
Muita coisa. Ando muito fascinável.
Você anda é muito solteiro..numa cidade cheia de fascinações com cabelos de todos os tipos. Vou pra cama.

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De olho no celular, aguardo a resposta dele.
Ele é a paixonite que tive por anos durante a faculdade (e isso faz tempo) e que na época pegou todo mundo, menos eu. No ano passado esbarrou na rua comigo por acaso quando eu passeava com os cachorros no Posto 6. Depois que eu contei que havia ficado viüva ele me convidou pra tomar uma cerveja ali mesmo. Depois que me perecebeu fragilizada e me imaginou vulnerável, quis me pegar. Tive que me transformar na muralha da China pra não deixar que aquele homem casado com uma mulher na época grávida de 7 meses não me convencesse a embarcar em mais uma estória a qual eu estaria até hoje tentando entender e provavelemnte me disvencilhar.
Há duas semanas atrás me ligou pra me dizer que havia se separado recentemente. Eu respondi que ele já estava separado há muito tempo.

E agora ele começa a me enviar os sinais do que com certeza se transformará num arrependimento futuro. Eu já sei. Torpedos sábado a noite e enviados sem aviso prévio são as marcas da quasi-relação que já tem seu futuro definido. Chama-se roubada! Do século.

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Parece que você adivinhou. Estou na boite mas idiota do mundo
Vida de new solteiro é assim. Poderia estar em lugar mais interessante.

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E com esse torpedo eu acabo de literalmente abrir a porta para uma nova relação sem pé nem cabeça. Mas quem está interessado em pés ou cabeças, a essa altura?

Vou dormir. Passei o dia inteiro pendurada nesse computador escrevendo um artigo sobre ciência na América Latina para um revista americana. Major challenge e um divisor de águas na minha carreira. Por falar em divisor de águas, no próximo post trarei pra vocês novas reflexôes sobre o papel do banho na vida do cidadão do mundo ocidental.

Eu me mereço.





-profile/016988792876050828743
2007-08-03T18:16:40.400-03:00
A vidinha na montanha
Veja bem: Não se trata de morar aqui ou lá, por mais que o assunto pareça repetitivo.
O endereço, de verdade, é o que menos importa. A minha procura não é pelo molho de chaves correto, mas sim pela minha identidade. Que hoje é bipartida.
Ontem, conversando com um amigo (amigo com potencial) numa casa de show aqui na montanha, ele me dizia que eu era também americana. Eu confessei reconhecer tal fato mas fiquei curiosa em saber suas percepções, aonde é que minha americanice aparece? "Primeiro, ele disse, você é pontual. Isso aqui não existe. Depois, gosta de receber as pessoas em casa. Aqui, estamos todos, na maioria do tempo, da porta pra fora. Além disso, você é educada demais, fala por favor e obrigada demais, que nem sempre veêm acompanhados de um sorriso; ou seja não é genuíno, mas simples formalidade. E eu nunca vi nada que você já tenha escrito, mas tenho certeza que você usa o ponto e vírgula".
Reconheci a descrição, essa aí que você tá pintando eu reconheço que sou eu.
"Você é isso, minha cara. Essa coisa globalizada sem rumo ou direção".
Dia 12 pego um voador pras bandas daí. Vou ficar 3 semanas.Consertar a minha casa e encontrar novos inquilinos.
Vai ser bom estar aí na minha casa novamnete, numa situação completamnete diferente.
Vou pensar. Vou sentir. Vou escrever. Isso é certo.





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2007-07-31T22:06:18.408-03:00
Coleta seletiva



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2007-07-30T13:56:46.645-03:00
I Encontro BLS
I Encontro BLS
Blogueiros, leitores e simpatizantes
Organização e apresentação de Beto Largman, do blog Feira Moderna

Local do Evento:
Armazém Digital – Shopping Rio Design/Leblon, Rio de Janeiro
Avenida Ataulfo de Paiva, 270 - Loja 104 - Tel: (21) 2274-5999
Data e horário:
Segunda-feira, dia 6 de agosto, a partir das 19h
Entrada Franca


O que está acontecendo na blogosfera brasileira? Qual é o poder dos blogs na mídia? O que é um problogger? Como as empresas de comunicação estão lidando com este fenômeno? O jornalista e blogueiro Beto Largman (http://oglobo.globo.com/online/blogs/largman/) pretende, com a ajuda de seus convidados e de quem estiver interessado no tema, responder mas, principalmente, debater estas e outras questões no I Encontro BLS (Blogueiros, Leitores e Simpatizantes), que será realizado no Armazém Digital do Leblon na segunda-feira, dia 6 de agosto, a partir das 19h.

