-profile/016988792876050828742
2010-06-16T20:10:14.149-03:00
Maior
Gata!
Você tá a maior
gata!
Foi isso que o ex-corretor que me mostrou essa casa onde moro e que agora já não é mais corretor mas sim o dono de uma loja de produtos natuaris me falou hoje. Ele soube da minha separação, porque eu falei da última vez que estive lá, e hoje, quando voltei pra comprar granola, ouvi esse carinho na minha alma de mulher. E foi mesmo um agrado porque ele, o ex-corretor, é um super gato. Casado e coisa e tal, mas escutar elogio, ainda mais de homem bonito, e ainda mais no meio do meu inferno astral, cai bem, e como cai.
Nunca uma granola havia me feito tão bem!
Foi isso que o ex-corretor que me mostrou essa casa onde moro e que agora já não é mais corretor mas sim o dono de uma loja de produtos natuaris me falou hoje. Ele soube da minha separação, porque eu falei da última vez que estive lá, e hoje, quando voltei pra comprar granola, ouvi esse carinho na minha alma de mulher. E foi mesmo um agrado porque ele, o ex-corretor, é um super gato. Casado e coisa e tal, mas escutar elogio, ainda mais de homem bonito, e ainda mais no meio do meu inferno astral, cai bem, e como cai.
Nunca uma granola havia me feito tão bem!
-profile/016988792876050828744
2010-06-13T21:29:52.626-03:00
Prêmio
de Consolação
Era essa a
palavra que tentava lembrar. E tentava lembrar porque resume o meu sentimento.
Sentia, e ainda sinto, como se a voda me tivesse oferecido um prêmio de
consolação, porque o prêmio verdadeiro eu não consegui ter. Mas essas coisas da
vida, não adianta ser o quase amor, ou a quase felicidade...qualquer coisa
menos do que aquilo que se sonhou está muito mais longe do que não ser ter
quase nenhum. Não quero quase filhas e nem quase marido que é ou foi quase meu.
Ou é ou não é. Pra ter pela metade prefiro não ter nada. Assim pelo menos tenho
a mim mesma por inteira.
-profile/016988792876050828741
2010-06-11T22:13:26.070-03:00
Ufa!
Queria tanto
chegar aqui, nesse cantinho meu onde eu relaxo minhas emoções e pensamentos.
Tenho trabalhado tanto, mas tanto, minha empresa está crescendo e está ficando
maior que eu. Passei a semana em São Paulo e acabei de chegar em Copa, no ap do
Posto 6. Adoro esse pequeno ap. É o pedacinho do mundo que é meu. Sempre que
chego aqui tenho vontade de escrever. Quer dizer, vontade de escrever tenho
sempre, mas aqui tenho o tempo que me é necessário.
Tive uma semana pesada de trabalho, como sempre são as semanas em São Paulo e parece que com o frio fiquei ainda mais pesada.
Emoções em camera lenta. Aos poucos vou sentindo o estrago que estes dois anos fizeram em mim. Saí desta relação com a dúvida se seria ou não capaz de dar amor, me senti estranha ao longo deste tempo, me senti outra que não eu, ou vivi um lado meu que eu não conhecia. Meu trabalho agora é re-descobrir em mim aquilo que gosto de ser e de sentir, e preciso finalmente aceitar as escolhas que fiz na vida. Durante estes últimos anos ouvi de outros e de mim mesma de que eu havia escolhido a minha carreira acima de tudo, que na minha vida não havia um lugar para a família e que nada disso era importante pra mim. O que começo a me dar conta é que fui vítima de uma tragédia ao perder o homem que eu amava há seis anos atrás e que o caminho que me vida tomou depois disso foi aquele único caminho que vi para a minha sobrevivência. Outro dia, enquanto tomávamos duas gaarrafas de espumante você me disse que eu não sentia mais dor, mas que nem por isso me machucava menos. E que a minha insensibilidade à dor fazia com que eu tivesse uma coragem absurda em relação as coisas da vida, coragem que muitos não tem. Você me disse que eu já havia sofrido tanto que já não me protegia da dor, porque simplesmente não podia mais reconhece-la. É verdade, pensei. Desde a morte do David tive demonstrações explícitas de atos supostamente de coragem que até a mim me impressionaram. Primeiro foi com o amante paraguaio. Eu estava totalmente apaixonada por ele e ele por mim. Paixão de matar trabalho e de se esconder do mundo só para estar com ele. E mesmo assim, passado apenas alguns meses eu fui capaz de deletá-lo da minha vida com uma violência sem par. Deletei ele do celular, do email de tudo. Enquanto isso escutava estórias de mulheres apaixonadas e insatisfeitas que choravam e estribuchavam mas que não conseguiam se separar. Acompanhei processos de separação que levaram anos, e eu em alguns meses deu fim a angústia. Engoli o sofrimento, mais uma vez, e toquei a vida. Agora, com esta relação que acabou, sofri demais por motivos que eu nem consegui entender ao certo porque, motivos desconhecidos e estranhos a mim. Não me arrependo da decisão que tomei, mas a rapidez com que desfiz tudo que se havia construído me assusta. Eu imaginava que fosse sofrer terrívelmente com a separação e no entanto, não sofro com isso. O que me faz sofrer hoje é a lembraça dos dias de depressão e tristeza que vivi ao longo dos dois anos e a sensação de ter sido de certa forma coagida a ocupar um espaço que estava vazio e que me foi entregue e que muitos a minha volta esperavam que fosse apenas natural que eu tomasse esse espaço como meu. A verdade é que o fato de ser uma mulher soziha me deixou vulnereavel e eu hoje olho pra trás e me sinto usada. Se eu ganhasse mal e tivesse três filhos, duvido que ele teria saído de Israel pra vir pra cá. A idéia de que eu estava vulnerável e portanto disponível me incomoda demais. Como se fosse natural para qualquer mulher aceitar o papel de mãe, de seus filhos ou dos filhos de outra mulher. Como se a escolha de não ser mãe fosse um terrível engano para qualquer mulher.
E, além disso, nunca fiz a escolha de não ser mãe. Provavelmente teria sido uma mãe feliz se o homem que eu amava não tivesse morrido. Isso jamais saberei. Na verdade fui vítima de um destino que jamais poderia ter previsto e preciso me conformar com isso e entender que não sou vítima de mim mesma ou de uma incapacidade de amar. Fui vítima de uma tragédia e não quero mais me sentir incomodada com felicidade familiar alheia.
E nessa dor estou descobrindo algo que nunca havia imaginado. Que podemos sim escolher a nossa família e que a família feliz não é necesseariamente feita por marido, filhos, irmãos e primos. Há outras formas de se construir uma família, que a família que é a gente escolhe quando escolhemos aqueles que amamos para compartilharem conosco o caminhos. A vida nós apresenta encontros ineperados que podem nos trazer mais satisfação do que aquele encontro incerto e imposto por um desejo que não se compartilha. O verdadeiro encontro é aquele que nos traz paz e felicidade. E apesar de tudo, sou grata pelos encontros que me fazem sentir viva e que validam em mim aquela que me dar prazer em ser.
Meu trabalho é me traduzir!
Tive uma semana pesada de trabalho, como sempre são as semanas em São Paulo e parece que com o frio fiquei ainda mais pesada.
Emoções em camera lenta. Aos poucos vou sentindo o estrago que estes dois anos fizeram em mim. Saí desta relação com a dúvida se seria ou não capaz de dar amor, me senti estranha ao longo deste tempo, me senti outra que não eu, ou vivi um lado meu que eu não conhecia. Meu trabalho agora é re-descobrir em mim aquilo que gosto de ser e de sentir, e preciso finalmente aceitar as escolhas que fiz na vida. Durante estes últimos anos ouvi de outros e de mim mesma de que eu havia escolhido a minha carreira acima de tudo, que na minha vida não havia um lugar para a família e que nada disso era importante pra mim. O que começo a me dar conta é que fui vítima de uma tragédia ao perder o homem que eu amava há seis anos atrás e que o caminho que me vida tomou depois disso foi aquele único caminho que vi para a minha sobrevivência. Outro dia, enquanto tomávamos duas gaarrafas de espumante você me disse que eu não sentia mais dor, mas que nem por isso me machucava menos. E que a minha insensibilidade à dor fazia com que eu tivesse uma coragem absurda em relação as coisas da vida, coragem que muitos não tem. Você me disse que eu já havia sofrido tanto que já não me protegia da dor, porque simplesmente não podia mais reconhece-la. É verdade, pensei. Desde a morte do David tive demonstrações explícitas de atos supostamente de coragem que até a mim me impressionaram. Primeiro foi com o amante paraguaio. Eu estava totalmente apaixonada por ele e ele por mim. Paixão de matar trabalho e de se esconder do mundo só para estar com ele. E mesmo assim, passado apenas alguns meses eu fui capaz de deletá-lo da minha vida com uma violência sem par. Deletei ele do celular, do email de tudo. Enquanto isso escutava estórias de mulheres apaixonadas e insatisfeitas que choravam e estribuchavam mas que não conseguiam se separar. Acompanhei processos de separação que levaram anos, e eu em alguns meses deu fim a angústia. Engoli o sofrimento, mais uma vez, e toquei a vida. Agora, com esta relação que acabou, sofri demais por motivos que eu nem consegui entender ao certo porque, motivos desconhecidos e estranhos a mim. Não me arrependo da decisão que tomei, mas a rapidez com que desfiz tudo que se havia construído me assusta. Eu imaginava que fosse sofrer terrívelmente com a separação e no entanto, não sofro com isso. O que me faz sofrer hoje é a lembraça dos dias de depressão e tristeza que vivi ao longo dos dois anos e a sensação de ter sido de certa forma coagida a ocupar um espaço que estava vazio e que me foi entregue e que muitos a minha volta esperavam que fosse apenas natural que eu tomasse esse espaço como meu. A verdade é que o fato de ser uma mulher soziha me deixou vulnereavel e eu hoje olho pra trás e me sinto usada. Se eu ganhasse mal e tivesse três filhos, duvido que ele teria saído de Israel pra vir pra cá. A idéia de que eu estava vulnerável e portanto disponível me incomoda demais. Como se fosse natural para qualquer mulher aceitar o papel de mãe, de seus filhos ou dos filhos de outra mulher. Como se a escolha de não ser mãe fosse um terrível engano para qualquer mulher.
E, além disso, nunca fiz a escolha de não ser mãe. Provavelmente teria sido uma mãe feliz se o homem que eu amava não tivesse morrido. Isso jamais saberei. Na verdade fui vítima de um destino que jamais poderia ter previsto e preciso me conformar com isso e entender que não sou vítima de mim mesma ou de uma incapacidade de amar. Fui vítima de uma tragédia e não quero mais me sentir incomodada com felicidade familiar alheia.
E nessa dor estou descobrindo algo que nunca havia imaginado. Que podemos sim escolher a nossa família e que a família feliz não é necesseariamente feita por marido, filhos, irmãos e primos. Há outras formas de se construir uma família, que a família que é a gente escolhe quando escolhemos aqueles que amamos para compartilharem conosco o caminhos. A vida nós apresenta encontros ineperados que podem nos trazer mais satisfação do que aquele encontro incerto e imposto por um desejo que não se compartilha. O verdadeiro encontro é aquele que nos traz paz e felicidade. E apesar de tudo, sou grata pelos encontros que me fazem sentir viva e que validam em mim aquela que me dar prazer em ser.
Meu trabalho é me traduzir!
-profile/016988792876050828742
2010-05-31T21:53:32.535-03:00
O
bolo que desandou, a massa que solou
Na sexta-feira
voltei de São Paulo. O biscoito Globo foi me buscar na casa da amiga, pra onde
eu havia ido do aeroporto. Jantamos juntos na casa da amiga, depois fomos pra
casa dele, ficamos de amasso no sofa, tudo direitinho e gostosinho. Eu tentando
me acostumar com o cheiro novo, a textura, o sabor, tudo diferente. Já faziam
alguns anos que um homem não se referia ao meu corpo e a tudo que se pode fazer
com ele, em Português. Eu estava exausta, queria ir dormir. Fomos pra cama, ele
se animou. Eu expliquei. Não vai rolar. Eu já havia explicado, preciso de
tempo, preciso criar um hiato entre uma coisa e outra, não consigo misturar os
sabores como se fossem chiclete, ele precisaria ter paciência, eu não poderia
ter sido mais clara.
No dia seguinte acordou meio esquisito. Conversamos amenidades na cama. Depois me arrumei pra ir embora. Estava há uma semana fora de casa, saudades de Moby e Bebel e da Fofa, eu queria ir pra casa. Tentei fazer planos com ele para o domingo mas ele não se mostrou interessado. Na hora de me despedir perguntei: então, ficamos como?
E foi aí que escutei a coisa mais banal que um homem já me disse. Ele falou:
Vamos deixar pra lá?
Como assim? eu perguntei.
Ha, ele disse. Não tá legal, né? Vamos deixar pra lá?
Fiquei muda por 10 segundos e então disse: ok.
Saí de lá aos prantos. A rapidez e a facilidade com que ele abriu mão de mim me chocou como nenhum fora que eu já tenha levado me chocou. Chorei da Barra até chegar em casa. No meio do caminho recebi um torpedo de Israel que me dizia o quanto sentiam a minha a falta e o quanto me amavam. Chorei mais ainda.
Já em casa me acalmei e aguardei. Depois de pensar um pouco concluí. Ele vai escrever, vai querer começar uma daquelas relações maluquinhas típica de homem inseguro e ciumento, coisa que ele já tinha deixado claro que era.
Não deu outra. No dia seguinte veio a série de emails de conteúdo já esperado. Aquela coisa de discutir a não relação. Queria que você soubesse que o que eu sinto bla, bla, bla..e que me sinto sobrando, bla, bla, bla, e que sinto que você ainda é mulher de outro e bla, bla, bla.
Cortei. Vai pastar. Não tenho mais 15 anos! Ele então se calou.
É tudo palhaço!
No dia seguinte acordou meio esquisito. Conversamos amenidades na cama. Depois me arrumei pra ir embora. Estava há uma semana fora de casa, saudades de Moby e Bebel e da Fofa, eu queria ir pra casa. Tentei fazer planos com ele para o domingo mas ele não se mostrou interessado. Na hora de me despedir perguntei: então, ficamos como?
E foi aí que escutei a coisa mais banal que um homem já me disse. Ele falou:
Vamos deixar pra lá?
Como assim? eu perguntei.
Ha, ele disse. Não tá legal, né? Vamos deixar pra lá?
Fiquei muda por 10 segundos e então disse: ok.
Saí de lá aos prantos. A rapidez e a facilidade com que ele abriu mão de mim me chocou como nenhum fora que eu já tenha levado me chocou. Chorei da Barra até chegar em casa. No meio do caminho recebi um torpedo de Israel que me dizia o quanto sentiam a minha a falta e o quanto me amavam. Chorei mais ainda.
Já em casa me acalmei e aguardei. Depois de pensar um pouco concluí. Ele vai escrever, vai querer começar uma daquelas relações maluquinhas típica de homem inseguro e ciumento, coisa que ele já tinha deixado claro que era.
Não deu outra. No dia seguinte veio a série de emails de conteúdo já esperado. Aquela coisa de discutir a não relação. Queria que você soubesse que o que eu sinto bla, bla, bla..e que me sinto sobrando, bla, bla, bla, e que sinto que você ainda é mulher de outro e bla, bla, bla.
Cortei. Vai pastar. Não tenho mais 15 anos! Ele então se calou.
É tudo palhaço!
-profile/016988792876050828743
2010-05-27T13:52:58.581-03:00
Promessas
Me promete uma
coisa? Por favor? Me promete que se você chegar até estas páginas por caminhos
independentes você não vai ler o que aqui estiver escrito quando perceber que
se trata do meu blog?
Você logo verá que é o meu blog, porque reconhecerá, entre pitadas de poesia e outras de antecipação, que estas linhas foram escritas por mim. Você vai sentir um friozinho no estômago e vai pensar…eu achei o blog dela. Sei que é pedir muito a um homem que não leia o blog da mulher de quem ele aos pouquinhos, e um pouquinho a cada dia, se aproxima. Sei que é quase um aleijamento te pedir que por favor, não tire de mim um das coisas mais importantes da minha vida, que é este espaço meu, reservado para as minhas bobagens, sonhos, fantasias e realidades.
Me promete que não vai tirar isso de mim e que ao chegar nesta página você vai me ligar pra me dizer: eu te achei e te prometo que esse espaço continuará sendo seu.
Me promete?
