Aprendi cedo em biologia sobre os ciclos circadianos. É o ciclo circadiano que permite que nosso corpo durma a noite e esteja acordado durante o dia. É ele que diz pro nosso corpo que horas são. É ele que nos deixa perturbados quando fazemos uma longa viagem e atravessamos os meridianos numa velocidade maior do que aquela já conhecida por nosso corpo. Quando o ciclo circadiano é perturbado tudo fica esquisito e precismos de alguns dias para nos adaptarmos a nova realidade das horas.
Tenho pensado muito sobre os ciclos, e mais recentemente tenho perecbido que há algo além dos ciclos que determinam as horas diárias pro nosso corpo. São cilcos maiores que se extendem além das meras 24 horas de um dia completo. É ciclo da semana, dos meses e das estações. EStes ciclos me parecem ter um significado maior, ainda inexplorado e que nos servem de ancoras da alma, ou de nossa psique.
O mais difícil da vida em Israel, por enquanto, não é minha falta de palavras e nem o ar seco. Não é o vento algumas vezes desértico e nem a chuva fria repentina. O mais difícil é ter que fazer de conta que domingo é segunda-feira! Domingo aqui é um da normal como todos os outros. Todo mundo tem trabalho, as escolas funcionam normalmente e o país segue inderente à pausa que se faz na maioria do resto do mundo. Domingo aqui é o sábado que se revela um domingo violento onde nada funciona, nem mesmo o transporte público. O país pára literalmente, indeferente ao movimento crescente que se observa neste dia no resto do mundo.
Meu corpo não entende como, sendo domingo, Maribel e Shika precisam levantar cedo, e eu também, para começar um dia que se inicia as 7 da manhã.
As estações também parecem ter seu significado. Somente depois de termos vivido uns 3 anos num novo lugar começamos a nos sentir adaptados e a reconhecer tal lugar como lar. Acredito que isso nada tenha que ver com as particularidades do lugar em questão mas com a certeza e a familiaridade que se começa a sentir num novo lugar depois de termos testemunhado as mudanças de estações por pelo menos uns 3 ciclos e de já sermos capazes de reconhce-las ou antecipá-las. Neste sentido Israel me parece muito familiar porque me lembra demais os ciclos nos EStados Unidos e meu aniverseario, de novo, volta a cair no verão enquanto por muitos anos, quando criança, eu queria fazer festa na piscina e minha mãe me lembrava que meu aniverseario caia no inverno. Carioca sim, mas mesmo assim ainda inverno.
A maioria das pessoas precisam destas âncoras para se sentirem em casa, precisam dos ciclos em total harmonia para que ss sintam pertecendo. Eu nesse ponto me sinto muito perdida. E talvez seja exatamente a falta que eles me fazem que me levam a pensar tanto neles.
Meu marido é um homem de ciclos e rotinas. Na sexta-feira compra pão especial, a hala, e pega o jornal gratuito que é distribuido no supermercado. Ele tem hora pra tudo. Pra acordar, pra tomar café, pra comer, pra falar ao telefone e até pra cagar. Se a hora passa ele simplesmente deixa pro dia seguinte. Diz que já ficou muito tarde.
Por isso muita gente jamais consegue sair do mesmo lugar. Dizem, de forma simplista, que já estão acostumados do jeito que vivem.
Eu não me acostumo com nada. Porque quando perecebo que estou me ficando eu reinvento a vida a parto para uma outra nova. Mas talvez com a idade a necessidade dos ciclos, o desejo por uma rotina, começam a se fazer presentes em mim.
Talvez isso tudo fique mais evidente ao lado das meninas por causa da escola. Não há nada que possa dar mais estrutura a todos os indíviduos de uma família do que a rotina tirana escolar. O dia sempre começa e termina na mesma hora e ao longo dele há vários marcos. A hora do almoço, hora do banho e hora do jantar. Por isso o fim de semena, mesmo pra quem tem uma vida tão flexível como a minha, se torna um descanço. Não há escola no fim de semana.
Mas quando sou requisitada a deslocar o principal dia do meu fim de semana, o tal do domingo, fica tudo bagunçado. Vai explicar pro meu corpo que um dos únicos marcos ainda possíveis na minha existência precisa ser re-ajustado...Que eu preciso mexer nos dias da semana como fossem cartas de baralho. Que preciso trocar a coringa de lugar se eu ainda quiser ter uma canastra. Sinto como se me tivessem roubado um feriado por muito aguardado.
sexta-feira, abril 29, 2011
quarta-feira, abril 27, 2011
A delícia e o prazer de ser brasileira
As 7 horas da manhã chegou em nossa casa a nova a moça da faxina. Veio com um lenço amarrado na cabeça que cobria o cabelo totalmente. E o olhar temeroso ao ver os cães não deixou dúvida. Nossa faxineira é árabe. Os árabes tem muito medo dos cães judeus. Isso tem razões históricas. Cachorro sente cheiro de medo, que deve ser o cheiro que as descargas de adrenalina devem produzir e que muito provavelmente são perceptíveis apenas ao nariz canino. Não preciso aqui gastar muitos bits pra explicar que as relações judaico-árabes nunca foram das melhores, por motivos igualmente históricos e os quais ninguém já nem sabe mais aonde começam ou acabam. São todos inocentes e culpados ao mesmo tempo. E os árabes israelenses, aqueles que nasceram em Israel e são cidadães israelenses que assim como os judeus compartilham o país onde vivem, tem uma constante relação de amor e ódio com o país. Vivem, sem sombra de dúvidas, em condições melhores do que os árabes que vivem em países árabes. O acesso a educação e saúde é gratuíto a todos no país. Mas vivem num país que tem dificuldades em reconhecer como pátria. Mas com certeza não gostariam de estar em nenhum outro lugar senão aqui. Enfim, é o conflito que atinge também o dia a dia das pessoas comuns e não apenas as guerras e as frustradas tentativas diplomáticas de se buscar uma solução pra região.
Pois ela, que tem um nome que me parece impronunciável e que eu nem me atreveria a tentar soletrar, me pareceu tímida e certamente acuada. Faz uma faxina que não se compara à faxina da Angélica, a faxineira da Guatemala que trabalhava na minha casa nos EUA, a Lu ou a Soely no Brasil. A faxina dela é de guerrilha!
Pois eu estava lá embaixo tentando explicar pra Bebel que ela não podia entrar em casa agora porque a casa estava limpíssima e ela tava com as patas sujas. Expliquei, dei osso, fiz carinho até que ela se deitou no quintal da frente, para admiração de nossos vizinhos ingleses.
Foi então que subi pro segundo andar pra continuar trabalhando e tive que interagir com ela, a faxineira, pela primeira vez e tendo pra isso apenas o meu vocabulário hebraico super limitado (todos os árabes tb falam hebraico). Como deixá-la menos acuada e mais tranquila em minha presença se mal posso me comunicar com ela?
Lembrei do meu maior trunfo, que não é só meu mas de tantos outros milhões de indivíduos. Sou brasileira! Sou do país mais querido do mundo. Sou da terra que sempre abre sorrisos nos rostos de qualquer um de qualquer nacionalidade. Não brigo, não implico, não me acho, não sou besta. Sou brasileira.
Não precisei de muitas palavras pra explicar pra ela que eu não sabia ainda falar hebraico e que eu...eu sou brasileira! Falei pra ela. Foi ai que conheci o sorriso dela. Brasilai, ela perguntou? Ken Brasilai, eu disse. Ela sorrindo me disse: meu filho ama o futebol do Brasil! Ele tem a camisa e o short do Brasil!
É mesmo? E quantos anos tem seu filho? eu perguntei. Nove; ela disse ainda satisfeita com a novidade.
Hoje ela vai chegar em casa e ao invés de dizer que fez faxina na casa de um judeu, vai contar satisfeita ao filho que fez faxina na casa de uma brasileira. A brasileira é judia, mas isso provavelmente se torna irrelevante diante da paixão verde-amarela!
Da próxima vez trago um presente do Brasil pro filho dela. Afinal, não é só de futebol que se alimenta uma paixão, mas também do calor, da simpatia e do carinho de um povo.
Eu sou brasileira!
Pois ela, que tem um nome que me parece impronunciável e que eu nem me atreveria a tentar soletrar, me pareceu tímida e certamente acuada. Faz uma faxina que não se compara à faxina da Angélica, a faxineira da Guatemala que trabalhava na minha casa nos EUA, a Lu ou a Soely no Brasil. A faxina dela é de guerrilha!
Pois eu estava lá embaixo tentando explicar pra Bebel que ela não podia entrar em casa agora porque a casa estava limpíssima e ela tava com as patas sujas. Expliquei, dei osso, fiz carinho até que ela se deitou no quintal da frente, para admiração de nossos vizinhos ingleses.
Foi então que subi pro segundo andar pra continuar trabalhando e tive que interagir com ela, a faxineira, pela primeira vez e tendo pra isso apenas o meu vocabulário hebraico super limitado (todos os árabes tb falam hebraico). Como deixá-la menos acuada e mais tranquila em minha presença se mal posso me comunicar com ela?
Lembrei do meu maior trunfo, que não é só meu mas de tantos outros milhões de indivíduos. Sou brasileira! Sou do país mais querido do mundo. Sou da terra que sempre abre sorrisos nos rostos de qualquer um de qualquer nacionalidade. Não brigo, não implico, não me acho, não sou besta. Sou brasileira.
Não precisei de muitas palavras pra explicar pra ela que eu não sabia ainda falar hebraico e que eu...eu sou brasileira! Falei pra ela. Foi ai que conheci o sorriso dela. Brasilai, ela perguntou? Ken Brasilai, eu disse. Ela sorrindo me disse: meu filho ama o futebol do Brasil! Ele tem a camisa e o short do Brasil!
É mesmo? E quantos anos tem seu filho? eu perguntei. Nove; ela disse ainda satisfeita com a novidade.
Hoje ela vai chegar em casa e ao invés de dizer que fez faxina na casa de um judeu, vai contar satisfeita ao filho que fez faxina na casa de uma brasileira. A brasileira é judia, mas isso provavelmente se torna irrelevante diante da paixão verde-amarela!
Da próxima vez trago um presente do Brasil pro filho dela. Afinal, não é só de futebol que se alimenta uma paixão, mas também do calor, da simpatia e do carinho de um povo.
Eu sou brasileira!
sábado, abril 23, 2011
Casa nova
No dia 20 nos mudamos para uma casa nova, linda, de 2 andares, 4 quartos. A casa tem um quintal pequeno e Moby e Bebel ficam doidos atrás dos gatos que sempre entram pelo portão baixo, de ferro. Cada uma tem seu quarto e eu fiquei com meu escritório, por enquanto, dentro do nosso quarto. Vamos ver se vai funcionar.
sexta-feira, abril 08, 2011
Hello Tel-Aviv, Au Au!
Há três dias Bebel e Moby pousaram em Tel-Aviv. Foi um período de muito trabalho, desde o dia em que decidi, ainda em Israel, em Janeiro, que eu mudaria a minha vida pra cá. As decepções que tive na época e a sensação de desamparo me foram necessárias para que eu tomasse uma atitude que pensava não ser capaz. Eu ...não capaz de alguma coisa quando enfio na cabeça???...té parece! Não sou refém né...Acho que isso já deixei claro!
Meu marido veio me encontrar no meio do mês passado no Brasil e foi de Tel-Aviv direto ao meu encontro na cidade paulista do Aedes, onde eu dava um workshop. No dia seguinte voltamos juntos pro Rio de Janeiro e trabalhamos muito até finalizarmos com tudo. Entreguei o apartamento de Itaipava, que havia alugado em Novembro! Vendi, dei, mudei, emprestei, perdi, quebrei, tropeçei, ou jogeui no lixo todas as coisas que tinha. Tudo coisa né? Fizemos uma pequena reforma no ap do Posto 6 e no domingo passado fomos de carro até um sítio perto do aeroporto de Guarulhos onde ficamos os 4 (eu, meu marido, Moby e Bebel) até terça feira. Na terça feira chegamos esbaforidos no aeroporto, atrasados e eu super nervosa. Enfiei o "remdinho" dos cachorros guela abaixo..30 gotas pra cada um, botamos cada um em sua caixa de R$ 500,00 e seja o que Deus Quiser!
No meio do voo fui ao banheiro na ponta de trás do avião e escutei Moby latindo. Decidi que eu também devia tomar o "meu" remedinho. Um comprimidinho pequinininho marromzinho e puft. Bom dia and welcome to Tel-Aviv!
Ele passou na frente, a fila dos Israelenses estava pequena, eu fiquei lá no meio dos russos, segurando meu passaporte brasileiro e com o coração na mão. De repente vejo lá de trás, por dentre as portas, Moby e Bebel andando na coleira. Graças a Deus! Eles estão vivos!
Fui liberada pela soldadinha, que agora me libera assim que mostro a certidão de casamento. O que um papelzinho não faz, hein? Sai correndo e Bebel se soltou e veio correndo em minha direção. Moby ainda ficou tonto tentando entender onde, como e principalmente porque.
Passamos pela alfandega onde literalmente passaram a mão nos dois e nem quiseram olhar coisa nenhuma. Welcome to Israel eles falaram. Já no saguão do aeroporto Ben-Gurion Bebel sem cerimõnia se abaixou e fez o maior xixi do mundo. Eu tava preparada, já carregava comigo aquele cobertorzinho de avião exatamente prevendo que isso poderia acontecer. Depois veio o coco. Esse foi fácil, eu tava com o saco a postos.
Como tantos outros judeus...Moby e Bebel viajaram o mundo e agora que já estão ficando com mais idade (9 e 10 anos) vieram se aposentar na terra prometida.
Estamos todos bem!
Meu marido veio me encontrar no meio do mês passado no Brasil e foi de Tel-Aviv direto ao meu encontro na cidade paulista do Aedes, onde eu dava um workshop. No dia seguinte voltamos juntos pro Rio de Janeiro e trabalhamos muito até finalizarmos com tudo. Entreguei o apartamento de Itaipava, que havia alugado em Novembro! Vendi, dei, mudei, emprestei, perdi, quebrei, tropeçei, ou jogeui no lixo todas as coisas que tinha. Tudo coisa né? Fizemos uma pequena reforma no ap do Posto 6 e no domingo passado fomos de carro até um sítio perto do aeroporto de Guarulhos onde ficamos os 4 (eu, meu marido, Moby e Bebel) até terça feira. Na terça feira chegamos esbaforidos no aeroporto, atrasados e eu super nervosa. Enfiei o "remdinho" dos cachorros guela abaixo..30 gotas pra cada um, botamos cada um em sua caixa de R$ 500,00 e seja o que Deus Quiser!
No meio do voo fui ao banheiro na ponta de trás do avião e escutei Moby latindo. Decidi que eu também devia tomar o "meu" remedinho. Um comprimidinho pequinininho marromzinho e puft. Bom dia and welcome to Tel-Aviv!
Ele passou na frente, a fila dos Israelenses estava pequena, eu fiquei lá no meio dos russos, segurando meu passaporte brasileiro e com o coração na mão. De repente vejo lá de trás, por dentre as portas, Moby e Bebel andando na coleira. Graças a Deus! Eles estão vivos!
Fui liberada pela soldadinha, que agora me libera assim que mostro a certidão de casamento. O que um papelzinho não faz, hein? Sai correndo e Bebel se soltou e veio correndo em minha direção. Moby ainda ficou tonto tentando entender onde, como e principalmente porque.
Passamos pela alfandega onde literalmente passaram a mão nos dois e nem quiseram olhar coisa nenhuma. Welcome to Israel eles falaram. Já no saguão do aeroporto Ben-Gurion Bebel sem cerimõnia se abaixou e fez o maior xixi do mundo. Eu tava preparada, já carregava comigo aquele cobertorzinho de avião exatamente prevendo que isso poderia acontecer. Depois veio o coco. Esse foi fácil, eu tava com o saco a postos.
Como tantos outros judeus...Moby e Bebel viajaram o mundo e agora que já estão ficando com mais idade (9 e 10 anos) vieram se aposentar na terra prometida.
Estamos todos bem!
sábado, março 05, 2011
A mulher da faxina
Já disse que gosto de fazer faxina. Principalmente a parte que envolve água. Lavar chão, lavar banheiro, etc..Faxina pra mim é terapia, sempre me ocorrem pensamentos interessante. Mas não é só isso. Não sei delegar. E sabe o que mais, todo mundo fala isso facilmente..Fulano não sabe delegar. Mas como é isso de não saber delegar? Na minha penúltima faxina aqui no ap pensei sobre isso e pensei no que pra mim significava não saber delegar.
Tudo começou porque contratei uma pessoa pra fazer faxina no ap e depois peguei o carro e subi a serra. Paguei por um dia e meio de faxina num ap de quarto e sala. Ou seja, esperava encontrar o ap um brinco. Precisaria mesmo de mais de um dia pra ficar o brinco que eu esperava encontrar, já que com as obras era uma poeira só. Muito bem, o Júlio porteiro me indicou a Rosilene, ela veio no ap, tratei com ela, e fui embora com Moby e Bebel pra serra.
Quando voltei ao ap alguns dias depois fiquei super decepcionada com a faxina dela. Não sou nada perfeccionista, nem com as minhas coisas e nem com as dos outros. Sou super tolerante e tá tudo bom pra mim. Mas a faxina da Rosilene deixou mesmo a desejar. Eu havia pedido que elas passasse um pano em todos os livros pra tirar a poeira, que fizesse quantas máquinas de roupas fossem possíveis (fez uma apenas, aparentemente), que ajeitasse os móveis em algum lugar (ajeitou todos), que lavasse todas as louças (não lavou nada, aparentemente) e o chão estava horrível. Resultado: Passei um sábado de sol no Posto 6 fazendo faxina. E então pensei: Se tivesse sido a minha amiga Cris que tivesse contratado este serviço o ap não estaria assim. Estaria de fato um brinco, tenho certeza. Então começei a cavar, a cafufar e a tentar descobrir porque. Ai pensei na forma como falei com a Rosilene no dia da faxina e constatei que eu faço o tipo "patroa gente boa". Sou mole mesmo, legal demais, simpática demais, sorridente demais. Veja bem, não estou dizendo que precisamos ser duras ou grossas com estas pessoas, não é isso. Mas o que constatei nessa minha faxina feita no dia lindo é que estes pequenos contratos de serviços (faxina de 1 dia com faxineira que nunca vi antes na vida) não se sustentam na simpatia. A Rosilene não tem nenhum sentimento em relação a mim, ela não me conhece e quanto mais fácil e rápido puder ser a faxina, melhor. Ela não me deve nada, nem simpatia, nem gratidão, nada. Se eu me apresento como patroa gente boa e vou embora assumindo que "ela sabe o que deve fazer", a tal da Rosilene vai fazer as coisas da forma mais fácil possível. E foi exatamente isso que aconteceu. O problema, eu pensei, é que na hora da contratação fica parecendo que eu estou ali pra fazer uma nova amiga, no caso a faxineira, e não pra contratar um serviço. E essa sutileza desta relação mal definida não fica clara para a Rosilene. O que ela tem ali é uma patroa mole que não vai dar trabalho. Resultado: Porcaria de faxina!
Já pro caso da Sueli, que era minha empregada de todos os dias, a minha "moleza" me transformava na patroa mais querida do mundo e eu podia contar com a Sueli para as mais diversas situacões, até pra ir cuidar de Moby e Bebel no domingo, quando eu tentava me virar pra ver que jeito daria pra deixar minha família e voltar pro Brasil por causa dos cães. Mas isso é fácil de entender..Sueli desenvolveu sentimentos por mim e isso não tem preço. Nunca sumiu 10 centavos da minha casa e ela não tem nenhum motivo pra se indispor comigo. É uma relação completamente diferente daquela relação que se desenvolve com a diarista. Com a diarista isso só ocorre depois de anos de convivência, como foi a minha com a Angélica, a faxineira da Guatemala que trabalhava na minha casa nos EUA e que ficou comigo por uns bons 4 anos da minha vida. Ela coonheceu o David e viu ele morrer. Foi pra mim que ela ligou desesperada do hospital quando estava prestes a dar a luz, eu paguei curso de inglês pra ela e vivia dando coisas pro filho dela. Para mim não há nenhum outro modo para se estabelecer estas relações.