A idéia é reunir pessoas que, de alguma maneira, estejam ligadas ao assunto. Por isso, foram convidados Alexandre Inagaki (Agência Riot), que falará sobre blogs e marketing viral; Paulo Mussoi (coordenador dos blogs do Globo Online) vai mostrar a visão de uma grande empresa de comunicação sobre os blogs; Carlos Cardoso, que vive exclusivamente do seu blog, um problogger; Fabio Seixas (analista de sistemas, sócio-fundador do Camiseteria.com e diretor de marketing do WeShow.com) vai detalhar como é possível rentabilizar um blog e Alessandro Barbosa Lima (a confirmar), diretor do E.life, explicará como funciona a monitoração do boca-a-boca na web. O objetivo é que o encontro seja um fórum livre de debates e idéias.

Os blogs são um fenômeno de mídia. Segundo o site Technorati, que monitora a blogosfera, a cada dia são criados 120 mil novos blogs na grande rede, o que dá uma média de 1,4 por segundo. O número de blogs na internet ultrapassou os 70 milhões em março - mais que o dobro dos 30 mil existentes há um ano.

Ainda segundo o Technorati, o prestígio dos blogs cresceu em relação aos veículos de grande mídia. No último relatório, de novembro de 2006, apenas 12 blogs figuravam na lista dos 100 sites mais populares da rede. O número cresceu para 22 na lista mais recente. Para o jornalista e professor americano John Batelle, fundador da revista Wired e colaborador do blog Boing Boing, um dos mais populares do mundo, os blogs são conversas entre pessoas e ganharam importância justamente por isso.

Temas abordados:
- Rentabilização de Blogs
- Como a mídia tradicional está encarando os blogs
- Vivendo de blog: o problogger
- O marketing e os blogs, marketing viral e estratégias de guerrilha
- Monitoração e análise da comunicação boca-a-boca na web


Beto Largman





-profile/016988792876050828742
2007-07-28T17:42:35.977-03:00
Captura-me
Passo o tempo todo perdida em pensamentos e mergulhada em insights que às vezes me deixo afogar. E nesses mergulhos faço um esforço sobre-humano e estico o pescoço pra fora dágua e escuto as palavrinhas que não são ditas, mas apenas pensadas, e que arrumadinhas da forma certa fariam nascer a frase:preciso escrever sobre isso. E antes que me dê tempo de chegar a um teclado que seja, ou mesmo um bloquinho ou até uma simples caneta pra minha mão rabiscar, as palavrinhas e letrinhas saem todas correndo de mim e me escapolem com ar maroto. E eu fico sem nada e me afogo novamente e quando sento aqui as palavras parecem me faltar. Aquelas marotas!

Elas são como eu, aquelas marotas.
Correm de um lado ao outro -ou mais correto seria dizer- de cima pra baixo e de baixo pra cima, em busca de inspiração. Correm atrás de um conto que lhê dêem alguma lógica ou que traga sentido ao estado total e final mais conhecido como sopa de letrinhas.

Me sinto assim: sopa de letrinhas. As palavras entram, as palavras saem, numa hora numa língua, other times in another, numa hora falo do meu umbigo, other times I talk about science.

Preciso escrever sobre o que pensei do "ajudar ao outro", preciso escrever sobre o custo e benífico de uma sociedade exageradamente informal, pensei sobre a função da formalidade, pensei sobre os créditos de joy. Ha, vou falar então sobre créditos de joy. É assim.