Você logo verá que é o meu blog, porque reconhecerá, entre pitadas de poesia e outras de antecipação, que estas linhas foram escritas por mim. Você vai sentir um friozinho no estômago e vai pensar…eu achei o blog dela. Sei que é pedir muito a um homem que não leia o blog da mulher de quem ele aos pouquinhos, e um pouquinho a cada dia, se aproxima. Sei que é quase um aleijamento te pedir que por favor, não tire de mim um das coisas mais importantes da minha vida, que é este espaço meu, reservado para as minhas bobagens, sonhos, fantasias e realidades.
Me promete que não vai tirar isso de mim e que ao chegar nesta página você vai me ligar pra me dizer: eu te achei e te prometo que esse espaço continuará sendo seu.
Me promete?
-profile/016988792876050828742
2010-05-27T13:52:57.612-03:00
Promessas
Me promete uma
coisa? Por favor? Me promete que se você chegar até estas páginas por caminhos
independentes você não vai ler o que aqui estiver escrito quando perceber que
se trata do meu blog?
Você logo verá que é o meu blog, porque reconhecerá, entre pitadas de poesia e outras de antecipação, que estas linhas foram escritas por mim. Você vai sentir um friozinho no estômago e vai pensar…eu achei o blog dela. Sei que é pedir muito a um homem que não leia o blog da mulher de quem ele aos pouquinhos, e um pouquinho a cada dia, se aproxima. Sei que é quase um aleijamento te pedir que por favor, não tire de mim um das coisas mais importantes da minha vida, que é este espaço meu, reservado para as minhas bobagens, sonhos, fantasias e realidades.
Me promete que não vai tirar isso de mim e que ao chegar nesta página você vai me ligar pra me dizer: eu te achei e te prometo que esse espaço continuará sendo seu.
Me promete?
Você logo verá que é o meu blog, porque reconhecerá, entre pitadas de poesia e outras de antecipação, que estas linhas foram escritas por mim. Você vai sentir um friozinho no estômago e vai pensar…eu achei o blog dela. Sei que é pedir muito a um homem que não leia o blog da mulher de quem ele aos pouquinhos, e um pouquinho a cada dia, se aproxima. Sei que é quase um aleijamento te pedir que por favor, não tire de mim um das coisas mais importantes da minha vida, que é este espaço meu, reservado para as minhas bobagens, sonhos, fantasias e realidades.
Me promete que não vai tirar isso de mim e que ao chegar nesta página você vai me ligar pra me dizer: eu te achei e te prometo que esse espaço continuará sendo seu.
Me promete?
-profile/016988792876050828740
2010-05-24T17:10:12.538-03:00
Biscoito
Globo
Indo da Barra
para o Santos Dumont, gentileza que eu acabei aceitando depois de ter tomado
duas cervejas durante o almoço e ter achado melhor me deixar levar pelo plano
dele de deixar meu carro na casa dele e pegá-lo quando voltasse de São Paulo,
escutávamos um CD que eu gravei pra ele. O CD foi uma troca que fiz, ele me fez
um CD da Cat Power, que eu não conhecia, eu fiz pra ele um CD com algumas das músicas
que mais gosto e que me marcaram ao longo destes…destes alguns anos de estrada
que tenho. Ouvíamos Aicha. Ele me perguntou quem cantava aquela música, disse
que era um daqueles Africanos com um pé na África. Como você conhece isso, ele
me perguntou? Ha essa ai foi do namorado Iraniano. Namorado Iraniano? ele
perguntou assustado. Sim, eu respondi. Que mais ele perguntou? Eu então pensei
naquela noite lá em casa quando falei pra você que iria colocar um alfinete em
cada país cujo um representante já tivesse visitado minhas partes íntimas… Que
mais, ele insistiu? Bem, eu disse, teve o Frank, o alemão que conheci numa
madrugada carioca quando voltava do Cabaré Calessa, e teve o Iraniano, já nos
Estados Unidos. David era Americano, depois teve aquela coisa, o Paraguaio,
depois acabei com um soldado Israelense..Ele me pareceu chocado. Quando foi a
última vez que você namorou um Brasileiro? Brasileiro, eu perguntei? Sim,
Brasileiro, melhor..carioca. Carioca pra rir junto do Casseta e Planeta, pra
comer biscoito Globo na praia, pra ver o pôr do sol no Arpoador, pra andar
pelas esquinas da nossa cidade, pra ter medo destas esquinas, pra ver artista
global nas ruas da Zona Sul e reconhecer, pra curtir os Paralalamas, pra ir ao
Circo Voador…Quando foi?
Já faz muito tempo, eu pensei. Já fazem 16 anos. Foi a grande paixão da minha vida, aquela último carioca com quem me envolvi em 1994. Talvez por isso, eu pensei, tudo hoje, já passado um dia desde que ele me beijou, me abraçou apertado, cheirou me cabelo e disse que topava tudo que eu quisesse: casar, filho, morar junto, namorar e que me prometeu, diante das minhas súplicas, que iria devagar e que não iria ficar me cercando e nem me cobrando, que eu sinta um sentimento de familiaridade há muito perdido na minha vida.
Ele disse que eu tinha tudo que um homem pudesse querer de uma mullher. Eu disse ter ainda mais. Tenho também uma dose inimaginável de maluquice. Ele achou graça. Eu não acharia.
Não diga que não avisei. Eu avisei. Mas depois, as velhas armas, o beijo que escorrega, a mão que toca macio, a voz que fica melosa… Tudo muito familiar. Tudo há muito tempo esquecido.
Já faz muito tempo, eu pensei. Já fazem 16 anos. Foi a grande paixão da minha vida, aquela último carioca com quem me envolvi em 1994. Talvez por isso, eu pensei, tudo hoje, já passado um dia desde que ele me beijou, me abraçou apertado, cheirou me cabelo e disse que topava tudo que eu quisesse: casar, filho, morar junto, namorar e que me prometeu, diante das minhas súplicas, que iria devagar e que não iria ficar me cercando e nem me cobrando, que eu sinta um sentimento de familiaridade há muito perdido na minha vida.
Ele disse que eu tinha tudo que um homem pudesse querer de uma mullher. Eu disse ter ainda mais. Tenho também uma dose inimaginável de maluquice. Ele achou graça. Eu não acharia.
Não diga que não avisei. Eu avisei. Mas depois, as velhas armas, o beijo que escorrega, a mão que toca macio, a voz que fica melosa… Tudo muito familiar. Tudo há muito tempo esquecido.
-profile/016988792876050828745
2010-05-17T20:28:02.496-03:00
Falando
de coisas importantes
No sábado a
noite, falava de coisas importantes enquanto bebia uma garrafa de espumante com
as amigas. Minha vida agora é cercada de momentos importantes e de revelações
profundas como esta que aqui descrevo. Eu podia mesmo prever que após tanto
sofrimento eu agora viveria momentos de mergulho profundo. A prova disso está
neste post que decrevo com a coragem que se faz necessária para se abrir e se
revelar ao outro.
Falávamos de bonecanocufilia. Mais tarde a pesquisa foi devidamente realizada onde revelou-se que a bonecanocufilia é uma síndrome complexa com várias sub-divisões. São elas:
pollynocufilia (para iniciantes)
barbienocufilia (para quem acha que só é bom se for americano)
playmobilnocufilia (para minimalistas)
legonocufilia (para aqueles que gostam de um encaixe)
suzynocufilia (para nacionalistas)
falconnocufilia (para gays)
maxsteelnocufilia (para os mais modernos)
e os níveis mais elevados da perversão são a amiguinhanocufilia e manequimdelojanocufilia.
Realmente vivo um momento de crescimento e auto-conhecimento profundo.
Fazia muito tempo que não dava tanta risada. Maribel dizia que eu não tinha senso de humor. É verdade, ela nunca teve a chance de me ver rindo com vonated, dando uma gargalhada, correndo pro banheiro pra não fazer nas calças. Eu era a rainha da cara amarrada. Agora sou só bobagens!
Falávamos de bonecanocufilia. Mais tarde a pesquisa foi devidamente realizada onde revelou-se que a bonecanocufilia é uma síndrome complexa com várias sub-divisões. São elas:
pollynocufilia (para iniciantes)
barbienocufilia (para quem acha que só é bom se for americano)
playmobilnocufilia (para minimalistas)
legonocufilia (para aqueles que gostam de um encaixe)
suzynocufilia (para nacionalistas)
falconnocufilia (para gays)
maxsteelnocufilia (para os mais modernos)
e os níveis mais elevados da perversão são a amiguinhanocufilia e manequimdelojanocufilia.
Realmente vivo um momento de crescimento e auto-conhecimento profundo.
Fazia muito tempo que não dava tanta risada. Maribel dizia que eu não tinha senso de humor. É verdade, ela nunca teve a chance de me ver rindo com vonated, dando uma gargalhada, correndo pro banheiro pra não fazer nas calças. Eu era a rainha da cara amarrada. Agora sou só bobagens!
-profile/016988792876050828744
2010-05-11T01:52:58.511-03:00
O
skype é o meu limite
Falei agora com
ele pelo skype por quase 50 minutos, e ele passou quase todos os 50 minutos
chorando e falando da falta que eu fazia e o quão sozinho ele se sentia, apesar
de estar em casa. Disse que entendia tudo que havia acontecido durante estes
quase 2 anos que viveu no Brasil, que assumia a responsabilidade, que ficou
paralisado. E repetiu mais uma vez o quanto maravilhosa eu sou e que vai me
esperar pra sempre.
Agora, pode uma coisa dessas?
Eu estou na terapia tentando entender a louca que baixou em mim durante ests dois anos e tentando descobrir o que ficou de mim. Me pergunto se sou capaz de dar amor, se sou uma louca, se fiz mal as meninas. Elas, me chamam todos os dias sempre que me vêem online, querem me contar das coisinhas do dia a dia, querem me mostrar vídeos no You Tube, querem me contar do gatinho do cinema. Eu concluo que não posso ter sido tão ruim assim. Acho que fui ruim pra mim, mais do que tudo, porque saí do meu eixo com tanta violência.
Esse domingo passei o dia todo em casa e quando voltei a de novo conversar com o cachorro eu me olhei no espelho e me reconheci. Essa, que passa o domingo sozinha, que fala com o cachorro e que se assusta quando o pão pula da torradeira, essa aí eu sei bem quem é..essa aí sou eu.
Agora, pode uma coisa dessas?
Eu estou na terapia tentando entender a louca que baixou em mim durante ests dois anos e tentando descobrir o que ficou de mim. Me pergunto se sou capaz de dar amor, se sou uma louca, se fiz mal as meninas. Elas, me chamam todos os dias sempre que me vêem online, querem me contar das coisinhas do dia a dia, querem me mostrar vídeos no You Tube, querem me contar do gatinho do cinema. Eu concluo que não posso ter sido tão ruim assim. Acho que fui ruim pra mim, mais do que tudo, porque saí do meu eixo com tanta violência.
Esse domingo passei o dia todo em casa e quando voltei a de novo conversar com o cachorro eu me olhei no espelho e me reconheci. Essa, que passa o domingo sozinha, que fala com o cachorro e que se assusta quando o pão pula da torradeira, essa aí eu sei bem quem é..essa aí sou eu.
-profile/016988792876050828741
2010-05-07T16:13:47.076-03:00
Absolutamente
LINDO!
-profile/016988792876050828743
2010-05-06T14:54:32.036-03:00
A mãe
de 100 anos
A Maria Amélia,
mãe do Chico Buarque morreu hoje aos 100 anos.
Mas você não.
Graças a Deus.
Mas você não.
Graças a Deus.
-profile/016988792876050828742
2010-05-03T17:04:10.106-03:00
O
Encontro é de DOIS
Essa música diz tudo. Eu...às vezes acredito que não preciso dizer mais nada.
-profile/016988792876050828740
2010-05-02T20:50:45.228-03:00
No
teu deserto
Terminei o livro
do Miguel Sousa Tavares hoje de manhã, entre lágrimas. Além deste, também amei
Equador, do mesmo autor, e está na minha lista de top five de todos os
tempos
1) Cem Anos de Solidão (número 1 SEMPRE)
2) O Nome da Rosa
3) Equador
4) A imortalidade
5) Capitães da Areia
Em algum momento, lá no meio do deserto, ele explica pra ela
"_Escrever não é falar.
_ Não? Qual é a diferença?
_É exactamente o oposto. Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada pra dizer."
Agora é prepara o estômago pra encarar Rubem Fonseca até a próxima caixa da Amazon chegar.
1) Cem Anos de Solidão (número 1 SEMPRE)
2) O Nome da Rosa
3) Equador
4) A imortalidade
5) Capitães da Areia
Em algum momento, lá no meio do deserto, ele explica pra ela
"_Escrever não é falar.
_ Não? Qual é a diferença?
_É exactamente o oposto. Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada pra dizer."
Agora é prepara o estômago pra encarar Rubem Fonseca até a próxima caixa da Amazon chegar.
-profile/016988792876050828743
2010-05-02T20:06:46.744-03:00
Un homme et Une Femme (1966) - Samba Saravah
-profile/016988792876050828741
2010-04-30T22:09:15.280-03:00
A
casa vazia que me espera
Depois de passar
a semana inteira em São Paulo, hoje voltei pro Rio e amanhã volto pra casa.
Casa vazia!
Não sei se será bom ou ruim encontrar aquela casa vazia, onde uma simulação mal feita de família finalmente desabou e caiu. Sim, a casa caiu. Mas eu, ha eu tô de pé. Já iniciei meu processo de transformação, já mudei o cabelo, já comprei sapato e outras delícias me esperam. Sabe o que eu mais aprendi com isso tudo? Que deve ser muito bom ter uma família. Mas tem que ser uma família que a gente sinta como tal, não dá pra produzir. Todo mundo sabe que miojo engana mas não alimenta. A minha família miojo, como eu a chamava, me deixou fraca e deprimida. Não culpo ninguém não, nem eu, nem ele, e muito menos as meninas. Simplemente formamos uma combinação ruim, que não me deixava satisfeita por milhões de questões que aos poucos irei digerindo.
Em algum momento, e isso eu sei, vou querer ter uma família. Mas não consigo imaginar como isso possa acontecer e agora, no momento, não estou preocupada com isso. Deixa pra lá. Mas olha, eu juro! Quando eu tiver me recuperado de mais esse episódio inusitado na minha vida, não vou me deixar levar pelas ilusões do outro. O outro, só mesmo se eu quiser. O desejo terá de ser meu também.
Não sei se será bom ou ruim encontrar aquela casa vazia, onde uma simulação mal feita de família finalmente desabou e caiu. Sim, a casa caiu. Mas eu, ha eu tô de pé. Já iniciei meu processo de transformação, já mudei o cabelo, já comprei sapato e outras delícias me esperam. Sabe o que eu mais aprendi com isso tudo? Que deve ser muito bom ter uma família. Mas tem que ser uma família que a gente sinta como tal, não dá pra produzir. Todo mundo sabe que miojo engana mas não alimenta. A minha família miojo, como eu a chamava, me deixou fraca e deprimida. Não culpo ninguém não, nem eu, nem ele, e muito menos as meninas. Simplemente formamos uma combinação ruim, que não me deixava satisfeita por milhões de questões que aos poucos irei digerindo.
Em algum momento, e isso eu sei, vou querer ter uma família. Mas não consigo imaginar como isso possa acontecer e agora, no momento, não estou preocupada com isso. Deixa pra lá. Mas olha, eu juro! Quando eu tiver me recuperado de mais esse episódio inusitado na minha vida, não vou me deixar levar pelas ilusões do outro. O outro, só mesmo se eu quiser. O desejo terá de ser meu também.
-profile/016988792876050828740
2010-04-27T15:14:22.239-03:00
Último
recado da Maribel pra mim
Eu achei no Notes
do meu Iphone, foi ela que me disse para olhar lá. E
dizia assim mesmo como transcrevo:
Dear Bebel
it may be hard, but it is for all of us.
Don't forget I'm still here, in your heart <3 br="">U can always call me in Skype if you need someone.
I LOVE YOU!!!
From: Maribel :D 3>
Dear Bebel
it may be hard, but it is for all of us.
Don't forget I'm still here, in your heart <3 br="">U can always call me in Skype if you need someone.
I LOVE YOU!!!
From: Maribel :D
-profile/016988792876050828741
2010-04-26T19:07:49.026-03:00
Family
Values
Pra entender o
meu caso, do ângulo mais natural e biólogico possível, leia um capítulo do
livro do Steven Pinker chamado Como a Mente Funciona. O capítulo é Family
Values. Tá lá tudo explicadinho do porque da minha dificuldade com as meninas,
do porque de todos os meus questionamentos, de porque a simulação de uma
família não deu certo com eles e jamais daria. Mas não significa que não
poderia dar certo com outro.