No fundo a razão é uma só: evitar conflito. Não sei brigar com empregada, nem com o porteiro, nem com o bombeiro e nem com o cara que colocou as prateleiras.
Peciso encontrar alguém pra contratar estes serviços pra mim.
Cade meu marido que não chega?
Tudo começou porque contratei uma pessoa pra fazer faxina no ap e depois peguei o carro e subi a serra. Paguei por um dia e meio de faxina num ap de quarto e sala. Ou seja, esperava encontrar o ap um brinco. Precisaria mesmo de mais de um dia pra ficar o brinco que eu esperava encontrar, já que com as obras era uma poeira só. Muito bem, o Júlio porteiro me indicou a Rosilene, ela veio no ap, tratei com ela, e fui embora com Moby e Bebel pra serra.
Quando voltei ao ap alguns dias depois fiquei super decepcionada com a faxina dela. Não sou nada perfeccionista, nem com as minhas coisas e nem com as dos outros. Sou super tolerante e tá tudo bom pra mim. Mas a faxina da Rosilene deixou mesmo a desejar. Eu havia pedido que elas passasse um pano em todos os livros pra tirar a poeira, que fizesse quantas máquinas de roupas fossem possíveis (fez uma apenas, aparentemente), que ajeitasse os móveis em algum lugar (ajeitou todos), que lavasse todas as louças (não lavou nada, aparentemente) e o chão estava horrível. Resultado: Passei um sábado de sol no Posto 6 fazendo faxina. E então pensei: Se tivesse sido a minha amiga Cris que tivesse contratado este serviço o ap não estaria assim. Estaria de fato um brinco, tenho certeza. Então começei a cavar, a cafufar e a tentar descobrir porque. Ai pensei na forma como falei com a Rosilene no dia da faxina e constatei que eu faço o tipo "patroa gente boa". Sou mole mesmo, legal demais, simpática demais, sorridente demais. Veja bem, não estou dizendo que precisamos ser duras ou grossas com estas pessoas, não é isso. Mas o que constatei nessa minha faxina feita no dia lindo é que estes pequenos contratos de serviços (faxina de 1 dia com faxineira que nunca vi antes na vida) não se sustentam na simpatia. A Rosilene não tem nenhum sentimento em relação a mim, ela não me conhece e quanto mais fácil e rápido puder ser a faxina, melhor. Ela não me deve nada, nem simpatia, nem gratidão, nada. Se eu me apresento como patroa gente boa e vou embora assumindo que "ela sabe o que deve fazer", a tal da Rosilene vai fazer as coisas da forma mais fácil possível. E foi exatamente isso que aconteceu. O problema, eu pensei, é que na hora da contratação fica parecendo que eu estou ali pra fazer uma nova amiga, no caso a faxineira, e não pra contratar um serviço. E essa sutileza desta relação mal definida não fica clara para a Rosilene. O que ela tem ali é uma patroa mole que não vai dar trabalho. Resultado: Porcaria de faxina!
Já pro caso da Sueli, que era minha empregada de todos os dias, a minha "moleza" me transformava na patroa mais querida do mundo e eu podia contar com a Sueli para as mais diversas situacões, até pra ir cuidar de Moby e Bebel no domingo, quando eu tentava me virar pra ver que jeito daria pra deixar minha família e voltar pro Brasil por causa dos cães. Mas isso é fácil de entender..Sueli desenvolveu sentimentos por mim e isso não tem preço. Nunca sumiu 10 centavos da minha casa e ela não tem nenhum motivo pra se indispor comigo. É uma relação completamente diferente daquela relação que se desenvolve com a diarista. Com a diarista isso só ocorre depois de anos de convivência, como foi a minha com a Angélica, a faxineira da Guatemala que trabalhava na minha casa nos EUA e que ficou comigo por uns bons 4 anos da minha vida. Ela coonheceu o David e viu ele morrer. Foi pra mim que ela ligou desesperada do hospital quando estava prestes a dar a luz, eu paguei curso de inglês pra ela e vivia dando coisas pro filho dela. Para mim não há nenhum outro modo para se estabelecer estas relações.
No fundo a razão é uma só: evitar conflito. Não sei brigar com empregada, nem com o porteiro, nem com o bombeiro e nem com o cara que colocou as prateleiras.
Peciso encontrar alguém pra contratar estes serviços pra mim.
Cade meu marido que não chega?
quarta-feira, março 02, 2011
Não sou refém
No dia 12 de fevereiro eu fechei um ciclo ao colocar Moby e Bebel dentro do carro e deixar Itaipava, onde morei por quatro anos, desde que fui embora dos Estados Unidos. Eu desci a serra no final do dia, depois de vender quase tudo que havia na casa. Vendi o sofá laranja, vendi a mesinha de centro, vendi a mesinha de televisão, vendi a televisão de 30 polegadas. Tudo coisa. Vendi tudo e o que não vendi ainda irei vender, dar, emprestar, alugar, consignar, sei lá. Tudo coisa. Não sou refém de coisa! Não sou refém de salário, não sou refém de aposentadoria garantida, não sou refém de rotina, não sou refém de 13 salário, não sou refém de lugar, não sou refém de língua. Meu compromisso é com uma coisa apenas: a minha felicidade. E faço o que tiver que ser feito em nome deste único compromisso.
Engana-se quem achar que isso é o mesmo que dizer que sou irresponsável ou inconseqüente. De jeito nenhum. Sou super responsável e penso tudo sobre todas as coisas. Porque ser responsável e pensar tudo sobre tudo faz parte da minha felicidade.Também é um engano pensar que se trata de uma viagem solitária e egosísta. Mais do que nunca não. Porque estar com a minha família, meu marido e meus cachorros faz parte da minha felicidade.
Estou no Rio. Moro no Rio. Planeta Copacabana, que saudades!
Hoje entendo perfeitamente o que me levou a escolher Itaipava, um lugar onde nunca antes havia estado, onde não tinha estória, onde não conhecia absolutamente ninguém. A escolha por Itaipava foi como escrever a primeira página de um novo livro que se quer terminar um dia. Eu precisava começar tudo de novo, do zero. Precisava me afastar das coisas que conhecia, precisava me re-descobrir depois da morte da David e de viver 12 anos nos Estados Unidos, precisava me apresentar a mim mesma e me olhar lá no fundo pra ver o que poderia enxergar. Enxerguei um monte de porcalhada, umas minhas e outras que nunca me pertenceram. Umas me chocaram profundamente outras não me surpreenderam. Umas me assustaram outras me desesperaram. Umas me deprimiram, outras me deram esperança. Me agarrei no que ainda podia me dar alguma esperança, tive a devida coragem e puxei com força a corda que me acompanhava no fundo do poço. Do outro lado da corda havia um homem paciente que puxava um pouquinho de cada vez e que nunca, nunca em momento algum, largou a corda.
As pessoas que conheci em Itaipava foram amigas, companheiras e confidentes. Me ajudaram a construir este novo mundo cercado de montanhas. Eu precisava olhar para coisas bonitas. Precisava ver as borboletas, o Ipê roxo da rua abaixo, o periquito verde e escandaloso. Precisava poder sair sem medo de madrugada, precisava poder voltar a hora que fosse. Precisava descobrir onde era o supermercado, o cabeleireiro, o restaurante e onde era o melhor lugar para beber Itaipava.
Consegui perdoar todas as minhas dores. Consegui curar as feridas que me comiam aos poucos, consegui deixar o medo pra trás, consegui deixar de me fazer de vítima das circunstâncias, consegui me libertar da personagem da jovem viúva, consegui perder o medo da conta do banco, da mamografia, da vistoria do carro, do celular bloqueado. Consegui afrouxar a minha rigidez. Finalmente descobri o botão mais importante da minha vida. Ele chama-se foda-se!
Vou escrever um tratado: Como o botão foda-se me tornou uma pessoa mais feliz!
Não recomendo pra todo mundo. Somente pra aqueles que como eu sofrem, ou sofreram, de rigidez excessiva.
Agora não sou mais refém de nada. Nem das minhas maluquices.
Meu marido chega em duas semanas. Ele vem me ajudar com a entrega do apartamento em Itaipava, com a reforma do apartamento em Copacabana e com a viagem de Moby e Bebel para Israel.
A viagem acontecerá em Abril.
Estou muito feliz. E pensei: sobre felicidade não se conversa. É o assunto mais proibido do mundo. Pode se falar sobre traição, dores, tristezas, dúvidas, incertezas. Mas sobre felicidade não se pode falar. Não pega bem ligar para uma amiga e pedir: Vamos sair? Quero te contar como eu estou estupidamente feliz.
Não pode. É feio. Até dá medo. Olho gordo, dizem. De felicidade não se fala não, só de desgraça e coisa ruim. Pra falar de coisa ruim sempre tem um ouvido amigo..já da tal felicidade...
Queria contar como estou estupidamente feliz. Posso?
Engana-se quem achar que isso é o mesmo que dizer que sou irresponsável ou inconseqüente. De jeito nenhum. Sou super responsável e penso tudo sobre todas as coisas. Porque ser responsável e pensar tudo sobre tudo faz parte da minha felicidade.Também é um engano pensar que se trata de uma viagem solitária e egosísta. Mais do que nunca não. Porque estar com a minha família, meu marido e meus cachorros faz parte da minha felicidade.
Estou no Rio. Moro no Rio. Planeta Copacabana, que saudades!
Hoje entendo perfeitamente o que me levou a escolher Itaipava, um lugar onde nunca antes havia estado, onde não tinha estória, onde não conhecia absolutamente ninguém. A escolha por Itaipava foi como escrever a primeira página de um novo livro que se quer terminar um dia. Eu precisava começar tudo de novo, do zero. Precisava me afastar das coisas que conhecia, precisava me re-descobrir depois da morte da David e de viver 12 anos nos Estados Unidos, precisava me apresentar a mim mesma e me olhar lá no fundo pra ver o que poderia enxergar. Enxerguei um monte de porcalhada, umas minhas e outras que nunca me pertenceram. Umas me chocaram profundamente outras não me surpreenderam. Umas me assustaram outras me desesperaram. Umas me deprimiram, outras me deram esperança. Me agarrei no que ainda podia me dar alguma esperança, tive a devida coragem e puxei com força a corda que me acompanhava no fundo do poço. Do outro lado da corda havia um homem paciente que puxava um pouquinho de cada vez e que nunca, nunca em momento algum, largou a corda.
As pessoas que conheci em Itaipava foram amigas, companheiras e confidentes. Me ajudaram a construir este novo mundo cercado de montanhas. Eu precisava olhar para coisas bonitas. Precisava ver as borboletas, o Ipê roxo da rua abaixo, o periquito verde e escandaloso. Precisava poder sair sem medo de madrugada, precisava poder voltar a hora que fosse. Precisava descobrir onde era o supermercado, o cabeleireiro, o restaurante e onde era o melhor lugar para beber Itaipava.
Consegui perdoar todas as minhas dores. Consegui curar as feridas que me comiam aos poucos, consegui deixar o medo pra trás, consegui deixar de me fazer de vítima das circunstâncias, consegui me libertar da personagem da jovem viúva, consegui perder o medo da conta do banco, da mamografia, da vistoria do carro, do celular bloqueado. Consegui afrouxar a minha rigidez. Finalmente descobri o botão mais importante da minha vida. Ele chama-se foda-se!
Vou escrever um tratado: Como o botão foda-se me tornou uma pessoa mais feliz!
Não recomendo pra todo mundo. Somente pra aqueles que como eu sofrem, ou sofreram, de rigidez excessiva.
Agora não sou mais refém de nada. Nem das minhas maluquices.
Meu marido chega em duas semanas. Ele vem me ajudar com a entrega do apartamento em Itaipava, com a reforma do apartamento em Copacabana e com a viagem de Moby e Bebel para Israel.
A viagem acontecerá em Abril.
Estou muito feliz. E pensei: sobre felicidade não se conversa. É o assunto mais proibido do mundo. Pode se falar sobre traição, dores, tristezas, dúvidas, incertezas. Mas sobre felicidade não se pode falar. Não pega bem ligar para uma amiga e pedir: Vamos sair? Quero te contar como eu estou estupidamente feliz.
Não pode. É feio. Até dá medo. Olho gordo, dizem. De felicidade não se fala não, só de desgraça e coisa ruim. Pra falar de coisa ruim sempre tem um ouvido amigo..já da tal felicidade...
Queria contar como estou estupidamente feliz. Posso?
quinta-feira, janeiro 27, 2011
De 27/1/2011 a 18/6/2010
-profile/016988792876050828741
2011-01-27T17:27:15.288-02:00
Casada
Estou casada. De
novo. Nosso pequeno casamento foi uma graça. O dia estava simplesmente lindo,
dia de sol no meio do inverno, estava quase quente. Meu coração estava quente,
isso com certeza. Ele que já é um homem bonito quando vestindo apenas short e
havaianas, de paletó estava absolutamente lindo. As meninas pareciam duas
bonequinhas. Acabaram por escolher vestidos muito parecidos. Shika de
cinza-prata e Maribel de verde natureza num modelito de vestido de alça única,
tecido fininho, sapatinho de salto de adolescente.
Olho para a aliança da H Stern que juntos compramos num shopping em Tel-Aviv. A vendedora nos garantiu que o preço é estabelecido em dólares e que é o mesmo em qualquer loja H. Stern, em qualquer canto do mundo. Assim acreditamos.
Estou no avião da Tam, em Paris, esperando para decolar rumo ao Rio de Janeiro. Estou só, na minha volta que tive que antecipar por conta de Moby e Bebel.
Esse ocorrido me abalou de uma tal forma que nem sei explicar direito. Me considero uma pessoa generosa e amiga. Sou aquela que empresta o carro sem pestanejar, empresta a casa, dá a maior vida boa para a empregada, corre atrás de medico especializado para o filho da empregada, pro filho da manicure, paga a passagem dele pra São Paulo, abra a casa para todo mundo, acolhe e coloca embaixo da asa. E mesmo assim, eu tive que antecipar a minha volta pro Brasil e deixar meu recém marido e “filhas” antes do previsto porque fiquei totalmente desamparada em relação a Moby e Bebel. Ninguém steped in, ninguém veio atrás de mim pra me dizer…”imagina voltar de sua lua de mel por causa disso. Deixa que eu resolvo.” Pra mim ninguém resolve nada, sou sempre eu que resolvo pros outros. Tem sido assim a vida toda. Tento tirar algum aprendizado deste fato e entender porque essas coisas acontecem repetidamente comigo. Dedi diz que eu deposito confiança nas pessoas erradas e que confio muito facilmente nos outros. Ele tem razão. O problema é que o meu referencial do mundo ainda sou eu mesma e fico imaginando que as pessoas terão comigo o mesmo cuidado que eu tenho com elas. Eu jamais deixaria isso acontecer com uma amiga minha, jamais deixaria que ela interrompesse uma viagem por duas semanas por causa de dois cães. Eu daria uma jeito, botaria dentro de casa, sei lá, mas tentaria de qualquer forma tranqüilizá-la e convencê-la a ficar onde estava. Ninguém fez isso por mim. É verdade que poucas pessoas ficaram sabendo do acontecido. Mas não importa. Até isso já é um reflexo de minha falta de crença nos outros. Eu tenho receio até mesmo de pedir porque vou me sentir muito só se a resposta for um não. A outra coisa que percebi nesse episódio é que receber um não, ao me ver desamparado em relação a uma necessidade minha, me choca de uma forma que não choca as outras pessoas. Conversei muito sobre isso com o Dedi. Por exemplo, quando ele foi pro Brasil deixou a cadela, a Dili, provisoriamente com o pai dele, que disse de cara que ficaria com ela temporariamente apenas. O tempo foi passando e precisávamos encontrar outro lugar pra Dili. A avó das meninas (mãe da mãe) mora num Kibutz, numa casinha, e também não quis ficar com a Dili. A Dili era uma daquelas cadelas vira-latas porte pequeno, simplesmente maravilhosa, companheira, tranqüila, no cantinho dela. Uma cadela daquelas que faria qualquer dono super feliz. Eu fiquei absolutamente chocada com aquilo, e me lembrei da tristeza que me deu quando percebi nos Estados Unidos ainda que quando as pessoas te dizem: “Olha, conte comigo com o que você precisar” elas estão mentindo. Não, você não pode contra com elas com o que precisar, você só pode contra com elas com o que for pra elas conveniente e que for fazê-las se sentir bem. O auxílio que pode chegar num momento de necessidade não é de fato pra servir aquele que necessita mas sim para fazer com aquele que auxilia se sinta bem. Então, se o que vc precisa não for algo que entre no “hall” de coisas nobres que faz o outro se sentir bem…pode esquecer, não vai rolar.
Já vi isso acontecer repetidamente em minha vida. Pessoas me falarem, não se preocupe, eu te ajudo, ou conte comigo ou você não vai ficar na mão…Fato é: cá estou voltando 2 semanas antes da minha lua de mel porque não tive outra opção que me parecesse confiável.
E o curioso é que enquanto eu fiquei completamente chocada com esse caso da Dili, o Dedi não demonstrou nenhuma surpresa. E isso porque ele já sábia de uma coisa que eu teimo em me convencer. As pessoas não são ruins, elas simplesmente são assim. Elas estão todas muito ocupadas com as suas coisas, seus trabalhos e suas famílias. E você, ele deveria ter me dito já na época, trate de arrumar a sua família também, para que esteja ocupada com ela e protegida por ela e pra que nunca mais precise dos outros de forma tão visceral. É de mim que você vai precisar e sou eu, meu amor, que vou cuidar de tudo em nossa vida. Não me apareça aqui da próxima vez sem Moby e Bebel.
No final da contas é só isso mesmo que importa de verdade. O resto…o resto, com raras exceções, é pra tomar cerveja no bar da esquina. E não passa disso.
Olho para a aliança da H Stern que juntos compramos num shopping em Tel-Aviv. A vendedora nos garantiu que o preço é estabelecido em dólares e que é o mesmo em qualquer loja H. Stern, em qualquer canto do mundo. Assim acreditamos.
Estou no avião da Tam, em Paris, esperando para decolar rumo ao Rio de Janeiro. Estou só, na minha volta que tive que antecipar por conta de Moby e Bebel.