Já aconteceu com todo mundo. Você comprou ingressos para um show ou um filme, com antecedência. E passado o devido tempo da sua antecedência o dia do evento chegou. E acontece que você tá no maior clima pijama e sem a menor vontade de sair de casa. Mas tem que ir né porque já comprou os ingressos, o evento não aconetec todo dia, foi caro, ou é único, ou sei lá. Mas o fato é que vai ter que trocar o pijama pela roupita, vai ter que tomar um banho, acordar e levantar a poeira. Mas não se engane, você não tá no clima, vai ser chato, você já sabe, porque por melhor que seja o que você ta indo ver, você queria mesmo é curtir um Tela Quente de pijama. Tá você foi, tá lá, a coisa tá acontecendo na sua frente e você reconhece que poderia estar curtindo muito se tivesse no clima, mas de verdade, ainda pensa no Tela Quente. E o evento finalmente acaba, sua companhia pergunta se você gostou e você diz..huhum. Sua companhia tá em polvorosa, "nossa viu viu aquilo, e aquela parte , e aquela outra"...huhum, você repete. Você vai pra casa e finalmente se enfia no pijama de novo.
No dia seguinte você acorda diferente, tira o pijama rapidinho e coloca uma roupa e vai pra rua, cê tá ligado nas coisas, tá ligado no dia e conforme o dia vai passando você começa a lembrar do evento da noite anterior. E é ai que o grande fenônmeno acontece. No dia seguinte, e pra todo o sempre, você passa a colher os créditos de um momento não vivido, apenas presenciado, que você só vai curtor depois. Você começa e lembrar disso e daquilo e começa a sentir aquela sensação de joy (sorry, no translation for that) e quando menos esperar você estará dizendo..sabe que na hora eu não curti mas agora pensando...bem que eu gostei. Parabéns, você tem crédito de joy pra dispor e disponha sim, porque joy é algo apenas sentido, mas jamais capturado.

Que saudades dos Estados Unidos...bem que eu gostei.





-profile/016988792876050828745
2007-07-14T21:06:59.220-03:00
Tropical Healing
Para um desavisado que caia no meu blog de pára-quedas, vai parecer que tenho para a América os sentimentos menos puros. Não é verdade. Ontem, enquanto fazia as unhas na manicure -quer dizer…enquanto estava tendo as minhas unhas feitas, porque eu mesma não fazia nada além de esticar a mãozinha e movê-la vez por outra do aparato de madeira para a águinha, da águinha para o aparato de madeira- eu acompanhava o desfile das delegações na festa de abertura do Pan. A brincadeira era tentar descobrir o país de origem da delegação somente pela observação de seus integrantes e também pela ordem alfabeta que era seguida para a entrada das delegações. Pois bem, não reconheci a delegação dos Estads Unidos, e quando finalmente pude ver a bandeira exclamei surpresa: Nossa, logo eu não reconheci os Estados Unidos! A manicure então perguntou qual a razão da surpresa e perguntou se eu era Americana. E qual não foi a minha surpresa ainda maior ao responder que sim, que eu era Brasileira e Americana. Foi a primeira vez na minha vida que disse essa frase, e foi assim sem pensar, quando vi as palavras já haviam saído da minha boca e se espalhado pelo salão, como sopa de letrinhas.
E nem pensei em me corrigir e nem explicar coisa alguma para a minha manicure. Deixei a coisa assim mesmo e pronto.
E ontem, quando estava no heliporto do meu condomínio (sim, é verdade, tem um heliporto mas também é verdade que nunca vi sequer um mosquito pousando nele) com Moby e Bebel, e estava um dia lindo e eu ali rodeada de montanhas, fiquei pensando na minha casa, nos quadros que ainda estão nas paredes, no sofá que ficou, na mesa de centro, na secadora (aí que saudades da minha secadora) e de tudo mais, e pensei que eu, no fundo e bem escondidinho de mim que era pra não causar maiores alardes, no fundinho pensava que um dia iria voltar a morar naquela casa. E aí confessei pra mim mesma, entre um arremesso de doggy ball e outro, que eu inclusive já sabia até quais móveis levaria de volta e quais venderia aqui antes de sair. Confessei também que já tinha pensado que levaria o revestimento de carro que comprei aqui e que me custou singelos R$60,00 e que também já havia pensado que ia querer levar a minha empregada e que pra isso deveria transformar o basment da casa num pequeno apartamento com entrada independente. Já pensei tudo isso. A verdade é que o plano de fuga já está completamente pronto.
E confessando sem medo pra mim mesma essas coisas malucas que penso, como se a vida fosse um balanço, eu entendi exatamente o que me levou a vir pra cá. E como não poderia haver outra forma de ser dito...O que me trouxe foi a necessidade de healing. Só ainda não sei onde me levará. Mas seja pra onde for, juro que não vai ser de pára-quedas.



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