Hoje já é segunda-feira e eles já estão em Tel-Aviv e eu já estou em São Paulo.
Não vejo a hora de estar de volta a minha casa e de começar uma nova vida, coisa que já sou profissional. A lista de afazeres e planos renovadores não para de crescer e inclui:
Trocar de carro
Pegar mais um filhote de pointer
Comprar uma casa financiada
Treinar para a São Silvestre
Trabalhar e ganhar muito dinheiro
Pensar em questões de maternidade, quem sabe um filho, quem sabe uma simulação, quem sabe nada disso
Na minha lista de renovação não inclui homem embora já tenha aparecido um engraçadinho se engraçando. Quero ficar no meu canto, com meus discos e livros e nada mais, diria Elis. Mas não é verdade. Tem muitíssimo mais. Tem Moby e Bebel, tem meu blog, tem vocês, tem meus sonhos, meus planos, minha viagens, minhas estórias, tem eu. E isso, com certza, não é pouca merda.
Hoje já é segunda-feira e eles já estão em Tel-Aviv e eu já estou em São Paulo.
Não vejo a hora de estar de volta a minha casa e de começar uma nova vida, coisa que já sou profissional. A lista de afazeres e planos renovadores não para de crescer e inclui:
Trocar de carro
Pegar mais um filhote de pointer
Comprar uma casa financiada
Treinar para a São Silvestre
Trabalhar e ganhar muito dinheiro
Pensar em questões de maternidade, quem sabe um filho, quem sabe uma simulação, quem sabe nada disso
Na minha lista de renovação não inclui homem embora já tenha aparecido um engraçadinho se engraçando. Quero ficar no meu canto, com meus discos e livros e nada mais, diria Elis. Mas não é verdade. Tem muitíssimo mais. Tem Moby e Bebel, tem meu blog, tem vocês, tem meus sonhos, meus planos, minha viagens, minhas estórias, tem eu. E isso, com certza, não é pouca merda.
-profile/016988792876050828744
2010-04-23T09:32:44.932-03:00
No
meu deserto
Comecei a ler o
novo livro do português Miguel Sousa Tavares, o mesmo autor de Equador! O
livro, curto e singelo, é simplesmente lindo! Numa rápida passagem no início do
livro ele fala sobre fotografias, e o quanto elas são dissimuladas. Quer dizer,
dissimuladas já é interpretação minha. Mas dissimuladas porque nos fazem
acreditar que aquele momento capturado num fração de segundos será eterno. E
nada é eterno, nem mesmo o momento da captura.
Hoje fui correr na praia, depois de umas 3 semanas sem calçar meus tênis coloridos e sem força ou energia para tal. Fui até o Copacabana Palace e voltei. Na volta passei pelo restaurante chinês onde no dia 25 de dezembro, que é o dia oficial para me pedir em casamento, jantamos depois de você ter me proposto tal proposta que nunca se concretizou. Me lembrei que na saída do restaurante conhecemos um casal judeu americano para quem contamos o que comemorávamos naquele dia. O casal era simpático e estava ansioso por estórias para contar quando retornasse para casa. Contamos tudo, de como nos conhecemos, de nossos passados, de nossos planos pro futuro.
Hoje pensei: até hoje o casal deve contar esta estória e deve acreditar, assim como naquelas frações de segundos de uma fotografia, que este momento jamais deixou de existir.
Hoje fui correr na praia, depois de umas 3 semanas sem calçar meus tênis coloridos e sem força ou energia para tal. Fui até o Copacabana Palace e voltei. Na volta passei pelo restaurante chinês onde no dia 25 de dezembro, que é o dia oficial para me pedir em casamento, jantamos depois de você ter me proposto tal proposta que nunca se concretizou. Me lembrei que na saída do restaurante conhecemos um casal judeu americano para quem contamos o que comemorávamos naquele dia. O casal era simpático e estava ansioso por estórias para contar quando retornasse para casa. Contamos tudo, de como nos conhecemos, de nossos passados, de nossos planos pro futuro.
Hoje pensei: até hoje o casal deve contar esta estória e deve acreditar, assim como naquelas frações de segundos de uma fotografia, que este momento jamais deixou de existir.
-profile/016988792876050828744
2010-04-22T17:43:59.959-03:00
Mergulho
profundo e medo de me afogar
Hoje quando
estava no supermercado eu olhei pra banana e pensei: eu já comprei banana hoje.
Mas não conseguia me lembrar onde e quando comprei banana.Fiquei assustada.
Depois de um exercício de concentração, eu mais ou menos me lembrei quando
havia comprado a banana. Foi depois que deixei Moby e Bebel no petshop pra
tomar banho e antes de ficar sabendo, da boca do banhador de cachorro, que Moby
e Bebel ainda estão com pulgas. Eu fiz de tudo. Isso me lembro. Até a casa foi
detetizada. Eu não sei mais o que fazer, nem em relação a isso e nem em relação
a coisa nenhuma.
Eu vim pro Rio e dexei eles em casa. Dexei o meu carro com eles, a casa, a empregada. Fui eu que sai da minha casa. E agora tenho medo de voltar, enquanto eles estiverem lá. Tenho que levar Moby e Bebel de volta e não consigo decidir o que fazer.
Tudo isso está me doendo tanto, e é uma dor tão estranha. Não me dói estar me separando dele, me dói não saber o que fazer com o que sinto pelas meninas.
O tempo, ele mais uma vez. O tempo será novamente meu melhor e único aliado.
Eu vim pro Rio e dexei eles em casa. Dexei o meu carro com eles, a casa, a empregada. Fui eu que sai da minha casa. E agora tenho medo de voltar, enquanto eles estiverem lá. Tenho que levar Moby e Bebel de volta e não consigo decidir o que fazer.
Tudo isso está me doendo tanto, e é uma dor tão estranha. Não me dói estar me separando dele, me dói não saber o que fazer com o que sinto pelas meninas.
O tempo, ele mais uma vez. O tempo será novamente meu melhor e único aliado.
-profile/016988792876050828740
2010-04-21T21:54:19.987-03:00
Um
dia com a minha cara
Hoje eu acordei
sem sono e com vontade de acordar.
O sol estava lindo e iluminava a minha pequena janela de uma forma que eu já não mais me lembrava. Liguei o rádio. EU LIGUEI O RÁDIO!!! Sabe há quanto tempo eu não fazia isso? Eu adoro escutar música no rádio e não fazia isso há pelo menos dois anos. Na minha casa, ultimamente, nunca se escutava música na sala, somente individualmente. Não tinha aquela música que emana por toda a casa e enche o domingo de melodia. Isso não tinha, além de tantas outras coisas que não tinha.
Levei Moby e Bebel no parque onde re-encontraram amigos de outras épocas. Brincaram, Moby correu atrás da bolinha, Bebel se incomodou com quem quisesse cheirar sua bundinha, enfim, o usual.
Voltei pra casa e trabalhei nos projetos da minha empresa que em breve terá uma sócia.
Quando eram quase duas horas sai em busca de alimento. Encontrei o dog walker no caminho. Lembra do dog walker?
Voltei pra casa, trabalhei mais um pouco, depois li um livro chato demais da Companhia das Letras que não entendo como foi aprovado pelos editores, é chato demais. Tomei banho, me arrumei bonitinha e agora espero a amiga pra irmos juntas comer crepe de trigo sarraceno (dizem que é o máximo, quero ver) e beber umas e outras. E falar, que ainda preciso falar, mas cada vez menos, enquanto cada vez mais tenho a certeza de ser este caminho o único possível.
O sol estava lindo e iluminava a minha pequena janela de uma forma que eu já não mais me lembrava. Liguei o rádio. EU LIGUEI O RÁDIO!!! Sabe há quanto tempo eu não fazia isso? Eu adoro escutar música no rádio e não fazia isso há pelo menos dois anos. Na minha casa, ultimamente, nunca se escutava música na sala, somente individualmente. Não tinha aquela música que emana por toda a casa e enche o domingo de melodia. Isso não tinha, além de tantas outras coisas que não tinha.
Levei Moby e Bebel no parque onde re-encontraram amigos de outras épocas. Brincaram, Moby correu atrás da bolinha, Bebel se incomodou com quem quisesse cheirar sua bundinha, enfim, o usual.
Voltei pra casa e trabalhei nos projetos da minha empresa que em breve terá uma sócia.
Quando eram quase duas horas sai em busca de alimento. Encontrei o dog walker no caminho. Lembra do dog walker?
Voltei pra casa, trabalhei mais um pouco, depois li um livro chato demais da Companhia das Letras que não entendo como foi aprovado pelos editores, é chato demais. Tomei banho, me arrumei bonitinha e agora espero a amiga pra irmos juntas comer crepe de trigo sarraceno (dizem que é o máximo, quero ver) e beber umas e outras. E falar, que ainda preciso falar, mas cada vez menos, enquanto cada vez mais tenho a certeza de ser este caminho o único possível.
-profile/016988792876050828741
2010-04-20T21:26:00.253-03:00
Enfim
só
Não aguentei assistir
a rotina da preparação das malas e a as flechadas que ele começou a atirar em
mim. Hoje, depois de uma cena grosseira em que ele gritou comigo, liguei pra
minha fiel amiga e pedi que viesse me buscar, eu e os cachorros, e me trouxesse
pro Rio. Eu, se fosse de fato essa pessoa ruim que me pintaram, teria pego o
meu próprio carro e vindo com as minhas próprias rodas. Mas não, deixei o carro
com ele e contei com o amor e comprensão de uma amizade que já dura quase uma
vida. Foi dar o telefonema e em pouco tempo ela estava lá, disposta a colocar
eu, Moby e Bebel em seu carro. E assim chegamos ao Rio e aqui ficaremos até
sábado a noite ou domingo, quando tenho que levar os cães de volta pra casa e
pegar um avião pra São Paulo, onde darei na semana que vem um workshop.
Hoje, na despedida, não houveram lágrimas e nele não consegui nem dar um abraço, tamanha e minha tristeza e decepção.
Amanhã vai ser um dia de sol e vou deixar que Moby e Bebel me levem pra passear pela cidade.
Hoje, na despedida, não houveram lágrimas e nele não consegui nem dar um abraço, tamanha e minha tristeza e decepção.
Amanhã vai ser um dia de sol e vou deixar que Moby e Bebel me levem pra passear pela cidade.
-profile/016988792876050828741
2010-04-20T00:52:48.263-03:00
O dia
em que serei novamente uma
Esse dia é
domingo. Passagens compradas, malas ainda por fazer. Sinto alívio e tristeza,
parecido com aquilo que se sente quando se perde após longa batalha. Nos meses
que se seguirão talvez eu consiga dar mais sentido a tudo que me aconteceu
nestes dois anos. As meninas parecem bem, é sempre difícil dizer o que
sentem.
Já um pouco mais distanciada e sem me atentar aos detalhes do quadro ou da moldura o que percebo é uma mulher sozinha que havia escolhido construir sua própria empresa, com poucos recursos e muito trabalho, e que justamente no início deste processo se junta a um homem para quem a vida ainda não apontava qualquer caminho. Com ele, ainda trazia duas filhas, maravilhosas, mais ainda assim eram crianças que como quaisquer outras necessitavam de cuidados, carinho, atenção, suporte financeiro e emocional.
Esta mulher tentou como podia conciliar seu sonho às necessidades que esta família lhe requisitava, enquanto este homem não conseguia, por nenhum dos caminhos que pareciam possíveis, encontrar um que fosse seu.
Esta mulher também tinha seus medos, traumas e dificuldades. A presença diária de uma língua estranha em sua casa lhe fazia sentir por horas estar recebendo visitas que nunca partiam, ou de ser ela própria a visita que nunca encontrava seu espaço e momento para estar só e se sentir em casa.
A certeza de que a guarda permanente daquele amor que nascia nunca lhe seria entregue se impunha como uma barreira, ou providência, que muitas vezes lhe impedia de dar aquilo que em muitas ocasiões ela se perguntou se de fato teria.
A impossibilidade daquele relacionamento de tantas lacunas, de tantas diferenças, e de tantas necessidades lhe soava aos ouvidos como um alarme estridente, que lhe deixava, literalmente, surda.
Muitas vezes foi ao médico reclamando de dores, todas as vezes voltava pra casa com a mesma receita na bolsa: rivotril. Você está ansiosa e angustiada, dizia o médico.
O rivotril acabou e não tenho outra receita.
No lugar deste vou correr, andar de bicicleta e de patins. Vou levar os cachorros à praia, vou ler livros, ir ao cinema, estar com aqueles que amo, vou me aproximar ainda mais de minha família, vou desenhar flores, jardins, casas com cercas brancas, vou escrever, e vou trabalhar.
Vou à Brasília, à Porto Alegre, à Belo Horizonte e quem sabe até vou a Aracaju. Vou cutucar muito dentro de mim, descobrir o que ficou e identificar aquilo que foi transformado, e de uma forma ou de outra, vou compartilhar todas as revelações com você.
Porque no final do dia, ou quem sabe até de madrugada, quem realmente me lê é você.
Já um pouco mais distanciada e sem me atentar aos detalhes do quadro ou da moldura o que percebo é uma mulher sozinha que havia escolhido construir sua própria empresa, com poucos recursos e muito trabalho, e que justamente no início deste processo se junta a um homem para quem a vida ainda não apontava qualquer caminho. Com ele, ainda trazia duas filhas, maravilhosas, mais ainda assim eram crianças que como quaisquer outras necessitavam de cuidados, carinho, atenção, suporte financeiro e emocional.
Esta mulher tentou como podia conciliar seu sonho às necessidades que esta família lhe requisitava, enquanto este homem não conseguia, por nenhum dos caminhos que pareciam possíveis, encontrar um que fosse seu.
Esta mulher também tinha seus medos, traumas e dificuldades. A presença diária de uma língua estranha em sua casa lhe fazia sentir por horas estar recebendo visitas que nunca partiam, ou de ser ela própria a visita que nunca encontrava seu espaço e momento para estar só e se sentir em casa.
A certeza de que a guarda permanente daquele amor que nascia nunca lhe seria entregue se impunha como uma barreira, ou providência, que muitas vezes lhe impedia de dar aquilo que em muitas ocasiões ela se perguntou se de fato teria.
A impossibilidade daquele relacionamento de tantas lacunas, de tantas diferenças, e de tantas necessidades lhe soava aos ouvidos como um alarme estridente, que lhe deixava, literalmente, surda.
Muitas vezes foi ao médico reclamando de dores, todas as vezes voltava pra casa com a mesma receita na bolsa: rivotril. Você está ansiosa e angustiada, dizia o médico.
O rivotril acabou e não tenho outra receita.
No lugar deste vou correr, andar de bicicleta e de patins. Vou levar os cachorros à praia, vou ler livros, ir ao cinema, estar com aqueles que amo, vou me aproximar ainda mais de minha família, vou desenhar flores, jardins, casas com cercas brancas, vou escrever, e vou trabalhar.
Vou à Brasília, à Porto Alegre, à Belo Horizonte e quem sabe até vou a Aracaju. Vou cutucar muito dentro de mim, descobrir o que ficou e identificar aquilo que foi transformado, e de uma forma ou de outra, vou compartilhar todas as revelações com você.
Porque no final do dia, ou quem sabe até de madrugada, quem realmente me lê é você.
-profile/016988792876050828743
2010-04-17T16:12:56.004-03:00
Dez
razões para me separar
1) Me parece que
lhe falta pelo menos alguma dose de garra, necessária para que as coisas em sua
vida possam acontecer.
2) Não fico descançada em relação as coisas que são deixadas sob sua responsabilidade.
2) Não fico descançada em relação as coisas que são deixadas sob sua responsabilidade.
-profile/016988792876050828740
2010-04-12T19:28:09.478-03:00
Uma
noite sozinha no Posto 6
Lembro daqueles
meses maravilhosos que passei aqui no Posto 6 em 2006 com Moby e Bebel. Foram
tempos mágicos que anunciavam uma nova vida que se iniciava depois do longo
luto pelo qual passamos, seguido pelo vulcão paraguaio que se instalou,
temporariamente em minha vida. Eu superei, tanto o luto como o cavalo
paraguaio. Você tem razão minha amiga. E isso, já dizia o mais sábio, também
passará.