Esse ocorrido me abalou de uma tal forma que nem sei explicar direito. Me considero uma pessoa generosa e amiga. Sou aquela que empresta o carro sem pestanejar, empresta a casa, dá a maior vida boa para a empregada, corre atrás de medico especializado para o filho da empregada, pro filho da manicure, paga a passagem dele pra São Paulo, abra a casa para todo mundo, acolhe e coloca embaixo da asa. E mesmo assim, eu tive que antecipar a minha volta pro Brasil e deixar meu recém marido e “filhas” antes do previsto porque fiquei totalmente desamparada em relação a Moby e Bebel. Ninguém steped in, ninguém veio atrás de mim pra me dizer…”imagina voltar de sua lua de mel por causa disso. Deixa que eu resolvo.” Pra mim ninguém resolve nada, sou sempre eu que resolvo pros outros. Tem sido assim a vida toda. Tento tirar algum aprendizado deste fato e entender porque essas coisas acontecem repetidamente comigo. Dedi diz que eu deposito confiança nas pessoas erradas e que confio muito facilmente nos outros. Ele tem razão. O problema é que o meu referencial do mundo ainda sou eu mesma e fico imaginando que as pessoas terão comigo o mesmo cuidado que eu tenho com elas. Eu jamais deixaria isso acontecer com uma amiga minha, jamais deixaria que ela interrompesse uma viagem por duas semanas por causa de dois cães. Eu daria uma jeito, botaria dentro de casa, sei lá, mas tentaria de qualquer forma tranqüilizá-la e convencê-la a ficar onde estava. Ninguém fez isso por mim. É verdade que poucas pessoas ficaram sabendo do acontecido. Mas não importa. Até isso já é um reflexo de minha falta de crença nos outros. Eu tenho receio até mesmo de pedir porque vou me sentir muito só se a resposta for um não. A outra coisa que percebi nesse episódio é que receber um não, ao me ver desamparado em relação a uma necessidade minha, me choca de uma forma que não choca as outras pessoas. Conversei muito sobre isso com o Dedi. Por exemplo, quando ele foi pro Brasil deixou a cadela, a Dili, provisoriamente com o pai dele, que disse de cara que ficaria com ela temporariamente apenas. O tempo foi passando e precisávamos encontrar outro lugar pra Dili. A avó das meninas (mãe da mãe) mora num Kibutz, numa casinha, e também não quis ficar com a Dili. A Dili era uma daquelas cadelas vira-latas porte pequeno, simplesmente maravilhosa, companheira, tranqüila, no cantinho dela. Uma cadela daquelas que faria qualquer dono super feliz. Eu fiquei absolutamente chocada com aquilo, e me lembrei da tristeza que me deu quando percebi nos Estados Unidos ainda que quando as pessoas te dizem: “Olha, conte comigo com o que você precisar” elas estão mentindo. Não, você não pode contra com elas com o que precisar, você só pode contra com elas com o que for pra elas conveniente e que for fazê-las se sentir bem. O auxílio que pode chegar num momento de necessidade não é de fato pra servir aquele que necessita mas sim para fazer com aquele que auxilia se sinta bem. Então, se o que vc precisa não for algo que entre no “hall” de coisas nobres que faz o outro se sentir bem…pode esquecer, não vai rolar.
Já vi isso acontecer repetidamente em minha vida. Pessoas me falarem, não se preocupe, eu te ajudo, ou conte comigo ou você não vai ficar na mão…Fato é: cá estou voltando 2 semanas antes da minha lua de mel porque não tive outra opção que me parecesse confiável.
E o curioso é que enquanto eu fiquei completamente chocada com esse caso da Dili, o Dedi não demonstrou nenhuma surpresa. E isso porque ele já sábia de uma coisa que eu teimo em me convencer. As pessoas não são ruins, elas simplesmente são assim. Elas estão todas muito ocupadas com as suas coisas, seus trabalhos e suas famílias. E você, ele deveria ter me dito já na época, trate de arrumar a sua família também, para que esteja ocupada com ela e protegida por ela e pra que nunca mais precise dos outros de forma tão visceral. É de mim que você vai precisar e sou eu, meu amor, que vou cuidar de tudo em nossa vida. Não me apareça aqui da próxima vez sem Moby e Bebel.
No final da contas é só isso mesmo que importa de verdade. O resto…o resto, com raras exceções, é pra tomar cerveja no bar da esquina. E não passa disso.
-profile/016988792876050828740
2011-01-20T04:41:51.698-02:00
Está
chegando a hora..
É quase meia
noite aqui em Israel. Faz frio, todos dormem e só eu continuo acordada. Em três
dias em me casarei na sinagoga, com rabino, convidados, buffet, vestido, e
flores. Estou feliz, animada, mas preocupada. A preocupação nada tem que ver
com o casamento ou com a decisão que tomamos. Minha preocupação é com Moby e
Bebel, que estão na serra, devastada pela tragédia que assolou a região. Eles
estão bem e seguros, porque por intuição, ou necessidade, ou pelas duas coisas
juntas, eu sai há tempo da casa onde antes morava e que certamente ficou
totalmente alagada e possivelmente destruída. Em novembro eu me mudei para um
apartamento em um condomínio que não foi atingido e essa talvez tenha sido uma
das coisas mais sábias que fiz nos últimos tempos. Estivesse eu ainda morando
na casa nem quero pensar no que poderia ter acontecido. Apesar de não ter sido
atingida diretamente pela tragédia sofro com as consequências porque a pessoa
que havia ficado responsável em tomar conta deles no período em que eu estaria
aqui não pôde cumprir com o combinado por causa das chuvas. No último sábado
fiquei desesperada ao saber que os câes tinham ficado 24 horas presos sozinhos
no apartamento. Consegui resolver a situação depois de muito desespero mas tive
que antecipar minha volta por conta da situação. Vou casar na sexta, ficarei
apenas alguns dias com meu marido e terei que voltar mais cedo.
Mas muitas decisões de vida fundamentais foram tomadas neste período. Quando eu voltar vou vender tudo que está no apartamento gigantesco de 4 quartos na serra, vou fazer uma pequena reforma no apartamento do Posto 6 e me mudar pro Rio. Em seguida vou trazer Moby e Bebel pra Israel e aqui vamos recomeçar a nossa vida, mais uma vez e agora em bases muito diferntes das que vivimos anteriormente.
Este ano ainda viajarei muito indo e vindo mas no ano que vem ficarei mais em Israel do que no Brasil.
Tenho escrito muito esporádicamente e deve ser muito dificl para o leitor entender todas as questões que me levaram a tal decisão. Mas o mais importante de tudo foi perceber o quanto dolorosa a vida me pareceu quando percebi que poderia estar perdendo ele pra sempre.
Passados quase 6 anos da morte do David hoje vejo como eu estava machucada por tudo que me aconteceu e como eu estava endurecida para deixar o amor entrar em minha vida. A dor que eu senti quando vivíamos juntos no Brasil era o resultado da minha total incapacidade de me sentir amada ou dar amor da forma que conhecia. E tudo me era muito estranho porque eu me assistia tomando medidas e tendo comportamentos que não rconhceia em mim mesmo. Eu vivia dentro de alguém que não era eu.
Foi o amor, paciência, desejo, carinho e certeza de um homem que conseguiram me libertar das minhas próprias amarras e da dor que eu sentia. E com este homem eu me casarei em 3 dias.
Desde que vim pra Israel pela primeira vez depois de nossa separação eu começei a perceber e também a sentir o que antes era incapaz. Muitas atitudes dele foram fundamentais para que eu entendesse as minhas questões e pudesse enxergar o enorme amor que ele genuinamente sentia por mim. E ao sentir seu amor, ao perceber que eu não havia sido escolhida para tapar um buraco que havia sido deixado na vida dele, ao ver que mesmo com todas as dificuldades ele continuava me querendo, de qualquer jeito e para todos os jeitos que a vida pudesse oferecer, eu finalmente me apaixonei por ele e começei a amá-lo. Amá-lo justamente por sua simplicidade, seu jeto tosco e seu enorme esforço em me fazer feliz. Não consigo mais imaginar a minha vida sem ele.
E no processo perecebi pequenas mudanças em mim, me perecebi voltando para o mundo, resgatei a minha capacidade de interação e minha necessidade de sentir todos a minha volta. Eu deixei de me bastar. E a necessidade de ser capaz de me bastar foi algo pela qual tive que lutar com todas as minhas forças para conseguir sobreviver durante os piores anos da minha vida. Fiz uma esforço sobre-humano para acreditar que eu poderia viver sem precisar de ninguém, que poderia alimentar meus sonhos sozinha, que eu poderia construir uma carreira, que eu poderia ficar bem financeiramente. E de fato consegui. E quando este homem apareceu em minha vida e me "pediu" que eu me abrisse, que olhasse pra fora de mim, que fosse capaz de receber e dar amor, eu simplesmente não estava pronta.
Quando o meu processo de ditadura interna começou a derreter e quando me vi finalmente sentindo sua falta e dele precisando, eu finalmente abri mão das amarras e me deixei fragilizar.
Uma das primeiras coisas que notei em mim mesma foi o resgate da televisão como pano de fundo. Parece uma bobagem sem importância mas logo perecebi que sentir a necessidade de escutar vozes ao fundo enquanto sentada no sofá eu fazia as minhas unhas era sinal de que eu finalmente almejava compania. O prazer antes sentido com a total solidão que era acompanhada durante rotinas caseiras apenas por Moby e Bebel deixou de ser pleno. Já não me satisfazia. Depois começei a perceber que quando retornava de workshops eu preferia ficar na casa da minha melhor amiga do que estar só no ap do Posto 6. Estas situações de solidão que antes me proporcionavam o ambiente ideal para estar comigo mesma foram ficando cada vez mais escassas. Eu queria estar com ele, falar ao telefone, dormir agarradinha, fazer planos e contar como havia sido o meu dia.
Descobri que estes momentos do estar só deveriam ser ocasionais e inesperados para que de fato pudessem ser aproveitados, como este que vivo exatamente agora, enquanto todos dormem e eu escrevo na noite fria e desértica do oriente médio. Estes momentos agora só possuem o devido valor quando representam o hiato de uma vida partilhada. É a mulher, esposa e mãe que se vê uma noite de domingo em casa sozinha porque todos estão fora acupados com outos afazeres e que nutre este momento como algo valioso por ser exatamente isso, um presente inesperado que não se pode antecipar. Como um feriado repentino, ou uma tarde de chuva que se tem preguiça em sair da cama. Quando a vida passa a ser uma constante repetição destes momentos é como se estivessemos vivendo o avesso do vida. E acabamos também viradas ao avesso.
Meu signo é câncer. Que ironia! Nunca acreditei nestas coisas mas tem uma característica do signo de câncer que sempre me chamou muita atenção. Que é o prazer em cuidar da casa e do outro. Isso sempre foi muito forte em mim. Eu gosto de arrumar tudo na geladeira dentro de tapeware. Gosto de limpar as folhas da salada e guardá-las limpas arrumadas na geladeira. Gosto de lavar o morango e deixar cortadinho, para que aquela preguica que dá em comer frutas não seja um obstáculo para que se esqueca de sua existência e se opte pela facilidade e comodidade do pão. Gosto de passar roupa e de fazer faxina. A existência da cultura da empregada no Brasil anulou totalmente estes meus prazeres e eu nunca consegui sentir no Brasil um apego pelo lar como sentia nos EUA e como sinto aqui em Israel. Me descolei totalmente da realidade doméstica e isso me fez muito mal. As tarefas domésticas me impregnavam de sentimentos de cuidados comigo e com o outro e isso ficou adormecido em mim.
Sempre que estou no ap do Posto 6, que é um sala e quarto e que por isso me parece absurdo ter faxineira, essa sensação de dedicação me retoma. É isso é muito importante pra mim. Eu hoje sei porque optei em ir morar na serra, num apartamento enorme. Eu precisava muito me isolar do mundo. Esse tempo foi importante ou necessário. Mas acabou. Não estou mais só, sou uma família, com marido, "filhas" e cachorros. E já não tenho mais medo. Não estou só e nunca mais estarei.
E agora vou tomar um banho e vou deitar na cama, abraçar seu corpo quente e dormir o sono dos merecedores. Porque eu mereço!
Mas muitas decisões de vida fundamentais foram tomadas neste período. Quando eu voltar vou vender tudo que está no apartamento gigantesco de 4 quartos na serra, vou fazer uma pequena reforma no apartamento do Posto 6 e me mudar pro Rio. Em seguida vou trazer Moby e Bebel pra Israel e aqui vamos recomeçar a nossa vida, mais uma vez e agora em bases muito diferntes das que vivimos anteriormente.
Este ano ainda viajarei muito indo e vindo mas no ano que vem ficarei mais em Israel do que no Brasil.
Tenho escrito muito esporádicamente e deve ser muito dificl para o leitor entender todas as questões que me levaram a tal decisão. Mas o mais importante de tudo foi perceber o quanto dolorosa a vida me pareceu quando percebi que poderia estar perdendo ele pra sempre.
Passados quase 6 anos da morte do David hoje vejo como eu estava machucada por tudo que me aconteceu e como eu estava endurecida para deixar o amor entrar em minha vida. A dor que eu senti quando vivíamos juntos no Brasil era o resultado da minha total incapacidade de me sentir amada ou dar amor da forma que conhecia. E tudo me era muito estranho porque eu me assistia tomando medidas e tendo comportamentos que não rconhceia em mim mesmo. Eu vivia dentro de alguém que não era eu.
Foi o amor, paciência, desejo, carinho e certeza de um homem que conseguiram me libertar das minhas próprias amarras e da dor que eu sentia. E com este homem eu me casarei em 3 dias.
Desde que vim pra Israel pela primeira vez depois de nossa separação eu começei a perceber e também a sentir o que antes era incapaz. Muitas atitudes dele foram fundamentais para que eu entendesse as minhas questões e pudesse enxergar o enorme amor que ele genuinamente sentia por mim. E ao sentir seu amor, ao perceber que eu não havia sido escolhida para tapar um buraco que havia sido deixado na vida dele, ao ver que mesmo com todas as dificuldades ele continuava me querendo, de qualquer jeito e para todos os jeitos que a vida pudesse oferecer, eu finalmente me apaixonei por ele e começei a amá-lo. Amá-lo justamente por sua simplicidade, seu jeto tosco e seu enorme esforço em me fazer feliz. Não consigo mais imaginar a minha vida sem ele.
E no processo perecebi pequenas mudanças em mim, me perecebi voltando para o mundo, resgatei a minha capacidade de interação e minha necessidade de sentir todos a minha volta. Eu deixei de me bastar. E a necessidade de ser capaz de me bastar foi algo pela qual tive que lutar com todas as minhas forças para conseguir sobreviver durante os piores anos da minha vida. Fiz uma esforço sobre-humano para acreditar que eu poderia viver sem precisar de ninguém, que poderia alimentar meus sonhos sozinha, que eu poderia construir uma carreira, que eu poderia ficar bem financeiramente. E de fato consegui. E quando este homem apareceu em minha vida e me "pediu" que eu me abrisse, que olhasse pra fora de mim, que fosse capaz de receber e dar amor, eu simplesmente não estava pronta.
Quando o meu processo de ditadura interna começou a derreter e quando me vi finalmente sentindo sua falta e dele precisando, eu finalmente abri mão das amarras e me deixei fragilizar.
Uma das primeiras coisas que notei em mim mesma foi o resgate da televisão como pano de fundo. Parece uma bobagem sem importância mas logo perecebi que sentir a necessidade de escutar vozes ao fundo enquanto sentada no sofá eu fazia as minhas unhas era sinal de que eu finalmente almejava compania. O prazer antes sentido com a total solidão que era acompanhada durante rotinas caseiras apenas por Moby e Bebel deixou de ser pleno. Já não me satisfazia. Depois começei a perceber que quando retornava de workshops eu preferia ficar na casa da minha melhor amiga do que estar só no ap do Posto 6. Estas situações de solidão que antes me proporcionavam o ambiente ideal para estar comigo mesma foram ficando cada vez mais escassas. Eu queria estar com ele, falar ao telefone, dormir agarradinha, fazer planos e contar como havia sido o meu dia.
Descobri que estes momentos do estar só deveriam ser ocasionais e inesperados para que de fato pudessem ser aproveitados, como este que vivo exatamente agora, enquanto todos dormem e eu escrevo na noite fria e desértica do oriente médio. Estes momentos agora só possuem o devido valor quando representam o hiato de uma vida partilhada. É a mulher, esposa e mãe que se vê uma noite de domingo em casa sozinha porque todos estão fora acupados com outos afazeres e que nutre este momento como algo valioso por ser exatamente isso, um presente inesperado que não se pode antecipar. Como um feriado repentino, ou uma tarde de chuva que se tem preguiça em sair da cama. Quando a vida passa a ser uma constante repetição destes momentos é como se estivessemos vivendo o avesso do vida. E acabamos também viradas ao avesso.
Meu signo é câncer. Que ironia! Nunca acreditei nestas coisas mas tem uma característica do signo de câncer que sempre me chamou muita atenção. Que é o prazer em cuidar da casa e do outro. Isso sempre foi muito forte em mim. Eu gosto de arrumar tudo na geladeira dentro de tapeware. Gosto de limpar as folhas da salada e guardá-las limpas arrumadas na geladeira. Gosto de lavar o morango e deixar cortadinho, para que aquela preguica que dá em comer frutas não seja um obstáculo para que se esqueca de sua existência e se opte pela facilidade e comodidade do pão. Gosto de passar roupa e de fazer faxina. A existência da cultura da empregada no Brasil anulou totalmente estes meus prazeres e eu nunca consegui sentir no Brasil um apego pelo lar como sentia nos EUA e como sinto aqui em Israel. Me descolei totalmente da realidade doméstica e isso me fez muito mal. As tarefas domésticas me impregnavam de sentimentos de cuidados comigo e com o outro e isso ficou adormecido em mim.
Sempre que estou no ap do Posto 6, que é um sala e quarto e que por isso me parece absurdo ter faxineira, essa sensação de dedicação me retoma. É isso é muito importante pra mim. Eu hoje sei porque optei em ir morar na serra, num apartamento enorme. Eu precisava muito me isolar do mundo. Esse tempo foi importante ou necessário. Mas acabou. Não estou mais só, sou uma família, com marido, "filhas" e cachorros. E já não tenho mais medo. Não estou só e nunca mais estarei.
E agora vou tomar um banho e vou deitar na cama, abraçar seu corpo quente e dormir o sono dos merecedores. Porque eu mereço!
-profile/016988792876050828744
2011-01-13T15:40:58.715-02:00
Re-inventando
Estou dizendo pra
mim mesma que vou sentar pra escrever. Mas tem tanta coisa acontecendo, e todas
tão boas e felizes, que já faz muito tempo que não consigo sentar pra escrever.
Estou em Israel desde o dia 25 de dezembro e semana que vem vou me casar na
sinagoga, com rabino, flores, buffet, e tudo mais. Mais sobre isso e tudo que
nos levou a isso em breve.
Moby e Bebel estão na serra fluminense mas estão bem. Em breve farão uma longa viagem.
A última.
Juro!
Moby e Bebel estão na serra fluminense mas estão bem. Em breve farão uma longa viagem.
A última.
Juro!
-profile/016988792876050828742
2010-12-21T00:11:57.659-02:00
21 de Janeiro de
2010
Essa é a data
marcada pro nosso casamento, que deverá acontecer em Tel-Aviv. Digo deverá
porque ainda dependo da uma carta do rabino da sinagoga daqui para que o rabino
da sinagoga de lá acredite que sou judia e que estou disponível. Toda a
conversa de casamento re-começou depois que entrei em Israel pela última vez e
a soldadinha da vez deu uma implicada comigo. Disse que eu havia entrado demais
em Israel no último ano e que pelo padrão, era óbvio que eu não era uma simples
turista. Disse que eu precisava de um visto especial que ninguém soube me dizer
qual seria. Então o assunto veio a tona outra vez. E aí outras coisas começaram
a emergir. Questões dos mais variados aspectos, desde o desejo de estarmos
casados, mesmo que vivendo de uma forma diferente daquela vivida por outros
casais, até questões legais. Se alguma coisa me acontece eu quero que tudo que
é meu fique pra ele e pras meninas. E pras meninas foi ficando também claro
para nós como seria importante que elas sentissem a segurança de que apesar de
tudo que vivemos, de todos os erros que cometemos, que estamos juntos e que
assim pretendemos ficar. Então que venha o casamento, nós decidimos. Então
combinamos que faríamos uma coisa pequena e simples em Israel. Só que a família
mais próxima dele, pais, tias de primeiro grau, irmãos e seus respectivos,
somam quase 40 pessoas. Então me dei conta. Não vai ser um casamento tão
simples e pequeno como eu imaginava. E me veio um sentimento de estranheza
pensar que no meu casamento não haverá nenhuma pessoa de peso que tenha
participado e contribuido para que eu me tornasse quem eu sou. Não dá pra
querer ou mesmo esperar que alguém receba um convite assim de última hora e se
despenque do Brasil para ir ao meu segundo casamento, agora em Israel.