A única pendência agora é a data. Ele diz que quer voltar em Maio e eu iria em julho levando as meninas. Não sei se conseguirei dar conta disso porque estes dois meses sozinhas com elas me apavoram. Me apavoram porque não poderei contar nem com o pouquíssimo apoio que ele oferece, tudo será minha responsabiliade. Ele diz que sou eu que terei que decidir, como sempre.
Eu queria que as meninas terminassem o semestre, que não desaparecessem assim da escola de um dia pro outro como se fossem fugitivas, que pudessem ter a sensação de que o ciclo foi finalizado e não interrompido.
Quando eu pergunto se ele poderá contribuir durante estes dois meses ele diz que não, que o dinheiro que tem é pra comprar uma nova casa em Isarel. Ou seja, ou eu assumo essa responsabilidade totalmente, ou, ele disse, ele vai embora com elas em 3 semanas.
Fico pensando o que elas pensarão de mim, se algum dia poderão entender esse nó na qual foram inseridas involuntariamente, se me odiarão por acreditarem, como pareceu em tantas circunstâncias, que eu não queria ficar com elas.
Não é verdade, nada disso é verdade. Começo a entender na terapia que a minha reação, que acaba por refletir nelas, na verdade é uma resposta ao meu despreazer de saber que elas vem num pacote que também inclui ele. Fosse ele um homem responsável, talentoso, ambicioso, esforçado, tudo teria sido diferente.
Ontem ele me acusou de te-lo feito vender a casa em Isarel e fez parecer que eu havia destruído nossos planos. O que ele fez, ou melhor, deixou de fazer, não conta. A louca da casa, como sempre, sou eu.
A única pendência agora é a data. Ele diz que quer voltar em Maio e eu iria em julho levando as meninas. Não sei se conseguirei dar conta disso porque estes dois meses sozinhas com elas me apavoram. Me apavoram porque não poderei contar nem com o pouquíssimo apoio que ele oferece, tudo será minha responsabiliade. Ele diz que sou eu que terei que decidir, como sempre.
Eu queria que as meninas terminassem o semestre, que não desaparecessem assim da escola de um dia pro outro como se fossem fugitivas, que pudessem ter a sensação de que o ciclo foi finalizado e não interrompido.
Quando eu pergunto se ele poderá contribuir durante estes dois meses ele diz que não, que o dinheiro que tem é pra comprar uma nova casa em Isarel. Ou seja, ou eu assumo essa responsabilidade totalmente, ou, ele disse, ele vai embora com elas em 3 semanas.
Fico pensando o que elas pensarão de mim, se algum dia poderão entender esse nó na qual foram inseridas involuntariamente, se me odiarão por acreditarem, como pareceu em tantas circunstâncias, que eu não queria ficar com elas.
Não é verdade, nada disso é verdade. Começo a entender na terapia que a minha reação, que acaba por refletir nelas, na verdade é uma resposta ao meu despreazer de saber que elas vem num pacote que também inclui ele. Fosse ele um homem responsável, talentoso, ambicioso, esforçado, tudo teria sido diferente.
Ontem ele me acusou de te-lo feito vender a casa em Isarel e fez parecer que eu havia destruído nossos planos. O que ele fez, ou melhor, deixou de fazer, não conta. A louca da casa, como sempre, sou eu.
-profile/016988792876050828748
2010-04-12T11:30:34.959-03:00
Previsão
dos próximos meses
Vai chover muito
dentro e fora de mim nos próximos dias. Mas vai ser uma chuva mais do que
necessária.
Você se lembra daquela mulher de quem esperava-se que fosse uma mãe pras meninas? Que no meio a tantos conflitos deu tudo que podia? Pois aquela que era "como mãe" ontem, no meio de uma discussão mais quente foi dita como "mera namorada" quando assuntou se ele deixaria Shika aqui comigo, se ela quisesse ficar. Argumentei que ela aqui teria melhores oportunidades, daqui a dois anos estaria se encaminhando para a universidade enquanto lá, quando terminar o ensino médio ela vai perder dois anos da vida dela aprendendo a como matar seres humanos e vai estar inserida numa família onde ninguém, eu fui clara? NINGUEM! foi para a universidade e o assunto é sequer abordado. O irmão dele mais novo, de 24, acabou o exército por agora. Tá sozinho, é novo, podia aproveitar esse momento pra ir estudar alguma coisa mas a mãe fica só perguntando quando ele vai casar porque ela quer outro neto! É pra esse ambiente que ela vai voltar, um país onde as mulheres trabalham como cavalas, dentro e fora de casa e não tem nenhum tempo para elas. Os judeus, ele mesmo, critica tanto as mulheres árabes, que são submissas, que precisam sair cobertas...olha, te falo que a vida de uma mulher judia em israel, na classe média, me parece 10 vezes pior! Ninguém faz nada, só elas. Na casa da segunda mulher do pai dele, que é a única que trabalha em casa porque o pai é um encostado, quando ele vai lá com as meninas nem sequer se oferecem pra lavar a louça, e acham que isso é amor! Amor é sugar o outro até a última gota! Segundo ele, ela gosta assm...sei, que gosta! Até o dia que vai explodir.
Sabe que desde que ele chegou, tudo, eu disse tudo? TUDO que ele veste, da cueca a calça da Forum, fui eu que escolhi e comprei? Gostod e comprar roupa pra ele, that's not really the point, the point is that If I don't do it myslef aint be done! Ele fica sem roupa..e claro, reclamando que eu não cuido dele. São todos uns bêbes que acham que as mulheres adoram esta posição de poder..Sei, os homens árabes também acreditam que as mulheres adoram andar cobertas porque se sentem seguras e até elas acreditam nisso.
Mas é isso, por ele não estou mais apaixonada, se é que já estive um dia, mas e a Shika, por quem sempre estarei apaixonada? O que eu vou fazer om isso?
Você se lembra daquela mulher de quem esperava-se que fosse uma mãe pras meninas? Que no meio a tantos conflitos deu tudo que podia? Pois aquela que era "como mãe" ontem, no meio de uma discussão mais quente foi dita como "mera namorada" quando assuntou se ele deixaria Shika aqui comigo, se ela quisesse ficar. Argumentei que ela aqui teria melhores oportunidades, daqui a dois anos estaria se encaminhando para a universidade enquanto lá, quando terminar o ensino médio ela vai perder dois anos da vida dela aprendendo a como matar seres humanos e vai estar inserida numa família onde ninguém, eu fui clara? NINGUEM! foi para a universidade e o assunto é sequer abordado. O irmão dele mais novo, de 24, acabou o exército por agora. Tá sozinho, é novo, podia aproveitar esse momento pra ir estudar alguma coisa mas a mãe fica só perguntando quando ele vai casar porque ela quer outro neto! É pra esse ambiente que ela vai voltar, um país onde as mulheres trabalham como cavalas, dentro e fora de casa e não tem nenhum tempo para elas. Os judeus, ele mesmo, critica tanto as mulheres árabes, que são submissas, que precisam sair cobertas...olha, te falo que a vida de uma mulher judia em israel, na classe média, me parece 10 vezes pior! Ninguém faz nada, só elas. Na casa da segunda mulher do pai dele, que é a única que trabalha em casa porque o pai é um encostado, quando ele vai lá com as meninas nem sequer se oferecem pra lavar a louça, e acham que isso é amor! Amor é sugar o outro até a última gota! Segundo ele, ela gosta assm...sei, que gosta! Até o dia que vai explodir.
Sabe que desde que ele chegou, tudo, eu disse tudo? TUDO que ele veste, da cueca a calça da Forum, fui eu que escolhi e comprei? Gostod e comprar roupa pra ele, that's not really the point, the point is that If I don't do it myslef aint be done! Ele fica sem roupa..e claro, reclamando que eu não cuido dele. São todos uns bêbes que acham que as mulheres adoram esta posição de poder..Sei, os homens árabes também acreditam que as mulheres adoram andar cobertas porque se sentem seguras e até elas acreditam nisso.
Mas é isso, por ele não estou mais apaixonada, se é que já estive um dia, mas e a Shika, por quem sempre estarei apaixonada? O que eu vou fazer om isso?
-profile/016988792876050828744
2010-04-07T18:34:57.893-03:00
Calmaria
Me surpreendi ao
recebe-lo na sexta-feira me sentindo saudosa. Eu estava ovulando!
E se isso poderia complicar as coisas, na verdade apenas nos colocou num clima de carinho ameno, onde todas as questões puderam ser abordadas sem briga, sem culpas e de forma calma, madura e tranquila.
Depois de alguns dias de folga em casa ele descobriu que por causa da burocracia brasileira, seu processo de pedido de residência avançou e foi aprovado, mas ainda assim lhe falta agora um papel, e parece que é sempre um papel que falta, e que lhe impossibilita de finalmente assinar o contrato de trabalho. Resultado, está de novo em casa, sem trabalhar e ainda sem sabermos quanto tempo esse tal papel vai levar para ser obtido.
Com tantas dúvidas, tantas questões, umas na esfera psicólogia mais funda de mim que eu já tenha visitado, outras na esfera mais superficial e mesmo assim complexa da burocracia brasileira, me sinto calma e tranquila nesta noite não mais chuvosa na serra fluminense.
Estamos de fato nos aproximando de uma resolução. E apenas este pensamento já me basta para que possa fechar os olhos e adormecer sem medo, sem culpa, e sem susto.
PS: Adoro os comentários de vocês!
E se isso poderia complicar as coisas, na verdade apenas nos colocou num clima de carinho ameno, onde todas as questões puderam ser abordadas sem briga, sem culpas e de forma calma, madura e tranquila.
Depois de alguns dias de folga em casa ele descobriu que por causa da burocracia brasileira, seu processo de pedido de residência avançou e foi aprovado, mas ainda assim lhe falta agora um papel, e parece que é sempre um papel que falta, e que lhe impossibilita de finalmente assinar o contrato de trabalho. Resultado, está de novo em casa, sem trabalhar e ainda sem sabermos quanto tempo esse tal papel vai levar para ser obtido.
Com tantas dúvidas, tantas questões, umas na esfera psicólogia mais funda de mim que eu já tenha visitado, outras na esfera mais superficial e mesmo assim complexa da burocracia brasileira, me sinto calma e tranquila nesta noite não mais chuvosa na serra fluminense.
Estamos de fato nos aproximando de uma resolução. E apenas este pensamento já me basta para que possa fechar os olhos e adormecer sem medo, sem culpa, e sem susto.
PS: Adoro os comentários de vocês!
-profile/016988792876050828740
2010-04-07T18:04:13.932-03:00
Calmaria burocrática
Me
-profile/016988792876050828740
2010-03-30T10:24:17.750-03:00
A noite que nunca existiu
Ontem a situação esquentou de um jeito que já me
era previsível, mas achei que conseguiria segurar até sexta-feira, quando ele
vem de São Paulo. Me enganei. Não consegui disfarçar na voz ausente e nem nas
meias palavras, o quão fechada me sentia e o quão distante tenho estado pro
mundo e principalmente pras meninas. Claro que cuido delas, acordo todos os
dias às 6:30, preparo o lanche da Maribel, levo na escola, busco da escola,
falo pra tomar banho, pergunto se estudou e estas coisas. Mas somente estas
coisas. Mais do que isso eu simplesmente não estou conseguindo. Estou
totalmente trancada e não consigo revelar coisa nenhuma.
Ele ficou desesperado com a idéia de que pudessem estar só, que eu estivesse sendo negligente. Não, não sou e nunca fui negligente. Mas explicar isso pelo telefone, com ligações noturnas pelo celular, ele querendo largar tudo e vir embora, nós daqui explicando que não era bem assim, pra ele se acalmar. Todo mundo chorou, as meninas ficaram apavoradas com a nova possibilidade de retornar pra Israel, mas somente, eu creio, por questões financeiras. Todas as vezes em que falamos em nos separar, e não foram poucas, elas ficam desesperadas com esta questão, porque sabem que ele não tem perspectivas de um bom salário.
Estou com o estômago todo embolado, mas desta vez vou até o fim. Mais tarde, depois que ele se acalmou, ficou no telefone dizendo o quanto me amava, o quanto eu era espetacular (esse homem é louco ou o que?) e eu hoje acordei com uma certeza. Eu não quero ser convencida por um homem a ficar com ele. Para que isso desse certo eu teria que querer tanto quanto ele, e eu nunca quis. Eu sempre, desde o primeiro momento, me deixei levar pelo desejo dele. Claro que isso não me tira a responsabilidade, mas não se constrói um casamento, ainda mais nestas condições, com o desejo e o amor de um apenas. Eu não quero mais ficar escutando o quanto ele me ama, ou o quanto ele acredita, ou o quanto sei lá o que. Será que não está claro, depois de quase 2 anos, que eu não estou feliz? Claro que tive momentos de felicidade, mas com certeza eu era mais feliz antes de encontrá-lo.
A culpa não existe e não é de ninguém. Eu tenho minhas dificuldades, Maribel tem as suas que pra mim são intransponíveis. Ela fez questão de não se parecer nada comigo, de não ter nada meu e nem de me dar o prazer de falar comigo a minha língua. Até hoje, passado dois anos, ela ainda fala comigo em inglês, apesar das minhas milhões de súplicas de que falasse comigo em português. Além disso, ela divide, ela me dá a eterna sensação de que sou outsider, todos os dias, literalmente, porque se recusa também a falar com a irmã e com o pai se não for em hebraico. E daí?
Picture this: Eu estou na mesa com as duas e é hora do almoço. Eu e Shika iniciamos uma conversa sobre qualquer assunto, em português. Maribel faz um comentário, pra irmã em hebraico. As duas riem. Eu bóio. Mas veja bem...TODO SANTO DIA! No início ainda tentava ativar a tecla sap, o que? Me conta? Me explica? Agora apenas sofro e me sinto deprimida. Em geral tentam me contar, me traduzir, mas não quero uma vida de espectadora que para entender a trama precisa ler as legendas com atenção. Me diz, isso é uma família? Agora, a esta situação adicione: o meu dinheiro vai todo embora, corro o risco de perder meu greencard porque não tenho ido aos EUA com a frequência que deveria (e veja bem, eu planejei uma vida que me permitisse ir e vir), a minha empresa me pede, todos os dias pra crescer, Bebel e Moby estão com pulga e não consigo resolver, não tenho o tempo e a paz que gostaria para ler, escrever e ficar comigo mesma. E raramente tenho o domínio do controle da televisão.
Um dia, quando me perguntarem porque fui embora, quero ter a devida coragem pra responder: foi falta de amor.
Ele ficou desesperado com a idéia de que pudessem estar só, que eu estivesse sendo negligente. Não, não sou e nunca fui negligente. Mas explicar isso pelo telefone, com ligações noturnas pelo celular, ele querendo largar tudo e vir embora, nós daqui explicando que não era bem assim, pra ele se acalmar. Todo mundo chorou, as meninas ficaram apavoradas com a nova possibilidade de retornar pra Israel, mas somente, eu creio, por questões financeiras. Todas as vezes em que falamos em nos separar, e não foram poucas, elas ficam desesperadas com esta questão, porque sabem que ele não tem perspectivas de um bom salário.
Estou com o estômago todo embolado, mas desta vez vou até o fim. Mais tarde, depois que ele se acalmou, ficou no telefone dizendo o quanto me amava, o quanto eu era espetacular (esse homem é louco ou o que?) e eu hoje acordei com uma certeza. Eu não quero ser convencida por um homem a ficar com ele. Para que isso desse certo eu teria que querer tanto quanto ele, e eu nunca quis. Eu sempre, desde o primeiro momento, me deixei levar pelo desejo dele. Claro que isso não me tira a responsabilidade, mas não se constrói um casamento, ainda mais nestas condições, com o desejo e o amor de um apenas. Eu não quero mais ficar escutando o quanto ele me ama, ou o quanto ele acredita, ou o quanto sei lá o que. Será que não está claro, depois de quase 2 anos, que eu não estou feliz? Claro que tive momentos de felicidade, mas com certeza eu era mais feliz antes de encontrá-lo.
A culpa não existe e não é de ninguém. Eu tenho minhas dificuldades, Maribel tem as suas que pra mim são intransponíveis. Ela fez questão de não se parecer nada comigo, de não ter nada meu e nem de me dar o prazer de falar comigo a minha língua. Até hoje, passado dois anos, ela ainda fala comigo em inglês, apesar das minhas milhões de súplicas de que falasse comigo em português. Além disso, ela divide, ela me dá a eterna sensação de que sou outsider, todos os dias, literalmente, porque se recusa também a falar com a irmã e com o pai se não for em hebraico. E daí?