Pensei nas pessoas que em algum momento da minha vida foram importantes pra mim, naquelas que ficaram marcadas em mim e que de algum modo tiveram um papel um papel importante para que eu virasse quem sou. E então pensei em você. Pensei que você, apesar do mau tempo e do aeroporto que por agora anda fechado por causa do mau tempo, que você nem está assim tão longe de Israel e pensei se você poderia resumir com a sua presença tudo de significante que as pessoas que já passaram por minha vida poderiam representar pra mim. Pensei como seria significante ter você no dia do meu casamento validando o que sou, o que já fui e desejando que eu seja ainda o melhor de mim nos anos futuros. Pensei que já devem fazer uns seis anos que eu não vejo você e logo me perguntei se isso faria qualquer diferença. Não faria nenhuma diferença, eu sei. Você seria aquela rosto, entre os quase 40, pra quem eu olharia e conseguiria me enxergar de volta e poderia então com tranquilidade entender que aquela que casa sou. E que nesse dia você estaria ali pra me lembrar quem fui e que eu brindaria feliz com você e entre um abraço e outro te contaria um pouquinho mais de quem hoje sou.
E se você deixasse eu teria a devida coragem pra te dizer o quão emocionante foi ter você tão perto de mim no passado, o quanto de você eu carrego em mim e o quão inesquecível seria pra mim compartihar com você este momento. Será?
Pensei nas pessoas que em algum momento da minha vida foram importantes pra mim, naquelas que ficaram marcadas em mim e que de algum modo tiveram um papel um papel importante para que eu virasse quem sou. E então pensei em você. Pensei que você, apesar do mau tempo e do aeroporto que por agora anda fechado por causa do mau tempo, que você nem está assim tão longe de Israel e pensei se você poderia resumir com a sua presença tudo de significante que as pessoas que já passaram por minha vida poderiam representar pra mim. Pensei como seria significante ter você no dia do meu casamento validando o que sou, o que já fui e desejando que eu seja ainda o melhor de mim nos anos futuros. Pensei que já devem fazer uns seis anos que eu não vejo você e logo me perguntei se isso faria qualquer diferença. Não faria nenhuma diferença, eu sei. Você seria aquela rosto, entre os quase 40, pra quem eu olharia e conseguiria me enxergar de volta e poderia então com tranquilidade entender que aquela que casa sou. E que nesse dia você estaria ali pra me lembrar quem fui e que eu brindaria feliz com você e entre um abraço e outro te contaria um pouquinho mais de quem hoje sou.
E se você deixasse eu teria a devida coragem pra te dizer o quão emocionante foi ter você tão perto de mim no passado, o quanto de você eu carrego em mim e o quão inesquecível seria pra mim compartihar com você este momento. Será?
-profile/016988792876050828742
2010-12-04T23:22:05.760-02:00
Fui!
Isso de só escrever quando estou no Posto 6 está
virando uma rotina. Não sei direito porque isso acontece. Como se este lugar
fosse o verdadeiro reduto, a reclusão, o local onde realmente me encontro só, e
geralmente muito cansada, após ter dado uma oficina em algum canto do país.
Depois que o avião aterisa é para cá que eu venho. Talvez escrever aqui tenha,
na realidade, se transformado na minha yoga, no único relaxamento pra mim
possível, aquele que mesmo se tratamdo de relaxamento ainda assim é feito por
palavras. Essas. As minhas palavras mudas, que vem acompanhadas de uma cerveja,
um teclado e um cigarro.Nem lembro mais quando foi a última vez que fumei, deve
fazer umas 3 semanas. Sou fumante entual há mais de 4 anos, uma das grandes
conquistas de minha vida. Que grande bobagem!
Esse blog já tem mais de 4 anos. Me pergunto se haverá entre os meus leitores algum desconhecido que me lê desde o início. Será?
Em duas semanas viajo para Israel. Estamos contando os dias.
Estou cansada demais, até pra escrever. Só me resta o facebook.
Fui!
Esse blog já tem mais de 4 anos. Me pergunto se haverá entre os meus leitores algum desconhecido que me lê desde o início. Será?
Em duas semanas viajo para Israel. Estamos contando os dias.
Estou cansada demais, até pra escrever. Só me resta o facebook.
Fui!
-profile/016988792876050828741
2010-11-19T21:56:59.800-02:00
Casamento
Hoje fui na sinagoga conversar com o rabino.
Disse pra ele que eu preciso de uma carta atestando que sou judia e que estou
disponível. Somente com esta carta em mãos, escrita de próprio punho pelo
rabino, em hebraico, o rabino em Israel poderá casar a gente. Sim, nós vamos
nos casar. Não, eu não vou morar em Israel e nem ele vem pro Brasil agora.
Depois de morar junto, separar, re-atar, namorar a distância, agora vamos nos
casar. Como disse a minha sócia essa é a novela que Manoel Carlos não seria
capaz de escrever.
Em Israel não faremos nenhuma cerimônia, só mesmo a família dele e o rabino. A festa será aqui, no ano que vem. Por mim não fazíamos festa, mas ele faz questão. As meninas também, então que venha a festa. A data ainda não temos.
Se não fosse pelas meninas ele já teria voltado pro Brasil. Mas não é justo, ou mesmo correto faze-las voltar de novo pro Brasil e recomeçar a escola aqui. Elas não completaram ainda o último ano de escola por causa da bagunça que fizemos em nossas vidas. Nós dois entendemos bem a situação e sabemos que somos os dois igualmente rsponsáveis pelas atitudes que tomamos. Em um pouco mais de dois anos a Shika terá terminado a escola e irá pro exército e Maribel, que sempre fala em voltar ao Brasil poderá entnao vir com a gente. Até lá ficaremos vivendo assim. E por mais longe que Israel possa parecer, não passamos mais de dois meses sem nos vermos. Minha vida permite essa flexibilidade. Por enquanto é isso que temos. A outra opção seria nos separarmos e isso está fora de cogetação para nós dois. Eu também não posso ir, tenho uma empresa que está crescendo eu diria que "quase que assustadoramente" e tenho Moby e Bebel que já estão ficando velhos e que por isso não tenho coragem de botá-los num avião. Não somos dois jovens livres, temos compromissos que agora não podem ser abandonados. Então, gosto de pensar que simplesmente invertemos o processo (melhor que pensar que fizemos tudo errado) e o que deveríamos ter feito na primeira etapa, que era namorar a distância por algum tempo, estamos fazendo agora. E decidimos nos casar porque passou a ser importante para todos nós, incluíndo as meninas.
Não consigo mais imaginar minha vida sem ele ou sem as meninas. Ele me transformou, ou melhor seria dizer, conseguiu me re-equilibrar, depois da paulada que vivi com a perda do David e dos traumas que sofri nos últimos anos. Em 2003 eu perdi a minha mãe, em 2004 eu perdi o David e vivi num ambiente onde as pessoas a minha volta simplesmente morriam. caiam comos e fossem cartas de baralho enfileiradas. No mesmo ano que David morreu a Megan, uma amiga dele, também nova, morreu de câncer. Seis meses após a morte do David, Kevin, seu melhor amigo, morreu de uma forma totalmente inusitada. Um homem de 46 anos, forte e aparentemente saudável morreu afogado na praia nas Bahamas. Foi também por isso que voltei pro Brasil. Fiquei com medo que se continuasse nos EUA eu seria a próxima vítima. Eu tinha a sensação de estar vivendo num ambiente de morte e me sentia profundamente só. Mas além das mortes, um outro grande trauma que vivi foi com a família do David. Nunca consegui aceitar a aparente indiferença deles em relação a doença dele e também em relação a mim.
Quando David fez o transplante de medula quando recebeu a medula de sua única irmã, doadora 100% compatível, o que parecia um milagre, a irmã dele, uma louca, fez um escândalo e dificultou todas as etapas do processo, como se a vítima fosse ela. Ela até chegou a dizer que não ia fazer a doação porque ele não havia comprado pra ela a passagem que mais lhe convinha para ir de Chicago, onde morava, para DC, onde faria a doeção. Fui eu que tive que ligar pra ela e aos prantos implorar que ela reconsiderasse.
No dia que os médicos me disseram que do ponto em que ele se encontrava jea não havia mais volta e que por isso os aparelhos que ainda o mantinham vivo deveria ser desligado porque assim ele havia deixado por escrito que pocedessemos, eu liguei pra família dele avisando que os aparelhos seriam mantidos ligados ainda por dois dias para que els viessem se despedir. No dia e hora marcados ninguém apareceu. Ele morreu nos meus braços na companhia apenas de seus dois melhores amigos. Um dele que viria a falecer apenas 6 meses depois.
Esse comportamento da família dele, que eu tenho certeza que o amava, me deixou sérios traumas e inclusive eu acredito que seja um dos motivos pelos quais eu mantenho tanta distância da família dele. Eu estava sozinha nos EUA, tinha poucos amigos, nenhuma família e essa solidão se solidificou em mim. Como em outros momentos da minha vida, eu vi que eu tinha que contar apenas comigo se tivesse alguma esperança em sobreviver. E foi exatamente isso que fiz. E acredito que foi exatamente por isso que eu sobrevivi.
David morreu no dia 18 de novembro. Ontem completaram seis anos de sua morte.
Mas eu estou viva e espero assim permanecer por ainda muitos anos.
Em Israel não faremos nenhuma cerimônia, só mesmo a família dele e o rabino. A festa será aqui, no ano que vem. Por mim não fazíamos festa, mas ele faz questão. As meninas também, então que venha a festa. A data ainda não temos.
Se não fosse pelas meninas ele já teria voltado pro Brasil. Mas não é justo, ou mesmo correto faze-las voltar de novo pro Brasil e recomeçar a escola aqui. Elas não completaram ainda o último ano de escola por causa da bagunça que fizemos em nossas vidas. Nós dois entendemos bem a situação e sabemos que somos os dois igualmente rsponsáveis pelas atitudes que tomamos. Em um pouco mais de dois anos a Shika terá terminado a escola e irá pro exército e Maribel, que sempre fala em voltar ao Brasil poderá entnao vir com a gente. Até lá ficaremos vivendo assim. E por mais longe que Israel possa parecer, não passamos mais de dois meses sem nos vermos. Minha vida permite essa flexibilidade. Por enquanto é isso que temos. A outra opção seria nos separarmos e isso está fora de cogetação para nós dois. Eu também não posso ir, tenho uma empresa que está crescendo eu diria que "quase que assustadoramente" e tenho Moby e Bebel que já estão ficando velhos e que por isso não tenho coragem de botá-los num avião. Não somos dois jovens livres, temos compromissos que agora não podem ser abandonados. Então, gosto de pensar que simplesmente invertemos o processo (melhor que pensar que fizemos tudo errado) e o que deveríamos ter feito na primeira etapa, que era namorar a distância por algum tempo, estamos fazendo agora. E decidimos nos casar porque passou a ser importante para todos nós, incluíndo as meninas.
Não consigo mais imaginar minha vida sem ele ou sem as meninas. Ele me transformou, ou melhor seria dizer, conseguiu me re-equilibrar, depois da paulada que vivi com a perda do David e dos traumas que sofri nos últimos anos. Em 2003 eu perdi a minha mãe, em 2004 eu perdi o David e vivi num ambiente onde as pessoas a minha volta simplesmente morriam. caiam comos e fossem cartas de baralho enfileiradas. No mesmo ano que David morreu a Megan, uma amiga dele, também nova, morreu de câncer. Seis meses após a morte do David, Kevin, seu melhor amigo, morreu de uma forma totalmente inusitada. Um homem de 46 anos, forte e aparentemente saudável morreu afogado na praia nas Bahamas. Foi também por isso que voltei pro Brasil. Fiquei com medo que se continuasse nos EUA eu seria a próxima vítima. Eu tinha a sensação de estar vivendo num ambiente de morte e me sentia profundamente só. Mas além das mortes, um outro grande trauma que vivi foi com a família do David. Nunca consegui aceitar a aparente indiferença deles em relação a doença dele e também em relação a mim.
Quando David fez o transplante de medula quando recebeu a medula de sua única irmã, doadora 100% compatível, o que parecia um milagre, a irmã dele, uma louca, fez um escândalo e dificultou todas as etapas do processo, como se a vítima fosse ela. Ela até chegou a dizer que não ia fazer a doação porque ele não havia comprado pra ela a passagem que mais lhe convinha para ir de Chicago, onde morava, para DC, onde faria a doeção. Fui eu que tive que ligar pra ela e aos prantos implorar que ela reconsiderasse.
No dia que os médicos me disseram que do ponto em que ele se encontrava jea não havia mais volta e que por isso os aparelhos que ainda o mantinham vivo deveria ser desligado porque assim ele havia deixado por escrito que pocedessemos, eu liguei pra família dele avisando que os aparelhos seriam mantidos ligados ainda por dois dias para que els viessem se despedir. No dia e hora marcados ninguém apareceu. Ele morreu nos meus braços na companhia apenas de seus dois melhores amigos. Um dele que viria a falecer apenas 6 meses depois.
Esse comportamento da família dele, que eu tenho certeza que o amava, me deixou sérios traumas e inclusive eu acredito que seja um dos motivos pelos quais eu mantenho tanta distância da família dele. Eu estava sozinha nos EUA, tinha poucos amigos, nenhuma família e essa solidão se solidificou em mim. Como em outros momentos da minha vida, eu vi que eu tinha que contar apenas comigo se tivesse alguma esperança em sobreviver. E foi exatamente isso que fiz. E acredito que foi exatamente por isso que eu sobrevivi.
David morreu no dia 18 de novembro. Ontem completaram seis anos de sua morte.
Mas eu estou viva e espero assim permanecer por ainda muitos anos.
-profile/016988792876050828744
2010-11-12T23:43:39.052-02:00
Cotidiano
São Paulo me entristece. Sempre que vou à São
Paulo e por lá fico, de domingo a sexta-feira, à trabalho, fico triste. Gosto
do trabalho que faço, mas não gosto de São Paulo. Me sinto numa prisão onde
apesar de ter muitos amigos na cidade não posso visitar ninguém porque o
transito é proibitivo. Fico do trabalho pro hotel, do hotel pro trabalho.
Ah mas a sexta-feira, chegar no Santos Dumont, pegar um táxi e vir pro meu ap no Posto seis é um deleito. Abro uma cerveja, ligo o computador, e sinto apenas uma vontade, a de escrever. É um momento muito preciso e preciso demais dele. É um momento meu, de puro relaxamento, de expressão, de repassar os pensamentos da semana, as sensações, as vitórias. Essa semana eu pensei que adoro as conversas curtas com os motoristas de táxi e os conselhos que me dão. Fatias de um cotidiano que muda a cada semana. Pensei sobre cotidiano, pensei que a minha vida é feita de vários níveis diferentes de cotidiano. Uma vez por mês ir à São Paulo. Chegar no domingo a noite e acordar a mesma hora todas as manhãs com o alarme a me despertar. Comer sempre a mesma coisa no café da manhã do mesmo hotel de sempre, sair a mesma hora e ir pro mesmo lugar. Por uma semana. Na sexta-feira voltar cansada pro Rio e chegar aqui. Acordar cedo amanhã e ir correndo para a casa nas montanhas. Percorrer aquela estrada linda de montanhas exuberantes. Encontrar dois pointers saudosos. Beijos e lambidas caninas, abraços e carinhos.
E então acordar cedo, passear com Moby e Bebel, trabalhar até as 11, ir pro parque correr, voltar, tomar banho, almoçar e tirar a Super Power Nap da tarde. Acordar as 3 e trabalhar até as 10. Em certo momento pegar uma avião e ir pro outro lado do mundo. Amor, saudade, cuidados, estórias, sexo, húmus, falafel, chocolate. Ser um par, ser família. Até a volta, onde encontro dois pointers super saudosos.
Apesar de parecer uma loucura para muitos, esta é a vida que escolhi. Nada aconteceu por acaso e nada se sucedeu que não fosse o produto de uma escolha minha.
Estou em paz.
O fim do ano está chegando e que ano foi esse que vivi. Tantas coisas aconteceram, tantas mudanças, tantas conquistas. Eu deveria estar cansada, mas tudo que preciso é uma boa noite de sono e no dia seguinte já me sinto pronta para outra empreitada.
Ah mas a sexta-feira, chegar no Santos Dumont, pegar um táxi e vir pro meu ap no Posto seis é um deleito. Abro uma cerveja, ligo o computador, e sinto apenas uma vontade, a de escrever. É um momento muito preciso e preciso demais dele. É um momento meu, de puro relaxamento, de expressão, de repassar os pensamentos da semana, as sensações, as vitórias. Essa semana eu pensei que adoro as conversas curtas com os motoristas de táxi e os conselhos que me dão. Fatias de um cotidiano que muda a cada semana. Pensei sobre cotidiano, pensei que a minha vida é feita de vários níveis diferentes de cotidiano. Uma vez por mês ir à São Paulo. Chegar no domingo a noite e acordar a mesma hora todas as manhãs com o alarme a me despertar. Comer sempre a mesma coisa no café da manhã do mesmo hotel de sempre, sair a mesma hora e ir pro mesmo lugar. Por uma semana. Na sexta-feira voltar cansada pro Rio e chegar aqui. Acordar cedo amanhã e ir correndo para a casa nas montanhas. Percorrer aquela estrada linda de montanhas exuberantes. Encontrar dois pointers saudosos. Beijos e lambidas caninas, abraços e carinhos.
E então acordar cedo, passear com Moby e Bebel, trabalhar até as 11, ir pro parque correr, voltar, tomar banho, almoçar e tirar a Super Power Nap da tarde. Acordar as 3 e trabalhar até as 10. Em certo momento pegar uma avião e ir pro outro lado do mundo. Amor, saudade, cuidados, estórias, sexo, húmus, falafel, chocolate. Ser um par, ser família. Até a volta, onde encontro dois pointers super saudosos.
Apesar de parecer uma loucura para muitos, esta é a vida que escolhi. Nada aconteceu por acaso e nada se sucedeu que não fosse o produto de uma escolha minha.
Estou em paz.
O fim do ano está chegando e que ano foi esse que vivi. Tantas coisas aconteceram, tantas mudanças, tantas conquistas. Eu deveria estar cansada, mas tudo que preciso é uma boa noite de sono e no dia seguinte já me sinto pronta para outra empreitada.
-profile/016988792876050828740
2010-11-04T23:38:42.265-02:00
Essa coisa "mucho" louca que atende por
minha vida
Ele já veio, passamos 10 dias de amor total como
nunca havíamos tido a chance de viver, ele já foi embora, juntos procuramos
outro lugar para mim, e eu já me mudei para um lugar lindo, seguro e ensolarado
e deixei a velha casa de Samara pra trás. Desde que ele foi embora da casa com
as meninas eu fuquei com muito medo daquele lugar, além do fato de que tudo
quebrava, faltava água, dava problema na corrente elétrica, era devassado,
vulnerável e assustador. Agora procuro alguém para o melhor summer job do
mundo: Passar 45 dias num lugar paradisíaco, cercado de natureza, com piscina,
uma coleção de mais de 400 DVDs, numa localidade previlegiada, cuidando do Moby
e da Bebel enquanto estou vivendo a minha outra vida que fica do outro lado do
mundo.
Só aceito candidatos de 1 ou 2 graus de separação. Ou seja, ou é amigo ou é amigo de amigo. Mais que isso não qualifica pro "serviço". Alguém se habilita?
Só aceito candidatos de 1 ou 2 graus de separação. Ou seja, ou é amigo ou é amigo de amigo. Mais que isso não qualifica pro "serviço". Alguém se habilita?