Picture this: Eu estou na mesa com as duas e é hora do almoço. Eu e Shika iniciamos uma conversa sobre qualquer assunto, em português. Maribel faz um comentário, pra irmã em hebraico. As duas riem. Eu bóio. Mas veja bem...TODO SANTO DIA! No início ainda tentava ativar a tecla sap, o que? Me conta? Me explica? Agora apenas sofro e me sinto deprimida. Em geral tentam me contar, me traduzir, mas não quero uma vida de espectadora que para entender a trama precisa ler as legendas com atenção. Me diz, isso é uma família? Agora, a esta situação adicione: o meu dinheiro vai todo embora, corro o risco de perder meu greencard porque não tenho ido aos EUA com a frequência que deveria (e veja bem, eu planejei uma vida que me permitisse ir e vir), a minha empresa me pede, todos os dias pra crescer, Bebel e Moby estão com pulga e não consigo resolver, não tenho o tempo e a paz que gostaria para ler, escrever e ficar comigo mesma. E raramente tenho o domínio do controle da televisão.
Um dia, quando me perguntarem porque fui embora, quero ter a devida coragem pra responder: foi falta de amor.
-profile/016988792876050828746
2010-03-27T22:04:41.239-03:00
A madrasta má
Um dia você vai me perguntar porque eu fui
embora. Se eu não tiver o devido cuidado comigo mesma neste momento, os anos me
farão acreditar que foi por falta de amor.
Vou te explicar o que eu descobri depois de muitas noites de lágrimas e de sentir o estômago dando voltas mirabolantes na arena do meu circo gástrico.
Outro dia peguei o meu diário pra ler. Era o diário de 1982 e eu tinha 14 anos, exatamente a idade que você tem hoje. No diário eu falava de meus sonhos e me imaginava um dia mulher crescida. Ora me imaginava casada e com filhos, ora me imaginava mulher de carreira, ora me imaginava com vários filhos adotados. Nunca, nem eu e nem mulher nenhuma, se imaginou madrasta.
Toda madrasta é má, diz a lenda. Anna Jatobá acabou de ser condenada à mais de 20 anos de prisão pela morte da enteada Isabela. Cinderela, e tantas outras, sofreram destinos igualmente injustos.
Toda madrasta é triste. É amarga e tem ciúmes. Como exercer o papel de mulher que sonha em ser o centro da família quando se é, de todos, o laço mais fraco da união? As relações biológicas que já existiam e que se estabeleceram antes da chegada da madrasta serão sempre mais fortes do que qualquer relação que ela possa desenvolver nesta família. Com ela ninguém se parece, entre eles todos compartilham olhos, olhares, dentes, a forma do umbigo e até a língua.
Quando falam de doenças, de alergias, de manias, de costumes, de sabores, eles se comparam, se complementam e se encontram. Mas o empadão de galinha só ela come.
Um dia talvez você entenda que eu te deixei para o seu próprio bem. Você talvez entenderá que eu estava tão infeliz com esta qualificação a qual me prontifiquei que tinha medo de me tornar a madrasta má e te fazer infeliz. Eu já exigia que você fizesse a cama e limpasse seu pratinho, daí pra te colocar pra lavar todas as janelas de nossa casa mal assombrada seria um passo.
Ser madrasta me embruteceu, me amargurou. Me transformou numa mulher amarga que eu já não reconheço. Me transformou em alguém que não tenho o prazer de ser.
Nem você e nem ninguém pode ser responsável pela minha infelicidade. Não foi nada que você fez ou tenha deixado de fazer. Você sempre foi uma menina maravilhosa. Carinhosa, inteligente, amiga, companheira, e menina carente. Abrir mão de você vai me custar muito caro e será um preço que eu desconfio não ser capaz de pagar por toda a vida que ainda me resta. Não me julgo poucos anos, não é isso. É o custo desta perda que me parece muito maior do que qualquer longevidade que ainda me seja possível.
Você, minha linda, tem 14 anos. Os anos irão passar, você vai construir a sua vida e eu estarei torcendo pra que você conquiste todos os sonhos. E que um dia possa abrir o seu próprio diário e reconhecer em você mesma a mulher que sempre desejou ser.
Vou te explicar o que eu descobri depois de muitas noites de lágrimas e de sentir o estômago dando voltas mirabolantes na arena do meu circo gástrico.
Outro dia peguei o meu diário pra ler. Era o diário de 1982 e eu tinha 14 anos, exatamente a idade que você tem hoje. No diário eu falava de meus sonhos e me imaginava um dia mulher crescida. Ora me imaginava casada e com filhos, ora me imaginava mulher de carreira, ora me imaginava com vários filhos adotados. Nunca, nem eu e nem mulher nenhuma, se imaginou madrasta.
Toda madrasta é má, diz a lenda. Anna Jatobá acabou de ser condenada à mais de 20 anos de prisão pela morte da enteada Isabela. Cinderela, e tantas outras, sofreram destinos igualmente injustos.
Toda madrasta é triste. É amarga e tem ciúmes. Como exercer o papel de mulher que sonha em ser o centro da família quando se é, de todos, o laço mais fraco da união? As relações biológicas que já existiam e que se estabeleceram antes da chegada da madrasta serão sempre mais fortes do que qualquer relação que ela possa desenvolver nesta família. Com ela ninguém se parece, entre eles todos compartilham olhos, olhares, dentes, a forma do umbigo e até a língua.
Quando falam de doenças, de alergias, de manias, de costumes, de sabores, eles se comparam, se complementam e se encontram. Mas o empadão de galinha só ela come.
Um dia talvez você entenda que eu te deixei para o seu próprio bem. Você talvez entenderá que eu estava tão infeliz com esta qualificação a qual me prontifiquei que tinha medo de me tornar a madrasta má e te fazer infeliz. Eu já exigia que você fizesse a cama e limpasse seu pratinho, daí pra te colocar pra lavar todas as janelas de nossa casa mal assombrada seria um passo.
Ser madrasta me embruteceu, me amargurou. Me transformou numa mulher amarga que eu já não reconheço. Me transformou em alguém que não tenho o prazer de ser.
Nem você e nem ninguém pode ser responsável pela minha infelicidade. Não foi nada que você fez ou tenha deixado de fazer. Você sempre foi uma menina maravilhosa. Carinhosa, inteligente, amiga, companheira, e menina carente. Abrir mão de você vai me custar muito caro e será um preço que eu desconfio não ser capaz de pagar por toda a vida que ainda me resta. Não me julgo poucos anos, não é isso. É o custo desta perda que me parece muito maior do que qualquer longevidade que ainda me seja possível.
Você, minha linda, tem 14 anos. Os anos irão passar, você vai construir a sua vida e eu estarei torcendo pra que você conquiste todos os sonhos. E que um dia possa abrir o seu próprio diário e reconhecer em você mesma a mulher que sempre desejou ser.
-profile/016988792876050828742
2010-03-25T10:58:23.492-03:00
A ficha caiu quando a luz quase sumiu
Era quarta-feira, 3 horas da tarde quando eu
escuto alguém chamando meu nome no portão de casa. Bebel começou a latir, o
Moby também e eu sem entender o que o homenzinho lá embaixo dizia. Ele vestia o
uniforme da Ampla. Peraí seu moço, vou descer. Larguei o computador, deixei o
texto de lado e fui lá falar com o moço.
E ele me disse, assim, curto e grosso, o moço da ampla: Vou ter que cortar a sua luz por falta de pagamento.
O que?
Sim, ele disse, a conta de fevereiro não foi paga.
Mas como?
Como eu não sei dizer senhora, só sei dizer que não foi paga.
Mas está no débito automático.
Pois é, ele disse. Vou ter que desligar, a senhora me desculpe mas são ordens da Ampla.
Peraí, e se eu for lá em cima agora, pagar pelo computador e descer com o recibo, o senhor desiste desta malvadeza.
Como?
Eu pago pelo banco agorinha e te trago recibo, pode ser.
Está bem, vou aguardar.
Na subida da escada eu ainda tremi. Não sabia se tinha dinheiro na conta porque o cheque que eu havia dado na escola das meninas já devia ter batido e o do material escolar também.
Abri a conta e vi que eu tinha na conta apenas o suficiente para evitar aquela barbaridade que o homem da luz queria fazer comigo.
Paguei a conta, desci, entreguei pra ele, obrigada, desculpe, perdões, tudo resolvido.
Sim, literalmente tudo resolvido, eu pensei ao me olhar no espelho. Como, eu me perguntei, como eu pude ter deixado a minha vida chegar neste ponto? Em nome do que, meu Deus?
De noite ele ligou de São Paulo, aonde tem estado ultimamente por conta do trabalho. Eu estorei. Disse que não podia mais viver assim, que ele tinha que arrumar um jeito de conseguir ser resposável pela parte dele, que eram 3, que ele tinha que encontrar uma solução, que não podia deixar tudo nas minhas costas, e chorei, e o estômago revirou, e me senti exausta ao pensar que a Bebel está com pulga, e Moby também e que eu vou ter que dedetizar a casa, e que a Maribel foi picada por uma pulga e ficou toda inchada e fui com ela ao médido, e na segunda levei o carro pra vistoria, e na quarta uma empresa iria lá em casa limpar todo o jardim, e eu com um workshop pra dar em Belo Horizonte em dois dias, e aquela tradução pra terminar, e no docmingo ficamos sem luz por quase 24 horas, e CHEGA! FIM!
Ele disse: Vou checar a minha conta amanhã e ver o que posso fazer.
No dia seguinte, ontem, ele me ligou pra me dizer que tinha uma quantia significante sentada na conta dele e que ele iria transferir pra nossa conta. Naquele minuto eu pensei: Era melhor que você não tivesse. Porque deixar a situação chegar a este ponto, a gente quase ficar sem luz, e ele sem nem saber, porque não pensa nem sobre isso e nem sobre coisa nenhuma, que havia dinheiro na conta dele é literalmente o fim.
Na terapia falei. Falei muito, e finalmente essa gota d'água, esse pedaço de realidade esfregada na minha cara que foi esse episódio da Ampla, me fez deixar pra trás algo que nunca deveria ter se plantado dentro de mim: a culpa.
A culpa se foi com este episódio, que foi a melhor tradução que poderia existir dos nossos problemas.
Ontem a noite ele veio ao Rio e conversamos. Já não houveram nem lágrimas, nem berros e nem desespero. Fui cordial, fui carinhosa, fui firme.
Eu não quero mais.
E ele me disse, assim, curto e grosso, o moço da ampla: Vou ter que cortar a sua luz por falta de pagamento.
O que?
Sim, ele disse, a conta de fevereiro não foi paga.
Mas como?
Como eu não sei dizer senhora, só sei dizer que não foi paga.
Mas está no débito automático.
Pois é, ele disse. Vou ter que desligar, a senhora me desculpe mas são ordens da Ampla.
Peraí, e se eu for lá em cima agora, pagar pelo computador e descer com o recibo, o senhor desiste desta malvadeza.
Como?
Eu pago pelo banco agorinha e te trago recibo, pode ser.
Está bem, vou aguardar.
Na subida da escada eu ainda tremi. Não sabia se tinha dinheiro na conta porque o cheque que eu havia dado na escola das meninas já devia ter batido e o do material escolar também.
Abri a conta e vi que eu tinha na conta apenas o suficiente para evitar aquela barbaridade que o homem da luz queria fazer comigo.
Paguei a conta, desci, entreguei pra ele, obrigada, desculpe, perdões, tudo resolvido.
Sim, literalmente tudo resolvido, eu pensei ao me olhar no espelho. Como, eu me perguntei, como eu pude ter deixado a minha vida chegar neste ponto? Em nome do que, meu Deus?
De noite ele ligou de São Paulo, aonde tem estado ultimamente por conta do trabalho. Eu estorei. Disse que não podia mais viver assim, que ele tinha que arrumar um jeito de conseguir ser resposável pela parte dele, que eram 3, que ele tinha que encontrar uma solução, que não podia deixar tudo nas minhas costas, e chorei, e o estômago revirou, e me senti exausta ao pensar que a Bebel está com pulga, e Moby também e que eu vou ter que dedetizar a casa, e que a Maribel foi picada por uma pulga e ficou toda inchada e fui com ela ao médido, e na segunda levei o carro pra vistoria, e na quarta uma empresa iria lá em casa limpar todo o jardim, e eu com um workshop pra dar em Belo Horizonte em dois dias, e aquela tradução pra terminar, e no docmingo ficamos sem luz por quase 24 horas, e CHEGA! FIM!
Ele disse: Vou checar a minha conta amanhã e ver o que posso fazer.
No dia seguinte, ontem, ele me ligou pra me dizer que tinha uma quantia significante sentada na conta dele e que ele iria transferir pra nossa conta. Naquele minuto eu pensei: Era melhor que você não tivesse. Porque deixar a situação chegar a este ponto, a gente quase ficar sem luz, e ele sem nem saber, porque não pensa nem sobre isso e nem sobre coisa nenhuma, que havia dinheiro na conta dele é literalmente o fim.
Na terapia falei. Falei muito, e finalmente essa gota d'água, esse pedaço de realidade esfregada na minha cara que foi esse episódio da Ampla, me fez deixar pra trás algo que nunca deveria ter se plantado dentro de mim: a culpa.
A culpa se foi com este episódio, que foi a melhor tradução que poderia existir dos nossos problemas.
Ontem a noite ele veio ao Rio e conversamos. Já não houveram nem lágrimas, nem berros e nem desespero. Fui cordial, fui carinhosa, fui firme.
Eu não quero mais.
-profile/016988792876050828742
2010-03-13T18:01:10.809-03:00
Lindo domingo de sol
Era um lindo domingo de sol e aquela manhã teve
um gosto especial que ela só veio identificar o sabor horas mais tarde. Foi uma
manhã com gosto de vida como ela conhecia, foi uma manhã com cheiro de saudades
de si mesma, foi uma manhã com um toque inesperado que somente ao pensar ela
sentia o estômago dar uma voltinha apressada dentro da barriga.
Logo que acordou e viu o dia lindo que fazia lá fora decidiu que iria correr, e junto levaria a corredora peluda.
Ao chegar no parque, parecia uma festa de final de verão e início de meia-estação, que sem dúvida é o melhor momento de qualquer cidade. Andou um pouco para aquecer os músculos, catou o primeiro coco da corredora peluda, colocou os fones, escolheu uma lista de música e começou a correr.
E foi correndo, correndo, e subiu e desceu, e olhava em volta a procura da outra corredora, e ela vinha pra perto da corredora mestra, e pararam um pouco, beberam água e foi então que ela viu, ali, naquela posição inconfundível, com a pata semi-levantada, como quem dá a mão pra ser beijada, uma pointer, igual a corredora peluda, mirava um passarinho com apreensão. E no próximo segundo ela já dava um carreira atrás do pássaro.
Elas continuaram correndo, e foi então que ela viu ele, o dono da poniter, correndo como ela, e apaixonado por sua pointer, como ela. É verdade que ela já o tinha visto com a cadela uma vez no parque, e fora o fato de que a cadela dele era pointer, não deu muita atenção ao assunto. Mas agora havia alguma coisa diferente que nem ela sabia identificar.
Ele passou por elas, sorriu, passou a mão na cadela e continuou correndo.
Na segunda volta a cadela resolveu entrar no laguinho lamacento que havia no parque. A cadela dele se aproximou dela e na ocasião nenhum dos dois sabia o sexo do cão do outro. Ao ver a cena ele comentou: Isso vai dar namoro! Ela apenas sorriu.
Na terceira volta, quando eles se encontraram novamente ela perguntou qual era o nome dele, do cão, e foi então que descobriu que se tratava de outra femêa.
Depois de 3 voltas ela teve que parar de correr porque a corredora peluda já não aguentava mais e ela ficou com medo que ela pudesse simplesmente cair, por causa do calor. Afinal, ela já iria fazer 9 anos.
Quando foi se aquecer, ele terminava mais uma volta. Foi aí que ela escutou uma menina de seus 10 anos dizer pra ele..Pai, você disse que era a última volta...Ele respondeu, só mais uma!
Ela foi então saber os detalhes da cadela com a menina..qual o nome, quantos anos, tem, onde vocês compraram e esses papos de dono de cachorro. Contou também um pouco da sua e foi se embora pra feira.
Na feira, enquanto ela deixava a sua cadela na sombra, presa por alguns minutos enquanto ela comprava frutas e verduras pra família, chegaram a pointer, seu dono e suas duas filhas. Ele chegou todo sorriso. Olhou pra ela e disse pras filhas: Viu, mulher é assim tudo combinando. Ele se referia ao tênis de corrida roxo que combinava com o esmalte. Ela riu, as meninas também.
Eles foram em direções diferentes em busca de frutas diversas. Na volta, se encontraram novamente. Ela tinha 6 sacolas, a bolsa e a cadela. Ele se ofereceu pra ajudar com as bolsas, ela aceitou. Ela perguntou as meninas onde elas estudavam, elas responderam. Ela respirou aliviada com o fato de não estudarem na mesma escola que suas enteadas. Ela perguntou se eles moravam na cidade, sim, eles disseram, e explicaram com detalhes, mas pareciam que a mudança era recente. Ele perguntou onde ela morava, ela disse. Ele replicou: É perto.
E assim foram andando até o carro dela. Ela desejando que houvesse alguma troca de sacolas e que por isso seria obrigada a comer a maça que era dele.
Saiu dirigindo como se fosse uma sonâmbula. Abaixou o espelho do carro, se olhou e se perguntou em voz alta. O que foi isso que acabou de acontecer?
Algumas horas já se passaram, mas a pergunta, repentina, traiçoeira ou salvadora, não quer calar.
Logo que acordou e viu o dia lindo que fazia lá fora decidiu que iria correr, e junto levaria a corredora peluda.
Ao chegar no parque, parecia uma festa de final de verão e início de meia-estação, que sem dúvida é o melhor momento de qualquer cidade. Andou um pouco para aquecer os músculos, catou o primeiro coco da corredora peluda, colocou os fones, escolheu uma lista de música e começou a correr.
E foi correndo, correndo, e subiu e desceu, e olhava em volta a procura da outra corredora, e ela vinha pra perto da corredora mestra, e pararam um pouco, beberam água e foi então que ela viu, ali, naquela posição inconfundível, com a pata semi-levantada, como quem dá a mão pra ser beijada, uma pointer, igual a corredora peluda, mirava um passarinho com apreensão. E no próximo segundo ela já dava um carreira atrás do pássaro.
Elas continuaram correndo, e foi então que ela viu ele, o dono da poniter, correndo como ela, e apaixonado por sua pointer, como ela. É verdade que ela já o tinha visto com a cadela uma vez no parque, e fora o fato de que a cadela dele era pointer, não deu muita atenção ao assunto. Mas agora havia alguma coisa diferente que nem ela sabia identificar.
Ele passou por elas, sorriu, passou a mão na cadela e continuou correndo.
Na segunda volta a cadela resolveu entrar no laguinho lamacento que havia no parque. A cadela dele se aproximou dela e na ocasião nenhum dos dois sabia o sexo do cão do outro. Ao ver a cena ele comentou: Isso vai dar namoro! Ela apenas sorriu.
Na terceira volta, quando eles se encontraram novamente ela perguntou qual era o nome dele, do cão, e foi então que descobriu que se tratava de outra femêa.
Depois de 3 voltas ela teve que parar de correr porque a corredora peluda já não aguentava mais e ela ficou com medo que ela pudesse simplesmente cair, por causa do calor. Afinal, ela já iria fazer 9 anos.
Quando foi se aquecer, ele terminava mais uma volta. Foi aí que ela escutou uma menina de seus 10 anos dizer pra ele..Pai, você disse que era a última volta...Ele respondeu, só mais uma!
Ela foi então saber os detalhes da cadela com a menina..qual o nome, quantos anos, tem, onde vocês compraram e esses papos de dono de cachorro. Contou também um pouco da sua e foi se embora pra feira.
Na feira, enquanto ela deixava a sua cadela na sombra, presa por alguns minutos enquanto ela comprava frutas e verduras pra família, chegaram a pointer, seu dono e suas duas filhas. Ele chegou todo sorriso. Olhou pra ela e disse pras filhas: Viu, mulher é assim tudo combinando. Ele se referia ao tênis de corrida roxo que combinava com o esmalte. Ela riu, as meninas também.
Eles foram em direções diferentes em busca de frutas diversas. Na volta, se encontraram novamente. Ela tinha 6 sacolas, a bolsa e a cadela. Ele se ofereceu pra ajudar com as bolsas, ela aceitou. Ela perguntou as meninas onde elas estudavam, elas responderam. Ela respirou aliviada com o fato de não estudarem na mesma escola que suas enteadas. Ela perguntou se eles moravam na cidade, sim, eles disseram, e explicaram com detalhes, mas pareciam que a mudança era recente. Ele perguntou onde ela morava, ela disse. Ele replicou: É perto.
E assim foram andando até o carro dela. Ela desejando que houvesse alguma troca de sacolas e que por isso seria obrigada a comer a maça que era dele.
Saiu dirigindo como se fosse uma sonâmbula. Abaixou o espelho do carro, se olhou e se perguntou em voz alta. O que foi isso que acabou de acontecer?
Algumas horas já se passaram, mas a pergunta, repentina, traiçoeira ou salvadora, não quer calar.
-profile/016988792876050828743
2010-02-15T19:30:06.158-02:00
Soduko para Síndrome Pós Traumática
Estou vivendo este carnaval do jeito que mais
queria. Está fazendo sol, temos 3 convidados, uma amiga de Maribel de 12 anos e
minha sobrinha Nikki com o namorado. Foi ela que no reveillon de 2006 veio me
visitar em DC e passamos a meia noite tomando toddinho e comendo brownie.
Estamos aqui em casa comendo muito, nos divertindo na piscina, assistindo a muitos filmes (hoje eu revi Cabo do Medo, com o Robert de Niro) e Bebel finalmente perdeu o medo da piscina e meu lindo aprendeu o prazer de jogar soduko.
Ontem tive uma crisisinha paranóide estilo doença. Vi umas manchinas na minha pele e simplesmente pirei. Eu fico apavorada e até uma mordida de mosquito é capaz de me tirar o sono de tanto pavor que sinto. Eu não era assim antes de ter acompanhado a morte lenta do David e sei que esse pavor que ficou em mim é síndrome pós traumática. Mas o entendimento do que é em nada me faz deixar de sentir o medo. Se fosse assim, tratar de outros malucos como eu seria mole. É um pavor irracional e ontem tive uma crise destas. Elas duram 1 hora mais ou menos, e não há muito o que se dizer sobre elas. Me sinto apavorada e me recolho. Ele não estava em casa quando começou mas assim que chegou eu lhe contei e mostrei as marquinhas na pele. Ele disse: Isso realmente não é nada. Eu disse: Eu sei, mas o pavor eu continuo sentindo. Como eu posso te ajudar? ele me perguntou. Não sei, eu disse. Já sei ele disse, vamos desviar a sua atenção deste foco, vamos jogar Soduko. E foi assim que jogamos soduko ontem pela primeira vez na cama, e foi um deleite. Uma hora depois eu já tinha me esquecido de todas as maluquices e estava com ele bem junto a mim.
Hoje no supermercado comprei uma revista de soduko.
Estamos aqui em casa comendo muito, nos divertindo na piscina, assistindo a muitos filmes (hoje eu revi Cabo do Medo, com o Robert de Niro) e Bebel finalmente perdeu o medo da piscina e meu lindo aprendeu o prazer de jogar soduko.
Ontem tive uma crisisinha paranóide estilo doença. Vi umas manchinas na minha pele e simplesmente pirei. Eu fico apavorada e até uma mordida de mosquito é capaz de me tirar o sono de tanto pavor que sinto. Eu não era assim antes de ter acompanhado a morte lenta do David e sei que esse pavor que ficou em mim é síndrome pós traumática. Mas o entendimento do que é em nada me faz deixar de sentir o medo. Se fosse assim, tratar de outros malucos como eu seria mole. É um pavor irracional e ontem tive uma crise destas. Elas duram 1 hora mais ou menos, e não há muito o que se dizer sobre elas. Me sinto apavorada e me recolho. Ele não estava em casa quando começou mas assim que chegou eu lhe contei e mostrei as marquinhas na pele. Ele disse: Isso realmente não é nada. Eu disse: Eu sei, mas o pavor eu continuo sentindo. Como eu posso te ajudar? ele me perguntou. Não sei, eu disse. Já sei ele disse, vamos desviar a sua atenção deste foco, vamos jogar Soduko. E foi assim que jogamos soduko ontem pela primeira vez na cama, e foi um deleite. Uma hora depois eu já tinha me esquecido de todas as maluquices e estava com ele bem junto a mim.
Hoje no supermercado comprei uma revista de soduko.
-profile/016988792876050828741
2010-02-06T08:00:41.858-02:00
24 horas, 34 minutos, 42 segundos
Disse pra Maribel. Assim que a gente cruzar a
porta do apartamento de seu avô em Tel-Aviv, aperte o cronômetro de seu
relógio. Só aperte de novo quando estivermos com o carro encostado no portão de
casa, do outro lado, ok? E assim ela fez. Depois do cronômetro apertado fizemos
palpites. Eu disse que levaria 24 horas e 48 minutos, Maribel disse que levaria
23:12, Shika 25:37 e ele 24:30. Escrevemos os palpites na minha agenda e
decidimos que quem chegasse mais perto do tempo final ganharia café na cama, no
domingo, feito pelos outros três perdedores. Amanhã ele vai ter café na
cama!
Brincadeiras de viagem, a última esperança de se tornar menos horrível o que beira o insuportável. Passamos 15 horas num avião lotado de israelense e argentino! Fala sério, ninguém merece isso. Era só berro e mau humor. Não tinha um brasileiro, apesar do voo ser Tel-Aviv- São Paulo.
Agora estamos tentando nos recuperar. O joelho dói, o peito dói, a bunda dói, a nuca dói, tudo dói. E mal chegamos e já tem que ver uniforme, material de escola, muchila, estojo, canetinha, e coisinhas...A empregada que estava comigo por quase 3 anos, desde que eu voltei dos EUA, foi embora porque se mudou com o marido para outra cidade.
Meu escritório, que era numa sala comercial, agora fica dentro de casa.
Muitas outras mudanças também, muitas. Todas pra melhor.
Definitivamente, sou outra pessoa. E muito melhor que antes.
Brincadeiras de viagem, a última esperança de se tornar menos horrível o que beira o insuportável. Passamos 15 horas num avião lotado de israelense e argentino! Fala sério, ninguém merece isso. Era só berro e mau humor. Não tinha um brasileiro, apesar do voo ser Tel-Aviv- São Paulo.
Agora estamos tentando nos recuperar. O joelho dói, o peito dói, a bunda dói, a nuca dói, tudo dói. E mal chegamos e já tem que ver uniforme, material de escola, muchila, estojo, canetinha, e coisinhas...A empregada que estava comigo por quase 3 anos, desde que eu voltei dos EUA, foi embora porque se mudou com o marido para outra cidade.
Meu escritório, que era numa sala comercial, agora fica dentro de casa.
Muitas outras mudanças também, muitas. Todas pra melhor.
Definitivamente, sou outra pessoa. E muito melhor que antes.
-profile/016988792876050828740
2010-02-03T10:22:06.867-02:00
De porta à porta
Fiz os cálculos. De porta à porta esta viagem
deve durar 24 horas. Falei pra Maribel: Coloca o
-profile/016988792876050828740
2010-01-31T17:20:10.206-02:00
Em breve...15 horas voando...
Em alguns dias voltamos pra casa. Será um voo
longo, mais longo do que o voo da ida onde a pobre Maribel, pra variar, vomitou
todo o humus que havia comido.
Já saímos de casa e agora estamos em Tel-Aviv, na casa do pai dele.
Hoje nasceu o filho do irmão dele. Ela com uma barriga que mais parecia um caroço de azeitona. De repente sentiu as dores, foi pro hospital e bum, em 1 hora havia mais um membro deste clâ. Sim, é um clá. No Face Book tem quase 300 que carregam o sobre-nome.
Mas pensei: Que fácil foi pra ela ter esse filho. Se eu quisesse ter um filho, se quisesse de verdade, tipo assim...Ai, queria tanto ter um filho, há, eu ia penar. Primeiro ia ter que ir no médico, gastar uma fortuna, tomar hormônio até ficar enorme como uma vaca e ficar tão mal que passaria as horas reclamando. Eu pra reclamar já não precisa de muito. Aliás precisa de muito pouco. Estou sempre a espera de um mundo perfeito. O prato perfeito, o vinho perfeito, a conta perfeita, a companhia perfeita. Imagina.. eu grávida? Eu não ia me aguentar. Eu sei. O pai da criança ia sair correndo antes dela ter a chance de lhe olhar nos olhos. Eu sei. Há, eu sei.
Hã, mas ainda bem que eu nem penso nisso. Ainda bem, né? Já pensou se pensasse? Seria um sofrimento, eu sei.
Falei pra ele: Daqui a 10 anos quero voltar pra cá, com dinheiro suficiente pra não precisar mais trabalhar. Quero comprar uma casa, ficar tranquila e fazer o que sonho..escrever. Mas vou ter que resolver a questão da televisão. Sim, aqui a televisão fica ligada o tempo todo. As pessoas tem uma conexão com a televisão que é uma coisa impressionante! Já sei porque. É qui neste país existe tanta tensão no ar que as pessoas estão o tempo todo escutando notícias. E como o país é pequeno, sempre que acontece alguma coisa o acontecido involve sempre alguém com quem se está conectado no segundo grau. Por isso essa obsessão pela televisão. E a televisão já sabe disso. Agora, por exemplo..Estou sentada na sala sozinha. A TV tá ligada. Nem sei quem foi que ligou. Na tela alguma coisa que eu definiria como Faustão ou algo do tipo. Tentei desligar a TV e não consegui. Apertei o botão e nada. Pedi pra ele desligar...ele disse: Vou trocar o canal. Sei...Mas isso da TV, eu vou ter que resolver. Eu odeio o murmurinho de TV no background da vida. Prefiro uma música ou coisa nenhuma, mas aquela coisa falante onipresente no fundo de tudo..não gosto. Acho que tira o gosto das coisas. Não gosto.
Pensei também outra coisa: Incrível que eu estudei hebraico enquanto estava aqui e apesar que ainda não consigo entender nada do que se fala na TV eu consigo perceber as palavras! Entender as palavras num programa de TV em hebraico é mais fácil do que entender qualquer filme em inglês. Porque será, me perguntei? É que o hebraico é falado por um número mínimo de pessoas, num país pequeno onde todos são primos. Resultado: Todo mundo fala igual. As palavras tem todas a mesma intonação, não importa da boca de quem elas saiam. Já o inglês não..existem milhões de sotaques, de expressões, de tons, de jeitos, de tipos..É uma língua falada por milhões de pessoas distribuídas no mundo todo, de todos os tipos, cores e religiões. Cada um que fala inglês adiciona mais alguma coisa diferente a língua. O inglês é a verdadeira Torre de Babel. Ou seria de Bebel? Saudades caninas...
Já saímos de casa e agora estamos em Tel-Aviv, na casa do pai dele.
Hoje nasceu o filho do irmão dele. Ela com uma barriga que mais parecia um caroço de azeitona. De repente sentiu as dores, foi pro hospital e bum, em 1 hora havia mais um membro deste clâ. Sim, é um clá. No Face Book tem quase 300 que carregam o sobre-nome.
Mas pensei: Que fácil foi pra ela ter esse filho. Se eu quisesse ter um filho, se quisesse de verdade, tipo assim...Ai, queria tanto ter um filho, há, eu ia penar. Primeiro ia ter que ir no médico, gastar uma fortuna, tomar hormônio até ficar enorme como uma vaca e ficar tão mal que passaria as horas reclamando. Eu pra reclamar já não precisa de muito. Aliás precisa de muito pouco. Estou sempre a espera de um mundo perfeito. O prato perfeito, o vinho perfeito, a conta perfeita, a companhia perfeita. Imagina.. eu grávida? Eu não ia me aguentar. Eu sei. O pai da criança ia sair correndo antes dela ter a chance de lhe olhar nos olhos. Eu sei. Há, eu sei.
Hã, mas ainda bem que eu nem penso nisso. Ainda bem, né? Já pensou se pensasse? Seria um sofrimento, eu sei.
Falei pra ele: Daqui a 10 anos quero voltar pra cá, com dinheiro suficiente pra não precisar mais trabalhar. Quero comprar uma casa, ficar tranquila e fazer o que sonho..escrever. Mas vou ter que resolver a questão da televisão. Sim, aqui a televisão fica ligada o tempo todo. As pessoas tem uma conexão com a televisão que é uma coisa impressionante! Já sei porque. É qui neste país existe tanta tensão no ar que as pessoas estão o tempo todo escutando notícias. E como o país é pequeno, sempre que acontece alguma coisa o acontecido involve sempre alguém com quem se está conectado no segundo grau. Por isso essa obsessão pela televisão. E a televisão já sabe disso. Agora, por exemplo..Estou sentada na sala sozinha. A TV tá ligada. Nem sei quem foi que ligou. Na tela alguma coisa que eu definiria como Faustão ou algo do tipo. Tentei desligar a TV e não consegui. Apertei o botão e nada. Pedi pra ele desligar...ele disse: Vou trocar o canal. Sei...Mas isso da TV, eu vou ter que resolver. Eu odeio o murmurinho de TV no background da vida. Prefiro uma música ou coisa nenhuma, mas aquela coisa falante onipresente no fundo de tudo..não gosto. Acho que tira o gosto das coisas. Não gosto.