-profile/016988792876050828740
2010-10-14T20:05:28.613-03:00
As coisas do meu mundo
Talvez eu nunca
mais me apaixone por um um carro como me apaixonei pelo Prius vermelho. No
momento em que entrei na loja da Toyota, naquele dia frio que já anunciava uma
tempestade de neve em Washington, eu olhei pra ele com olhar apaixonado. Aquela
deve ter sido a venda mais fácil já feita pelo jovem vendedor, que não precisou
me convencer de coisa alguma. Eu já estava entregue! Voltei alguns dias depois
para buscar o meu objeto de puro desejo e também de locomoção. Vivemos
juntos por quase dois anos de prazer absoluto. Quando vendi o carro logo antes
de retonar ao Brasil eu derramei algumas lágrimas ao ve-lo ir embora sendo
conduzido por outro motorista. Essa foi a minha primeira, e talvez única, história
de amor por um veículo motorizado.
Mas essa não foi minha primeira paixão por um ser designado como "coisa". Acho que minha primira paixão, já na fase adulta, foi pelo meu par de patins. Patins de bota branca e quatro rodas, modelo tradicional, que mais tarde me proporcinou horas de prazer inenarráveis na orla de Ipanema aos domingos, com a pista fechada para carros e aberta aos pedestres, patinadores, bicicletas, banhistas e cachorros.
Diferente do que eu esperava, nunca me apaixonei pelo meu IPhone. Fui uma das primeiras a aparecer por estas bandas com um Iphone, ainda em 2007. Fui na internet, achei o passo a passo de como abrir o aparelho e desfilei com o meu computador de bolso por quase 3 anos. O coitado morreu recentemente de morte morrida, de velhice tecnológica, de cansaço talvez. Não me abalei, já era mesmo a sua hora.
O namoro com a Apple começou em 2005, e foi um namoro que de desenvolveu lentamente, aos pouquinhos, e tinha um que de fascínio e estranheza. A nossa relação só se consolidou um ano depois, quando finalmente tive a devida coragem de substituir o velho PC pelo novo Mac que já me olhava desconfiado achando que a coisa entre a gente não ia rolar. Mas quando me senti pronta a coisa de fato rolou entre a gente e me mantenho fiel até os dias de hoje. Pra mim só existe Mac.
Agora mais recentemente me sinto novamente apaixonada por uma nova aquisição. É o meu Kindle. Estou absolutamente apaixonada pelo meu Kindle e com ele vivo horas de prazer total. Leio mais e melhor e falo dele pra todo mundo. Compre um kindle eu digo a todos. É simplesmente espetacular.
Além das coisas eletrônicas de minha vida há também outros prazeres muito particulares. Tenho adoração por um curva! Sim, uma curva.Mas não é qualquer curva, é aquela curva em particular. Uma curva que se abre aos poucos revelando a beleza das montanhas da estrada que desce das montanhas pro Rio de Janeiro. Ela é absolutamente linda! Com sol, com chuva, com neblina, com garoa. De qualquer forma, ela é linda e sempre me emociona.
Teve um tempo em que fiquei fascinada por uma forma geométrica. Só queria saber de quadrados. Se tem quadrado eu gosto. Se não tem quadrados, me deixava a desejar. Quando David me pediu em casamento ele me deu um anel de noivado que era diferente de todos os outros. Ao invês do tradicional anel com um pedra saliente de brilhantes, David me deu um anel de ouro quadrado coberto por pequenos brilhantes. David estava sempre muito atento e nada de meu mundo lhe passava desapercebido.
Das cores, isso é fácil. Vermelho e marrom. Sou terra! Dos números, já tive uma relação com o oito mas isso já acabou e nenhum outro conseguiu ocupar o espaço que ficou aberto na cabala de minha alma.
Dos talheres, gosto mesmo da colher. Dos copos, nada substiuí o copo de vinho.
Ah sim, tem também o Ipod, que mudou a minha vida e é o grande parceiro de um dos meus grandes prazeres, a corrida. Mas não diria que é assim amor mesmo. Acho que é um mais um caso, do tipo utilitário.
O mundo é realmente um lugar fascinante cheio de coisas interessantes. E tudo, ou quase tudo, me interessa.
Dos meus ódios mortais encabeçando a lista estão os manuais. Manual de carro e manual de celular são coisas odiadasa por mim. Só há uma coisa que detesto mais do que os manuais. É a TIM. Eu ODEIO a TIM. Odeio com todas as minhas forças. Odeio o serviço e odeio a conta que chega no final do mês. Preciso trabalhar esse ódio dentro de mim. Ou talvez mudar de operadora. Quem sabe eu pratico a indiferença?
Gosto de luz amarela. Prefiro o Toddy do que o Nescau. Requeijão só Poços de Caldas. Calça jeans, só da Forum. Calcinha, só a de algodão. Pra meditação, sudoku. Pra relachar, massagem no pé com loção antes de dormir. Pra dormir o sono mais do que profundo, a mão dele segurando o meu peito.
Mas essa não foi minha primeira paixão por um ser designado como "coisa". Acho que minha primira paixão, já na fase adulta, foi pelo meu par de patins. Patins de bota branca e quatro rodas, modelo tradicional, que mais tarde me proporcinou horas de prazer inenarráveis na orla de Ipanema aos domingos, com a pista fechada para carros e aberta aos pedestres, patinadores, bicicletas, banhistas e cachorros.
Diferente do que eu esperava, nunca me apaixonei pelo meu IPhone. Fui uma das primeiras a aparecer por estas bandas com um Iphone, ainda em 2007. Fui na internet, achei o passo a passo de como abrir o aparelho e desfilei com o meu computador de bolso por quase 3 anos. O coitado morreu recentemente de morte morrida, de velhice tecnológica, de cansaço talvez. Não me abalei, já era mesmo a sua hora.
O namoro com a Apple começou em 2005, e foi um namoro que de desenvolveu lentamente, aos pouquinhos, e tinha um que de fascínio e estranheza. A nossa relação só se consolidou um ano depois, quando finalmente tive a devida coragem de substituir o velho PC pelo novo Mac que já me olhava desconfiado achando que a coisa entre a gente não ia rolar. Mas quando me senti pronta a coisa de fato rolou entre a gente e me mantenho fiel até os dias de hoje. Pra mim só existe Mac.
Agora mais recentemente me sinto novamente apaixonada por uma nova aquisição. É o meu Kindle. Estou absolutamente apaixonada pelo meu Kindle e com ele vivo horas de prazer total. Leio mais e melhor e falo dele pra todo mundo. Compre um kindle eu digo a todos. É simplesmente espetacular.
Além das coisas eletrônicas de minha vida há também outros prazeres muito particulares. Tenho adoração por um curva! Sim, uma curva.Mas não é qualquer curva, é aquela curva em particular. Uma curva que se abre aos poucos revelando a beleza das montanhas da estrada que desce das montanhas pro Rio de Janeiro. Ela é absolutamente linda! Com sol, com chuva, com neblina, com garoa. De qualquer forma, ela é linda e sempre me emociona.
Teve um tempo em que fiquei fascinada por uma forma geométrica. Só queria saber de quadrados. Se tem quadrado eu gosto. Se não tem quadrados, me deixava a desejar. Quando David me pediu em casamento ele me deu um anel de noivado que era diferente de todos os outros. Ao invês do tradicional anel com um pedra saliente de brilhantes, David me deu um anel de ouro quadrado coberto por pequenos brilhantes. David estava sempre muito atento e nada de meu mundo lhe passava desapercebido.
Das cores, isso é fácil. Vermelho e marrom. Sou terra! Dos números, já tive uma relação com o oito mas isso já acabou e nenhum outro conseguiu ocupar o espaço que ficou aberto na cabala de minha alma.
Dos talheres, gosto mesmo da colher. Dos copos, nada substiuí o copo de vinho.
Ah sim, tem também o Ipod, que mudou a minha vida e é o grande parceiro de um dos meus grandes prazeres, a corrida. Mas não diria que é assim amor mesmo. Acho que é um mais um caso, do tipo utilitário.
O mundo é realmente um lugar fascinante cheio de coisas interessantes. E tudo, ou quase tudo, me interessa.
Dos meus ódios mortais encabeçando a lista estão os manuais. Manual de carro e manual de celular são coisas odiadasa por mim. Só há uma coisa que detesto mais do que os manuais. É a TIM. Eu ODEIO a TIM. Odeio com todas as minhas forças. Odeio o serviço e odeio a conta que chega no final do mês. Preciso trabalhar esse ódio dentro de mim. Ou talvez mudar de operadora. Quem sabe eu pratico a indiferença?
Gosto de luz amarela. Prefiro o Toddy do que o Nescau. Requeijão só Poços de Caldas. Calça jeans, só da Forum. Calcinha, só a de algodão. Pra meditação, sudoku. Pra relachar, massagem no pé com loção antes de dormir. Pra dormir o sono mais do que profundo, a mão dele segurando o meu peito.
-profile/016988792876050828744
2010-10-07T02:28:40.987-03:00
Presidente, todos os dias!
Eu hoje tive uma
experiência táctil. É que vim para o apartamento do Posto 6, em Copacabana,
depois de ter sido realizada uma obra no piso do banheiro. Vazamento,
queixou-se a vizinha de baixo, poucos dias antes da minha saída pra Israel. A
obra foi feita e hoje coloquei Moby e Bebel no carro e viemos pro litoral pra
conferir. Quando abri a porta me deparei com um mundo de poeira que só de pensar
me dá vontade de espirar. Muita poeira que eu não havia antecipado. Ok, then.
Arregacei as mangas e fiz uma faxina Maria daquelas! Liguei o som. Botei o
cabelo pra cima, vesti uniforme Maria e me entreguei à tarefa como me entrego a
tudo, de corpo e alma. Como se tratava de poeira, em todos os cantos a arestas
existentes, tudo teve que ser tocado pelo perfex úmido que deixava a água
preta. Essa sou eu. Aquela que transforma a faxina em experiência táctil. Vivo
minha vida na busca constante por significados maiores. Significados outros.
Transformo a experiência banal em acontecimentos únicos. Faxina = experiência
táctil.
Falei pra ele: Olha, a próxima vez que eu fizer esta viagem de 18 horas direi pra mim mesma que estou indo de ônibus pra Salvador. Porque? Ele perguntou. Porque me aproxima de você. E no sábado é ele que chega, por 10 dias, de Salvador de ônibus. Mas porque Salvador, ele perguntou. Porque nossa vida é como Salvador, é única e particular como é Salvador.
No domingo fui presidente da minha seção. Me disseram: Putz, que droga, te pegaram pra presidente. Não, eu expliquei. Não me pegaram, fui eu que pedi pra ser. Mas fiz uma única exigência. Não serei nem mesária e nem secretaria, só aceito ser presidente. E presidente eu fui, por um dia. E por mais outro agora serei no segundo turno.
Fiquei 12 anos sem votar, morando num pais estranho cheio de gente esquisita, onde me sentia estrangeira todos os dias. Minha opinião não era considerada pra nada. Eu era residente mas não era cidadã. Estava ávida em participar da vida civil, de alguma forma. Por isso quis ser presidente. Vontade de contribuir, de retribuir. Me sinto grata ao pais, por ter me formado na profissional que sou sem nunca terem me cobrado um tostão. Por terem investido em mim, por terem acreditado em mim. Quem vai para uma universidade pública neste pais esquece do privilégio que isso significa. Eu nunca me esqueci. Quis retribuir. E assim foi. E assim será de novo no segundo turno.
Mas não é só isso. Eu sabia que se tivesse atenta tiraria desta experiência tão única algo para a minha vida. E foi assim que ocorreu.
Sou péssima com nomes. Nas oficinas que dou, mesmo que ara um grupo de seis alunos, sou incapaz de lembrar os nomes dos meus alunos. Nunca dei muita atenção a este fato. Claro que sempre soube que todos gostam de ser chamados pelo nome, mas o que eu não sabia é que poder chamar as pessoas por seus nomes me daria tanta satisfação.
Percebi que ao ter os documentos dos eleitores em minha mãos eu pude me dirigir, à todos os 300 cidadãos que passaram pela minha seção, pelo nome. Pode votar Seu João. Espere um momento Dona Maria. A senhora já votou Dona Ângela. Gabriela, onde está seu titulo de eleitor? E percebi que ser capaz de chamar cada um pelo nome me deu um prazer inenarrável que eu jamais poderia antecipar. Foi isso que aprendi. Chamar as pessoas pelo nome é importante não só para os outros mas também para mim. Na minha próxima oficina, em uma semana, colocarei um papel com o nome de cada um nas suas respectivas mesas, para que eu possa chamá-los pelo nome. Isso eu aprendi no meu dia de presidente.
Todos os dias da minha vida são vividos com esta mesma intenção. O desejo de mais uma descoberta, que se faz de forma inesperada nas nuances de uma vida particular como é a minha.
Falei pra ele: Olha, a próxima vez que eu fizer esta viagem de 18 horas direi pra mim mesma que estou indo de ônibus pra Salvador. Porque? Ele perguntou. Porque me aproxima de você. E no sábado é ele que chega, por 10 dias, de Salvador de ônibus. Mas porque Salvador, ele perguntou. Porque nossa vida é como Salvador, é única e particular como é Salvador.
No domingo fui presidente da minha seção. Me disseram: Putz, que droga, te pegaram pra presidente. Não, eu expliquei. Não me pegaram, fui eu que pedi pra ser. Mas fiz uma única exigência. Não serei nem mesária e nem secretaria, só aceito ser presidente. E presidente eu fui, por um dia. E por mais outro agora serei no segundo turno.
Fiquei 12 anos sem votar, morando num pais estranho cheio de gente esquisita, onde me sentia estrangeira todos os dias. Minha opinião não era considerada pra nada. Eu era residente mas não era cidadã. Estava ávida em participar da vida civil, de alguma forma. Por isso quis ser presidente. Vontade de contribuir, de retribuir. Me sinto grata ao pais, por ter me formado na profissional que sou sem nunca terem me cobrado um tostão. Por terem investido em mim, por terem acreditado em mim. Quem vai para uma universidade pública neste pais esquece do privilégio que isso significa. Eu nunca me esqueci. Quis retribuir. E assim foi. E assim será de novo no segundo turno.
Mas não é só isso. Eu sabia que se tivesse atenta tiraria desta experiência tão única algo para a minha vida. E foi assim que ocorreu.
Sou péssima com nomes. Nas oficinas que dou, mesmo que ara um grupo de seis alunos, sou incapaz de lembrar os nomes dos meus alunos. Nunca dei muita atenção a este fato. Claro que sempre soube que todos gostam de ser chamados pelo nome, mas o que eu não sabia é que poder chamar as pessoas por seus nomes me daria tanta satisfação.
Percebi que ao ter os documentos dos eleitores em minha mãos eu pude me dirigir, à todos os 300 cidadãos que passaram pela minha seção, pelo nome. Pode votar Seu João. Espere um momento Dona Maria. A senhora já votou Dona Ângela. Gabriela, onde está seu titulo de eleitor? E percebi que ser capaz de chamar cada um pelo nome me deu um prazer inenarrável que eu jamais poderia antecipar. Foi isso que aprendi. Chamar as pessoas pelo nome é importante não só para os outros mas também para mim. Na minha próxima oficina, em uma semana, colocarei um papel com o nome de cada um nas suas respectivas mesas, para que eu possa chamá-los pelo nome. Isso eu aprendi no meu dia de presidente.
Todos os dias da minha vida são vividos com esta mesma intenção. O desejo de mais uma descoberta, que se faz de forma inesperada nas nuances de uma vida particular como é a minha.
-profile/016988792876050828742
2010-09-29T23:17:16.937-03:00
Como
se não bastasse
Há 12 anos atrás
eu estava, sozinha, fazendo aquele passeio de barco pelo rio Louvre, em Paris.
Era primavera e o dia estava estonteante. Eu havia ido à Paris com o
namoradinho iraniano que tinha na época. Naquele dia ele havia ido cuidar de
questões de visto e residência do tempo em que havia vivido em Paris, logo após
a revolução Iraniana que derrubou o xá e transformou um pais da mais bela
cultura e língua numa maluquice primitiva sem fim, o Irã como conhecemos
hoje.
Comigo no passeio de barco não haviam muitas pessoas. Mas um pouco mais à frente havia um casal de seus quase 50 anos (na época essa foi a idade que me pareceram ter). Ela olhava profundamente pela janela do barco, um olhar pensativo, calado, distante, envolvida em algum pensamento poético, alguma lembrança viva, algo que seria dela. Ele, o homem que a acompanhava e que a julgar pelas alianças nos dedos de ambos deveria ser seu marido, passava os dedos lentamente pelos fios dos cabelos lisos e negros daquela mulher e olhava ora pela janela como a procurar o destino do olhar dela, ora para ela. A atitude dele era de uma doçura e de uma paixão, por ela, absolutamente comoventes. Não diziam palavras, somente os dedos dele a se entrelaçarem nos fios dela.
Eu nunca tinha visto, assim de perto, um homem olhar para uma mulher de forma tão apaixonada. E na época me perguntei: como conseguir ser amada, desta forma, por um homem? Como inspirar num homem tamanha paixão e dedicação? Como fazer com que um homem se baste apenas com o amor, o corpo, e a alma de uma única mulher? Como fazer com que um homem se baste em mim?
PS: Nada como um pouco de Saramago para me lembrar quão linda é a minha língua!
Comigo no passeio de barco não haviam muitas pessoas. Mas um pouco mais à frente havia um casal de seus quase 50 anos (na época essa foi a idade que me pareceram ter). Ela olhava profundamente pela janela do barco, um olhar pensativo, calado, distante, envolvida em algum pensamento poético, alguma lembrança viva, algo que seria dela. Ele, o homem que a acompanhava e que a julgar pelas alianças nos dedos de ambos deveria ser seu marido, passava os dedos lentamente pelos fios dos cabelos lisos e negros daquela mulher e olhava ora pela janela como a procurar o destino do olhar dela, ora para ela. A atitude dele era de uma doçura e de uma paixão, por ela, absolutamente comoventes. Não diziam palavras, somente os dedos dele a se entrelaçarem nos fios dela.
Eu nunca tinha visto, assim de perto, um homem olhar para uma mulher de forma tão apaixonada. E na época me perguntei: como conseguir ser amada, desta forma, por um homem? Como inspirar num homem tamanha paixão e dedicação? Como fazer com que um homem se baste apenas com o amor, o corpo, e a alma de uma única mulher? Como fazer com que um homem se baste em mim?
PS: Nada como um pouco de Saramago para me lembrar quão linda é a minha língua!
-profile/016988792876050828741
2010-09-28T23:36:10.731-03:00
Breves impressões de viagem
• Os espanhóis são uns grossos.
• Viajar de ibéria, nunca mais!
• O homem israelense continua sendo a mais bela representação do tipo de nossa espécie! Até os feios são bonitos. Há neles uma masculinidade natural que não vejo em outros povos. Por fora homens, cheiram a testosterona. Por dentro, doces e gentis.
• Quanto as mulheres israelenses..sem comentários. Lá sou rainha absoluta!
• Prazer secreto: Ir de mini-saia e blusinha super decotada comprar pão árabe fresco na vila árabe. É melhor que ir à feira de shortinho. Claro, sozinha não vou (tenho até medo), vou com ele a tira colo, que toma conta de mim para depois ficarmos rindo dos olhares gulosos. Pura diversão! Pura maldade!
• O voo da el-al, empresa israelense que faz São Paulo- Tel-Aviv continua sendo o mais barulhento de todos os tempos já que metade dos passageiros são israelenses e a outra metade argentinos. Não poderia haver combinação mais cabeluda e barulhenta. Os religiosos, quando o sol começa a nascer, iniciam as peregrinações pelos corredores estreitos do avião e carregam seus livrinhos de rezas e fazem aquele movimento pra frente e pra trás, já os argentinos reclamam do incômodo. Sempre sai alguma confusão.