Pensei também outra coisa: Incrível que eu estudei hebraico enquanto estava aqui e apesar que ainda não consigo entender nada do que se fala na TV eu consigo perceber as palavras! Entender as palavras num programa de TV em hebraico é mais fácil do que entender qualquer filme em inglês. Porque será, me perguntei? É que o hebraico é falado por um número mínimo de pessoas, num país pequeno onde todos são primos. Resultado: Todo mundo fala igual. As palavras tem todas a mesma intonação, não importa da boca de quem elas saiam. Já o inglês não..existem milhões de sotaques, de expressões, de tons, de jeitos, de tipos..É uma língua falada por milhões de pessoas distribuídas no mundo todo, de todos os tipos, cores e religiões. Cada um que fala inglês adiciona mais alguma coisa diferente a língua. O inglês é a verdadeira Torre de Babel. Ou seria de Bebel? Saudades caninas...
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2010-01-27T14:02:27.252-02:00
Maribel faz 12 anos!
Hoje Maribel faz 12 anos! Nós a acordamos com um
balão que dentro tinha um papelzinho com uma pista que indicava onde ela
deveria encontrar outra pista. E assim, depois de 6 pistas, ela finalmente
chegou na última pista, que a levava ao seu presente.
Agora está aqui em casa com as amigas vendo um filme, comendo pizza e se preparando para o bolo e as velinhas que virão em seguida.
É um dia feliz!
Nós últimos dias elas ficaram vendo os DVDs com gravações de quando eram pequenas. Vimos Shika com menos de 1 ano de idade, vimos a festa de aniversário de Maribel, quando fez 7 anos. Quando eu estava aqui no quarto trabalhando, escutei as duas gritando. Shika subiu correndo e disse: Você precisa ver isso! Não posso agora, eu disse, estou trabalhando. Mas você precisa ver! ela insistiu. Mas o que é tão especial assim que eu preciso ver agora? E ela disse: Você! Desci as escadas e me surpreendi ao me ver no vídeo, na casa antiga em Israel, há 9 anos atrás!
Comentei com ele: Que desdobrar mais surpreendente, este das nossas vidas.
No vídeo de famíla, eu apareço ao lado de Shika e Maribel, quando elas eram bem pequenas. Ali estava eu, já presente na vida delas.
Semana que vem voltamos pra casa. Um ano de muitas mudanças nos espera. Estou animada com o que está por vir. Acho que as mudanças serão ótimas para todos nós.
Agora está aqui em casa com as amigas vendo um filme, comendo pizza e se preparando para o bolo e as velinhas que virão em seguida.
É um dia feliz!
Nós últimos dias elas ficaram vendo os DVDs com gravações de quando eram pequenas. Vimos Shika com menos de 1 ano de idade, vimos a festa de aniversário de Maribel, quando fez 7 anos. Quando eu estava aqui no quarto trabalhando, escutei as duas gritando. Shika subiu correndo e disse: Você precisa ver isso! Não posso agora, eu disse, estou trabalhando. Mas você precisa ver! ela insistiu. Mas o que é tão especial assim que eu preciso ver agora? E ela disse: Você! Desci as escadas e me surpreendi ao me ver no vídeo, na casa antiga em Israel, há 9 anos atrás!
Comentei com ele: Que desdobrar mais surpreendente, este das nossas vidas.
No vídeo de famíla, eu apareço ao lado de Shika e Maribel, quando elas eram bem pequenas. Ali estava eu, já presente na vida delas.
Semana que vem voltamos pra casa. Um ano de muitas mudanças nos espera. Estou animada com o que está por vir. Acho que as mudanças serão ótimas para todos nós.
-profile/016988792876050828741
2010-01-21T21:01:04.135-02:00
O que mais ganhei foi o que perdi
Quando penso nesta viagem só penso na
transformação que tem me causado. Vou voltar pra casa outra pessoa. Uma pessoa
melhor, mais gorda de tanto comer humus com pita, e mais culta, ganhei outra
língua!
Mais o que eu mais ganhei nesta viagem foram as coisas que perdi. Perdi o medo. Apesar dos vísiveis quilos que aqui ganhei, me sinto hoje muito mais leve.
As meninas estão bem, vão dormir de madrugada e passam o dia de pijama. Tem chovido muito por aqui e nos últimos dias tem estado muito frio. Resultado, não tenho ido dar as minhas corridinhas. De todas as corridas, as internacionais são as mais emocionantes. Já corri em Lisboa, em Buenos Aires, em Jerusalém, em Tel Aviv, em Washington, em Nova Iorque. No Central Park, o deleite daquela tarde fresca de primavera foi tanto que corri no parque até me perder de mim. Tive que correr muito até me achar novamente.
Mas sinto saudades de casa. Uma saudade de Moby e Bebel que chega a doer. Aqui em casa falamos deles todos os dias, e o vazio que sentimos quando abrimos a porta de casa e não tem cachorro trazendo brinquedo pra gente é desconcertante.
Daqui a 10 dias voltamos pra casa. A já tão conhecida e peculiar sensação de nossa família, a de sair de casa para voltar pra casa. Este ano que se inicia não vai ser fácil. Muita logística pra dar conta. Mas disse hoje pra ele enquanto tomávamos um café...não tenho medo de logística que pra dar conta dessas coisas da vida basta um bom plano traçado a dois. E plano agora nós temos. O mais difícil já passou e se com todas as nossas confusões, medos, lágrimas, e desentendimentos deste último ano nós não nos separamos, nada mais nos irá separar.
Mais o que eu mais ganhei nesta viagem foram as coisas que perdi. Perdi o medo. Apesar dos vísiveis quilos que aqui ganhei, me sinto hoje muito mais leve.
As meninas estão bem, vão dormir de madrugada e passam o dia de pijama. Tem chovido muito por aqui e nos últimos dias tem estado muito frio. Resultado, não tenho ido dar as minhas corridinhas. De todas as corridas, as internacionais são as mais emocionantes. Já corri em Lisboa, em Buenos Aires, em Jerusalém, em Tel Aviv, em Washington, em Nova Iorque. No Central Park, o deleite daquela tarde fresca de primavera foi tanto que corri no parque até me perder de mim. Tive que correr muito até me achar novamente.
Mas sinto saudades de casa. Uma saudade de Moby e Bebel que chega a doer. Aqui em casa falamos deles todos os dias, e o vazio que sentimos quando abrimos a porta de casa e não tem cachorro trazendo brinquedo pra gente é desconcertante.
Daqui a 10 dias voltamos pra casa. A já tão conhecida e peculiar sensação de nossa família, a de sair de casa para voltar pra casa. Este ano que se inicia não vai ser fácil. Muita logística pra dar conta. Mas disse hoje pra ele enquanto tomávamos um café...não tenho medo de logística que pra dar conta dessas coisas da vida basta um bom plano traçado a dois. E plano agora nós temos. O mais difícil já passou e se com todas as nossas confusões, medos, lágrimas, e desentendimentos deste último ano nós não nos separamos, nada mais nos irá separar.
-profile/016988792876050828741
2010-01-18T07:04:56.681-02:00
Filosofia de cabide
Você me pergunta como estão as coisas por aqui e
diz estar com saudades imensas. Também sinto saudades. Penso em você, na
pequena aldeia onde moramos, nos caninos que nos rodeiam. Penso em Lucky, sua
mãe e no sentimento maravilhoso que é o de salvar uma vida canina. Mas desta
vez a conquista foi das meninas, que sem pensar duas vezes colocaram pra dentro
de casa a cadelinha deixada dentro da caixa de papelão num dia de chuva, na
porta de nossa casa. De tão pequinininha que era, dava na palma da mão. No
mesmo dia Shika me ligou apreensiva para São Paulo, onde estávamos os dois, pra
me contar o feito. Também não pensei duas vezes e disse rapidamente que elas
tinham feito a coisa certa, não se pode ignorar a vida de nenhum ser. Mas não,
não poderíamos ficar com ela e encontraríamos juntas um novo lar para Lucky.
Lucky justifica o nome. Foi salva com amor e hoje é criada com amor.

Mas eu ia falar de coisas de armário. Apesar de estar me sentindo leve como há muito tempo não sentia, e das coisas terem mudado pra muito melhor na dinâmica de nossas vidas, tenho acordado todas as noites. Ás vezes sou acordada por uma palavra, em hebraico, que não quer calar. As vezes é um pensamento que acorda e leva todo o resto de mim junto. Fico na cama escutando ele roncar. Se as meninas estão acordadas, e geralmente estão, fazemos uma expedição pra cozinha em busca de cereal com leite, como três crianças.
Ontem fiz compras de roupas com a Shika. Entramos em várias lojas e as liquidações são muito baratas para nós, já que o real tem o dobro do valor do shekel, o dinheiro israelense. Com R$ 200.00 comprei 16 peças de roupas, entre blusas, casaco, suéter pra família toda. Um deleite!
Na madruga, na cama, fiquei pensando sobre coisas de armários. É assim:
1) Se veste melhor quem tem uma armário com poucas roupas, mas todas que lhe caem bem, do que quem tem muita roupa mas apenas poucas que lhe caem bem. Porque? Porque armário com muita coisa dificulta o encontro daquelas que realmente valem a pena, ou fazem com que nos esqueçamos delas. Ou seja, muita roupa tira o foco das poucas que ficam lindas em nós e que adoramos. Moral: Jogue fora metade de seu armário e você terá mais roupas pra vestir!
2) Sobre liquidação. Adotei a seguinte estratégia para não cair na armadilha da liquidação. A armadilha é a seguinte: A gente compra roupas porque são baratas e não porque realmente gostamos delas. Resultado: armário cheio que levam aos problemas descritos no item anterior. Para se proteger da ilusão da liquidação faça o seguinte. Quando experimentar uma roupa que esteja muito barata, coloque mentalmente nesta roupa um preço normal (mas acessível), e decida se você compraria por este preço. Se você rapidamente decidir que não então não leve a roupa. Porque mulher é capaz de comprar uma roupa só porque estava barata mas não é capaz de sair com esta roupa só por este motivo. Para vestir e sair com esta roupa, só mesmo se a roupa lhe cair bem. Você já se ouviu dizendo a seguinte frase: Esta blusa não fica lá grandes em coisas em mim mas vou usá-la mesmo assim porque foi tão baratinha...? Duvido. Mas tenho certeza que você já se ouviu..Essa blusa não fica tão bem em mim , mas tá tão baratinha que vale a pena comprar. Ok, pode até valer a pena. Mas saiba que neste caso o dinheiro pago não será pela blusa e sim somente pelo passeio e pela experiência de entrar na loja, ir ao shopping ou o que seja. Mas de verdade, a blusa vai acabar no saco de roupas nunca usadas que é dado todos os anos pra empregada.
3) Eu que compro tudo que ele veste. Da cueca, até a meia até a calça da Forum. Comprar roupa pra ele é uma verdadeiro deleite porque ele tem um corpo lindo e gosto de pensar que estou brincando de boneco. Gosto dele vestido com cores lisas, escuras e neutras. Gosto dele vestido de preto, de cinza escuro, de marrom. Eu compro, ele veste. Simples assim.
4) As meninas são como duas barbies pra quem adoro comprar coisinhas, e tenho uma coisa especial por pijamas e camisolas. Tudo que compro pra elas, elas adoram. Comprar qualquer coisas pra elas me dá um prazer inenarrável.
Ontem vimos o filme UP. Eu chorei. Ele perguntou em que parte eu chorei. Quando ela morre, eu disse. Eu sabia que você iria chorar, ele me disse. É que me fez lembrar o que você me disse várias vezes... que eu tinha que pensar em nós dois, que no final seriam apenas nós dois, e fiquei com medo de te perder no final. Você não vai me perder, ele me disse.

Mas eu ia falar de coisas de armário. Apesar de estar me sentindo leve como há muito tempo não sentia, e das coisas terem mudado pra muito melhor na dinâmica de nossas vidas, tenho acordado todas as noites. Ás vezes sou acordada por uma palavra, em hebraico, que não quer calar. As vezes é um pensamento que acorda e leva todo o resto de mim junto. Fico na cama escutando ele roncar. Se as meninas estão acordadas, e geralmente estão, fazemos uma expedição pra cozinha em busca de cereal com leite, como três crianças.
Ontem fiz compras de roupas com a Shika. Entramos em várias lojas e as liquidações são muito baratas para nós, já que o real tem o dobro do valor do shekel, o dinheiro israelense. Com R$ 200.00 comprei 16 peças de roupas, entre blusas, casaco, suéter pra família toda. Um deleite!
Na madruga, na cama, fiquei pensando sobre coisas de armários. É assim:
1) Se veste melhor quem tem uma armário com poucas roupas, mas todas que lhe caem bem, do que quem tem muita roupa mas apenas poucas que lhe caem bem. Porque? Porque armário com muita coisa dificulta o encontro daquelas que realmente valem a pena, ou fazem com que nos esqueçamos delas. Ou seja, muita roupa tira o foco das poucas que ficam lindas em nós e que adoramos. Moral: Jogue fora metade de seu armário e você terá mais roupas pra vestir!
2) Sobre liquidação. Adotei a seguinte estratégia para não cair na armadilha da liquidação. A armadilha é a seguinte: A gente compra roupas porque são baratas e não porque realmente gostamos delas. Resultado: armário cheio que levam aos problemas descritos no item anterior. Para se proteger da ilusão da liquidação faça o seguinte. Quando experimentar uma roupa que esteja muito barata, coloque mentalmente nesta roupa um preço normal (mas acessível), e decida se você compraria por este preço. Se você rapidamente decidir que não então não leve a roupa. Porque mulher é capaz de comprar uma roupa só porque estava barata mas não é capaz de sair com esta roupa só por este motivo. Para vestir e sair com esta roupa, só mesmo se a roupa lhe cair bem. Você já se ouviu dizendo a seguinte frase: Esta blusa não fica lá grandes em coisas em mim mas vou usá-la mesmo assim porque foi tão baratinha...? Duvido. Mas tenho certeza que você já se ouviu..Essa blusa não fica tão bem em mim , mas tá tão baratinha que vale a pena comprar. Ok, pode até valer a pena. Mas saiba que neste caso o dinheiro pago não será pela blusa e sim somente pelo passeio e pela experiência de entrar na loja, ir ao shopping ou o que seja. Mas de verdade, a blusa vai acabar no saco de roupas nunca usadas que é dado todos os anos pra empregada.
3) Eu que compro tudo que ele veste. Da cueca, até a meia até a calça da Forum. Comprar roupa pra ele é uma verdadeiro deleite porque ele tem um corpo lindo e gosto de pensar que estou brincando de boneco. Gosto dele vestido com cores lisas, escuras e neutras. Gosto dele vestido de preto, de cinza escuro, de marrom. Eu compro, ele veste. Simples assim.
4) As meninas são como duas barbies pra quem adoro comprar coisinhas, e tenho uma coisa especial por pijamas e camisolas. Tudo que compro pra elas, elas adoram. Comprar qualquer coisas pra elas me dá um prazer inenarrável.
Ontem vimos o filme UP. Eu chorei. Ele perguntou em que parte eu chorei. Quando ela morre, eu disse. Eu sabia que você iria chorar, ele me disse. É que me fez lembrar o que você me disse várias vezes... que eu tinha que pensar em nós dois, que no final seriam apenas nós dois, e fiquei com medo de te perder no final. Você não vai me perder, ele me disse.
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2010-01-11T15:06:31.769-02:00
Impressoes de vigm
Estou estudando hebraico, a primeira língua que
aprendi na vida e que depois desaprendi quando voltamos pro Brasil quando eu
tinha por volta dos 4 anos. Graças a escola judaica consegui manter o alfabeto
e um entendimento básico da língua. Mas agora estou estudando de verdade, todo
santo dia, faça chuva ou faça sol.
Eu sou uma das poucas pessoas que compra aqueles livros de língua "Aprenda você mesmo" e que leva a coisa realmente a sério. Minha primeira experiência deste tipo foi com aquela coleção da Globo que vendia nas bancas e que cada semana vinha um livrinho que acompanhava um cassete. Fiz quase a série completa do françês. Não aprendi a falar françês de fato porque não fui a frança e nem connheci um francês, mas sou capaz de ler textos em francês.
Na verdade eu simplesmente adoro estudar línguas, se pudesse só fazia isso. Acho fascinante ver como as palavras se relacionam entre diferentes línguas e como uma palavra dita numa língua pode ter originado uma outra semelhante, em outra. Já tirei muitas conclusões e já me perguntei muitas questões. Por exemplo, da onde vem que nós brasileiros dizemos oi? Português não diz oi, espanhol não diz oi. Mas sabe quem diz um oi igualzinho ao nosso? Os holandeses. Tô convencida que nosso oi é reflexo da colonização holandesa no nordeste.
Hebraico é uma línga fascinante e diferente do que possam pensar não é uma língua difícil, como o português. Eu estou convencida de que o maior pavor dos povos de línguas romanas (português, espanhol, francês, italiano e romeno) era o mal-entendido. Por que só esse pavor pode explicar a quantidade absurda de tempos verbais que estas línguas tem. E separar o verbo to be em ser e estar, pra que? Outro dia fiquei horas tentando descobrir como explicaria pra ele a diferença entre as seguintes frases e quando usar cada uma :ele era um bom amigo, ele foi um bom amigo. Give me a break....
Mas o mais fascinante do hebraico não é o fato de que se escreve da direita pra esquerda e nem que as letras parecem obras de arte. Uma folha de papel escrita a lápis em hebraico, por qualquer pessoa de caligrafia normal, eu por exemplo, parece uma obra de arte. Mas fascinante mesmo é ler o hebraico.
Quando observava as meninas lendo um livro em hebraico ficava impressionada com a velocidade como elas liam. Agora já sei porque. No hebraico as palavras não são lidas como no português, mas sim reconhecidas. Qual a diferença? Veja bem... No português fazemos a total LEITURA de cada letra de uma palavra enquanto no hebraico fazemos o RCNHCMNTO da palavra como um todo. Funciona pela memória fotográfica porque as vogais são omitidas. Quando se aprende hebraico todas as vogais, que são representadas por pequenos pontinhos, são mostradas. Conforme a criança vai aprendendo as palavras os pontinhos são retirados e a palavra passa então a ser reconhecida. Não é possível pronunciar no hebraico uma palavra que aparece sem pontinhos se você não a conhecer. Por exemplo, se eu disser que no português existe a palavra paralelepípedo vc será capaz de lê-la, mesmo se nunca tiver visto palavra mais gorda. Se essa fosse uma palavra em hebraico, seria escrita, após retirada das vogais, como algo do tipo prllpipdo (algumas vogais as vezes são representadas) e vc jamais saberia como lê-la, ao não ser que alguém te disesse.
Agora entendo porque elas liam tão rápido..o hebraico é o must da leitura dinâmica, naturalmente! Nada se lê, tudo se reconhece!להתרואת (leitraot- até breve..)
Eu sou uma das poucas pessoas que compra aqueles livros de língua "Aprenda você mesmo" e que leva a coisa realmente a sério. Minha primeira experiência deste tipo foi com aquela coleção da Globo que vendia nas bancas e que cada semana vinha um livrinho que acompanhava um cassete. Fiz quase a série completa do françês. Não aprendi a falar françês de fato porque não fui a frança e nem connheci um francês, mas sou capaz de ler textos em francês.
Na verdade eu simplesmente adoro estudar línguas, se pudesse só fazia isso. Acho fascinante ver como as palavras se relacionam entre diferentes línguas e como uma palavra dita numa língua pode ter originado uma outra semelhante, em outra. Já tirei muitas conclusões e já me perguntei muitas questões. Por exemplo, da onde vem que nós brasileiros dizemos oi? Português não diz oi, espanhol não diz oi. Mas sabe quem diz um oi igualzinho ao nosso? Os holandeses. Tô convencida que nosso oi é reflexo da colonização holandesa no nordeste.
Hebraico é uma línga fascinante e diferente do que possam pensar não é uma língua difícil, como o português. Eu estou convencida de que o maior pavor dos povos de línguas romanas (português, espanhol, francês, italiano e romeno) era o mal-entendido. Por que só esse pavor pode explicar a quantidade absurda de tempos verbais que estas línguas tem. E separar o verbo to be em ser e estar, pra que? Outro dia fiquei horas tentando descobrir como explicaria pra ele a diferença entre as seguintes frases e quando usar cada uma :ele era um bom amigo, ele foi um bom amigo. Give me a break....
Mas o mais fascinante do hebraico não é o fato de que se escreve da direita pra esquerda e nem que as letras parecem obras de arte. Uma folha de papel escrita a lápis em hebraico, por qualquer pessoa de caligrafia normal, eu por exemplo, parece uma obra de arte. Mas fascinante mesmo é ler o hebraico.
Quando observava as meninas lendo um livro em hebraico ficava impressionada com a velocidade como elas liam. Agora já sei porque. No hebraico as palavras não são lidas como no português, mas sim reconhecidas. Qual a diferença? Veja bem... No português fazemos a total LEITURA de cada letra de uma palavra enquanto no hebraico fazemos o RCNHCMNTO da palavra como um todo. Funciona pela memória fotográfica porque as vogais são omitidas. Quando se aprende hebraico todas as vogais, que são representadas por pequenos pontinhos, são mostradas. Conforme a criança vai aprendendo as palavras os pontinhos são retirados e a palavra passa então a ser reconhecida. Não é possível pronunciar no hebraico uma palavra que aparece sem pontinhos se você não a conhecer. Por exemplo, se eu disser que no português existe a palavra paralelepípedo vc será capaz de lê-la, mesmo se nunca tiver visto palavra mais gorda. Se essa fosse uma palavra em hebraico, seria escrita, após retirada das vogais, como algo do tipo prllpipdo (algumas vogais as vezes são representadas) e vc jamais saberia como lê-la, ao não ser que alguém te disesse.
Agora entendo porque elas liam tão rápido..o hebraico é o must da leitura dinâmica, naturalmente! Nada se lê, tudo se reconhece!להתרואת (leitraot- até breve..)
-profile/016988792876050828741
2010-01-04T08:09:56.735-02:00
Familia, mamãe, papai, titia...
A mãe e a avó dele chegaram ontem pra passar uma
semana com a gente. Com elas é tudo muito fácil já que são as duas brasileiras.
A avó saiu do Brasil quando tinha 29 anos, imagino que logo após o estado de
Israel ser criado. E junto veio a mãe dele que na época tinha 10 anos. As duas
falam português e eu finalmente tenho a chance de interagir. Gostei da mãe dele
desde o primeiro dia que a conheci, em novembro do ano passado. Ela é uma
graça, super carinhosa e cozinha que é uma verdadeira loucura. A avó também é
uma graça. Ela tem 81 anos e está ótima, 100% lúcida e leva uma vida totalmente
normal. As duas tomam um copo de vinho todas as noites, deve ser isso.
Depois de ter passado quase 3 semanas de férias, quando eu realmente consegui me desligar do trabalho de uma forma tal nunca antes experimentada, eu percebi como o trabalho me afeta. Nestas 3 semanas eu dormi como fazia quando era adolescente, sonhava quase todas as noites e tinha dificuldades pra levanatr da cama de manhã. Eu estava dormindo uma média de 9 a 10 horas por noite. Ontem já voltei a trabalhar e essa noite já não dormi mais como nestas últimas semanas. Já acordei antes do despertador e pensando em tudo que teria que fazer ao longo do dia e das coisas que não podia de modo algum esquecer. Nestas 3 semanas de férias eu percebi pela primeira vez como é possível de fato tirar o dedo da tomada por alguns dias. Além disso, tirando a crise inicial que tivemos logo que chegamos em Israel, os dias tem sido tranquilos e felizes. Na verdade eu me sinto muito mais tranquila agora com a venda da casa porque já não sinto estar carregando um caminhão de chumbo sozinha nas minhas costas e jão não me apavoro ao pensar no que terei de fazer se não conseguir alugar a casa dos EUA logo, já que não consegui vender a casa pelo preço que gostaria.
Com as responsabilidades agora devidamente distribuídas como devem ser talvez eu consega finalmente ser feliz.
Depois de ter passado quase 3 semanas de férias, quando eu realmente consegui me desligar do trabalho de uma forma tal nunca antes experimentada, eu percebi como o trabalho me afeta. Nestas 3 semanas eu dormi como fazia quando era adolescente, sonhava quase todas as noites e tinha dificuldades pra levanatr da cama de manhã. Eu estava dormindo uma média de 9 a 10 horas por noite. Ontem já voltei a trabalhar e essa noite já não dormi mais como nestas últimas semanas. Já acordei antes do despertador e pensando em tudo que teria que fazer ao longo do dia e das coisas que não podia de modo algum esquecer. Nestas 3 semanas de férias eu percebi pela primeira vez como é possível de fato tirar o dedo da tomada por alguns dias. Além disso, tirando a crise inicial que tivemos logo que chegamos em Israel, os dias tem sido tranquilos e felizes. Na verdade eu me sinto muito mais tranquila agora com a venda da casa porque já não sinto estar carregando um caminhão de chumbo sozinha nas minhas costas e jão não me apavoro ao pensar no que terei de fazer se não conseguir alugar a casa dos EUA logo, já que não consegui vender a casa pelo preço que gostaria.
Com as responsabilidades agora devidamente distribuídas como devem ser talvez eu consega finalmente ser feliz.
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2010-01-04T07:53:54.557-02:00
Da janela lateral
eu vejo Tel-Aviv.

Eu acho. Não importa. Vejo a estrada, escuto os carros, sinto frio mas percebo o sol. Hoje me perguntei se ainda seria capaz de ficar sozinha ao longo do dia. Capaz sei que seria, mas será que seria capaz de curtir? Hoje escolhi passar o dia sozinha. A família dele convidou para passar o dia no lago Kineret, onde um dos irmãos tem casa. Depois do dia exaustivo que tivemos ontem, que começou com uma visita ao cemitério e lágrimas que só eu chorei, fomos em seguida para a casa do pai dele, que mora com a segunda esposa, e depois para a casa do meio-irmão (do segundo casamento da mãe dele), onde encontramos a esposa, os dois filhos pequenos, o outro meio-irmão e o segundo marido da mãe dele (pai dos dis meio-irmãos). As pessoas adoram ele e as meninas e também me tratam com muito carinho. Mas tenho que confessar que pra mim é exaustivo porque a minha possibilidade de interação é quase nenhuma e a dinâmica com que a coisa acontece me deixa com pouquíssimo espaço para "ser" alguma coisa. É assim: Poucos falam alguma coisa de inglês que seja suficiente pra levar uma conversa comigo, a TV fica ligada o tempo todo e eles ficam em volta da mesma. A TV geralmente fica no canal de notícias, em hebraico, ou quando é um filme em inglês o volume geralmente é deixado muito baixo e eles lêem a legenda e falam ao mesmo tempo. Não estou fazendo aqui uma crítica não, é muito claro pra mim o quanto deve ser gostoso estar com pessoas que você ama, que tem saudades, juntos vendo um programa na TV e comentando sobre o mesmo ou sobre a vida, ao mesmo tempo. Mas pra mim, que não posso desfrutar deste prazer, vira uma total tortura, principalmente quando são muitas horas nesta situação. Assim foi ontem. Chegamos na casa do pai dele às 3 da tarde, mais ou menos, e saímos da casa do meio-irmão as 10 da noite!
Ainda pior é o fato de que eu tenho estudado hebraico desde que cheguei aqui, todos os dias, com a dsciplina que me é característica e que me fez quem eu sou. Todos os dias eu sento com os meus livrinhos de estória infantil e leio, pergunto as palavras, olho no dicionário, escrevo as traduções, treino a escrita. Primeiro foi "O sonho de Idan!", depois "A girafa de Iosef", e agora "Senhora Curiosidade!". Com isso consigo pegar o contexto de algumas conversas e isso torna a coisa ainda mais cansativa porque estou exatamente naquele ponto em que ainda não entendo mas já não mais sou indiferente. E meu cérebro fica tentando entender, porque sou mesmo Senhora Curiosidade e ás vezes acho que vai sair fumaça da minha cabeça.
Ontem a noite disse a ele que eu queria ficar em casa hoje. Ele não disse nada mas sei que não gostou. Pensou que eu não sou do tipo "família" (o que absolutamente não é verdade), ou que tenho pouca paciência. Eu disse pra ele: Me desculpe mas nossa família é diferente de todas as outras e temos nossas limitações. Esta é uma delas. Mas que fique claro que eu estou me esforçando o máximo que posso para diminuir esta limitação, mas tenho que respeitar meus limites.
E assim, hoje estou sozinha nesta casa, cuja venda já foi fechada. Daqui a pouco vou correr, depois vou tomar banho, almoçar, quem sabe dormir um pouco, ver um DVD, ler alguma coisa, estudar mais um pouco de hebraico. O que era mesmo que eu fazia quando vivia sozinha? Hoje terei a oportunidade de lembrar.

Eu acho. Não importa. Vejo a estrada, escuto os carros, sinto frio mas percebo o sol. Hoje me perguntei se ainda seria capaz de ficar sozinha ao longo do dia. Capaz sei que seria, mas será que seria capaz de curtir? Hoje escolhi passar o dia sozinha. A família dele convidou para passar o dia no lago Kineret, onde um dos irmãos tem casa. Depois do dia exaustivo que tivemos ontem, que começou com uma visita ao cemitério e lágrimas que só eu chorei, fomos em seguida para a casa do pai dele, que mora com a segunda esposa, e depois para a casa do meio-irmão (do segundo casamento da mãe dele), onde encontramos a esposa, os dois filhos pequenos, o outro meio-irmão e o segundo marido da mãe dele (pai dos dis meio-irmãos). As pessoas adoram ele e as meninas e também me tratam com muito carinho. Mas tenho que confessar que pra mim é exaustivo porque a minha possibilidade de interação é quase nenhuma e a dinâmica com que a coisa acontece me deixa com pouquíssimo espaço para "ser" alguma coisa. É assim: Poucos falam alguma coisa de inglês que seja suficiente pra levar uma conversa comigo, a TV fica ligada o tempo todo e eles ficam em volta da mesma. A TV geralmente fica no canal de notícias, em hebraico, ou quando é um filme em inglês o volume geralmente é deixado muito baixo e eles lêem a legenda e falam ao mesmo tempo. Não estou fazendo aqui uma crítica não, é muito claro pra mim o quanto deve ser gostoso estar com pessoas que você ama, que tem saudades, juntos vendo um programa na TV e comentando sobre o mesmo ou sobre a vida, ao mesmo tempo. Mas pra mim, que não posso desfrutar deste prazer, vira uma total tortura, principalmente quando são muitas horas nesta situação. Assim foi ontem. Chegamos na casa do pai dele às 3 da tarde, mais ou menos, e saímos da casa do meio-irmão as 10 da noite!
Ainda pior é o fato de que eu tenho estudado hebraico desde que cheguei aqui, todos os dias, com a dsciplina que me é característica e que me fez quem eu sou. Todos os dias eu sento com os meus livrinhos de estória infantil e leio, pergunto as palavras, olho no dicionário, escrevo as traduções, treino a escrita. Primeiro foi "O sonho de Idan!", depois "A girafa de Iosef", e agora "Senhora Curiosidade!". Com isso consigo pegar o contexto de algumas conversas e isso torna a coisa ainda mais cansativa porque estou exatamente naquele ponto em que ainda não entendo mas já não mais sou indiferente. E meu cérebro fica tentando entender, porque sou mesmo Senhora Curiosidade e ás vezes acho que vai sair fumaça da minha cabeça.
Ontem a noite disse a ele que eu queria ficar em casa hoje. Ele não disse nada mas sei que não gostou. Pensou que eu não sou do tipo "família" (o que absolutamente não é verdade), ou que tenho pouca paciência. Eu disse pra ele: Me desculpe mas nossa família é diferente de todas as outras e temos nossas limitações. Esta é uma delas. Mas que fique claro que eu estou me esforçando o máximo que posso para diminuir esta limitação, mas tenho que respeitar meus limites.
E assim, hoje estou sozinha nesta casa, cuja venda já foi fechada. Daqui a pouco vou correr, depois vou tomar banho, almoçar, quem sabe dormir um pouco, ver um DVD, ler alguma coisa, estudar mais um pouco de hebraico. O que era mesmo que eu fazia quando vivia sozinha? Hoje terei a oportunidade de lembrar.
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