• O nível de paranóia da segurança da el-al tá ultrapassando o razoável.
• Os motoristas de taxi portugueses continuam simpáticos e conversadores.
• A Zara de Portugal é uma pechincha!
• O Porto, cidade onde nasceu minha avó paterna, é acordado pela música das gaivotas. Lá, na melhor área da cidade, a Foz, um apartamento novo de quarto e sala, o famoso T1, custa em torno de R$ 70 mil reais!
• Saramago, espetacular! Quando lido em Portugal, inenarrável!
• Shika virou adolescente de verdade. Falou, sem pensar e já arrependida, e por motivos ridículos, algo que envolvia tomar uma vitamina C, que eu podia “me fuder”. Não gostei!
• Maribel continua especial na sua riqueza de idéias e talentos, imaginação preciosa, inteligência infinita a chatice muitas vezes insuportável.
• Ele…ele é tudo. Só ele. O resto é adereço. Vou casar com ele.
• Mas chegar em casa e beijar Moby e Bebel...ah.. isso não tem preço!
• Viajar de ibéria, nunca mais!
• O homem israelense continua sendo a mais bela representação do tipo de nossa espécie! Até os feios são bonitos. Há neles uma masculinidade natural que não vejo em outros povos. Por fora homens, cheiram a testosterona. Por dentro, doces e gentis.
• Quanto as mulheres israelenses..sem comentários. Lá sou rainha absoluta!
• Prazer secreto: Ir de mini-saia e blusinha super decotada comprar pão árabe fresco na vila árabe. É melhor que ir à feira de shortinho. Claro, sozinha não vou (tenho até medo), vou com ele a tira colo, que toma conta de mim para depois ficarmos rindo dos olhares gulosos. Pura diversão! Pura maldade!
• O voo da el-al, empresa israelense que faz São Paulo- Tel-Aviv continua sendo o mais barulhento de todos os tempos já que metade dos passageiros são israelenses e a outra metade argentinos. Não poderia haver combinação mais cabeluda e barulhenta. Os religiosos, quando o sol começa a nascer, iniciam as peregrinações pelos corredores estreitos do avião e carregam seus livrinhos de rezas e fazem aquele movimento pra frente e pra trás, já os argentinos reclamam do incômodo. Sempre sai alguma confusão.
• O nível de paranóia da segurança da el-al tá ultrapassando o razoável.
• Os motoristas de taxi portugueses continuam simpáticos e conversadores.
• A Zara de Portugal é uma pechincha!
• O Porto, cidade onde nasceu minha avó paterna, é acordado pela música das gaivotas. Lá, na melhor área da cidade, a Foz, um apartamento novo de quarto e sala, o famoso T1, custa em torno de R$ 70 mil reais!
• Saramago, espetacular! Quando lido em Portugal, inenarrável!
• Shika virou adolescente de verdade. Falou, sem pensar e já arrependida, e por motivos ridículos, algo que envolvia tomar uma vitamina C, que eu podia “me fuder”. Não gostei!
• Maribel continua especial na sua riqueza de idéias e talentos, imaginação preciosa, inteligência infinita a chatice muitas vezes insuportável.
• Ele…ele é tudo. Só ele. O resto é adereço. Vou casar com ele.
• Mas chegar em casa e beijar Moby e Bebel...ah.. isso não tem preço!
-profile/016988792876050828740
2010-09-24T19:02:37.912-03:00
Pensando em você
Em muitos momentos da minha vida eu penso em
você. E também em outras pessoas que amo. Descobri, lendo Tipping Point, que
você é um dos 12 seres na minha vida cuja perda realmente me deixaria arrasada.
Na verdade, no livro o autor diz para pensarmos que pessoas cuja a perda nos
arrasaria e dizia que para a maioria das pessoas este número é 12. Eu cheguei a
11, sendo que dos 11, dois são cachorros e dos 9 restantes um é você.
E hoje, enquanto tomava a quarta taça de vinho do Porto (esta agora é a quinta, a sexta virá em seguida), sentada num restaurante tradicional na cidade do Porto, eu lia a revista Timeout Porto (Porque não existe a Timeout Rio, alguém pode me dizer? Meu Deus, existem tantas oportunidades de negócios..ha se eu tivesse duas vidas...) e parei numa matéria que dizia que o autor de Moçambique Mia Couto estaria na cidade para o lançamento do filme O Voo do Pelicano, baseado no livro do autor. E lá na matéria havia uma foto do escritor junto a uma legenda que dizia "O autor estará na cidade nos dias 05, 24 e 30 para o lançamento do filme". E quando recolho os meus olhos daquelas páginas e olho ao redor, na mesa ao lado, vejo Mia Couto comendo o que parecia ser uma delicioso Bacalhau à Boroa. Mia Couto, ali, na minha frente, com a boca cheia de bacalhau, ser humano ali, vivo, respirando e comendo e bebendo vinho do Porto (quantas taças já deveria ter bebido?).
Pensei: Vou lá falar com ele. Não vou. Mais uma taça de vinho do Porto, senhor! Agora eu vou, não ainda não..Vou pedir um autógrafo pra ele. Mia...por favor escreve aí no guardanapo...Para a Shirley um abraço do Mia Couto...Garçom!! Vem cá! Me diz uma coisa, aquele sujeito ali na mesa em frente..Sim aquele de camisa amarela, sim comendo bacalhauo..Diabos! Todos estão comendo bacalhau..Mas me diz..ele tem um sotaque diferente? Como diferente? Assim, do Moçambique! (como seu eu tivesse alguma idéia de como seria o sotaque de Moçambique..mas imaginei que teria que ser diferente do Português.). Sim, disse-me o garçom..ele tem sotaque sim. Ha¡ É ele! Quem, me perguntou o garçom? O Mia Couto! O grande escritor de Moçambique? Quem? perguntou o garçom.
Daqui a pouco vejo o gerente falando com o meu amigo ali sentado na mesa em frente, o Mia. E depois se dirige a minha mesa. Me diz que houve um engano, que aquele não era o Mia.
Sei, eu disse olhando pra mesa de Mia. Entendi o recado. Certamente não quer ser incomodado e prefere permanecer sozinhando em seu canto.
Mia Couto, 5 taças de vinho do Porto, uma cidade iluminada repleta de luzes e ruelas, uma noite de outono, e Mia Couto.
Life slices!
E hoje, enquanto tomava a quarta taça de vinho do Porto (esta agora é a quinta, a sexta virá em seguida), sentada num restaurante tradicional na cidade do Porto, eu lia a revista Timeout Porto (Porque não existe a Timeout Rio, alguém pode me dizer? Meu Deus, existem tantas oportunidades de negócios..ha se eu tivesse duas vidas...) e parei numa matéria que dizia que o autor de Moçambique Mia Couto estaria na cidade para o lançamento do filme O Voo do Pelicano, baseado no livro do autor. E lá na matéria havia uma foto do escritor junto a uma legenda que dizia "O autor estará na cidade nos dias 05, 24 e 30 para o lançamento do filme". E quando recolho os meus olhos daquelas páginas e olho ao redor, na mesa ao lado, vejo Mia Couto comendo o que parecia ser uma delicioso Bacalhau à Boroa. Mia Couto, ali, na minha frente, com a boca cheia de bacalhau, ser humano ali, vivo, respirando e comendo e bebendo vinho do Porto (quantas taças já deveria ter bebido?).
Pensei: Vou lá falar com ele. Não vou. Mais uma taça de vinho do Porto, senhor! Agora eu vou, não ainda não..Vou pedir um autógrafo pra ele. Mia...por favor escreve aí no guardanapo...Para a Shirley um abraço do Mia Couto...Garçom!! Vem cá! Me diz uma coisa, aquele sujeito ali na mesa em frente..Sim aquele de camisa amarela, sim comendo bacalhauo..Diabos! Todos estão comendo bacalhau..Mas me diz..ele tem um sotaque diferente? Como diferente? Assim, do Moçambique! (como seu eu tivesse alguma idéia de como seria o sotaque de Moçambique..mas imaginei que teria que ser diferente do Português.). Sim, disse-me o garçom..ele tem sotaque sim. Ha¡ É ele! Quem, me perguntou o garçom? O Mia Couto! O grande escritor de Moçambique? Quem? perguntou o garçom.
Daqui a pouco vejo o gerente falando com o meu amigo ali sentado na mesa em frente, o Mia. E depois se dirige a minha mesa. Me diz que houve um engano, que aquele não era o Mia.
Sei, eu disse olhando pra mesa de Mia. Entendi o recado. Certamente não quer ser incomodado e prefere permanecer sozinhando em seu canto.
Mia Couto, 5 taças de vinho do Porto, uma cidade iluminada repleta de luzes e ruelas, uma noite de outono, e Mia Couto.
Life slices!
-profile/016988792876050828744
2010-11-05T17:59:13.052-02:00
Coisa de mulherzinha
Estou num hotel no Porto, Portugal. Cheguei
ontem, depois de passar 3 semanas em Israel. Vou dar um workshop aqui e depois
volto pro Brasil em alguns dias.
Está um dia lindo, nem frio e nem quente. É um daqueles dias que você pode sair com qualquer roupa, de short a camiseta de manga comprida de malha. Tudo cai bem.
O hotel é o mesmo de sempre, mas eu certamente não sou a mesma. Tenho observado algumas transformações em mim. Durante estas 3 semanas eu li 5 livros. Eu atribuo a quantidade a minha nova aquisição eletrônica, o Kindle. No período eu li uma biografia, um memoir sobre a amizade de duas mulheres escritoras e apaixonadas por seus cães, depois li o livro que uma delas escreveu sobre a relação de paixão com Lucille, seu cão. Depois li o livro Commitment, da Elizabeth Gilbert, a mesma de Comer, Rezar, Amar que como o outro, é uma bobagem digestível. E agora termino o Tipping Point, uma investigação sobre o fenômeno do “boca a boca”, ou seja, como as coisas “pegam” e o que determina que sejam passadas boca a boca. Bem interessante!
E ontem, no voo de Tel-Aviv eu finalmente percebi que gosto de narrativas pessoais. Podem ser narrativas não fictícias ou até mesmo fictícias, mas precisam ter um ar pessoal, precisam explorar a intimidade. Sabe o que mais me fascinava nos livros da Clarisse? Não foi a barata, não foi a estrela ou os questionamentos judaico-femininos. O que eu gostava mesmo era de imagina-la conversando com a empregada na mesa da cozinha, tomando um café, o sol carioca da manhã entrando por alguma fresta e fazendo brilhar a poeira ao redor. É o bolo da tarde, o cigarro da noite, a Bebel deitada na cama me olhando sem desvios enquanto dobro as roupas lavadas. É o bonding do mundo feminino, a forma como entramos uma no mundo da outra. É esse bondinho que traz a sensação de integração e afasta o fantasma da solidão. Cachorro é o rei do bonding. Aquilo que Bebel faz, todos os dias, quando fica sentada de algum canto acompanhando todos o movimentos que faço ou me seguindo pela casa..aquilo é bonding. Sem dizer uma palavra ela está grudando sua existência a minha, ela está garantido que a minha existência carregará também a sua. Quando uma mãe senta-se no sofá, ao lado da filha que vê televisão enquanto ela mãe, costura, isso é bonding. Mesmo que nenhuma palavra seja trocada, algo forte e significante acontece ali. Reconhecemos pouco esse comportamento e em português nem temos palavra para tal, é “ficar junto” ou “ligação” algo do tipo. Mas o que é mesmo é bonding.
É disso que gosto. Por isso tudo que escrevo é tão pessoal, mesmo quando não é. E no avião de Tel-Aviv pro Porto eu finalmente aceitei que isso é um estilo próprio, a narrativa pessoal, e que há milhares de escritores que escrevem assim. Dos 5 livros que mencionei, 3 são assim. Em outro livro, Caroline Knapp, a autora de Pack of Two: The intricate bond (olha a palavra bond aí) between dogs and humans conta sua luta com o alcoolismo. Em Comer, Rezar e Amar Elizabeth Gilbert ficou milionária ao contar ao mundo que foi a Itália e não deu pra ninguém! Fala sério!
Então, porque eu, que tenho tanto o que contar, que pareço viver uma vida de realismo fantástico e física quântica, que estou aqui e ali ao mesmo tempo, que acordo falando uma língua e durmo susurrando outra, que tenho mais vidas que um gato e mais geladeiras do que qualquer outro ser, porque eu não posso contar estas estórias? Porque fico me castrando dizendo que isso não é literatura? Que se dane se é ou não. Sou eu que tenho que definir o que venha a ser literatura? E outra coisa, se for decretado pela Convenção de Genebra (conhece né? É aquela que estipulou, entre outras, que se uma ligação telefônica cai no meio quem liga pro outro é sempre quem ligou originalmente. O comitê agora estuda se tal regra se aplica também pro skype), que de fato isso não é literatura, então estou proibida de escrever desta forma? Do que eu tenho medo, de falarem por ai que escrevo “coisa de mulherzinha”? Ha, fala sério, já não tá hora d’eu mandar um foda-se pra isso tudo não? Quem vai dizer se presta ou não presta são vocês. E o mundo lá fora … ha o mundo lá fora a gente já sabe como é. Mas e o mundo aqui dentro?
Está um dia lindo, nem frio e nem quente. É um daqueles dias que você pode sair com qualquer roupa, de short a camiseta de manga comprida de malha. Tudo cai bem.
O hotel é o mesmo de sempre, mas eu certamente não sou a mesma. Tenho observado algumas transformações em mim. Durante estas 3 semanas eu li 5 livros. Eu atribuo a quantidade a minha nova aquisição eletrônica, o Kindle. No período eu li uma biografia, um memoir sobre a amizade de duas mulheres escritoras e apaixonadas por seus cães, depois li o livro que uma delas escreveu sobre a relação de paixão com Lucille, seu cão. Depois li o livro Commitment, da Elizabeth Gilbert, a mesma de Comer, Rezar, Amar que como o outro, é uma bobagem digestível. E agora termino o Tipping Point, uma investigação sobre o fenômeno do “boca a boca”, ou seja, como as coisas “pegam” e o que determina que sejam passadas boca a boca. Bem interessante!
E ontem, no voo de Tel-Aviv eu finalmente percebi que gosto de narrativas pessoais. Podem ser narrativas não fictícias ou até mesmo fictícias, mas precisam ter um ar pessoal, precisam explorar a intimidade. Sabe o que mais me fascinava nos livros da Clarisse? Não foi a barata, não foi a estrela ou os questionamentos judaico-femininos. O que eu gostava mesmo era de imagina-la conversando com a empregada na mesa da cozinha, tomando um café, o sol carioca da manhã entrando por alguma fresta e fazendo brilhar a poeira ao redor. É o bolo da tarde, o cigarro da noite, a Bebel deitada na cama me olhando sem desvios enquanto dobro as roupas lavadas. É o bonding do mundo feminino, a forma como entramos uma no mundo da outra. É esse bondinho que traz a sensação de integração e afasta o fantasma da solidão. Cachorro é o rei do bonding. Aquilo que Bebel faz, todos os dias, quando fica sentada de algum canto acompanhando todos o movimentos que faço ou me seguindo pela casa..aquilo é bonding. Sem dizer uma palavra ela está grudando sua existência a minha, ela está garantido que a minha existência carregará também a sua. Quando uma mãe senta-se no sofá, ao lado da filha que vê televisão enquanto ela mãe, costura, isso é bonding. Mesmo que nenhuma palavra seja trocada, algo forte e significante acontece ali. Reconhecemos pouco esse comportamento e em português nem temos palavra para tal, é “ficar junto” ou “ligação” algo do tipo. Mas o que é mesmo é bonding.
É disso que gosto. Por isso tudo que escrevo é tão pessoal, mesmo quando não é. E no avião de Tel-Aviv pro Porto eu finalmente aceitei que isso é um estilo próprio, a narrativa pessoal, e que há milhares de escritores que escrevem assim. Dos 5 livros que mencionei, 3 são assim. Em outro livro, Caroline Knapp, a autora de Pack of Two: The intricate bond (olha a palavra bond aí) between dogs and humans conta sua luta com o alcoolismo. Em Comer, Rezar e Amar Elizabeth Gilbert ficou milionária ao contar ao mundo que foi a Itália e não deu pra ninguém! Fala sério!
Então, porque eu, que tenho tanto o que contar, que pareço viver uma vida de realismo fantástico e física quântica, que estou aqui e ali ao mesmo tempo, que acordo falando uma língua e durmo susurrando outra, que tenho mais vidas que um gato e mais geladeiras do que qualquer outro ser, porque eu não posso contar estas estórias? Porque fico me castrando dizendo que isso não é literatura? Que se dane se é ou não. Sou eu que tenho que definir o que venha a ser literatura? E outra coisa, se for decretado pela Convenção de Genebra (conhece né? É aquela que estipulou, entre outras, que se uma ligação telefônica cai no meio quem liga pro outro é sempre quem ligou originalmente. O comitê agora estuda se tal regra se aplica também pro skype), que de fato isso não é literatura, então estou proibida de escrever desta forma? Do que eu tenho medo, de falarem por ai que escrevo “coisa de mulherzinha”? Ha, fala sério, já não tá hora d’eu mandar um foda-se pra isso tudo não? Quem vai dizer se presta ou não presta são vocês. E o mundo lá fora … ha o mundo lá fora a gente já sabe como é. Mas e o mundo aqui dentro?
-profile/016988792876050828743
2010-10-07T18:47:10.829-03:00
Ousadia
Nenhum gesto ousado, brincadeira ou safadeza pode
revelar maior intimidade do que abrir os olhos bem abertos e olhar pro outro na
hora do gozo. Do outro.
É esta a prova do amor maior. Nada é mais poderoso que isso. No fundo, é disso que se fala quando se diz que só um casal pode saber o que se passa entre 4 paredes. É este olhar, que ocorre entre 4 paredes, que só acontece por uma fração de segundos mas que tem a força que milhões de horas vividas de qualquer outra forma não podem ter, que se busca. Esse olhar é tão antigo quanto a nossa espécie, é ele que tem garantido a nossa sobrevivência no planeta. É ele que dá sentido a todas as coisas. É ele o verdadeiro espelho da alma. É a coisa viva que mais se aproxima da morte, por sua natureza infinita e intangível e não por qualquer idéia equivocada de uma necessária melâncolia ao presente texto.
E a imagem do rosto do outro, com suas contorções e expressões que um desavisado confundiria com expressões dor, volta a nos assombrar ao longo do dia, quando estamos enchendo o tanque do carro, lendo um artigo chato, escrevendo bobagem na parede (do facebook) ou com o olhar perdido no horizonte, quando nosso cérebro faz sozinho a leitura do que existe dentro de cada um de nós.
E essa imagem, que fica guardada lá dentro, impulsiona a vida e o desejo em nós, e se vincula a uma sensação de prazer que somente as drogas pesadas são capazes de proporcionar. Ao pensar nele sinto: boca salivando, coração em descompasso, temperatura subindo, o pé balança. Respiro fundo. Olho o relógio.
São 5 horas, é hora de voltar pra casa. Correndo!
É esta a prova do amor maior. Nada é mais poderoso que isso. No fundo, é disso que se fala quando se diz que só um casal pode saber o que se passa entre 4 paredes. É este olhar, que ocorre entre 4 paredes, que só acontece por uma fração de segundos mas que tem a força que milhões de horas vividas de qualquer outra forma não podem ter, que se busca. Esse olhar é tão antigo quanto a nossa espécie, é ele que tem garantido a nossa sobrevivência no planeta. É ele que dá sentido a todas as coisas. É ele o verdadeiro espelho da alma. É a coisa viva que mais se aproxima da morte, por sua natureza infinita e intangível e não por qualquer idéia equivocada de uma necessária melâncolia ao presente texto.
E a imagem do rosto do outro, com suas contorções e expressões que um desavisado confundiria com expressões dor, volta a nos assombrar ao longo do dia, quando estamos enchendo o tanque do carro, lendo um artigo chato, escrevendo bobagem na parede (do facebook) ou com o olhar perdido no horizonte, quando nosso cérebro faz sozinho a leitura do que existe dentro de cada um de nós.
E essa imagem, que fica guardada lá dentro, impulsiona a vida e o desejo em nós, e se vincula a uma sensação de prazer que somente as drogas pesadas são capazes de proporcionar. Ao pensar nele sinto: boca salivando, coração em descompasso, temperatura subindo, o pé balança. Respiro fundo. Olho o relógio.
São 5 horas, é hora de voltar pra casa. Correndo!
-profile/016988792876050828743
2010-09-01T08:08:08.453-03:00
Rivotril
Eu achei que nunca mais ia sentir isso e não
consigo explicar porque sinto.
Estou em Israel desde a semana passada. Ele conseguiu um espaço num collegue que faz cursos para diversos países, para que eu tivesse um canto pra trabalhar. Lá tem gente de todos os cantos do mundo, inclusive brasileiros. Está sendo muito interessante trabalhar lá, uma experiência realmente israelense. Fala-se muito, come-se muito e trabalha-se pouco. Às vezes o barulho atrapalha a minha concentração sem par, o que realmente é difícil de acontecer.
Ontem à noite tive uma crise de choro. Liguei pra casa, falei com a Jubs, soube que a proprietária resolveu fazer reforma na casa onde moramos, o que é muito bom, e fiquei com uma saudade de casa muito grande. Não sei como vou resolver o dilema de querer estar aqui e lá ao mesmo tempo e desconfio que não vou aguentar isso por muito tempo.
O que sinto por ele agora é muito forte e me parece quase impossível me imaginar sem ele. Ao mesmo tempo me parece que abrir mão das coisas que preciso pra estar com ele será simplesmente impossível.
Hoje sinto aquela ansiedade de novo que não sei explicar da onde vem, não sei explicar como se inicia mas sei muito bem que geralmente termina em merda.
Sinto uma carga de culpa monumental e me sinto responsável por ele ter vendido a casa e por estar vivendo neste minúsculo apartamento com as meninas, até a casa que ele comprou na planta ficar pronta no ano que vem. Eu não consigo entender como ele não me responsabiliza por isso. Pelo menos por enquanto. Talvez um dia isso tudo volte a tona.
A mulher do pai dele, que é alguém que ele considera muito, me ligou pra me dizer oi, dar as boas vindas e estas coisas que pessoas educadas e normais fazem. Eu não atendi, coisa típica dessa pessoa mal-educada e anormal que sou. Ele depois me ligou, perguntou porque eu não atendi o telefonema dela, eu disse que não conseguiria falar com ela. Ela não fala inglês e eu não falo hebraico. Não importa, ele disse, ela sabe disso tão bem quanto vc. Ela só queria dizer oi. Eu sei, mas não consigo. Porque? Não sei!
Talvez isso tenha gerado essa onda de ansiedade que sinto agora. Se não tivesse tão quente eu ia correr. Talvez tenha mesmo que tomar um rivotril. O primeiro do período.
Jô disse que eu fiz uma apólice pro meu sofrimento com este arranjo maluco de vida. Eu sei que ela tem razão. E como toda apólice, eu não sei se um dia irei de fato desfrutar da mesma.
Estou em Israel desde a semana passada. Ele conseguiu um espaço num collegue que faz cursos para diversos países, para que eu tivesse um canto pra trabalhar. Lá tem gente de todos os cantos do mundo, inclusive brasileiros. Está sendo muito interessante trabalhar lá, uma experiência realmente israelense. Fala-se muito, come-se muito e trabalha-se pouco. Às vezes o barulho atrapalha a minha concentração sem par, o que realmente é difícil de acontecer.
Ontem à noite tive uma crise de choro. Liguei pra casa, falei com a Jubs, soube que a proprietária resolveu fazer reforma na casa onde moramos, o que é muito bom, e fiquei com uma saudade de casa muito grande. Não sei como vou resolver o dilema de querer estar aqui e lá ao mesmo tempo e desconfio que não vou aguentar isso por muito tempo.
O que sinto por ele agora é muito forte e me parece quase impossível me imaginar sem ele. Ao mesmo tempo me parece que abrir mão das coisas que preciso pra estar com ele será simplesmente impossível.
Hoje sinto aquela ansiedade de novo que não sei explicar da onde vem, não sei explicar como se inicia mas sei muito bem que geralmente termina em merda.
Sinto uma carga de culpa monumental e me sinto responsável por ele ter vendido a casa e por estar vivendo neste minúsculo apartamento com as meninas, até a casa que ele comprou na planta ficar pronta no ano que vem. Eu não consigo entender como ele não me responsabiliza por isso. Pelo menos por enquanto. Talvez um dia isso tudo volte a tona.
A mulher do pai dele, que é alguém que ele considera muito, me ligou pra me dizer oi, dar as boas vindas e estas coisas que pessoas educadas e normais fazem. Eu não atendi, coisa típica dessa pessoa mal-educada e anormal que sou. Ele depois me ligou, perguntou porque eu não atendi o telefonema dela, eu disse que não conseguiria falar com ela. Ela não fala inglês e eu não falo hebraico. Não importa, ele disse, ela sabe disso tão bem quanto vc. Ela só queria dizer oi. Eu sei, mas não consigo. Porque? Não sei!
Talvez isso tenha gerado essa onda de ansiedade que sinto agora. Se não tivesse tão quente eu ia correr. Talvez tenha mesmo que tomar um rivotril. O primeiro do período.
Jô disse que eu fiz uma apólice pro meu sofrimento com este arranjo maluco de vida. Eu sei que ela tem razão. E como toda apólice, eu não sei se um dia irei de fato desfrutar da mesma.
-profile/016988792876050828743
2010-08-13T11:35:07.795-03:00
A tempestade em DC e a casa amarela de Moby e
Bebel
-profile/016988792876050828742
2010-08-08T01:23:36.326-03:00
Desde que voltei da minha última viagem à Israel
tenho me sentido muito feliz, como jà não me sentia há um bom tempo. Descobri o
que realmente é importante pra mim num relacionamento.
-profile/016988792876050828740
2010-08-02T23:02:18.370-03:00
A borboleta sem asas
Dizem que virei anti-social, que sou bicho do
mato. Depois de uma juventude inteira fazendo papel de borboleta em todas as
festas e eventos, de ser a representante de turma, e de sempre me apaixonar
pelos tímidos e complicados, a minha hora de liberdade tinha que chegar um dia.
A verdade é que já não tenho mais aquele interesse gratuíto pelas pessoas. Tenho meus amigos que amo e mal tenho tempo para estar com eles, pra que eu vou querer arrumar mais? Não quero, de verdade. Tô bem assim.
E tem outra coisa. Sou muito dramática e passional, as pessoas se apaixonam por mim e querem logo virar melhores amigas. Melhores amigas são poucas. Pouquíssimas.
Não quero estar rodeada, não quero resgatar o que não mais existe, não quero construir novas amizades. Quero ficar somente com o que tenho. E isso, já é coisa pra caramba!
A verdade é que já não tenho mais aquele interesse gratuíto pelas pessoas. Tenho meus amigos que amo e mal tenho tempo para estar com eles, pra que eu vou querer arrumar mais? Não quero, de verdade. Tô bem assim.
E tem outra coisa. Sou muito dramática e passional, as pessoas se apaixonam por mim e querem logo virar melhores amigas. Melhores amigas são poucas. Pouquíssimas.
Não quero estar rodeada, não quero resgatar o que não mais existe, não quero construir novas amizades. Quero ficar somente com o que tenho. E isso, já é coisa pra caramba!
-profile/016988792876050828746
2010-07-29T23:02:24.856-03:00
Para
que ela não enlouqueça
Amiga mia, amore
de mi vida!
Não posso viver apenas com esses dois dedinhos de prosa que vc vez por outra, como uma libélula esvoaçante, coloca no seu blog. Estou troncha de saudade de vc e fiquei bastante impressionada com a economia de palavras com que vc conseguiu definir seu atual estado de espírito (seu último post). Para quem acompanha de perto-longe esses seis anos que vc menciona, deu um certo choque ler aquilo. Não porque eu pense como no Canto de Ossanha, também quero amor que não dói ou que doa como dói ouvir a Elis e sua interpretação arrebatadora que um dia te mostrei na casa de Takoma. Ou seja, uma dor boa, que apenas deixe sua marca sem produzir estragos, uma dor do bem.
Pelo que entendo, sua relação mais importante, aquela com vc mesma, parece que vai de vento em popa. Voce parece una, inteira, feliz e lúcida. O que confesso ter um pouco de dificuldade em compreender ainda é sua mudança de relação e sentimentos com relação à ele. E não estou falando das meninas, isso é outra coisa. Estou falando de voces dois. Me conte pra eu saber que senão enlouqueço.
------------------------------------------------
Amiga mais que querida,
Também sinto saudades enormes de você. Tenho sempre a expectativa de ir a Brasília à trabalho e então poder finalmente te encontrar. E sentar com você pra falarmos sobre tudo e todos e para lembrarmos de nossas vidas e poder alimentar mais um pouquinho esta nossa relação que é tão especial, atemporal e certamente imortal.
É verdade, a minha relação comigo mesma vai muito bem, como já não sentia fazia algum tempo.
Me foram necessários tempo, divã, muitas lágrimas e coragem pra cutucar muitas coisas que viviam no fundo de mim e me lançar numa grande transformação que seria necessária se eu tivesse ainda alguma pretensão de ser feliz ao lado de um homem.
Nas semanas que se seguiram à partida deles eu senti alívio. Depois fiquei sem chão. Senti a terra se abrindo sob os meus pés. Me senti só de uma forma tão dolorosa como havia sentido apenas quando perdi o David.
O primeiro desafio que enfrentei comigo mesma foi o de entender o porque da dificuldade de não me sentir amada por ele. Nessa época eu nem me questionava sobre meus sentimentos, mas me perguntava constantemente porque eu não enxergava o amor dele por mim. Com a partida dele e seu incansável discurso do quanto ele me amava e do quanto continuava me amando, mesmo estando ele em casa, mesmo não mais me precisando, me fez finalmente acreditar que ele de fato me amava e que eu não havia apenas sido colocada numa posição necessária que estava disponível e que precisava ser preenchida. Por intermédia de uma amiga em comum que mora em Israel eu fiquei sabendo que diferente do que pensava eu havia sido sim escolhida por ele, pois haviam outras mulheres interessedas nele mas fui eu quem ele quis e escolheu, mesmo que isso significasse deixar a casa linda onde morava, pegar as filhas e se mudar por outro lado do mundo só para estar com esta mulher. Eu.
Por algum motivo que ainda tento entender melhor essa revelação teve grande valor pra mim. Me senti escolhida e isso me permitiu enxergar muitas coisas para as quais eu estava cega.
Sabe que gosto ter uma garrafa de água do lado da cama todas as noites e por algum milagre que eu nunca antes havia notado, todas as noites havia uma garrafa de água fresca, cheia, do lado da minha cama. Nunca havia antes me perguntado como aquela água aparecia ali. E então caiu a ficha, mas eu em tempo a peguei. Era ele que colocava a garrafa ali, todas as noites. Um geste tão simples de carinho imenso que eu nunca havia enxergado. Teve uma época que eu fiz a dieta do 0% carboidrato. Toda a manhã eu comia um ovo. Sempre que eu tirava o ovo da geladeira e colocava na água quente o ovo se quebrava. Depois de alguns poucos dias fazendo esta dieta meu ovo aparecia fora da geladeira e já não mais gelado quando eu chegava na cozinha pela manhã. Nunca me dei conta de como aquele ovo aparecia ali todas as manhãs. Então descobri, finalmente, que era ele, que sempre se levantava antes de mim, que tirava o ovo da geladeira pra mim. E assim como a água e o ovo, os seus gestos de amor eram inúmeros. Mas nenhum me alcançava. Eu continuava da minha agonia cotidiana, debatendo sobre as coisas que me faziam infelizes mas nunca percebendo aquelas que poderiam me trazer felicidade se eu fosse capaz de notá-las.
Eu me sentia sufocada, requisitada, necessária, mas jamais amada. Não me arrependo da sua partida. Por mais dolorosa que tenha sido ela foi necessária.
Com a partida, a garrafa de água e o ovo fresco desapareceram da minha vida. A falta dele me fez perceber o tamanho gigantesco que ele havia conquistado em minha vida.
Fui a Israel com o único objetivo de me nos observar e de abrir os olhos para me deixar ver e sentir o amor que ele tinha por mim. O que eu faria com isso eu ainda não sabia. Mas sabia que precisava me dar mais uma chance, que jogar o amor dele fora assim de forma tão violenta poderia ser talvez o maior erro da minha vida. Aos 43 anos de idade e vivendo numa sociedade onde a maioria dos homens ou são galinhas, loucos ou gays eu não poderia me dar esse luxo.
E foi nesse espírito que peguei o voo pra Tel-aviv.
Já no avião, quando recebi a caixa de chocolates, pude finalmente perceber o amor dele por mim. E consegui finalmente, me emocionar com aquele gesto. Pela primeira vez ele conseguiu tocar a minha emoção. Porque pela primeira vez eu permiti que isso acontecesse.
Durante as duas semanas que passamos juntos eu me abri de uma forma pra ele que eu nunca havia feito antes. Eu não filtrei, não ponderei, não calculei. Apenas senti. E ao me sentir amada eu me surpreendi quando me vi retribuindo este amor.
É verdade que talvez eu nunca sinta por ele o mesmo que ele sente por mim. O amor dele é grande demais, é maior do que eu. Esse amor transbordou e me salvou ao mesmo tempo.
Mas é claro que ele também entendeu muitas coisas sobre mim. Entendeu que eu preciso de mais espaço, e com muitas conversas que tivemos nessas duas semanas, entendeu um pouco melhor, agora que eu já podia explicar, todas as coisas que se passaram comigo.
Estamos separados por um oceano e um continente, mas estamos próximos como jamais estivemos. Ficaremos vivendo assim por algum tempo, eu com a flexibilidade que minha vida permite, vou ficar indo e vindo. Até o dia em que estarei mais lá do que aqui.
Mês que vem pego outro avião pra Tel-Aviv. E em dezembro ainda outro, quando ficarei por alguns meses. Com o tempo a necessidade nos indicará o melhor caminho.
Amiga, estou feliz. E com a certeza de estar fazendo a coisa certa. Nunca tive esta certeza em relação a ele. Mas agora sim.
Espero ansiosa por uma oportunidade de ter dar um beijo e um abraço e pra te dizer de pertinho o quanto eu amo você!
Não posso viver apenas com esses dois dedinhos de prosa que vc vez por outra, como uma libélula esvoaçante, coloca no seu blog. Estou troncha de saudade de vc e fiquei bastante impressionada com a economia de palavras com que vc conseguiu definir seu atual estado de espírito (seu último post). Para quem acompanha de perto-longe esses seis anos que vc menciona, deu um certo choque ler aquilo. Não porque eu pense como no Canto de Ossanha, também quero amor que não dói ou que doa como dói ouvir a Elis e sua interpretação arrebatadora que um dia te mostrei na casa de Takoma. Ou seja, uma dor boa, que apenas deixe sua marca sem produzir estragos, uma dor do bem.
Pelo que entendo, sua relação mais importante, aquela com vc mesma, parece que vai de vento em popa. Voce parece una, inteira, feliz e lúcida. O que confesso ter um pouco de dificuldade em compreender ainda é sua mudança de relação e sentimentos com relação à ele. E não estou falando das meninas, isso é outra coisa. Estou falando de voces dois. Me conte pra eu saber que senão enlouqueço.
------------------------------------------------
Amiga mais que querida,
Também sinto saudades enormes de você. Tenho sempre a expectativa de ir a Brasília à trabalho e então poder finalmente te encontrar. E sentar com você pra falarmos sobre tudo e todos e para lembrarmos de nossas vidas e poder alimentar mais um pouquinho esta nossa relação que é tão especial, atemporal e certamente imortal.
É verdade, a minha relação comigo mesma vai muito bem, como já não sentia fazia algum tempo.
Me foram necessários tempo, divã, muitas lágrimas e coragem pra cutucar muitas coisas que viviam no fundo de mim e me lançar numa grande transformação que seria necessária se eu tivesse ainda alguma pretensão de ser feliz ao lado de um homem.
Nas semanas que se seguiram à partida deles eu senti alívio. Depois fiquei sem chão. Senti a terra se abrindo sob os meus pés. Me senti só de uma forma tão dolorosa como havia sentido apenas quando perdi o David.
O primeiro desafio que enfrentei comigo mesma foi o de entender o porque da dificuldade de não me sentir amada por ele. Nessa época eu nem me questionava sobre meus sentimentos, mas me perguntava constantemente porque eu não enxergava o amor dele por mim. Com a partida dele e seu incansável discurso do quanto ele me amava e do quanto continuava me amando, mesmo estando ele em casa, mesmo não mais me precisando, me fez finalmente acreditar que ele de fato me amava e que eu não havia apenas sido colocada numa posição necessária que estava disponível e que precisava ser preenchida. Por intermédia de uma amiga em comum que mora em Israel eu fiquei sabendo que diferente do que pensava eu havia sido sim escolhida por ele, pois haviam outras mulheres interessedas nele mas fui eu quem ele quis e escolheu, mesmo que isso significasse deixar a casa linda onde morava, pegar as filhas e se mudar por outro lado do mundo só para estar com esta mulher. Eu.
Por algum motivo que ainda tento entender melhor essa revelação teve grande valor pra mim. Me senti escolhida e isso me permitiu enxergar muitas coisas para as quais eu estava cega.
Sabe que gosto ter uma garrafa de água do lado da cama todas as noites e por algum milagre que eu nunca antes havia notado, todas as noites havia uma garrafa de água fresca, cheia, do lado da minha cama. Nunca havia antes me perguntado como aquela água aparecia ali. E então caiu a ficha, mas eu em tempo a peguei. Era ele que colocava a garrafa ali, todas as noites. Um geste tão simples de carinho imenso que eu nunca havia enxergado. Teve uma época que eu fiz a dieta do 0% carboidrato. Toda a manhã eu comia um ovo. Sempre que eu tirava o ovo da geladeira e colocava na água quente o ovo se quebrava. Depois de alguns poucos dias fazendo esta dieta meu ovo aparecia fora da geladeira e já não mais gelado quando eu chegava na cozinha pela manhã. Nunca me dei conta de como aquele ovo aparecia ali todas as manhãs. Então descobri, finalmente, que era ele, que sempre se levantava antes de mim, que tirava o ovo da geladeira pra mim. E assim como a água e o ovo, os seus gestos de amor eram inúmeros. Mas nenhum me alcançava. Eu continuava da minha agonia cotidiana, debatendo sobre as coisas que me faziam infelizes mas nunca percebendo aquelas que poderiam me trazer felicidade se eu fosse capaz de notá-las.
Eu me sentia sufocada, requisitada, necessária, mas jamais amada. Não me arrependo da sua partida. Por mais dolorosa que tenha sido ela foi necessária.
Com a partida, a garrafa de água e o ovo fresco desapareceram da minha vida. A falta dele me fez perceber o tamanho gigantesco que ele havia conquistado em minha vida.
Fui a Israel com o único objetivo de me nos observar e de abrir os olhos para me deixar ver e sentir o amor que ele tinha por mim. O que eu faria com isso eu ainda não sabia. Mas sabia que precisava me dar mais uma chance, que jogar o amor dele fora assim de forma tão violenta poderia ser talvez o maior erro da minha vida. Aos 43 anos de idade e vivendo numa sociedade onde a maioria dos homens ou são galinhas, loucos ou gays eu não poderia me dar esse luxo.
E foi nesse espírito que peguei o voo pra Tel-aviv.
Já no avião, quando recebi a caixa de chocolates, pude finalmente perceber o amor dele por mim. E consegui finalmente, me emocionar com aquele gesto. Pela primeira vez ele conseguiu tocar a minha emoção. Porque pela primeira vez eu permiti que isso acontecesse.
Durante as duas semanas que passamos juntos eu me abri de uma forma pra ele que eu nunca havia feito antes. Eu não filtrei, não ponderei, não calculei. Apenas senti. E ao me sentir amada eu me surpreendi quando me vi retribuindo este amor.
É verdade que talvez eu nunca sinta por ele o mesmo que ele sente por mim. O amor dele é grande demais, é maior do que eu. Esse amor transbordou e me salvou ao mesmo tempo.
Mas é claro que ele também entendeu muitas coisas sobre mim. Entendeu que eu preciso de mais espaço, e com muitas conversas que tivemos nessas duas semanas, entendeu um pouco melhor, agora que eu já podia explicar, todas as coisas que se passaram comigo.
Estamos separados por um oceano e um continente, mas estamos próximos como jamais estivemos. Ficaremos vivendo assim por algum tempo, eu com a flexibilidade que minha vida permite, vou ficar indo e vindo. Até o dia em que estarei mais lá do que aqui.
Mês que vem pego outro avião pra Tel-Aviv. E em dezembro ainda outro, quando ficarei por alguns meses. Com o tempo a necessidade nos indicará o melhor caminho.
Amiga, estou feliz. E com a certeza de estar fazendo a coisa certa. Nunca tive esta certeza em relação a ele. Mas agora sim.
Espero ansiosa por uma oportunidade de ter dar um beijo e um abraço e pra te dizer de pertinho o quanto eu amo você!
-profile/016988792876050828743
2010-07-17T14:27:34.640-03:00
Love 101
Deixa eu te explicar uma coisa. É simples.
Diferente do que diz o Canto de Ossanha (seja la como isso se escreve), amor
pra mim só é bom se não doer. Porque de dor bastam as minhas. E quando já não
dói, ai sim vira amor. Já não dói mais. Já não sofro mais. As peças da minha
vida vão se encaixando finalmente. Me levou quase 6 anos, desde a morte de
David, pra me ajustar, me achar, me re-estabelecer, aceitar amor, sentir amor e
finlmente poder retribuir. Agora estou pronta. Pode vir amor! Agora sim poderei
perceber, sentir, e me emocionar com todos os gestos de amor que você me faz.
Agora sim eu posso ver. Agora sim.
-profile/016988792876050828743
2010-07-06T04:55:10.774-03:00
Aquela dor no peito
Tem uns 3 ou 4 meses que reclamo de uma dor no
peito esquerdo. Já pensei de tudo sobre essa dor, de sinais precoces de um
possível ataque do coração até câncer passando por refluxo gástrico. Depois
pensei que era da bolsa do laptop, que carrego no ombro esquerdo e que me
entorta pro lado totalmente. Desde que cheguei aqui não senti mais esta dor. Em
nenhum momento. Nada.
Os dias tem sido ótimos aqui. Ele sai pra trabalhar de manhã e volta as 6 da tarde, uma experiência que nunca antes havia tido com um homem com quem vivi por dois anos. É gostoso demais receber o beijo e o abraço dele as 7 da manhã, quando eu ainda estou dormindo e depois ser deixada com aquele mundo de cama só pra mim.
As meninas estão de férias e eu que trouxe trabalho pra fazer também acabei transformando essas duas semanas em merecidas férias. Eu precisava descançar do trabalho, da dor e da indefinição. Todos os dias eu e as meninas fazemos alguma coisa juntas, sejam compras, seja ir comer Yogurt (a febre mundial), já fomos à piscina e hoje vamos ao cinema.
Semana que vem eu retorno para Never Neverland, que é o nome que demos a nossa casa. Sinto saudades de Jujuba, de Moby e Bebel, e da nossa vidinha nas montanhas.
Muito se falou, muito se explicou, muito se desculpou estes dias. Os próximos nós ainda veremos como serão.
Os dias tem sido ótimos aqui. Ele sai pra trabalhar de manhã e volta as 6 da tarde, uma experiência que nunca antes havia tido com um homem com quem vivi por dois anos. É gostoso demais receber o beijo e o abraço dele as 7 da manhã, quando eu ainda estou dormindo e depois ser deixada com aquele mundo de cama só pra mim.
As meninas estão de férias e eu que trouxe trabalho pra fazer também acabei transformando essas duas semanas em merecidas férias. Eu precisava descançar do trabalho, da dor e da indefinição. Todos os dias eu e as meninas fazemos alguma coisa juntas, sejam compras, seja ir comer Yogurt (a febre mundial), já fomos à piscina e hoje vamos ao cinema.
Semana que vem eu retorno para Never Neverland, que é o nome que demos a nossa casa. Sinto saudades de Jujuba, de Moby e Bebel, e da nossa vidinha nas montanhas.
Muito se falou, muito se explicou, muito se desculpou estes dias. Os próximos nós ainda veremos como serão.
-profile/016988792876050828742
2010-07-01T07:58:21.742-03:00
Gift in the Sky
Depois de duas
horas espremida entre uma Argentina e um judeu religioso no vôo que me levaria
direto de Guarulhos para Tel-Aviv, a aeromoça da El-Al se aproximou de mim e
perguntou meu nome. Ela carregava uma bolsinha que dizia Gift in the Sky e tinha um
sorriso cândido. Por duas vezes perguntou meu nome, pediu pra ver meu
passaporte e finalmente, quando ela já estava mais convencida do que eu mesma
de que eu era eu, ela me deu a sacolinha que segurava e disse com voz
romântica. Isso aqui é um presente pra você. Presente? eu perguntei. Regalo?,
perguntou a Argentina ao meu lado. Mataná?, perguntou o judeu religioso. Sim,
respondeu a aeromoça, it’s a
gift for you, only for you.
Surpresa eu abri a bolsinha. Dentro havia uma caixinha de metal decorada com um laço de fitas, da melhor chocolateria de Israel. Abri a caixinha de metal e encontrei o bilhete dele que dizia em poucas palavras. Um pouco mais e você estará aqui com a gente. Fiquei emocionada, os olhos se encheram de água, a aeromoça me perguntou curiosa se eu sabia de quem era o presente que acabava de receber, a Argentina soltou um hoooooo romântico e o judeu religiosa não pareceu ter entendido coisa alguma.
Dentro da caixinha, vários saquinhos com chocolate. Abri um a um, ofereci à minha platéia que me acompanhou o tempo todo e fiquei pensando naquilo. O que foi isso? Isso foi um ato de amor, respondi a mim mesma. Como tantos outros atos de amor da parte dele, e também das meninas, que eu fui incapaz de sentir e perceber ao longo destes dois anos. Ato de amor. Amor desprovido de necessidade. Limpo, claro e cristalino como não fui capaz de enxergar anteriormente. A necessidade vital que ela e as meninas tinham de mim acionavam todos os meus alertas, dia e noite. Agora já não precisam de mim para mais nada. A névoa que cobria aquilo que qualquer idiota poderia enxergar, menos eu, desapareceu.
O combinado era que eu pegaria um taxi do aeroporto porque era formatura da Maribel e como o aeroporto é longe da casa, isso poderia atrasar a ida pra formatura dela. No telefone ele ainda me disse: Quando sair, dirija-se a esquerda, é lá que estão os taxis. Quando sai e me direcionei à esquerda estavam todos os três lá me esperando. Nos abraçamos os quatro, tipo group hug, e fiquei com vontade de chorar. No caminho pro estacionamento, Maribel pegou minha mão esquerda e Shika a direita e fomos caminhando de mãos dadas. Foi nesta fração de 5 minutos que fiquei sabendo de todas as novidades do YouTube, de novas piadas, novos filmes que ainda irão sair e de tudo que elas conseguiram contar, uma atropelando a outra.
Quando chegamos em casa senti um mistura de orgulho e culpa. Orgulho por ele ter sido capaz de em 2 meses, e a partir do nada (ele não tinha uma colher) montar um canto provisório para eles até que a casa que ele comprou na planta fique pronta no ano que vem, e culpa…culpa porque com a venda da casa dele em Janeiro, que era parte fundamental de nossos planos de mudança para São Paulo, ele ficou com uma mão na frente e outra atrás.
O clima entre nós é de carinho e saudade mas ainda não conseguimos sentar pra conversar direito. Isso acontecerá nos próximos dias.
Estou feliz de estar aqui. Foi muito bom ter vindo.

Shika e eu em Haifa
Surpresa eu abri a bolsinha. Dentro havia uma caixinha de metal decorada com um laço de fitas, da melhor chocolateria de Israel. Abri a caixinha de metal e encontrei o bilhete dele que dizia em poucas palavras. Um pouco mais e você estará aqui com a gente. Fiquei emocionada, os olhos se encheram de água, a aeromoça me perguntou curiosa se eu sabia de quem era o presente que acabava de receber, a Argentina soltou um hoooooo romântico e o judeu religiosa não pareceu ter entendido coisa alguma.
Dentro da caixinha, vários saquinhos com chocolate. Abri um a um, ofereci à minha platéia que me acompanhou o tempo todo e fiquei pensando naquilo. O que foi isso? Isso foi um ato de amor, respondi a mim mesma. Como tantos outros atos de amor da parte dele, e também das meninas, que eu fui incapaz de sentir e perceber ao longo destes dois anos. Ato de amor. Amor desprovido de necessidade. Limpo, claro e cristalino como não fui capaz de enxergar anteriormente. A necessidade vital que ela e as meninas tinham de mim acionavam todos os meus alertas, dia e noite. Agora já não precisam de mim para mais nada. A névoa que cobria aquilo que qualquer idiota poderia enxergar, menos eu, desapareceu.
O combinado era que eu pegaria um taxi do aeroporto porque era formatura da Maribel e como o aeroporto é longe da casa, isso poderia atrasar a ida pra formatura dela. No telefone ele ainda me disse: Quando sair, dirija-se a esquerda, é lá que estão os taxis. Quando sai e me direcionei à esquerda estavam todos os três lá me esperando. Nos abraçamos os quatro, tipo group hug, e fiquei com vontade de chorar. No caminho pro estacionamento, Maribel pegou minha mão esquerda e Shika a direita e fomos caminhando de mãos dadas. Foi nesta fração de 5 minutos que fiquei sabendo de todas as novidades do YouTube, de novas piadas, novos filmes que ainda irão sair e de tudo que elas conseguiram contar, uma atropelando a outra.
Quando chegamos em casa senti um mistura de orgulho e culpa. Orgulho por ele ter sido capaz de em 2 meses, e a partir do nada (ele não tinha uma colher) montar um canto provisório para eles até que a casa que ele comprou na planta fique pronta no ano que vem, e culpa…culpa porque com a venda da casa dele em Janeiro, que era parte fundamental de nossos planos de mudança para São Paulo, ele ficou com uma mão na frente e outra atrás.
O clima entre nós é de carinho e saudade mas ainda não conseguimos sentar pra conversar direito. Isso acontecerá nos próximos dias.
Estou feliz de estar aqui. Foi muito bom ter vindo.

Shika e eu em Haifa
-profile/016988792876050828741
2010-06-23T16:02:28.594-03:00
Quem
sabe poderia...
Viajo para
Tel-Aviv no domingo. Eu sei, eu sei...vocês se perguntam... Mas Bebel, como
assim no domingo? E o jogo do Brasil na segunda? Ha, mas tenho a resposta
pronta para as suas perguntas. Eu chego na segunda ainda em tempo de ver o
jogo. Viu? Eu penso em tudo!
-profile/016988792876050828742
2010-06-19T00:37:29.811-03:00
Poderia?
Tenho me feito
essa pergunta todos os minutos. Poderia eu fazer esta escolha? Estou vivendo um
momento de perda muito doloroso. Sinto ter perdido muito e os ganhos que esta
perda poderiam me trazer ainda não são presentes e pode ser que nunca sejam.
Quer dizer, alguma coisa eu ganhei, que foi ter mais tempo pra mim. Tenho mais
tempo, é verdade. E meus fins de semana são mais felizes. Bem mais felizes.
Mas, talvez pela idade, e diferente de outros momentos da minha vida, sinto
receio (porque dizer medo seria forte demais) de não encontrar aquilo que eu
gostaria. Porque o que eu gostaria eu já encontrei uma vez na minha vida e as
chances de encontrar novamente, agora que já não tenho mais 30 anos, me parecem
muito remotas. E é aí, bem ai que vem o pensamento sobre a possibilidade de
fazer acordos comigo mesma. É muito estranho sentir um buraco aqui dentro e
ouvir o outro falar, todas as vezes, do desejo em querer preencher este buraco.
É muito estranho se sentir só e escutar aquela voz que vem de longe a me dizer
quantas vezes eu estiver disposta a escutar, que há muito amor por mim à minha
espera. É quase como uma teimosia. Eu sei, eu sei, que o buraco que eu sinto
ele não pode preencher, por mais desesperado que seja o seu amor por mim e por
mais desesperado que sejam seus lamentos. Mas a ponta de teimosia que ainda me
resta vem da lembrança dos dois meses que vivemos em Israel. Por mais louco que
isso tudo possa parecer, e por mais evidente que possa representar a minha
personalidade claramente borderline, eu fui feliz naqueles dois meses como há
muito tempo não havia sido. Mas ao aterrisarmos no Brasil tudo foi por água
abaixo. E ele sabe disso, por isso insiste que eu vá á Israel. Eu sei
exatamente o que aconteceria se eu fosse, ou o que aconteceria se eu for. Eu
vou ficar ainda mais confusa. E se optasse por viver o plano dele, que é o de
passar alguns meses lá e outros aqui, eu ficaria ainda mais confusa e ainda
mais dividida. Ele joga pesado comigo. Deixa claro que eu posso perder tudo, e
aí ele se refere as meninas, mas que eu poso também fazer a escolha por ter
tudo e não perder nada.
Além disso, dizer que não tenho sentimentos por ele também não é verdade. Claro que tenho, claro que sinto saudades do corpo quente me abrançando de noite, sinto saudades do cafuné dele, e do cuidado que tinha comigo em muitas coisas. Claro que passado o alívio inicial, reação mais óbvia ao sufoco que sentia, veio o vazio. Enorme vazio. Mas o problema é que esse vazio não pode ser preenchido por ele, mas poderia, se eu conseguisse me convencer e, volto a dizer, entrar em acordo comigo mesma.
Ele hoje me disse que vai esperar que eu tome uma decisão até 31 de dezembro. Ele, com o seu jeito de me pressionar, me coloca numa situação onde eu tenho que tomar uma decisão que eu pensava já ter tomado. E isso vem num momento quando me sinto frágil e vulnerável as suas promessas de amor total.
Quem não quer o amor total? Mas quem não sabe que o amor total só pode ser total se vindo em todas as direções de todas as vertentes existentes da relação? Eu sei, mas tento me enganar por muitos momentos, porque o engano me traz alívio imediato à dor do momento. Mas é bandaid, eu sei.
Para fazer esta escolha e ser feliz com ela eu teria de me transformar em outra pessoa. E isso me parece impossível. Minha dor é a de não ser esta outra pessoa que poderia ser imensamente feliz com o que ele tem pra me oferecer. A dor é comigo mesma. Como se eu estivesse me sabotando. Mas a maior sabotagem seria aquela feita a mim mesma. Eu teria que sabotar quem sou e re-construir no lugar um outro eu. Eu juro que gostaria de ser capaz de tal façanha. Juro! Mas, como disse Carren no último episódio de Sex and the City, a relação mais importante da minha vida ainda é aquela que tenho comigo mesma.
Além disso, dizer que não tenho sentimentos por ele também não é verdade. Claro que tenho, claro que sinto saudades do corpo quente me abrançando de noite, sinto saudades do cafuné dele, e do cuidado que tinha comigo em muitas coisas. Claro que passado o alívio inicial, reação mais óbvia ao sufoco que sentia, veio o vazio. Enorme vazio. Mas o problema é que esse vazio não pode ser preenchido por ele, mas poderia, se eu conseguisse me convencer e, volto a dizer, entrar em acordo comigo mesma.
Ele hoje me disse que vai esperar que eu tome uma decisão até 31 de dezembro. Ele, com o seu jeito de me pressionar, me coloca numa situação onde eu tenho que tomar uma decisão que eu pensava já ter tomado. E isso vem num momento quando me sinto frágil e vulnerável as suas promessas de amor total.
Quem não quer o amor total? Mas quem não sabe que o amor total só pode ser total se vindo em todas as direções de todas as vertentes existentes da relação? Eu sei, mas tento me enganar por muitos momentos, porque o engano me traz alívio imediato à dor do momento. Mas é bandaid, eu sei.
Para fazer esta escolha e ser feliz com ela eu teria de me transformar em outra pessoa. E isso me parece impossível. Minha dor é a de não ser esta outra pessoa que poderia ser imensamente feliz com o que ele tem pra me oferecer. A dor é comigo mesma. Como se eu estivesse me sabotando. Mas a maior sabotagem seria aquela feita a mim mesma. Eu teria que sabotar quem sou e re-construir no lugar um outro eu. Eu juro que gostaria de ser capaz de tal façanha. Juro! Mas, como disse Carren no último episódio de Sex and the City, a relação mais importante da minha vida ainda é aquela que tenho comigo mesma.
-profile/016988792876050828742
2010-06-18T10:14:29.742-03:00
Mas
que tristeza, Me Deus!
Há dias que ando
na maior tristeza. Sei exatamente desde que dia. Desde o dia, melhor noite, em
que ele me enviou um torpedo lá de Israel pra me dizer o quanto a Shika havia
ficado decepcionada porque eu disse que não iria pra Israel agora em Julho.
Depois disso ele me deletou do skype e do facebook. Melhor assim, pensei. Mas
fiquei com um peso enorme no coração. Ontem ela me ligou, disse que eles
estavam completamente sem dinheiro, me perguntou se havia algum
"trabalho" pela internet que eu podia dar pra ela fazer esse verão
mas depois me disse que o pai provavelmente não deixaria ela "se envolver"
mais comigo. Como assim? perguntei. Ele tá com muita raiva, ela me disse. Eu
sei, desamor dá mesmo raiva do outro, mas vai passar, eu falei pra ela. É, ela
me disse, mas ele diz que você machucou a nossa família e eu digo que não, que
você machucou ele e que ele tem que saber separar essas coisas. Mais madura que
todos nós, eu pensei.
E não paro de pensar nela, dia e noite, durmo pensando nela, acordo pensando nela e não tenho idéia do que fazer com isso. Até me passa pela cabeça ficar com ele só por causa dela.
Na última sessão de análise, aquela com divã e diferente da que faço aqui, ela me disse que a minha dificuldade em sentí-los como família provavelmente tinha que ver com o fato d'eu nunca te–lo amado. Essa era a cola que ficou faltando, e sem ela seria impossível ser feliz. Mas então perguntei: Mas tem tanta mulher que faz essa escolha, a escolha da relação sem amor. Eu não poderia fazer essa escolha?
Poderia? ela me perguntou.
E não paro de pensar nela, dia e noite, durmo pensando nela, acordo pensando nela e não tenho idéia do que fazer com isso. Até me passa pela cabeça ficar com ele só por causa dela.
Na última sessão de análise, aquela com divã e diferente da que faço aqui, ela me disse que a minha dificuldade em sentí-los como família provavelmente tinha que ver com o fato d'eu nunca te–lo amado. Essa era a cola que ficou faltando, e sem ela seria impossível ser feliz. Mas então perguntei: Mas tem tanta mulher que faz essa escolha, a escolha da relação sem amor. Eu não poderia fazer essa escolha?
Poderia? ela me perguntou.
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